Estereótipos de gênero e parentalidade sobre mulheres que são mães: uma revisão sistemática da literatura

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Paiva, Isabelle Lucena
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-28032025-154500/
Resumo: O estudo resulta do esforço para responder à pergunta Como a literatura explora os estereótipos sobre mulheres que são mães?. Parte-se da premissa de que há uma tendência do judiciário ao tratamento estereotipado de mulheres que enfrentam processos judiciais de afastamento do convívio familiar e de destituição do poder familiar. As tomadas de decisões nesses contextos frequentemente mobilizam convenções sociais discriminatórias e violadoras de direitos humanos das mulheres, produzindo maternidades negligentes ou desviantes. É assim que mulheres que são mães passam a ser consideradas um risco à integridade física de seus próprios filhos. Para cumprir o objetivo da pesquisa e sintetizar a literatura que trata do ponto de encontro entre os estereótipos de gênero e parentalidade, foram articulados dois referenciais teóricos. Primeiro, o livro de Cook e Cusack (2009) intitulado Estereotipos de Género: perspectivas legales transnacionales foi norteador do que a pesquisa compreende por estereótipos, isto é, noções generalizadas sobre papéis, atributos e características que se imagina presentes em todos os indivíduos pertencentes a um determinado grupo. Segundo, o livro Systematic reviews in the social sciences: a practical guide, de Mark Petticrew e Helen Roberts (2006), que propõe um guia prático para aqueles que têm intenções de conduzir uma revisão de literatura no modelo sistemático. A justificativa para o estudo decorre dos próprios ensinamentos de Cook e Cusack (2009), que defendem que a identificação e nomeação de estereótipos de gênero é uma estratégia potente que pode ser instrumentalizada pelo direito para mapear assimetrias e propor soluções. Conhecer os significados dos estereótipos, seus efeitos e os mecanismos que os produzem é parte do processo para sua eliminação. A partir da revisão e sistematização dos estudos coletados, foi possível notar a sobrerrepresentação de produções relacionadas à temática do trabalho. Não apenas as mulheres em condições de vulnerabilidade socioeconômica ficam expostas aos estereótipos prejudiciais sobre a boa mãe, mas também as mulheres trabalhadoras. De um lado, aquelas que se dedicam à carreira são vistas como egoístas e antinaturais. De outro, as que dão prioridade às tarefas de cuidado infantil são vistas como menos comprometidas com o trabalho e mais distantes dos estereótipos de liderança.
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Para cumprir o objetivo da pesquisa e sintetizar a literatura que trata do ponto de encontro entre os estereótipos de gênero e parentalidade, foram articulados dois referenciais teóricos. Primeiro, o livro de Cook e Cusack (2009) intitulado Estereotipos de Género: perspectivas legales transnacionales foi norteador do que a pesquisa compreende por estereótipos, isto é, noções generalizadas sobre papéis, atributos e características que se imagina presentes em todos os indivíduos pertencentes a um determinado grupo. Segundo, o livro Systematic reviews in the social sciences: a practical guide, de Mark Petticrew e Helen Roberts (2006), que propõe um guia prático para aqueles que têm intenções de conduzir uma revisão de literatura no modelo sistemático. A justificativa para o estudo decorre dos próprios ensinamentos de Cook e Cusack (2009), que defendem que a identificação e nomeação de estereótipos de gênero é uma estratégia potente que pode ser instrumentalizada pelo direito para mapear assimetrias e propor soluções. Conhecer os significados dos estereótipos, seus efeitos e os mecanismos que os produzem é parte do processo para sua eliminação. A partir da revisão e sistematização dos estudos coletados, foi possível notar a sobrerrepresentação de produções relacionadas à temática do trabalho. Não apenas as mulheres em condições de vulnerabilidade socioeconômica ficam expostas aos estereótipos prejudiciais sobre a boa mãe, mas também as mulheres trabalhadoras. De um lado, aquelas que se dedicam à carreira são vistas como egoístas e antinaturais. De outro, as que dão prioridade às tarefas de cuidado infantil são vistas como menos comprometidas com o trabalho e mais distantes dos estereótipos de liderança.This study stems from the endeavor to address the question, \'How does literature explore stereotypes about women who are mothers?\' It is premised on the notion that there is a tendency within the judiciary to engage in stereotypical treatment of women facing legal processes involving the removal of family interactions and the termination of parental rights. Decision- making within these contexts often invokes discriminatory social conventions that infringe upon the human rights of women, resulting in neglectful or deviant motherhood. Consequently, women who are mothers come to be regarded as a threat to the physical integrity of their own children. To fulfill the research objective and synthesize the literature that delves into the intersection of gender stereotypes and parenthood, two theoretical frameworks have been employed. First, Cook and Cusack\'s (2009) book titled \'Gender Stereotypes: Transnational Legal Perspectives\' served as a guide for understanding what the research encompasses as stereotypes, namely, generalized notions about roles, attributes, and characteristics imagined to be present in all individuals belonging to a specific group. Second, Mark Petticrew and Helen Roberts\' (2006) book \'Systematic Reviews in the Social Sciences: A Practical Guide\' offers a practical guide for those intending to conduct a systematic literature review. The rationale for this study is rooted in the teachings of Cook and Cusack (2009), who advocate that the identification and naming of gender stereotypes represent a powerful strategy that can be harnessed by the legal system to map asymmetries and propose solutions. Understanding the meanings of stereotypes, their effects, and the mechanisms that produce them is a crucial step in their elimination. Upon the review and systematization of the collected studies, it became apparent that there was an overrepresentation of productions related to the theme of employment. Not only do women in socio-economic vulnerability face detrimental stereotypes about being good mothers, but working women also contend with these stereotypes. On one hand, those who dedicate themselves to their careers are viewed as selfish and unnatural. On the other hand, those prioritizing childcare responsibilities are seen as less committed to their work and further removed from leadership stereotypes.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSeveri, Fabiana CristinaPaiva, Isabelle Lucena2024-03-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-28032025-154500/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-09T18:25:08Zoai:teses.usp.br:tde-28032025-154500Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-09T18:25:08Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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