O ativismo das mulheres sul-americanas imigrantes: um estudo de caso sobre a construção da política pública municipal em São Paulo
| Ano de defesa: | 2021 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-10062021-172745/ |
Resumo: | Este estudo analisa a atuação das mulheres ativistas sul-americanas imigrantes, integrantes de movimentos sociais ou com atuação autônoma, que participam cotidianamente na (re)produção do espaço social paulistano, considerando-as como sujeitos ativos e políticos, ainda que cerceadas de sua autonomia para participar plenamente da vida política, haja vista a impossibilidade de votar e serem votadas no Brasil. Traz para o debate acadêmico os entraves vivenciados pelas mulheres para participarem, até onde lhes é permitido e autorizado, da construção de políticas públicas direcionadas às mulheres em geral, às mulheres imigrantes e, também, à população de diversas nacionalidades que residem em São Paulo. O estudo ocorreu no contexto da cidade de São Paulo, que foi a primeira no país a regulamentar a política voltada para a população imigrante com garantias de acesso aos direitos universais básicos, como saúde e educação, independentemente da situação documental da pessoa imigrante. Na cidade ocorrem diversas manifestações, reivindicações, acontecimentos, encontros, debates e intercâmbios sobre a causa migratória, sendo possível citar a Marcha dos Imigrantes; seminários sobre mulheres imigrantes e políticas públicas; as conferências municipais de políticas para imigrantes; e a VII edição do Fórum Social Mundial das Migrações. Mulheres ativistas sul-americanas imigrantes estiveram presentes em todos esses momentos, por isso a importância de analisar sua atuação no contexto sociopolítico paulistano. Teve como método de pesquisa a análise de discurso foucaultiana, considerou gênero como categoria central de análise, tendo como referência o conceito de Judith Butler, e sua intersecção com migração, classe, raça e etnia, com base nos argumentos de Souza-Lobo e Flávia Biroli. A produção do espaço foi analisada tendo como referências Henri Lefebvre e Joseli Maria Silva. É apresentado o conceito de atuação transversal intercultural para a maneira como essas mulheres ativistas atuam de maneira dialética, participando e resistindo em todos os processos que estão envolvidas, mantendo seus posicionamentos e suas origens, suas identidades, suas histórias e suas vozes ativas. A despeito das diversas barreiras impostas para a participação das mulheres ativistas sul-americanas imigrantes nos debates, diálogos e construção de políticas públicas, desde questões estruturais da sociedade capitalista patriarcal a enfrentamento de tentativas de silenciamento e apagamento de suas vozes e de suas reivindicações, o estudo revelou que as ativistas resistem às imposições do gênero produzido pela divisão sexual do trabalho na convergência com migração, classe, raça e etnia. Novas relações são produzidas a partir de suas estratégias e resistências, o que as inserem na esfera pública e no debate político - mesmo diante das imposições vivenciadas por sua condição de mulher imigrante, pelas hierarquias impostas pelas divisões de classe, pelo racismo estrutural, pela misoginia e xenofobia. Acrescenta-se que essas ativistas conquistam espaços, mobilizam e articulam outras mulheres para inserir no debate político as reivindicações relacionadas às questões de gênero e à população imigrante, principalmente aquelas relativas à parcela feminina. |
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O ativismo das mulheres sul-americanas imigrantes: um estudo de caso sobre a construção da política pública municipal em São PauloThe activism of immigrant South American women: a case study on the construction of municipal public policy in São PauloActivismAtivismoGenderGêneroInterseccionalidadeIntersectionalityMigraçãoMigrationPolítica públicaPublic policySão PauloSão PauloEste estudo analisa a atuação das mulheres ativistas sul-americanas imigrantes, integrantes de movimentos sociais ou com atuação autônoma, que participam cotidianamente na (re)produção do espaço social paulistano, considerando-as como sujeitos ativos e políticos, ainda que cerceadas de sua autonomia para participar plenamente da vida política, haja vista a impossibilidade de votar e serem votadas no Brasil. Traz para o debate acadêmico os entraves vivenciados pelas mulheres para participarem, até onde lhes é permitido e autorizado, da construção de políticas públicas direcionadas às mulheres em geral, às mulheres imigrantes e, também, à população de diversas nacionalidades que residem em São Paulo. O estudo ocorreu no contexto da cidade de São Paulo, que foi a primeira no país a regulamentar a política voltada para a população imigrante com garantias de acesso aos direitos universais básicos, como saúde e educação, independentemente da situação documental da pessoa imigrante. Na cidade ocorrem diversas manifestações, reivindicações, acontecimentos, encontros, debates e intercâmbios sobre a causa migratória, sendo possível citar a Marcha dos Imigrantes; seminários sobre mulheres imigrantes e políticas públicas; as conferências municipais de políticas para imigrantes; e a VII edição do Fórum Social Mundial das Migrações. Mulheres ativistas sul-americanas imigrantes estiveram presentes em todos esses momentos, por isso a importância de analisar sua atuação no contexto sociopolítico paulistano. Teve como método de pesquisa a análise de discurso foucaultiana, considerou gênero como categoria central de análise, tendo como referência o conceito de Judith Butler, e sua intersecção com migração, classe, raça e etnia, com base nos argumentos de Souza-Lobo e Flávia Biroli. A produção do espaço foi analisada tendo como referências Henri Lefebvre e Joseli Maria Silva. É apresentado o conceito de atuação transversal intercultural para a maneira como essas mulheres ativistas atuam de maneira dialética, participando e resistindo em todos os processos que estão envolvidas, mantendo seus posicionamentos e suas origens, suas identidades, suas histórias e suas vozes ativas. A despeito das diversas barreiras impostas para a participação das mulheres ativistas sul-americanas imigrantes nos debates, diálogos e construção de políticas públicas, desde questões estruturais da sociedade capitalista patriarcal a enfrentamento de tentativas de silenciamento e apagamento de suas vozes e de suas reivindicações, o estudo revelou que as ativistas resistem às imposições do gênero produzido pela divisão sexual do trabalho na convergência com migração, classe, raça e etnia. Novas relações são produzidas a partir de suas estratégias e resistências, o que as inserem na esfera pública e no debate político - mesmo diante das imposições vivenciadas por sua condição de mulher imigrante, pelas hierarquias impostas pelas divisões de classe, pelo racismo estrutural, pela misoginia e xenofobia. Acrescenta-se que essas ativistas conquistam espaços, mobilizam e articulam outras mulheres para inserir no debate político as reivindicações relacionadas às questões de gênero e à população imigrante, principalmente aquelas relativas à parcela feminina.This study analyzes performance of South American immigrant female activists, members of social movements or with autonomous acting, who participate daily in the (re)production of the São Paulo social space, considering them as active and political subjects, despite their restrict autonomy to participate fully in political life, given the impossibility of voting and being voted in Brazil. It brings to the academic debate the obstacles experienced by women to participate, as far as they are allowed and authorized, in the construction of public policies aimed at general women, immigrant women and, also, the population of different nationalities residing in São Paulo. The study took place in the context of the city of São Paulo, which was the first in the country to regulate the policy aimed at the immigrant population with guarantees of access to basic universal rights, such as health and education, regardless of the documentary situation of the immigrant person. In this city there are several manifestations, demands, events, meetings, debates and exchanges about the migratory cause, as the March of Immigrants; seminars on immigrant women and public policies; municipal immigration policy conferences; and the VII edition of the World Social Forum on Migration. South American immigrant female activists were present at all these events, which is why it is important to analyze their performance in the São Paulo socio-political context. The study had as a research method foucauldian analysis discourse, considered gender as a central category of analysis, having as reference the concept of Judith Butler, and its intersection with migration, class, race and ethnicity, based on the arguments of Souza-Lobo and Flávia Biroli. The production of the space was analyzed using Henri Lefebvre and Joseli Maria Silva as references. The concept of intercultural transversal action is presented for the way these activists act in a dialectical way, participating and resisting in all the processes that are involved, maintaining their positions and their origins, their identities, their stories and their voices. Despite the severals barriers imposed for the participation of immigrant South American women activists in debates, dialogues and the construction of public policies, from relevant issues of the patriarchal capitalist society to coping with the silencing and erasing of their voices and their claims, the study revealed that activists break the impositions of the gender produced by the sexual division of labor in the convergence with migration, class, race and ethnicity. New relationships are produced from their strategies and resistance, which insert them in the public sphere and in the political debate - in view of the impositions experienced by her condition as an immigrant woman, by the hierarchies imposed by class divisions, by structural racism, by misogyny and xenophobia. It is added that these activists conquer spaces, mobilize and articulate other women to insert claims into political debate as related to gender issues and the immigrant population, mainly those relative to female portion.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFrancesconi, LeaBacron, Rosana2021-03-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-10062021-172745/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2021-06-10T23:56:02Zoai:teses.usp.br:tde-10062021-172745Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212021-06-10T23:56:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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