Notas sobre a valorização imobiliária em São Paulo na era do capital fictício

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2010
Autor(a) principal: Tone, Beatriz Bezerra
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16137/tde-05072010-094710/
Resumo: Essa dissertação tem como objeto de estudo a valorização imobiliária pela prática dos agentes sociais em São Paulo da concepção do produto imobiliário à construção e apropriação com atenção aos conflitos que daí emergem. Procuramos apresentar alguns movimentos recentes na atividade imobiliária brasileira, mais especialmente em São Paulo, através da transformação das grandes empresas em sociedades por ação, o processo incipiente de centralização de capitais, a crescente participação de capital financeiro mundializado e a recomposição do sistema de crédito imobiliário no Brasil. Nesse contexto, a produção crescente de condomínios verticais padronizados, voltados para consumidores por segmento de renda, implica a reestruturação sócio-espacial aonde chega e, em última instância, a reestruturação da cidade. A produção capitalista do espaço historicamente baseou-se na prática social da propriedade privada da terra e construção na forma-canteiro, tais fundamentos implicam um processo de valorização particular. A construção se dá pela divisão manufatureira do trabalho que pressupõe a concepção anterior do produto fora do canteiro. Ao mesmo tempo, no âmbito urbano, a elevação dos preços de imóveis e terrenos aparece coordenando a (re)organização sócio-espacial pela distribuição de usos e determinação de quem pode se apropriar de que espaço e em que momento. Trata-se do fetichismo da forma-mercadoria exposto por Marx, mas de uma mercadoria especial o espaço como totalidade em fragmentos, propriedade imobiliária, meio de hierarquizar e segregar que toma forma de realidade autônoma (na aparência) da coisa do dinheiro. Hoje, cabe entendermos a origem da nuvem de capital fictício que paira sobre o mundo e parece se auto-alimentar como prática social no cotidiano do escritório, do canteiro de obras, da vida em mais um condomínio. Na era do capital fictício, a produção e apropriação da cidade, tendo como finalidade principal a valorização do capital, toma forma cada vez mais social ao se constituir na ação do conjunto da sociedade e, ao mesmo tempo, anti-social ao rebaixar e quase eliminar do horizonte a possibilidade da construção (como obra) e da fruição da cidade pelos seus habitantes.
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Nesse contexto, a produção crescente de condomínios verticais padronizados, voltados para consumidores por segmento de renda, implica a reestruturação sócio-espacial aonde chega e, em última instância, a reestruturação da cidade. A produção capitalista do espaço historicamente baseou-se na prática social da propriedade privada da terra e construção na forma-canteiro, tais fundamentos implicam um processo de valorização particular. A construção se dá pela divisão manufatureira do trabalho que pressupõe a concepção anterior do produto fora do canteiro. Ao mesmo tempo, no âmbito urbano, a elevação dos preços de imóveis e terrenos aparece coordenando a (re)organização sócio-espacial pela distribuição de usos e determinação de quem pode se apropriar de que espaço e em que momento. Trata-se do fetichismo da forma-mercadoria exposto por Marx, mas de uma mercadoria especial o espaço como totalidade em fragmentos, propriedade imobiliária, meio de hierarquizar e segregar que toma forma de realidade autônoma (na aparência) da coisa do dinheiro. Hoje, cabe entendermos a origem da nuvem de capital fictício que paira sobre o mundo e parece se auto-alimentar como prática social no cotidiano do escritório, do canteiro de obras, da vida em mais um condomínio. Na era do capital fictício, a produção e apropriação da cidade, tendo como finalidade principal a valorização do capital, toma forma cada vez mais social ao se constituir na ação do conjunto da sociedade e, ao mesmo tempo, anti-social ao rebaixar e quase eliminar do horizonte a possibilidade da construção (como obra) e da fruição da cidade pelos seus habitantes.The object of study of this dissertation is the real estate appreciation through the practices of the social agents in Sao Paulo from the concept of real estate product to construction and appropriation focusing on the conflicts that emerge from there. We tried to present some recent movements in the Brazilian real estate business, more specifically in Sao Paulo, through the large companies becoming stock corporations, the incipient process of the centralization of capitals, the increasing participation of the globalized financial capital, and the rearrangement of the real estate credit system in Brazil. In this context, the increasing production of standardized apartment building developments, targeted at consumers by income segment, implies the socio-spatial restructuring where it arrives, and, in last instance, the restructuring of the city. The capitalist production of space has historically been based on the social practice of the private property of land and the construction in the worksite-form, and these principles imply a unique process of appreciation. The construction happens by means of the manufacturing division of labor, which presupposes the prior concept of the product outside the worksite. At the same time, in the urban sphere, the rising prices of the real estates and pieces of land appear coordinating the socio-spatial (re)organization through the distribution of uses and the determination of the ones who can appropriate what space and at what moment. This is the fetishism in commodity-form as explained by Marx, but of a special commodity the space as totality in fragments, real estate property, a means of hierarchizing and segregating which takes on the shape of autonomous reality (in the appearance) of money. Today, it is important that we understand the origin of the cloud of fictitious capital which hangs over the world and seems to self-feed as a social practice in the daily life of the office, of the worksite, of another development. In the era of fictitious capital, the production and appropriation of the city with the main objective of capital appreciation, becomes more and more social when it constitutes itself in the action of the whole of society and, at the same time, more anti-social when it reduces and almost eliminates of the horizon the possibility of the construction (as work) and the fruition of the city by its inhabitants.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPereira, Paulo Cesar XavierTone, Beatriz Bezerra2010-04-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16137/tde-05072010-094710/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:07Zoai:teses.usp.br:tde-05072010-094710Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:07Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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