Eficácia e segurança da flunarizina na prevenção de ototoxicidade associada a tratamento com quimio-radioterapia concomitante baseada em cisplatina em pacientes com carcinoma espinocelular de nasofaringe, cavidade oral, orofaringe, hipofaringe e laringe: estudo fase II, braço único

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Marchetti, Katia Regina
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5155/tde-07042026-154320/
Resumo: A quimiorradioterapia concomitante baseada em cisplatina é o tratamento padrão para carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço localmente avançado, seja como tratamento definitivo ou como terapia adjuvante. Essa abordagem combinada é associada a um aumento de 6,5% na sobrevida global e a um aumento do controle locorregional em comparação com a radioterapia isolada. Tanto a cisplatina quanto a radioterapia apresentam um risco significativo de ototoxicidade, sendo 53% a perda auditiva por audiometria maior ou igual a grau dois nos pacientes sem nenhum tratamento otoprotetor. Estudos pré-clínicos sugerem que a flunarizina, um bloqueador de canal de cálcio, parece oferecer benefício otoprotetor. Este ensaio clínico unicêntrico, não comparativo, de fase II, aberto, teve como objetivo avaliar a eficácia e a segurança da flunarizina como medida otoprotetora em pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço submetidos à quimiorradioterapia baseada em cisplatina, visando reduzir em pelo menos 20% as ototoxicidades maiores ou iguais a grau dois nesta população. Os pacientes receberam flunarizina 10 mg via oral uma vez ao dia à noite por um período de 21 dias antes do início da quimiorradioterapia, continuando durante todo o curso da quimiorradioterapia e estendendo-se até três meses após. O desfecho primário incluiu a avaliação da ototoxicidade aguda e tardia. Os desfechos secundários incluíram taxa de resposta objetiva, perfil de segurança, qualidade de vida e sobrevida global. Entre outubro de 2019 e dezembro de 2022, 91 pacientes foram triados, e nove foram incluídos. O alto índice de falha na triagem ocorreu principalmente devido à alta prevalência de perda auditiva pré-existente entre os pacientes triados (36,3%): 17,6% sintomáticos e 18,7% assintomáticos (detecção por audiometria). O seguimento mediano foi 30 meses. Os eventos adversos mais frequentemente associados à flunarizina incluíram ganho de peso (22,2% grau um) e sonolência (33,3% grau um). Após três meses da quimiorradioterapia (avaliação da ototoxicidade aguda), foram realizadas avaliações audiométricas em cinco pacientes: todos apresentaram perda auditiva maior ou igual a grau dois. Clinicamente, 14,3% apresentaram perda auditiva grau um e 14,3% zumbido grau um. Na avaliação seis meses pós quimiorradioterapia (avaliação da ototoxicidade tardia), sete pacientes foram submetidos a audiometria e 71% demonstraram perda auditiva maior ou igual a grau dois. Não foi observada diferença significativa na incidência de perda auditiva aguda, nem tardia, por audiometria, maior ou igual a grau dois, quando analisada por lateralidade. A taxa de resposta objetiva foi 66,7%, todos com resposta completa. Três pacientes (33%) apresentaram progressão da doença e faleceram devido à neoplasia. A mediana da sobrevida global não foi alcançada, mas a sobrevida global em dois anos foi 66,6%. Devido à ausência de efeito otoprotetor observado na análise interina, o estudo foi encerrado prematuramente por futilidade. Como conclusão, este ensaio de fase II demonstrou que a flunarizina não conferiu nenhum benefício otoprotetor em pacientes submetidos à quimiorradioterapia concomitante baseada em cisplatina em pacientes com câncer de cabeça e pescoço localmente avançado.
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Essa abordagem combinada é associada a um aumento de 6,5% na sobrevida global e a um aumento do controle locorregional em comparação com a radioterapia isolada. Tanto a cisplatina quanto a radioterapia apresentam um risco significativo de ototoxicidade, sendo 53% a perda auditiva por audiometria maior ou igual a grau dois nos pacientes sem nenhum tratamento otoprotetor. Estudos pré-clínicos sugerem que a flunarizina, um bloqueador de canal de cálcio, parece oferecer benefício otoprotetor. Este ensaio clínico unicêntrico, não comparativo, de fase II, aberto, teve como objetivo avaliar a eficácia e a segurança da flunarizina como medida otoprotetora em pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço submetidos à quimiorradioterapia baseada em cisplatina, visando reduzir em pelo menos 20% as ototoxicidades maiores ou iguais a grau dois nesta população. Os pacientes receberam flunarizina 10 mg via oral uma vez ao dia à noite por um período de 21 dias antes do início da quimiorradioterapia, continuando durante todo o curso da quimiorradioterapia e estendendo-se até três meses após. O desfecho primário incluiu a avaliação da ototoxicidade aguda e tardia. Os desfechos secundários incluíram taxa de resposta objetiva, perfil de segurança, qualidade de vida e sobrevida global. Entre outubro de 2019 e dezembro de 2022, 91 pacientes foram triados, e nove foram incluídos. O alto índice de falha na triagem ocorreu principalmente devido à alta prevalência de perda auditiva pré-existente entre os pacientes triados (36,3%): 17,6% sintomáticos e 18,7% assintomáticos (detecção por audiometria). O seguimento mediano foi 30 meses. Os eventos adversos mais frequentemente associados à flunarizina incluíram ganho de peso (22,2% grau um) e sonolência (33,3% grau um). Após três meses da quimiorradioterapia (avaliação da ototoxicidade aguda), foram realizadas avaliações audiométricas em cinco pacientes: todos apresentaram perda auditiva maior ou igual a grau dois. Clinicamente, 14,3% apresentaram perda auditiva grau um e 14,3% zumbido grau um. Na avaliação seis meses pós quimiorradioterapia (avaliação da ototoxicidade tardia), sete pacientes foram submetidos a audiometria e 71% demonstraram perda auditiva maior ou igual a grau dois. Não foi observada diferença significativa na incidência de perda auditiva aguda, nem tardia, por audiometria, maior ou igual a grau dois, quando analisada por lateralidade. A taxa de resposta objetiva foi 66,7%, todos com resposta completa. Três pacientes (33%) apresentaram progressão da doença e faleceram devido à neoplasia. A mediana da sobrevida global não foi alcançada, mas a sobrevida global em dois anos foi 66,6%. Devido à ausência de efeito otoprotetor observado na análise interina, o estudo foi encerrado prematuramente por futilidade. Como conclusão, este ensaio de fase II demonstrou que a flunarizina não conferiu nenhum benefício otoprotetor em pacientes submetidos à quimiorradioterapia concomitante baseada em cisplatina em pacientes com câncer de cabeça e pescoço localmente avançado.Cisplatin-based concurrent chemoradiotherapy is considered as the standard of care for patients with locally advanced head and neck squamous cell carcinoma, whether as a definitive treatment or as adjuvant therapy. This approach has been associated with a 6.5% improvement in overall survival and enhanced locoregional control when compared to radiotherapy alone. However, both cisplatin and radiotherapy carry a significant risk of ototoxicity, with 53% developing grade two or higher hearing loss through audiometry. Pre-clinical studies have suggested that flunarizine, a calcium channel blocker, may offer otoprotective benefits. This is a unicentric, noncomparative, open-label, phase II clinical trial conducted to assess the otoprotective efficacy and safety of flunarizine in patients undergoing cisplatin-based chemoradiotherapy, with the aim of reducing grade II or higher ototoxicity by 20% in this population. In this trial, patients received flunarizine 10 mg orally once a day at night for a period of 21 days prior to the initiation of chemoradiotherapy, continued throughout the course of chemoradiotherapy, and extended up to three months postchemoradiotherapy. The primary endpoint was the incidence of acute and late ototoxicity. Secondary endpoints included objective response rate, safety profile, quality of life, and overall survival. Between October 2019 and December 2022, 91 patients were screened for eligibility, but only nine were ultimately enrolled. The high screening failure was primarily due to the high prevalence of pre-existing hearing loss among the screened patients, with 36.3% having pre-existing hearing impairment: 17.6% of whom were symptomatic, while 18.7% had asymptomatic hearing loss detectable only through audiometry. The median follow-up was 30 months. The most frequently reported adverse events associated with flunarizine included weight gain (22.2% grade one) and drowsiness (33.3% grade one). At the three-month mark (acute ototoxicity assessment), audiometric evaluations were performed on five patients, all of whom exhibited grade two or higher hearing loss as determined by audiometry. Clinically, 14.3% of the participants had grade one hearing loss, and another 14.3% experienced grade one tinnitus. By the six-month evaluation point (late ototoxicity assessment), seven patients underwent audiometric testing. Among these, 71% demonstrated grade two or higher hearing loss. No significant difference was observed in the incidence of grade two or higher hearing loss when analyzed by laterality through audiometry. The objective response rate was 66.7%, with all patients achieving a complete response. However, three patients (33%) experienced disease progression and died due to the cancer. The median overall survival was not reached. The twoyear overall survival rate was 66.6%. Due to the lack of otoprotective effects observed in the interim analysis, the study was prematurely terminated for futility. In conclusion, this phase II trial demonstrated that flunarizine did not confer any otoprotective benefit in patients undergoing cisplatin-based concurrent chemoradiotherapy for locally advanced head and neck cancer.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCastro Junior, Gilberto deMarchetti, Katia Regina2025-09-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5155/tde-07042026-154320/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-07T19:52:02Zoai:teses.usp.br:tde-07042026-154320Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-07T19:52:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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Efficacy and safety of flunarizine in the prevention of ototoxicity associated with chemoradiotherapy (CRT) concomitant based on cisplatin in patients with squamous cell carcinoma of nasopharynx, oral cavity, oropharynx, hypopharynx and larynx: phase II study, single arm
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