A evolução do consumo de lenha para cocção no Brasil, de 2010 a 2021

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silva, Victor Freitas da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-27112025-124730/
Resumo: A crescente preocupação global com a utilização de fontes de energia renováveis no combate às mudanças climáticas é legítima, mas não necessariamente indica progresso sustentável em todas as suas formas. No Brasil, o uso da lenha como combustível para cocção aumentou significativamente na última década, refletindo um fenômeno alarmante: a pobreza energética. Apesar de ser uma fonte renovável, seu uso doméstico é um forte indicador de retrocesso socioeconômico. Esta pesquisa busca compreender a evolução desse fenômeno entre 2010 e 2021, analisando o consumo de lenha para cocção nos estados brasileiros e correlacionando-o com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a porcentagem da população em situação de pobreza e o preço do botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP). Utilizando dados do IBGE, da EPE, e da ANP, foram produzidos gráficos, mapas e aplicados questionários para confrontar as estatísticas com a realidade. Os resultados mostraram que entre 2016 e 2021 o número de brasileiros cozinhando com lenha cresceu 43,24%, passando de 36,2 milhões para 51,9 milhões de pessoas -- número próximo à população da Inglaterra. A análise revelou forte correlação entre o aumento do consumo de lenha e a deterioração de indicadores socioeconômicos, especialmente após a adoção da Política de Paridade de Importação (PPI), que elevou o preço do GLP. O estudo também evidenciou que estados tradicionalmente considerados mais desenvolvidos, como São Paulo, apresentaram os maiores crescimentos relativos no consumo de lenha. Conclui-se que, apesar da elevada participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, o aumento do uso da lenha como combustível de cocção expõe desigualdades profundas e a necessidade de políticas públicas mais eficazes, como o fortalecimento do programa \"Auxílio Gás\". O fenômeno demanda atenção urgente para a reestruturação da administração energética e a promoção da justiça social no país
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