Categorias de dialogicidade não interativa em videoaulas de um curso de graduação à distância
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59144/tde-30012026-155234/ |
Resumo: | Esta pesquisa teve como objetivo identificar, caracterizar e categorizar elementos de dialogicidade não interativa presentes em videoaulas de uma disciplina de um curso de graduação a distância. Como referencial teórico, adotou-se o conceito de dialogicidade proposto por Mortimer e Scott (2003), ampliado para além do âmbito estritamente cognitivo das ideias, de modo a contemplar outras dimensões constitutivas do sujeito humano. A investigação baseou-se em uma abordagem metodológica qualitativa-quantitativa, aplicada à análise das cinco primeiras videoaulas da disciplina Metodologia de Ensino de Química do curso de Licenciatura em Química da Universidade Virtual do Estado de São Paulo. As videoaulas foram transcritas com o auxílio da plataforma Whisper, da OpenAI, com posterior revisão humana, possibilitando a realização de uma análise textual detalhada. A análise de conteúdo, conforme Bardin (2016), orientou a identificação, caracterização e categorização das marcas de dialogicidade não interativa presentes no corpus, bem como a análise de sua tipologia, representatividade e distribuição ao longo das aulas. Como resultado, foram identificadas duas categorias de dialogicidade não interativa. A primeira, denominada \"ativa\", foi identificada quando o professor fazia referência ao interlocutor destacando ações ou atividades, possibilidades de acesso aos materiais da disciplina e aspectos relacionados à experiência ou vivência. A segunda categoria, denominada cognitiva/afetiva, foi identificada na fala do professor ao referir-se ao interlocutor em termos de formação ou repertório, compreensão ou apropriação, dificuldade, sentimento e percepção. Todos esses tipos de referência estiveram associados ao sujeito enquanto grupo ou subgrupo, e não em sua individualidade. Também foram identificados dois tipos de dialogicidade não interativa, direta e indireta, sendo a dialogicidade não interativa direta aquela em que a imagem projetada do interlocutor se apoia em informações concretas, situacionais ou empiricamente reconhecidas sobre esse sujeito, enquanto a indireta corresponde à construção da imagem do interlocutor a partir de projeções hipotéticas, expectativas, inferências, possibilidades, potencialidades futuras ou elaborações ficcionais. O conjunto de resultados indicou que a dialogicidade não interativa se manifesta de forma desigual nas videoaulas analisadas, com maior incidência em aulas de caráter introdutório e redução significativa naquelas voltadas à sistematização conceitual. Observou-se que a natureza da aula, seus objetivos pedagógicos e a organização do conteúdo constituem variáveis determinantes para a variação do percentual dialógico, influenciando diretamente as formas de endereçamento ao estudante. A predominância de estratégias expositivas e de comunicação unidirecional evidenciou limitações ao potencial dialógico das videoaulas quando não há planejamento pedagógico intencional voltado à inserção de marcas dialógicas. Ainda assim, os dados sugerem que a redução observada da dialogicidade não implica necessariamente sua ausência, podendo indicar uma dispersão do endereçamento discursivo para outras identidades projetadas, o que aponta para a necessidade de aprofundamentos analíticos em pesquisas futuras. |
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Categorias de dialogicidade não interativa em videoaulas de um curso de graduação à distânciaCategories of non-interactive dialogicity in video lessons of a distance undergraduate courseDialogicidade não interativaEducação a distânciaVideoaulasDistance educationNon-interactive dialogicityVideo lecturesEsta pesquisa teve como objetivo identificar, caracterizar e categorizar elementos de dialogicidade não interativa presentes em videoaulas de uma disciplina de um curso de graduação a distância. Como referencial teórico, adotou-se o conceito de dialogicidade proposto por Mortimer e Scott (2003), ampliado para além do âmbito estritamente cognitivo das ideias, de modo a contemplar outras dimensões constitutivas do sujeito humano. A investigação baseou-se em uma abordagem metodológica qualitativa-quantitativa, aplicada à análise das cinco primeiras videoaulas da disciplina Metodologia de Ensino de Química do curso de Licenciatura em Química da Universidade Virtual do Estado de São Paulo. As videoaulas foram transcritas com o auxílio da plataforma Whisper, da OpenAI, com posterior revisão humana, possibilitando a realização de uma análise textual detalhada. A análise de conteúdo, conforme Bardin (2016), orientou a identificação, caracterização e categorização das marcas de dialogicidade não interativa presentes no corpus, bem como a análise de sua tipologia, representatividade e distribuição ao longo das aulas. Como resultado, foram identificadas duas categorias de dialogicidade não interativa. A primeira, denominada \"ativa\", foi identificada quando o professor fazia referência ao interlocutor destacando ações ou atividades, possibilidades de acesso aos materiais da disciplina e aspectos relacionados à experiência ou vivência. A segunda categoria, denominada cognitiva/afetiva, foi identificada na fala do professor ao referir-se ao interlocutor em termos de formação ou repertório, compreensão ou apropriação, dificuldade, sentimento e percepção. Todos esses tipos de referência estiveram associados ao sujeito enquanto grupo ou subgrupo, e não em sua individualidade. Também foram identificados dois tipos de dialogicidade não interativa, direta e indireta, sendo a dialogicidade não interativa direta aquela em que a imagem projetada do interlocutor se apoia em informações concretas, situacionais ou empiricamente reconhecidas sobre esse sujeito, enquanto a indireta corresponde à construção da imagem do interlocutor a partir de projeções hipotéticas, expectativas, inferências, possibilidades, potencialidades futuras ou elaborações ficcionais. O conjunto de resultados indicou que a dialogicidade não interativa se manifesta de forma desigual nas videoaulas analisadas, com maior incidência em aulas de caráter introdutório e redução significativa naquelas voltadas à sistematização conceitual. Observou-se que a natureza da aula, seus objetivos pedagógicos e a organização do conteúdo constituem variáveis determinantes para a variação do percentual dialógico, influenciando diretamente as formas de endereçamento ao estudante. A predominância de estratégias expositivas e de comunicação unidirecional evidenciou limitações ao potencial dialógico das videoaulas quando não há planejamento pedagógico intencional voltado à inserção de marcas dialógicas. Ainda assim, os dados sugerem que a redução observada da dialogicidade não implica necessariamente sua ausência, podendo indicar uma dispersão do endereçamento discursivo para outras identidades projetadas, o que aponta para a necessidade de aprofundamentos analíticos em pesquisas futuras.This study aimed to identify, characterize, and categorize elements of non-interactive dialogicity present in video lectures of an undergraduate distance education course. The theoretical framework was grounded in the concept of dialogicity proposed by Mortimer and Scott (2003), expanded beyond the strictly cognitive domain of ideas in order to encompass other dimensions constitutive of the human subject. The investigation was based on a qualitative-quantitative methodological approach applied to the analysis of the first five video lectures of the course <i>Methodology of Chemistry Teaching</i> in the Chemistry Teacher Education program offered by the Virtual University of the State of São Paulo. The video lectures were transcribed using the Whisper platform developed by OpenAI, followed by human revision, enabling detailed textual analysis. Content analysis, according to Bardin (2016), guided the identification, characterization, and categorization of non-interactive dialogicity markers present in the corpus, as well as the analysis of their typology, representativeness, and distribution throughout the lectures. As a result, two categories of non-interactive dialogicity were identified. The first, termed <i>active</i>, was identified when the instructor referred to the interlocutor by emphasizing actions or activities, possibilities of access to course materials, and aspects related to experience or lived practice. The second category, termed <i>cognitive/affective</i>, was identified in the instructor\'s discourse when referring to the interlocutor in terms of prior education or repertoire, comprehension or appropriation, difficulty, feelings, and perception. All such references were associated with the subject as a group or subgroup rather than as an individual. Two types of non-interactive dialogicity were also identified, namely direct and <i>indirect</i>. Direct non-interactive dialogicity refers to instances in which the projected image of the interlocutor is anchored in concrete, situational, or empirically recognizable information about the subject, whereas indirect dialogicity corresponds to the construction of the interlocutor\'s image based on hypothetical projections, expectations, inferences, possibilities, future potentialities, or fictional elaborations. The results indicate that non-interactive dialogicity manifests unevenly across the analyzed video lectures, with greater incidence in introductory classes and a significant reduction in those focused on conceptual systematization. It was observed that the nature of the class, its pedagogical objectives, and content organization constitute determining variables for variations in dialogic density, directly influencing the forms of address to the student. The predominance of expository strategies and unidirectional communication revealed limitations in the dialogic potential of video lectures when there is no intentional pedagogical planning aimed at incorporating dialogic markers. Nevertheless, the findings suggest that the observed reduction in dialogicity does not necessarily imply its absence, but may indicate a dispersion of discursive address toward other projected identities, pointing to the need for further analytical investigation in future research.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão PretoMatos, Mauricio dos SantosBertoloto, Vagner Sanches2025-11-182026-04-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59144/tde-30012026-155234/doi:10.11606/D.59.2025.tde-30012026-155234Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-14T18:40:02Zoai:teses.usp.br:tde-30012026-155234Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-14T18:40:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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