Na encruzilhada do digital: uma arqueogênese da informação de Jacquard à Inteligência Artificial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Vilalta, Lucas Paolo Sanches
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-28072025-113524/
Resumo: Trata-se de analisar o conceito de informação como elemento chave para a compreensão das radicais transformações ontológicas, epistemológicas e ético-políticas que o dispositivo digital tem produzido em nossa contemporaneidade. Isto é, propomos investigar a informação como arkhé, como princípio material de constituição e governo de um sistema geral de comunicação e organização que está na base das reconfigurações dos saberes, poderes e subjetivações. Para tanto, ancorados na filosofia de Gilbert Simondon, realizamos uma arqueogênese da informação mostrando como ela expressa uma descontinuidade ontológica e uma transformação epistêmica que caracterizam essencialmente a digitalidade. Por um lado, a informação expressa um realismo radical das relações que propõe que entre matérias e energias, no que costumamos denominar \"realidade\", o que existem são relações e processos, e não termos e indivíduos. O humano deixa de ser o padrão de todas as coisas e a informação passa a ocupar o lugar de unidade mínima de relação entre todos os seres – algo que vemos claramente na genética, na biologia molecular, na mecânica estatística, entre outros campos das ciências; e no bit como unidade constitutiva das relações técnicas e da própria existência das tecnologias digitais. Por outro lado, a figura epistêmica do humano cede lugar à máquina como nova figura que parametriza os modos de existência não apenas dos seres humanos e técnicos, mas de todos os seres físicos e viventes. Não se trata mais da oposição entre mecanicismo e vitalismo que caracterizou os automatismos e as máquinas pré-cibernéticas, mas sim de máquinas-viventes que unem computação e cognição e aderem ao orgânico e ao social em existências transindividuais. Analisando em detalhe a historicidade e a evolução da tecnicidade da informação e das tecnologias digitais, do tear de Jacquard à Inteligência Artificial, descrevemos a gênese da informação digital para, então, podermos mapear o dispositivo digital como um sistema de dados, algoritmos e interfaces-plataformas que pode ser analisado a partir de suas dimensões material, lógico-simbólica, conectiva e expressiva. Mostramos também como a Inteligência Artificial não consiste na emulação da inteligência humana, mas em sistemas de coindividuação e sequestro da inteligência social e coletiva. Nunca a técnica foi tão transindividual como agora e a partir desta constatação, finalmente, analisamos as transformações ético-políticas implicadas nas novas maneiras de se conectar, comunicar e existir que o digital impõe, indicando como funcionam os protocolos de transdução, algoritmos de modulação e plataformas de organização que configuram as lutas políticas e desafios existenciais de nosso presente
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spelling Na encruzilhada do digital: uma arqueogênese da informação de Jacquard à Inteligência ArtificialAt the Crossroads of the Digital: an Archaeogenesis of Information from Jacquard to Artificial IntelligenceArtificial intelligenceCibernéticaCyberneticsDigitalDigitalInformaçãoInformationInteligência artificialSimondonSimondonTrata-se de analisar o conceito de informação como elemento chave para a compreensão das radicais transformações ontológicas, epistemológicas e ético-políticas que o dispositivo digital tem produzido em nossa contemporaneidade. Isto é, propomos investigar a informação como arkhé, como princípio material de constituição e governo de um sistema geral de comunicação e organização que está na base das reconfigurações dos saberes, poderes e subjetivações. Para tanto, ancorados na filosofia de Gilbert Simondon, realizamos uma arqueogênese da informação mostrando como ela expressa uma descontinuidade ontológica e uma transformação epistêmica que caracterizam essencialmente a digitalidade. Por um lado, a informação expressa um realismo radical das relações que propõe que entre matérias e energias, no que costumamos denominar \"realidade\", o que existem são relações e processos, e não termos e indivíduos. O humano deixa de ser o padrão de todas as coisas e a informação passa a ocupar o lugar de unidade mínima de relação entre todos os seres – algo que vemos claramente na genética, na biologia molecular, na mecânica estatística, entre outros campos das ciências; e no bit como unidade constitutiva das relações técnicas e da própria existência das tecnologias digitais. Por outro lado, a figura epistêmica do humano cede lugar à máquina como nova figura que parametriza os modos de existência não apenas dos seres humanos e técnicos, mas de todos os seres físicos e viventes. Não se trata mais da oposição entre mecanicismo e vitalismo que caracterizou os automatismos e as máquinas pré-cibernéticas, mas sim de máquinas-viventes que unem computação e cognição e aderem ao orgânico e ao social em existências transindividuais. Analisando em detalhe a historicidade e a evolução da tecnicidade da informação e das tecnologias digitais, do tear de Jacquard à Inteligência Artificial, descrevemos a gênese da informação digital para, então, podermos mapear o dispositivo digital como um sistema de dados, algoritmos e interfaces-plataformas que pode ser analisado a partir de suas dimensões material, lógico-simbólica, conectiva e expressiva. Mostramos também como a Inteligência Artificial não consiste na emulação da inteligência humana, mas em sistemas de coindividuação e sequestro da inteligência social e coletiva. Nunca a técnica foi tão transindividual como agora e a partir desta constatação, finalmente, analisamos as transformações ético-políticas implicadas nas novas maneiras de se conectar, comunicar e existir que o digital impõe, indicando como funcionam os protocolos de transdução, algoritmos de modulação e plataformas de organização que configuram as lutas políticas e desafios existenciais de nosso presenteThis thesis analyzes the concept of information as a key element for understanding the radical ontological, epistemological, and ethical-political transformations brought about by the digital dispositif in our contemporary era. That is, we propose to investigate information as arkhé, as the material principle of constitution and governance of a general system of communication and organization that underlies the reconfigurations of knowledge, power, and subjectivities. To this end, drawing on the philosophy of Gilbert Simondon, we undertake an archaeogenesis of information, showing how it expresses an ontological discontinuity and an epistemic transformation that fundamentally characterize digitality. On the one hand, information expresses a radical realism of relations, proposing that within what we commonly call \"reality\"–among matter and energy–what truly exist are relations and processes, rather than entities or individuals. The human ceases to be the standard by which all things are measured, and information takes its place as the minimal unit of relation among all beings–something evident in genetics, molecular biology, statistical mechanics, and other scientific fields; as well as in the bit as the fundamental unit structuring technical relations and the very existence of digital technologies. On the other hand, the epistemic figure of the human gives way to the machine as the new paradigm that determines modes of existence not only for human and technical beings but for all physical and living beings. This is no longer a matter of the opposition between mechanism and vitalism, which characterized automatons and precybernetic machines, but rather of living machines that merge computation and cognition, adhering to both the organic and the social in transindividual existences. By analyzing in detail the historicity and evolution of the technicity of information and digital technologies–from Jacquard\'s loom to Artificial Intelligence–we describe the genesis of digital information so that we can then map the digital dispositif as a system of data, algorithms, and interfaceplatforms, which can be examined through its material, logical-symbolic, connective, and expressive dimensions. We also show that Artificial Intelligence does not consist in the emulation of human intelligence but rather in systems of co-individuation and the sequestration of social and collective intelligence. Never before has technology been so transindividual, and from this realization, we finally analyze the ethical-political transformations implied by the new ways for connecting, communicating, and existing that the digital imposes. We examine how transduction protocols, modulation algorithms, and organizational platforms shape the political struggles and existential challenges of our presentBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRamos, Silvana de SouzaVilalta, Lucas Paolo Sanches2025-05-15info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-28072025-113524/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-28T14:53:02Zoai:teses.usp.br:tde-28072025-113524Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-28T14:53:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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