A Sociedad de la Igualdad: liberais e artesãos em Santiago do Chile em meados do século XIX

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Freitas, Eduardo Antonio Pereira de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25092025-140344/
Resumo: Em um momento histórico de ascensão da mobilização política dos artesãos em Santiago do Chile, em meados do séc. XIX, foi criada uma organização nessa cidade, a Sociedad de la Igualdad. fruto da aproximação e convivência daquela classe social e jovens liberais que pretendiam ser os seus porta-vozes. Esta pesquisa investiga quem eram os artesãos, a vanguarda do Partido Liberal, os pontos de convergência entre estes grupos e o projeto de cooptação daqueles por estes, possuindo como fonte principal o jornal escrito por aquela corrente política (El Amigo del Pueblo/La Barra). Os artesãos eram definidos sobretudo pelo seu local de trabalho: as oficinas, incluindo aí tanto os seus donos quanto os funcionários. A obrigatoriedade do serviço na Guarda Nacional, que recaia exclusivamente sobre esta classe social, implicava não só uma maneira adicional exploração de seu trabalho, como também criava uma forma violenta de submissão pessoal ao Estado, percebida como anacrônica. A vanguarda do Partido Liberal, mais sensível aos anseios populares do que a aristocracia chilena onde tinha sua origem social, equilibrava-se entre a fidelidade ao Partido Liberal e as demandas dos artesãos. A ideologia republicana expressou um significativo campo de convergência entre os trabalhadores das oficinas de Santiago e os setores aristocráticos não diretamente beneficiados pelo governo. Esta pauta em comum permitiu a aliança consolidada através da Sociedad de la Igualdad, sua grande força e capacidade de mobilização durante os seus, aproximadamente, 7 meses de sua existência, entre abril e novembro de 1850. A divergência entre tais grupos também era significativa. Os representantes do Partido Liberal na Câmara não agiam para realizar as reformas de caráter republicano que a vanguarda da agremiação defendia. Além disso, também este grupo divergia com os artesãos em relação ao protecionismo, questão essencial naquela conjuntura para os trabalhadores manuais urbanos. Concomitantemente, a defesa da ordem, principal bandeira do Partido Conservador, também se revelava importante para os artesãos, que valorizavam a continuidade das condições que lhes permitiam produzir e vender suas mercadorias. Nesse contexto, a mobilização dos artesãos não se traduziu em disposição de luta e ruptura, como desejavam os jovens liberais
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Os artesãos eram definidos sobretudo pelo seu local de trabalho: as oficinas, incluindo aí tanto os seus donos quanto os funcionários. A obrigatoriedade do serviço na Guarda Nacional, que recaia exclusivamente sobre esta classe social, implicava não só uma maneira adicional exploração de seu trabalho, como também criava uma forma violenta de submissão pessoal ao Estado, percebida como anacrônica. A vanguarda do Partido Liberal, mais sensível aos anseios populares do que a aristocracia chilena onde tinha sua origem social, equilibrava-se entre a fidelidade ao Partido Liberal e as demandas dos artesãos. A ideologia republicana expressou um significativo campo de convergência entre os trabalhadores das oficinas de Santiago e os setores aristocráticos não diretamente beneficiados pelo governo. Esta pauta em comum permitiu a aliança consolidada através da Sociedad de la Igualdad, sua grande força e capacidade de mobilização durante os seus, aproximadamente, 7 meses de sua existência, entre abril e novembro de 1850. A divergência entre tais grupos também era significativa. Os representantes do Partido Liberal na Câmara não agiam para realizar as reformas de caráter republicano que a vanguarda da agremiação defendia. Além disso, também este grupo divergia com os artesãos em relação ao protecionismo, questão essencial naquela conjuntura para os trabalhadores manuais urbanos. Concomitantemente, a defesa da ordem, principal bandeira do Partido Conservador, também se revelava importante para os artesãos, que valorizavam a continuidade das condições que lhes permitiam produzir e vender suas mercadorias. Nesse contexto, a mobilização dos artesãos não se traduziu em disposição de luta e ruptura, como desejavam os jovens liberaisAt a historical moment marked by the rise of artisans\' political mobilization in Santiago, Chile, in the mid-nineteenth century, an organization was created in that city: the Sociedad de la Igualdad. It emerged from the rapprochement and coexistence between that social class and young liberals who sought to act as its spokesmen. This study investigates who the artisans were and who constituted the vanguard of the Liberal Party, as well as the points of convergence between these groups and the liberals\' project to co-opt the artisans, using as its main source the newspaper of that political current (El Amigo del Pueblo/La Barra). Artisans were defined primarily by their workplace: the workshops, which included both proprietors and employees. Mandatory service in the National Guard, which was imposed exclusively on this social class, not only constituted an additional form of labor exploitation but also created a violent mode of personal subordination to the state, one perceived as anachronistic. More attuned to popular demands than the Chilean aristocracy from which it drew its social origins, the Liberal Party\'s vanguard oscillated between loyalty to the party and responsiveness to the artisans\' demands. Republican ideology provided a significant field of convergence between Santiago\'s workshop workers and aristocratic sectors not directly favored by the government. This shared platform underpinned the alliance consolidated through the Sociedad de la Igualdad and helps explain its considerable strength and mobilizing capacity during its roughly seven-month existence, from April to November 1850. The divergence between these groups was also significant. Liberal Party representatives in the Chamber did not act to implement the republican reforms advocated by the party\'s vanguard. Moreover, that same group disagreed with the artisans on protectionism, an essential issue for urban workers in that conjuncture. At the same time, the defense of order, the principal plank of the Conservative Party, also proved important to the artisans, who valued the continuity of the conditions that allowed them to produce and sell their goods. In this context, artisans\' mobilization did not translate into a willingness to fight and rupture, as the young liberals had desiredBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGallardo, Dario Horacio GutierrezFreitas, Eduardo Antonio Pereira de2025-06-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25092025-140344/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-25T17:19:02Zoai:teses.usp.br:tde-25092025-140344Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-25T17:19:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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