Rankings acadêmicos no Brasil e nos Estados Unidos: contornos locais de uma experiência global
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48139/tde-02122024-155926/ |
Resumo: | A disseminação de rankings em diferentes âmbitos da vida social constituiu-se como um fenômeno relevante para as ciências sociais. Utilizados como instrumentos de controle e gestão, rankings aproveitam sua simplicidade e inteligibilidade para facilitar um governo à distância. Nesse contexto, rankings acadêmicos têm ganhado significativa notoriedade. Mesmo diante de reiteradas críticas da comunidade científica acerca de suas imprecisões e inadequações, essas classificações aparecem natural e regularmente nos discursos de estudantes, docentes, dirigentes acadêmicos e autoridades políticas. Com o objetivo de compreender a ascensão e resiliência dos rankings, esta tese utiliza estudos sobre neoliberalismo e quantificação para analisá-los como um fenômeno social. A revisão de literatura identificou três pontos de articulação entre rankings e neoliberalismo: concorrência, hierarquias de status e accountability. Utilizando esses três pontos como eixos analíticos, estruturou-se uma pesquisa empírica para investigar os modos pelos quais rankings se difundiram globalmente. Popularizados pioneiramente nos Estados Unidos, durante um período de expansão e diversificação dos mercados de educação superior no país, rankings têm logrado significativa institucionalização em países onde a educação superior possui institucionalidade notavelmente distinta da estadunidense, como o Brasil. A análise empírica tem como objetivo compreender a difusão de rankings acadêmicos, investigando seus usos e efeitos na administração de universidades públicas, por meio de um estudo de casos comparado de instituições brasileiras e estadunidenses Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas, University of California, Los Angeles e University of California, Berkeley. A partir da análise de um conjunto diversificado de documentos e entrevistas semiestruturadas, realizadas com responsáveis pela administração das universidades, buscou-se compreender nuances processuais dificilmente explicitadas em relatórios oficiais. Os resultados obtidos evidenciam três mecanismos principais pelos quais os rankings alteram a produção de sentido na educação superior. Primeiramente, fomentam uma identidade institucional competitiva, fornecendo métricas que orientam a valorização do capital simbólico das instituições. A incorporação desses rankings na administração universitária é impulsionada por atores institucionais, que os utilizam para buscar uma fonte externa de autoridade que legitime suas ações e seus projetos nas deliberações de políticas acadêmicas. Em segundo lugar, rankings alteram as formas pelas quais as universidades entendem a si mesmas, avaliam seus pares e projetam sua imagem externamente. Dessa forma, reordenam hierarquias de status na educação superior, transformando as condições que estruturam a corrida pela apreciação do capital simbólico. Por fim, rankings contribuem para a mercadização das relações entre universidades e sociedade, deslocando as práticas de accountability da ênfase no diálogo com as aspirações da sociedade para uma prestação de contas quantificada. Do ponto de vista teórico, espera-se que esta tese contribua para a compreensão das relações entre neoliberalismo e quantificação, delimitando seus contornos empíricos na educação superior. Empiricamente, pretende-se colaborar com novas pesquisas que possam avançar na análise crítica da generalização da forma-ranking de avaliar e classificar instituições de educação superior. |
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Rankings acadêmicos no Brasil e nos Estados Unidos: contornos locais de uma experiência globalAcademic rankings in Brazil and the U.S: local boundaries of a global experienceAcademic rankings; Higher education; Sociology of quantification; NeoliberalismRankings acadêmicos; Educação superior; Sociologia da quantificação; NeoliberalismoA disseminação de rankings em diferentes âmbitos da vida social constituiu-se como um fenômeno relevante para as ciências sociais. Utilizados como instrumentos de controle e gestão, rankings aproveitam sua simplicidade e inteligibilidade para facilitar um governo à distância. Nesse contexto, rankings acadêmicos têm ganhado significativa notoriedade. Mesmo diante de reiteradas críticas da comunidade científica acerca de suas imprecisões e inadequações, essas classificações aparecem natural e regularmente nos discursos de estudantes, docentes, dirigentes acadêmicos e autoridades políticas. Com o objetivo de compreender a ascensão e resiliência dos rankings, esta tese utiliza estudos sobre neoliberalismo e quantificação para analisá-los como um fenômeno social. A revisão de literatura identificou três pontos de articulação entre rankings e neoliberalismo: concorrência, hierarquias de status e accountability. Utilizando esses três pontos como eixos analíticos, estruturou-se uma pesquisa empírica para investigar os modos pelos quais rankings se difundiram globalmente. Popularizados pioneiramente nos Estados Unidos, durante um período de expansão e diversificação dos mercados de educação superior no país, rankings têm logrado significativa institucionalização em países onde a educação superior possui institucionalidade notavelmente distinta da estadunidense, como o Brasil. A análise empírica tem como objetivo compreender a difusão de rankings acadêmicos, investigando seus usos e efeitos na administração de universidades públicas, por meio de um estudo de casos comparado de instituições brasileiras e estadunidenses Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas, University of California, Los Angeles e University of California, Berkeley. A partir da análise de um conjunto diversificado de documentos e entrevistas semiestruturadas, realizadas com responsáveis pela administração das universidades, buscou-se compreender nuances processuais dificilmente explicitadas em relatórios oficiais. Os resultados obtidos evidenciam três mecanismos principais pelos quais os rankings alteram a produção de sentido na educação superior. Primeiramente, fomentam uma identidade institucional competitiva, fornecendo métricas que orientam a valorização do capital simbólico das instituições. A incorporação desses rankings na administração universitária é impulsionada por atores institucionais, que os utilizam para buscar uma fonte externa de autoridade que legitime suas ações e seus projetos nas deliberações de políticas acadêmicas. Em segundo lugar, rankings alteram as formas pelas quais as universidades entendem a si mesmas, avaliam seus pares e projetam sua imagem externamente. Dessa forma, reordenam hierarquias de status na educação superior, transformando as condições que estruturam a corrida pela apreciação do capital simbólico. Por fim, rankings contribuem para a mercadização das relações entre universidades e sociedade, deslocando as práticas de accountability da ênfase no diálogo com as aspirações da sociedade para uma prestação de contas quantificada. Do ponto de vista teórico, espera-se que esta tese contribua para a compreensão das relações entre neoliberalismo e quantificação, delimitando seus contornos empíricos na educação superior. Empiricamente, pretende-se colaborar com novas pesquisas que possam avançar na análise crítica da generalização da forma-ranking de avaliar e classificar instituições de educação superior.The spread of rankings in different areas of social life has become a significant phenomenon for the social sciences. Used as instruments of control and management, rankings facilitate a governement at a distance by leveraging the simplicity and intelligibility of their metrics. In this context, academic rankings have gained significant notoriety. Despite ongoing criticisms from the scientific community about their inaccuracies and inadequacies, these classifications appear naturally and regularly in the discourse of students, faculty, academic leaders, and political authorities.To understand the rise and resilience of rankings, this thesis rely on neoliberalism and quantification studies to analyze them as a social phenomenon. The literature review identified three intertwining relations between rankings and neoliberalism: competition, status hierarchies, and accountability. Using these three aspects as analytical axes, an empirical study was structured to investigate how rankings have spread globally. Popularized initially in the United States during a period of expansion and diversification of higher education markets, rankings have achieved significant institutionalization in countries where higher education is configured in a notably different way compared to the conditions that fostered their growth in the U.S.The empirical analysis aims to understand the diffusion of academic rankings, investigating their uses and effects in the administration of public universities through a comparative case study of Brazilian and American institutions University of São Paulo, University of Campinas, University of California, Los Angeles, and University of California, Berkeley. Employing an analysis of a diverse set of documents and semi-structured interviews with those responsible for university administration, the goal was to understand procedural nuances that are rarely made explicit in official reports.The results obtained highlight three main mechanisms by which rankings shape how social actors make sense of higher education. Firstly, they foster a competitive institutional identity, providing metrics that guide the valuation of the symbolic capital associated with institutions. The incorporation of these rankings into university administration is driven by institutional actors, who use them to seek an external source of authority that legitimizes their actions and projects in academic policy deliberations. Secondly, rankings alter the ways universities understand themselves, evaluate their peers, and project their image externally. In this way, they reorder status hierarchies in higher education, transforming the conditions that structure the race for the appreciation of symbolic capital. Finally, rankings contribute to the marketization of university-society relationships by shifting accountability practices from an emphasis on dialogue with societal aspirations to a quantified form of auditing.Theoretically, this thesis aims to contribute to the understanding of the relationships between neoliberalism and quantification, outlining their empirical contours in higher education. Empirically, it intends to contribute to further research that can advance the critical analysis of the generalization of the ranking-form in evaluating and classifying higher education institutions.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBarreyro, Gladys BeatrizElias, André Felipe Dutra Martins Rocha2024-08-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48139/tde-02122024-155926/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-12-03T11:26:02Zoai:teses.usp.br:tde-02122024-155926Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-12-03T11:26:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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