Correndo para o Abraço: Wilhelm Reich e o Brasil entre a peste e a potência

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Almeida, Gabriel Puopolo Alves de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-22082025-201246/
Resumo: Na forma de um ensaio teórico, este estudo procura contribuir para o que pode ser considerada uma psicologia de massa brasileira, nos moldes propostos pelo psicanalista, psiquiatra e pesquisador austríaco Wilhelm Reich (1897-1957). Compreendida como o estudo da ideologia e das subjetividades (que ele denomina estrutura de caráter) de uma dada sociedade em um determinado período histórico, a Psicologia Política reichiana se apresenta como um caminho ou método para a análise de outras sociedades. Assim, tendo como foco principal a noção de potência orgástica, na forma como fora concebida por Reich, a intenção deste ensaio é a de articular essa noção à perspectiva de uma dupla consciência, própria aos povos e países formados como resultado do empreendimento moderno de colonização. Também, foi realizada uma investigação sobre os fundamentos teóricos e epistemológicos da noção de potência no pensamento de Reich, seguida de um exame crítico dessa noção, tendo como eixo o debate a respeito da ideia de encontros potentes. Assim, foi possível ingressar para o campo de pensamento crítico da decolonialidade. Antes, porém, criou-se o panorama teórico, histórico e epistêmico sobre o qual a crítica decolonial se assenta, para então mobilizar a obra do também psiquiatra e pensador Frantz Fanon na direção de uma certa descolonização do pensamento reichiano. O diálogo teórico entre Reich e Fanon permitiu tecer comentários sobre a constituição subjetiva e as sociabilidades produzidas pelo tensionamento entre as perspectivas do colonizado e do colonizador, próprias aos países que surgiram do projeto colonial. A análise sobre o campo representacional da peste-potência no Brasil se deu por intermédio de um importante fenômeno cultural brasileiro: o futebol, que serviu de campo de reflexão concreta a respeito do que nos faz ou não correr para o abraço. Entende-se que o racismo moderno colonial se faz presente no campo cultural brasileiro sob a forma de um não reconhecimento da viabilidade do povo e do próprio país no concerto das nações, de modo que as representações a respeito do nosso futebol servem tanto como um véu que encobre nossas desigualdades, sob o mito de uma democracia racial, como também podem servir como um poderoso operador do vínculo entre o Brasil e si mesmo, assim como do povo brasileiro entre si, configurando assim o circuito peste-potência. Esse circuito, por sua vez, vem se agravando para o polo pestilento, devido às influências exercidas pelo neoliberalismo. Produzindo subjetividades unidimensionais e estabelecendo uma sociabilidade concorrencial, o neoliberalismo vem provocando o desencanto do futebol e, consequentemente, do Brasil. Sem a pretensão de apresentar uma conclusão decisiva sobre o tema, este ensaio tem como principal objetivo a criação de uma base teórica para futuras pesquisas sobre a sociologia reichiana e a realidade brasileira.
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Assim, tendo como foco principal a noção de potência orgástica, na forma como fora concebida por Reich, a intenção deste ensaio é a de articular essa noção à perspectiva de uma dupla consciência, própria aos povos e países formados como resultado do empreendimento moderno de colonização. Também, foi realizada uma investigação sobre os fundamentos teóricos e epistemológicos da noção de potência no pensamento de Reich, seguida de um exame crítico dessa noção, tendo como eixo o debate a respeito da ideia de encontros potentes. Assim, foi possível ingressar para o campo de pensamento crítico da decolonialidade. Antes, porém, criou-se o panorama teórico, histórico e epistêmico sobre o qual a crítica decolonial se assenta, para então mobilizar a obra do também psiquiatra e pensador Frantz Fanon na direção de uma certa descolonização do pensamento reichiano. O diálogo teórico entre Reich e Fanon permitiu tecer comentários sobre a constituição subjetiva e as sociabilidades produzidas pelo tensionamento entre as perspectivas do colonizado e do colonizador, próprias aos países que surgiram do projeto colonial. A análise sobre o campo representacional da peste-potência no Brasil se deu por intermédio de um importante fenômeno cultural brasileiro: o futebol, que serviu de campo de reflexão concreta a respeito do que nos faz ou não correr para o abraço. Entende-se que o racismo moderno colonial se faz presente no campo cultural brasileiro sob a forma de um não reconhecimento da viabilidade do povo e do próprio país no concerto das nações, de modo que as representações a respeito do nosso futebol servem tanto como um véu que encobre nossas desigualdades, sob o mito de uma democracia racial, como também podem servir como um poderoso operador do vínculo entre o Brasil e si mesmo, assim como do povo brasileiro entre si, configurando assim o circuito peste-potência. Esse circuito, por sua vez, vem se agravando para o polo pestilento, devido às influências exercidas pelo neoliberalismo. Produzindo subjetividades unidimensionais e estabelecendo uma sociabilidade concorrencial, o neoliberalismo vem provocando o desencanto do futebol e, consequentemente, do Brasil. Sem a pretensão de apresentar uma conclusão decisiva sobre o tema, este ensaio tem como principal objetivo a criação de uma base teórica para futuras pesquisas sobre a sociologia reichiana e a realidade brasileira.Written as a theoretical essay, this study seeks to contribute to what can be considered a Brazilian mass psychology, along the lines proposed by the Austrian psychoanalyst, psychiatrist and researcher Wilhelm Reich (1897-1957). Understood as the study of the ideology and subjectivities (which he calls character structure) of a given society and its respective historical period, Reichian Political Psychology presents itself as a path, or a method for the analysis of other societies. Thus, focusing primarily on the notion of orgastic potency, as conceived by Reich, the intention of this essay was to articulate this notion with the perspective of a double consciousness, specific to the peoples and countries formed as a result of modern colonization. Also, an investigation was carried out on the theoretical and epistemological foundations of the notion of potency in Reichs thought, followed by a critical examination of this notion, having as its axis a debate regarding the idea of potent encounters. Thus, it was possible to enter the field of critical thinking on decoloniality. First, however, the theoretical, historical and epistemic soil on which decolonial criticism is based on was created, in order to mobilize the work of the psychiatrist and thinker Frantz Fanon, toward a certain decolonization of Reichian thought. The theoretical dialogue between Reich and Fanon allowed for comments on the subjective constitution and sociabilities produced by the tension between the perspectives of the colonized and the colonizer, typical of the countries that emerged from the colonial project. The analysis of the representational field of the plague-potency in Brazil was carried out through an important Brazilian cultural phenomenon: football, which served as a field for concrete reflection on what makes us run for the embrace or not. It is understood that modern colonial racism operates in the Brazilian cultural field in the form of a failure to recognize the viability of the people and the country itself in the concert of nations, with representations regarding our football being both a veil that covers our inequalities under the myth of a racial democracy, at the same time it can also serve as a powerful operator of the bond between Brazil and itself, as well as between the Brazilian people themselves, thus configuring the plague-potency circuit. This circuit, in turn, has been worsening towards the pestilent side, due to the influences exerted by neoliberalism. By producing one-dimensional subjectivities and establishing a competitive sociability, neoliberalism has been causing the disenchantment of football and, consequently, of Brazil. Without the intention of presenting a decisive conclusion on the subject, this essay has as its main objective the creation of a theoretical basis for future research on Reichian sociology and the Brazilian reality.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSvartman, Bernardo ParodiAlmeida, Gabriel Puopolo Alves de2025-05-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-22082025-201246/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-29T09:03:01Zoai:teses.usp.br:tde-22082025-201246Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-29T09:03:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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