Múltiplos significados da roça quilombola: saberes da agricultura tradicional, territorialidade, identidade e luta política dos quilombos do Vale do Ribeira - SP

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Sousa, Denise Martins de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-09122025-150203/
Resumo: Esta tese analisa o papel das roças tradicionais quilombolas e, por meio delas, os saberes e práticas ancestrais que culminam no processo de formação, significação e ressignificação das territorialidades de comunidades remanescentes de quilombos do Vale do Ribeira. Foram selecionadas três comunidades do Estado de São Paulo- Maria Rosa (Iporanga), Porto Velho (Iporanga) e São Miguel Arcanjo do Morro Seco (Iguape)- como objeto de estudo, tendo como ponto de convergência suas relações com as roças tradicionais, o resgate da cultura quilombola e a luta contra o racismo estrutural. Os quilombos lutam pelo território e pela particularidade de seu modo de vida, reconhecido pelo uso e ocupação tradicional da terra (Almeida, 1999); entretanto, essa luta não os aparta da luta camponesa enquanto classe social, conforme interpretam Shanin (1979), Martins (1980), Oliveira (2011) e Bombardi (2004). Na área de estudo, as expressivas roças quilombolas potencializam a autonomia territorial e fortalecem a resistência desses grupos sociais frente aos interesses capitalistas no campo. Para atingir este objetivo, utilizou-se o aporte teórico da geografia agrária, fundamentado no materialismo histórico e dialético, além de revisão bibliográfica relacionada aos temas abordados. A pesquisa assumiu o compromisso com a emancipação política e social dos sujeitos sociais, orientada pela dialética entre teoria e prática. Tornou-se essencial evidenciar a agricultura tradicional cujos saberes e práticas advêm do etnoconhecimento- que se manifesta no modo de vida dos territórios quilombolas, considerando também outras demandas enfrentadas por esses sujeitos políticos. O método privilegiou a análise da totalidade à particularidade desses territórios e seus desafios, articulando o objeto de estudo por meio da interpretação de suas contradições e conflitualidades. Essa premissa, alicerçada na práxis, apoiou-se em histórias de vida e memória, além de procedimentos bibliográficos, documentais, trabalhos de campo, mapas, quadros e tabelas. Como resultado, identificou-se que as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira enfrentam desafios complexos que transcendem questões meramente administrativas. A morosidade nos processos de reconhecimento e titulação territorial, a sobreposição com Unidades de Conservação, os entraves burocráticos para obtenção de licenças ambientais destinadas à abertura de novas roças, os interesses do agronegócio e de grandes empreendimentos, além dos impactos da pandemia de SARS-CoV-2 (Covid-19)- que evidenciou vulnerabilidades e a necessidade de políticas públicas protetoras dos sistemas agrícolas tradicionais enquanto patrimônio cultural imaterial e ambiental-, configuram um cenário que compromete tanto o trabalho nas roças tradicionais quanto o acesso a recursos fundamentais. A tese evidencia que o reconhecimento, a resistência e a transmissão de valores e tradições constituem desafios geracionais contínuos para a manutenção dos saberes culturais. O futuro dessas comunidades depende, fundamentalmente, de garantir que os avanços legais conquistados se traduzam efetivamente em liberdade e autonomia para o exercício das práticas tradicionais, assegurando assim que o Sistema Agrícola Tradicional Quilombola (SATQ) permaneça como patrimônio vivo da cultura imaterial dos quilombos do Vale do Ribeira, preservando sua função produtiva, identitária e cultural para as gerações presentes e futuras
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Foram selecionadas três comunidades do Estado de São Paulo- Maria Rosa (Iporanga), Porto Velho (Iporanga) e São Miguel Arcanjo do Morro Seco (Iguape)- como objeto de estudo, tendo como ponto de convergência suas relações com as roças tradicionais, o resgate da cultura quilombola e a luta contra o racismo estrutural. Os quilombos lutam pelo território e pela particularidade de seu modo de vida, reconhecido pelo uso e ocupação tradicional da terra (Almeida, 1999); entretanto, essa luta não os aparta da luta camponesa enquanto classe social, conforme interpretam Shanin (1979), Martins (1980), Oliveira (2011) e Bombardi (2004). Na área de estudo, as expressivas roças quilombolas potencializam a autonomia territorial e fortalecem a resistência desses grupos sociais frente aos interesses capitalistas no campo. 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O futuro dessas comunidades depende, fundamentalmente, de garantir que os avanços legais conquistados se traduzam efetivamente em liberdade e autonomia para o exercício das práticas tradicionais, assegurando assim que o Sistema Agrícola Tradicional Quilombola (SATQ) permaneça como patrimônio vivo da cultura imaterial dos quilombos do Vale do Ribeira, preservando sua função produtiva, identitária e cultural para as gerações presentes e futurasThis thesis analyzes the role of traditional quilombola agricultural plots (roças) and, through them, the ancestral knowledge and practices that culminate in the process of formation, signification, and re-signification of the territorialities of quilombo remnant communities in the Ribeira Valley. Three communities in São Paulo state were selected as the object of study-Maria Rosa (Iporanga), Porto Velho (Iporanga), and São Miguel Arcanjo do Morro Seco (Iguape)- with their relationships to traditional agricultural plots, the recovery of quilombola culture, and the struggle against structural racism serving as their point of convergence. Quilombos fight for territory and for the particularity of their way of life, recognized through the traditional use and occupation of land (Almeida, 1999); however, this struggle does not separate them from the peasant struggle as a social class, as interpreted by Shanin (1979), Martins (1980), Oliveira (2011), and Bombardi (2004). In the study area, the significant quilombola agricultural plots enhance territorial autonomy and strengthen these social groups resistance against capitalist interests in the countryside. To achieve this objective, the theoretical framework of agrarian geography was employed, grounded in historical and dialectical materialism, in addition to a literature review related to the themes addressed. The research assumed a commitment to the political and social emancipation of social subjects, guided by the dialectic between theory and practice. It became essential to highlight traditional agriculture- whose knowledge and practices derive from ethno-knowledge- manifested in the way of life of quilombola territories, while also considering other demands faced by these political subjects. The method privileged the analysis from totality to the particularity of these territories and their challenges, articulating the object of study through the interpretation of their contradictions and conflictualities. This premise, anchored in praxis, relied on life histories and memory, as well as bibliographic and documentary procedures, fieldwork, maps, charts, and tables. As a result, it was identified that quilombola communities in the Ribeira Valley face complex challenges that transcend merely administrative issues. The delays in territorial recognition and titling processes, overlapping with Conservation Units, bureaucratic obstacles to obtaining environmental licenses for opening new agricultural plots, agribusiness and large scale development interests, as well as the impacts of the SARS-CoV-2 (Covid-19) pandemic- which revealed vulnerabilities and the need for public policies protecting traditional agricultural systems as intangible cultural and environmental heritage- configure a scenario that compromises both work in traditional agricultural plots and access to fundamental resources. The thesis demonstrates that recognition, resistance, and the transmission of values and traditions constitute continuous generational challenges for maintaining cultural knowledge. The future of these communities depends fundamentally on ensuring that the legal advances achieved effectively translate into freedom and autonomy for the exercise of traditional practices, thereby ensuring that the Traditional Quilombola Agricultural System (SATQ) remains as a living heritage of the intangible culture of quilombos in the Ribeira Valley, preserving its productive, identity-based, and cultural function for present and future generationsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBombardi, Larissa MiesSousa, Denise Martins de2025-09-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-09122025-150203/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-09T17:12:02Zoai:teses.usp.br:tde-09122025-150203Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-09T17:12:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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