Invisibilidades e interseccionalidades: as percepções e interpretações dos juízes de 1ª instância do TJSP sobre a violência doméstica e intrafamiliar contra mulheres negras
| Ano de defesa: | 2023 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2140/tde-29042024-131105/ |
Resumo: | Neste trabalho tivemos como objetivo investigar as percepções e interpretações sobre a interseccionalidade entre gênero e raça e os casos de violência doméstica e intrafamiliar contra mulheres negras de juízes e juízas de 1a instância do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo com competência especializada ou cumulativa de julgar casos no âmbito da Lei Maria da Penha (11.340/2006). Utilizamos como referencial teórico a interseccionalidade, a partir da teoria de Patricia Hill Collins, para compreender quais as perspectiva que estes atores têm em relação à intersecção entre gênero e raça na violência doméstica e como (se é que o fazem) modulam a sua atuação para responder às especificidades das mulheres negras em situação de violência. Desta maneira, a pergunta de pesquisa a que nos propomos é: quais são as percepções e interpretações dos juízes e juízas de 1a instância do TJSP que atuam com a Lei Maria da Penha sobre a interseccionalidade entre raça e gênero nas violências domésticas e intrafamiliares em relação a mulheres negras? Para isso, buscamos realizar uma pesquisa de cunho qualitativo, que permita compreender o fenômeno em profundidade. Aplicamos entrevistas semi-estruturadas para 12 juízes e juízas participantes da pesquisa procurando compreender suas percepções e interpretações sobre o tema. Além disso, realizamos uma pesquisa exploratória, realizando a observação não-participante de audiências de 4 juízes participantes e analisamos o inteiro teor de processos das audiências assistidas. Buscamos, com isso, identificar elementos pelos quais a interseccionalidade entre gênero e raça pode aparecer nos processos. Como fundamento teórico, abordamos o conceito de interseccionalidade a partir da teoria de Patricia Hill Collins, procurando sistematizar os principais construtos e passos da interseccionalidade, sua epistemologia e seu potencial em constituir uma teoria crítica. A respeito da interseccionalidade na análise jurídica, abordamos as teorias críticas feministas e raciais sobre o Direito, em especial as teorias de Alda Facio, Kimberlé Crenshaw e Adilson Moreira, procurando encontrar subsídios para realizar uma análise interseccional no Direito. Pudemos identificar que os juízes participantes majoritariamente adotam uma perspectiva de gênero na aplicação da Lei Maria da Penha, e conseguem realizar análises interseccionais em relação a categorias como classe, imigração, idade e orientação sexual. No que diz respeito à raça, porém, apresentam desconfortos e dificuldades para utilizá-la como uma categoria juridicamente relevante. Metade da amostra transita entre as posições do jurista branco e do jurista negro, cinco outros utilizam apenas a posição do jurista branco e apenas um consegue utilizar a posição do jurista negro. Identificamos, portanto, a invisibilização da raça como uma categoria relevante e argumentamos para sua incorporação na perspectiva de gênero interseccional. |
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Invisibilidades e interseccionalidades: as percepções e interpretações dos juízes de 1ª instância do TJSP sobre a violência doméstica e intrafamiliar contra mulheres negrasInvisibilidades e interseccionalidades: as percepções e interpretações dos juízes de 1ª instância do TJSP sobre a violência doméstica e intrafamiliar contra mulheres negrasDomestic violenceGenderGêneroInterseccionalidadeIntersectionalityLei Maria da PenhaLei Maria da PenhaRaçaRaceViolência domésticaNeste trabalho tivemos como objetivo investigar as percepções e interpretações sobre a interseccionalidade entre gênero e raça e os casos de violência doméstica e intrafamiliar contra mulheres negras de juízes e juízas de 1a instância do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo com competência especializada ou cumulativa de julgar casos no âmbito da Lei Maria da Penha (11.340/2006). Utilizamos como referencial teórico a interseccionalidade, a partir da teoria de Patricia Hill Collins, para compreender quais as perspectiva que estes atores têm em relação à intersecção entre gênero e raça na violência doméstica e como (se é que o fazem) modulam a sua atuação para responder às especificidades das mulheres negras em situação de violência. Desta maneira, a pergunta de pesquisa a que nos propomos é: quais são as percepções e interpretações dos juízes e juízas de 1a instância do TJSP que atuam com a Lei Maria da Penha sobre a interseccionalidade entre raça e gênero nas violências domésticas e intrafamiliares em relação a mulheres negras? Para isso, buscamos realizar uma pesquisa de cunho qualitativo, que permita compreender o fenômeno em profundidade. Aplicamos entrevistas semi-estruturadas para 12 juízes e juízas participantes da pesquisa procurando compreender suas percepções e interpretações sobre o tema. Além disso, realizamos uma pesquisa exploratória, realizando a observação não-participante de audiências de 4 juízes participantes e analisamos o inteiro teor de processos das audiências assistidas. Buscamos, com isso, identificar elementos pelos quais a interseccionalidade entre gênero e raça pode aparecer nos processos. Como fundamento teórico, abordamos o conceito de interseccionalidade a partir da teoria de Patricia Hill Collins, procurando sistematizar os principais construtos e passos da interseccionalidade, sua epistemologia e seu potencial em constituir uma teoria crítica. A respeito da interseccionalidade na análise jurídica, abordamos as teorias críticas feministas e raciais sobre o Direito, em especial as teorias de Alda Facio, Kimberlé Crenshaw e Adilson Moreira, procurando encontrar subsídios para realizar uma análise interseccional no Direito. Pudemos identificar que os juízes participantes majoritariamente adotam uma perspectiva de gênero na aplicação da Lei Maria da Penha, e conseguem realizar análises interseccionais em relação a categorias como classe, imigração, idade e orientação sexual. No que diz respeito à raça, porém, apresentam desconfortos e dificuldades para utilizá-la como uma categoria juridicamente relevante. Metade da amostra transita entre as posições do jurista branco e do jurista negro, cinco outros utilizam apenas a posição do jurista branco e apenas um consegue utilizar a posição do jurista negro. Identificamos, portanto, a invisibilização da raça como uma categoria relevante e argumentamos para sua incorporação na perspectiva de gênero interseccional.The aim of this study was to investigate the perceptions and interpretations of the intersectionality between gender and race in cases of domestic and intrafamily violence against black women held by first instance judges of the São Paulo State Court of Justice with specialized or cumulative jurisdiction to hear cases under Lei Maria da Penha (11.340/2006). We used intersectionality as a theoretical framework, based on Patricia Hill Collins\' theory, to understand what perspective these actors have in relation to the intersection between gender and race in domestic violence and how (if at all) they modulate their actions to respond to the specificities of black women in situations of violence. Thus, the research question is: what are the perceptions and interpretations of the first instance judges of the TJSP who work with the Maria da Penha Law on the intersectionality between race and gender in domestic and intra- family violence in relation to black women? To this end, we sought to carry out qualitative research that would allow us to understand the phenomenon in depth. We carried out semi- structured interviews with 12 judges who took part in the research to understand their perceptions and interpretations of the issue. In addition, we carried out exploratory research by conducting non-participant observation of the hearings of 4 participating judges and analyzed the full content of the cases from the hearings attended. We thus sought to identify elements through which the intersectionality between gender and race can appear in the cases. As a theoretical foundation, we approached the concept of intersectionality from the theory of Patricia Hill Collins, seeking to systematize the main constructs and steps of intersectionality, its epistemology, and its potential to constitute a critical theory. Regarding intersectionality in legal analysis, we look at critical feminist and racial theories of law, in particular the theories of Alda Facio, Kimberlé Crenshaw and Adilson Moreira, to find support for an intersectional analysis of law. We were able to identify that the participating judges mostly adopt a gender perspective when applying Lei Maria da Penha and can carry out intersectional analyses in relation to categories such as class, immigration, age and sexual orientation. When it comes to race, however, they have discomfort and difficulties using it as a legally relevant category. Half of the sample moves between the positions of the white jurist and the black jurist; five others only use the position of the white jurist; and only one manages to use the position of the black jurist. We therefore identify the invisibilization of race as a relevant category and argue for its incorporation into the intersectional gender perspective.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos, Gislene Aparecida dosMoyses, Juliana Fontana2023-12-06info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2140/tde-29042024-131105/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-12-06T21:55:02Zoai:teses.usp.br:tde-29042024-131105Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-12-06T21:55:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Neste trabalho tivemos como objetivo investigar as percepções e interpretações sobre a interseccionalidade entre gênero e raça e os casos de violência doméstica e intrafamiliar contra mulheres negras de juízes e juízas de 1a instância do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo com competência especializada ou cumulativa de julgar casos no âmbito da Lei Maria da Penha (11.340/2006). Utilizamos como referencial teórico a interseccionalidade, a partir da teoria de Patricia Hill Collins, para compreender quais as perspectiva que estes atores têm em relação à intersecção entre gênero e raça na violência doméstica e como (se é que o fazem) modulam a sua atuação para responder às especificidades das mulheres negras em situação de violência. Desta maneira, a pergunta de pesquisa a que nos propomos é: quais são as percepções e interpretações dos juízes e juízas de 1a instância do TJSP que atuam com a Lei Maria da Penha sobre a interseccionalidade entre raça e gênero nas violências domésticas e intrafamiliares em relação a mulheres negras? Para isso, buscamos realizar uma pesquisa de cunho qualitativo, que permita compreender o fenômeno em profundidade. Aplicamos entrevistas semi-estruturadas para 12 juízes e juízas participantes da pesquisa procurando compreender suas percepções e interpretações sobre o tema. Além disso, realizamos uma pesquisa exploratória, realizando a observação não-participante de audiências de 4 juízes participantes e analisamos o inteiro teor de processos das audiências assistidas. Buscamos, com isso, identificar elementos pelos quais a interseccionalidade entre gênero e raça pode aparecer nos processos. Como fundamento teórico, abordamos o conceito de interseccionalidade a partir da teoria de Patricia Hill Collins, procurando sistematizar os principais construtos e passos da interseccionalidade, sua epistemologia e seu potencial em constituir uma teoria crítica. A respeito da interseccionalidade na análise jurídica, abordamos as teorias críticas feministas e raciais sobre o Direito, em especial as teorias de Alda Facio, Kimberlé Crenshaw e Adilson Moreira, procurando encontrar subsídios para realizar uma análise interseccional no Direito. Pudemos identificar que os juízes participantes majoritariamente adotam uma perspectiva de gênero na aplicação da Lei Maria da Penha, e conseguem realizar análises interseccionais em relação a categorias como classe, imigração, idade e orientação sexual. No que diz respeito à raça, porém, apresentam desconfortos e dificuldades para utilizá-la como uma categoria juridicamente relevante. Metade da amostra transita entre as posições do jurista branco e do jurista negro, cinco outros utilizam apenas a posição do jurista branco e apenas um consegue utilizar a posição do jurista negro. Identificamos, portanto, a invisibilização da raça como uma categoria relevante e argumentamos para sua incorporação na perspectiva de gênero interseccional. |
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