São Paulo: o mito da cidade-global

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2003
Autor(a) principal: Ferreira, João Sette Whitaker
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-13092024-115155/
Resumo: A \"cidade-global\" vem sendo difundida pelo mundo como o único modelo urbano capaz de garantir a sobrevida das cidades no \"novo\" contexto da \"globalização da economia\". Se esse modelo pode até mostrar-se de alguma eficácia no contexto das grandes cidades desenvolvidas, isso não ocorre entretanto nas grandes metrópoles periféricas, como no caso de São Paulo. A observação de dados empíricos da cidade mostra que ela não apresenta nenhum dos atributos típicos da \"cidade-global\": ela não se situa na rota dos grandes fluxos da economia global, não sofre de um processo de desindustrialização estrutural nas mesmas proporções do que as cidades desenvolvidas, não vê o \"terciário avançado\" se sobrepor aos outros setores da economia, etc. Entretanto, o discurso dominante do pensamento único neoliberal, que tem como paralelos urbanos as teorias da \"Cidade-Global\", do \"Planejamento Estratégico\" e do \"Marketing de cidades\", impõe um discurso ideológico pelo qual esses modelos seriam as únicas opções de urbanização aceitáveis para São Paulo. Apoiando-se nessa falsa realidade, os empreendedores urbanos da cidade conseguem canalizar os recursos públicos de forma a sustentar a construção, na região da Marginal do Rio Pinheiros, uma \"centralidade global de negócios\", desviando assim as políticas públicas das prioridades prementes ligadas à uma fratura sócio-espacial que não pára de crescer.|) Assim, em uma cidade em que quase 50% da população é privada dos direitos de|cidadania mais básicos e não consegue sequer a incluir-se na dinâmica urbana da cidade formal, alguns grupos de empreendedores, associados ao Poder Público, conseguem criar uma \"cidade dentro da cidade\", verdadeira ilha de Primeiro-Mundo, pousada sobre uma matriz urbana na qual sobrevivem ainda as relações sociais arcaicas típicas do sub-desenvolvimento urbano de um país que ainda nem conseguiu vencer as dificuldades impostas por sua herança colonial. Uma análise mais pormenorizada mostrará que se trata de uma dinâmica de produção do espaço urbano muito próxima do modelo da \"máquina de crescimento urbano\" baseada em coalizões entre as elites urbanas locais e o Poder Público, e que não tem nada de \"moderno\", e muito menos de \"global\". São na verdade as tradicionais e arcaicas relações sociais típicas do \"patrimonialismo\" brasileiro que se reproduzem na escala urbana para garantir a hegemonia das elites sobre o processo de produção da cidade.
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