Efeito do oxigênio em ligas refratárias de alta entropia
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18158/tde-06012025-095655/ |
Resumo: | A crescente necessidade de ligas metálicas resistentes a altas temperaturas impulsionou o desenvolvimento de novos materiais, entre os quais se destacam as ligas de alta entropia refratárias (RHEAs). Suas primeiras composições foram reportadas em 2010, e a resistência mecânica dessas ligas a altas temperaturas superou a das superligas de níquel tradicionalmente utilizadas. As RHEAs são ligas metálicas compostas por cinco ou mais elementos, a maioria refratários, com teor entre 5 e 35% (at.) e que possuem entropia de mistura suficientemente alta para estabilizar uma microestrutura monofásica de solução sólida, em detrimento da formação de intermetálicos. Elementos refratários pertencentes aos grupos 5 e 6 da tabela periódica, bem como elementos do grupo 4 (como Ti e Zr), comumente adicionados a essas ligas, são bastante reativos com o oxigênio. A contaminação durante o processamento ou o aquecimento posterior é, portanto, bastante comum. Entretanto, a interferência desse elemento ainda é pouco estudada e não há consenso em relação ao efeito na ductilidade dessas ligas. Existem trabalhos que afirmam que sua presença em solução sólida pode aumentar a ductilidade, enquanto outros afirmam que o oxigênio é prejudicial e pode fragilizar a liga. O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito do oxigênio nas propriedades mecânicas das ligas Al15Nb30Ti25V5Mo25 e Al15Nb30Ti25V5Zr25 sob compressão em temperatura ambiente. Foram utilizados três níveis de oxigênio para cada composição: o menor nível compatível com a fabricação das ligas com elementos de menor contaminação, sendo para ambas as ligas por volta de 0,1% (at.); um nível intermediário, cujo teor foi de 0,5% para a liga com molibdênio e 1% para a liga com zircônio; e um nível alto, cujo teor foi 1% e 2%, respectivamente, para as ligas com molibdênio e zircônio, de acordo com a solubilidade desse elemento suportada para cada liga. Segundo análises de microscopia eletrônica de varredura e difração de raios X, tais níveis garantiram que o oxigênio permanecesse na forma de solução sólida, sem a formação de óxidos ou outras fases. Os ensaios de compressão foram conduzidos em amostras de 9 mm de comprimento por 6 mm de diâmetro, utilizando-se a técnica de correlação de imagens digitais (CID) para medir o campo de deslocamentos e, portanto, a deformação. Comportamentos distintos foram observados nas ligas Al15Nb30Ti25V5Mo25 e Al15Nb30Ti25V5Zr25. A liga com molibdênio, cuja estrutura era cúbica de corpo centrado, apresentou aumento da ductilidade e resistência mecânica. A liga não apresentava deformação plástica e tinha resistência à compressão média de 856 MPa com 0,1% de oxigênio; com teores por volta de 0,5%, passou a apresentar cerca de 5% de deformação e resistência média de 4136 MPa. O aumento posterior para 1% de oxigênio prejudicou a ductilidade e a resistência, cujos valores médios caíram para 1,3% e 2744 MPa. No entanto, a liga com zircônio, cuja estrutura era do tipo B2, apresentou aumento da resistência mecânica média de 930 MPa para 4429 e 4922 Mpa respectivamente com a adição de 1% ou 2% de oxigênio e queda da deformação total, que caiu de 14% para a liga base para 11% e 4% com a adição dos teores intermediário e máximo de oxigênio. Assim, embora essa liga suporte maior quantidade de oxigênio, esse elemento foi prejudicial para a ductilidade. |
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Efeito do oxigênio em ligas refratárias de alta entropiaOxygen effect in refractory high-entropy alloyscompressãocompressionelementos intersticiaisinterstitial elementsligas de alta entropia refratárias (RHEAs)oxigêniooxygenrefractory high-entropy alloys (RHEAs)A crescente necessidade de ligas metálicas resistentes a altas temperaturas impulsionou o desenvolvimento de novos materiais, entre os quais se destacam as ligas de alta entropia refratárias (RHEAs). Suas primeiras composições foram reportadas em 2010, e a resistência mecânica dessas ligas a altas temperaturas superou a das superligas de níquel tradicionalmente utilizadas. As RHEAs são ligas metálicas compostas por cinco ou mais elementos, a maioria refratários, com teor entre 5 e 35% (at.) e que possuem entropia de mistura suficientemente alta para estabilizar uma microestrutura monofásica de solução sólida, em detrimento da formação de intermetálicos. Elementos refratários pertencentes aos grupos 5 e 6 da tabela periódica, bem como elementos do grupo 4 (como Ti e Zr), comumente adicionados a essas ligas, são bastante reativos com o oxigênio. A contaminação durante o processamento ou o aquecimento posterior é, portanto, bastante comum. Entretanto, a interferência desse elemento ainda é pouco estudada e não há consenso em relação ao efeito na ductilidade dessas ligas. Existem trabalhos que afirmam que sua presença em solução sólida pode aumentar a ductilidade, enquanto outros afirmam que o oxigênio é prejudicial e pode fragilizar a liga. O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito do oxigênio nas propriedades mecânicas das ligas Al15Nb30Ti25V5Mo25 e Al15Nb30Ti25V5Zr25 sob compressão em temperatura ambiente. Foram utilizados três níveis de oxigênio para cada composição: o menor nível compatível com a fabricação das ligas com elementos de menor contaminação, sendo para ambas as ligas por volta de 0,1% (at.); um nível intermediário, cujo teor foi de 0,5% para a liga com molibdênio e 1% para a liga com zircônio; e um nível alto, cujo teor foi 1% e 2%, respectivamente, para as ligas com molibdênio e zircônio, de acordo com a solubilidade desse elemento suportada para cada liga. Segundo análises de microscopia eletrônica de varredura e difração de raios X, tais níveis garantiram que o oxigênio permanecesse na forma de solução sólida, sem a formação de óxidos ou outras fases. Os ensaios de compressão foram conduzidos em amostras de 9 mm de comprimento por 6 mm de diâmetro, utilizando-se a técnica de correlação de imagens digitais (CID) para medir o campo de deslocamentos e, portanto, a deformação. Comportamentos distintos foram observados nas ligas Al15Nb30Ti25V5Mo25 e Al15Nb30Ti25V5Zr25. A liga com molibdênio, cuja estrutura era cúbica de corpo centrado, apresentou aumento da ductilidade e resistência mecânica. A liga não apresentava deformação plástica e tinha resistência à compressão média de 856 MPa com 0,1% de oxigênio; com teores por volta de 0,5%, passou a apresentar cerca de 5% de deformação e resistência média de 4136 MPa. O aumento posterior para 1% de oxigênio prejudicou a ductilidade e a resistência, cujos valores médios caíram para 1,3% e 2744 MPa. No entanto, a liga com zircônio, cuja estrutura era do tipo B2, apresentou aumento da resistência mecânica média de 930 MPa para 4429 e 4922 Mpa respectivamente com a adição de 1% ou 2% de oxigênio e queda da deformação total, que caiu de 14% para a liga base para 11% e 4% com a adição dos teores intermediário e máximo de oxigênio. Assim, embora essa liga suporte maior quantidade de oxigênio, esse elemento foi prejudicial para a ductilidade.The growing need for high-temperature-resistant metallic alloys has driven the development of new materials, among which refractory high-entropy alloys (RHEAs) stand out. Their first compositions were reported in 2010, and the mechanical strength of these alloys at high temperatures surpassed that of traditionally used nickel-based superalloys. RHEAs are metallic alloys composed of five or more elements, most of which are refractory, with a content ranging between 5% and 35% (at.). They have a sufficiently high mixing entropy to stabilize a single-phase solid solution microstructure, preventing the formation of intermetallic compounds. Refractory elements belonging to groups 5 and 6 of the periodic table, as well as elements from group 4 (such as Ti and Zr), commonly added to these alloys, are highly reactive with oxygen. Contamination during processing or subsequent heating is therefore quite common. However, the interference of this element is still poorly studied, and there is no consensus regarding its effect on the ductility of these alloys. Some studies claim that its presence in a solid solution can increase ductility, while others assert that oxygen is detrimental and can weaken the alloy. The objective of this work was to evaluate the effect of oxygen on the mechanical properties of the Al15Nb30Ti25V5Mo25 and Al15Nb30Ti25V5Zr25 alloys under compression at room temperature. Three levels of oxygen were used for each composition: the lowest level compatible with the manufacture of alloys with elements of lower contamination, being around 0.1% (at.) for both alloys; an intermediate level, with a content of 0.5% for the alloy with molybdenum and 1% for the alloy with zirconium; and a high level, with a content of 1% and 2%, respectively, for the alloys with molybdenum and zirconium, according to the solubility of this element supported by each alloy. According to scanning electron microscopy and X-ray diffraction analyses, these levels ensured that oxygen remained in the form of a solid solution, without the formation of oxides or other phases. Compression tests were conducted on samples measuring 9 mm in length and 6 mm in diameter, using the digital image correlation (DIC) technique to measure the displacement field and, consequently, the deformation. Distinct behaviors were observed in the Al15Nb30Ti25V5Mo25 and Al15Nb30Ti25V5Zr25 alloys. The alloy with molybdenum, which had a body-centered cubic structure, showed an increase in ductility and mechanical strength. The alloy did not exhibit plastic deformation and had an average compressive strength of 856 MPa with 0.1% oxygen; with contents around 0.5%, it showed about 5% deformation and an average strength of 4136 MPa. A subsequent increase to 1% oxygen decreased the ductility and strength, with average values dropping to 1.3% and 2744 MPa. However, the alloy with zirconium, which had a B2-type structure, showed an increase in average mechanical strength from 930 MPa to 4429 MPa and 4922 MPa, respectively, with the addition of 1% or 2% oxygen. Conversely, the total strain decreased, dropping from 14% for the base alloy to 11% and 4% with the intermediate and maximum oxygen contents. Thus, although this alloy tolerates a higher amount of oxygen, this element was detrimental to ductility.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOliveira, Marcelo Falcão deSoares, Carolina2024-12-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18158/tde-06012025-095655/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-08T19:09:02Zoai:teses.usp.br:tde-06012025-095655Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-08T19:09:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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