Índices de desigualdades educacionais: um estudo para o Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Alves, Daniel Brito
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11132/tde-16092025-112834/
Resumo: Este estudo propôs construir e analisar índices de desigualdade educacional para o Brasil, no período de 1995 a 2021, e verificar os possíveis fatores que podem explicar a desigualdade. Utilizaram-se as proficiências em Língua Portuguesa e Matemática obtidas pelos alunos do 5º ano do ensino fundamental no exame do SAEB. Como metodologia, foram empregados os índices de Gini e Theil e a análise de regressão. Houve oscilações significativas na desigualdade educacional no Brasil ao longo do tempo, com desigualdade relativamente maior em Língua Portuguesa do que em Matemática. No período como um todo, não se observa tendência de diminuição na desigualdade, o que pode ser consequência da falta de políticas nacionais nesse sentido. Além disso, a disciplina de Língua Portuguesa apresentou uma ligeira elevação da desigualdade de 2019 para 2021, coincidindo com o período da pandemia da COVID-19. As regiões e grupos (regiões Norte e Nordeste, localização rural e alunos de cor preta) historicamente mais vulneráveis do ponto de vista socioeconômico apresentaram maior desigualdade educacional, o que pode contribuir para a perpetuação desse quadro social e aumentar a disparidade socioeconômica. Uma constatação interessante diz respeito à discrepância do Ceará: entre o grupo das Unidades da Federação com proficiência média mais alta que a do Brasil, esse estado apresentou o maior Gini. Outro resultado interessante foi de que o problema da desigualdade educacional, especificamente no 5º ano do ensino fundamental, concentra-se dentro dos grupos (regiões brasileiras, dependência administrativa da escola, localização urbana ou rural, sexo e cor do aluno). As escolas públicas se mostraram mais desiguais e, ao mesmo tempo, com proficiências médias mais baixas que as escolas privadas. Além disso, os resultados sugerem que o setor privado conseguiu reduzir a desigualdade educacional no período em estudo, o que não ocorreu nas escolas públicas. Portanto, uma das principais conclusões do estudo é que há consideráveis evidências de que o sistema educacional público brasileiro não consegue tratar as questões adversas dos grupos mais vulneráveis. Isso, provavelmente, contribui para a perpetuação das desigualdades socioeconômicas já existentes. Diante disso, o presente trabalho verificou algumas variáveis que podem ajudar a diminuir as desigualdades educacionais e, também, apresentou algumas reflexões sobre o ensino remoto implementado durante a pandemia da COVID-19.
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Além disso, a disciplina de Língua Portuguesa apresentou uma ligeira elevação da desigualdade de 2019 para 2021, coincidindo com o período da pandemia da COVID-19. As regiões e grupos (regiões Norte e Nordeste, localização rural e alunos de cor preta) historicamente mais vulneráveis do ponto de vista socioeconômico apresentaram maior desigualdade educacional, o que pode contribuir para a perpetuação desse quadro social e aumentar a disparidade socioeconômica. Uma constatação interessante diz respeito à discrepância do Ceará: entre o grupo das Unidades da Federação com proficiência média mais alta que a do Brasil, esse estado apresentou o maior Gini. Outro resultado interessante foi de que o problema da desigualdade educacional, especificamente no 5º ano do ensino fundamental, concentra-se dentro dos grupos (regiões brasileiras, dependência administrativa da escola, localização urbana ou rural, sexo e cor do aluno). As escolas públicas se mostraram mais desiguais e, ao mesmo tempo, com proficiências médias mais baixas que as escolas privadas. Além disso, os resultados sugerem que o setor privado conseguiu reduzir a desigualdade educacional no período em estudo, o que não ocorreu nas escolas públicas. Portanto, uma das principais conclusões do estudo é que há consideráveis evidências de que o sistema educacional público brasileiro não consegue tratar as questões adversas dos grupos mais vulneráveis. Isso, provavelmente, contribui para a perpetuação das desigualdades socioeconômicas já existentes. Diante disso, o presente trabalho verificou algumas variáveis que podem ajudar a diminuir as desigualdades educacionais e, também, apresentou algumas reflexões sobre o ensino remoto implementado durante a pandemia da COVID-19.This study aimed to construct and analyze educational inequality indices for Brazil, from 1995 to 2021, and to verify the possible factors that can explain inequality. The proficiencies in Portuguese and Mathematics obtained by 5th grade elementary school students in the SAEB exam were used. The Gini and Theil indices and regression analysis were used as methodology. There were significant fluctuations in educational inequality in Brazil over time, with relatively greater inequality in Portuguese than in Mathematics. In the period as a whole, there was no trend of decreasing inequality, which may be a consequence of the lack of national policies in this regard. In addition, the Portuguese subject showed a slight increase in inequality from 2019 to 2021, coinciding with the period of the COVID-19 pandemic. The regions and groups (North and Northeast regions, rural locations, and black students) that have historically been more vulnerable from a socioeconomic perspective have shown greater educational inequality, which may contribute to the perpetuation of this social situation and increase socioeconomic disparity. An interesting finding concerns the discrepancy in Ceará: among the group of states with higher average proficiency than Brazil, this state had the highest Gini coefficient. Another interesting result was that the problem of educational inequality, specifically in the 5th grade of elementary school, is concentrated within groups (Brazilian regions, school administrative dependency, urban or rural location, student gender and race). Public schools were shown to be more unequal and, at the same time, had lower average proficiency levels than private schools. Furthermore, the results suggest that the private sector managed to reduce educational inequality during the period under study, which did not occur in public schools. Therefore, one of the main conclusions of the study is that there is considerable evidence that the Brazilian public education system is unable to address the adverse issues of the most vulnerable groups. This probably contributes to the perpetuation of existing socioeconomic inequalities. In view of this, this study verified some variables that can help reduce educational inequalities and also presented some reflections on remote teaching implemented during the COVID-19 pandemic.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHoffmann, RodolfoAlves, Daniel Brito2025-07-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11132/tde-16092025-112834/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-17T12:06:02Zoai:teses.usp.br:tde-16092025-112834Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-17T12:06:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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