Comunidade de luto: catástrofe, perda e trauma coletivo
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Orientador(a): | |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-12092025-152353/ |
Resumo: | A presente pesquisa constitui uma investigação de fenômenos sociais mediante os fundamentos psicanalíticos. Parte-se do encontro com um memorial de vítimas produzido no Brasil durante a pandemia da Covid-19 chamado Inumeráveis. O artigo O Moisés de Michelangelo de Freud é tomado como grande inspiração metodológica e adota-se a psicanálise implicada, proposta por Frayze-Pereira, enquanto forma de trabalho. Assim, o impactante confronto com o Inumeráveis suscita algumas questões no que concerne à experiência brasileira da pandemia no âmbito dos processos coletivos que convidam à tessitura de um pensamento teórico. O corpo da pesquisa visa alcançar, então, uma compreensão acerca desta experiência por meio da articulação de eixos do trabalho do luto a partir de Freud e a traumatogênese de Ferenczi. Os componentes teóricos desta trama são vinculados mediante sua dimensão política, o que permite o enfoque no trauma social decorrente da violência de Estado e seus enraizamentos históricos no Brasil. Com intuito de sofisticar este olhar adotado, busca-se apoio no conceito de necropolítica de Mbembe. Discute-se, sobretudo, acerca da distribuição desigual da possibilidade de enlutamento e acerca do desmentido que promove o desenlace traumático no processo de elaboração da perda. A articulação realizada conduz à identificação de um fenômeno social de criação de memoriais durante a pandemia no Brasil entendido enquanto um movimento testemunhal expressivo sobre a experiência nacional e que denuncia a violência traumática. Ressalta-se que os memoriais enquanto testemunho favoreceram o trabalho do luto considerando a incidência do desmentido. Seguindo este caminho e, em consonância com a forma de trabalho adotada, é feito um retorno ao Inumeráveis e cunha-se a ideia de comunidade de luto, inauguração que é o principal desígnio da presente pesquisa. Para tal, recorre-se à forma como a noção de comunidade de destino é trabalhada no pensamento de Ferenczi. Conforme se elabora, a comunidade de luto é herdeira do movimento testemunhal e o transcende, de maneira que seja englobado e potencializado o que se viabiliza na contraface ao traumático. Trata-se de um dispositivo político que faz o luto possível e que expande a força de combate à violência a partir de um encontro afetivo. Por fim, propõe-se que a comunidade de luto seja compatível àquilo que se observa a partir de memoriais ou mesmo movimentos sociais referentes a outros contextos de violência que envolvem o luto, o desmentido e o testemunho, como o movimento Madres de la Plaza de Mayo e o Movimento Mães de Maio. |
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O corpo da pesquisa visa alcançar, então, uma compreensão acerca desta experiência por meio da articulação de eixos do trabalho do luto a partir de Freud e a traumatogênese de Ferenczi. Os componentes teóricos desta trama são vinculados mediante sua dimensão política, o que permite o enfoque no trauma social decorrente da violência de Estado e seus enraizamentos históricos no Brasil. Com intuito de sofisticar este olhar adotado, busca-se apoio no conceito de necropolítica de Mbembe. Discute-se, sobretudo, acerca da distribuição desigual da possibilidade de enlutamento e acerca do desmentido que promove o desenlace traumático no processo de elaboração da perda. A articulação realizada conduz à identificação de um fenômeno social de criação de memoriais durante a pandemia no Brasil entendido enquanto um movimento testemunhal expressivo sobre a experiência nacional e que denuncia a violência traumática. Ressalta-se que os memoriais enquanto testemunho favoreceram o trabalho do luto considerando a incidência do desmentido. Seguindo este caminho e, em consonância com a forma de trabalho adotada, é feito um retorno ao Inumeráveis e cunha-se a ideia de comunidade de luto, inauguração que é o principal desígnio da presente pesquisa. Para tal, recorre-se à forma como a noção de comunidade de destino é trabalhada no pensamento de Ferenczi. Conforme se elabora, a comunidade de luto é herdeira do movimento testemunhal e o transcende, de maneira que seja englobado e potencializado o que se viabiliza na contraface ao traumático. Trata-se de um dispositivo político que faz o luto possível e que expande a força de combate à violência a partir de um encontro afetivo. Por fim, propõe-se que a comunidade de luto seja compatível àquilo que se observa a partir de memoriais ou mesmo movimentos sociais referentes a outros contextos de violência que envolvem o luto, o desmentido e o testemunho, como o movimento Madres de la Plaza de Mayo e o Movimento Mães de Maio.This research investigates social phenomena through psychoanalytic foundations. It begins with the encounter with a memorial for victims created in Brazil during the COVID-19 pandemic, known as Inumeráveis. Freuds article The Moses of Michelangelo serves as a key methodological inspiration, and the implicated psychoanalysis, as proposed by Frayze-Pereira, is adopted as the working framework. The impactful confrontation with Inumeráveis raises questions concerning the Brazilian experience of the pandemic, particularly in relation to collective processes, and it invites the weaving of a theoretical reflection. The body of the research seeks to develop an understanding of this experience by articulating the axes of mourning work in Freud and the traumatogenesis theorized by Ferenczi. These theoretical components are tied through their political dimensions, enabling an emphasis on the social trauma resulting from State violence and its historical roots in Brazil. To enrich this analytical perspective, the study draws upon Mbembes concept of necropolitics. At the core of the discussion are the unequal distribution of the possibility of mourning and the mechanism of disavowal, which fosters a traumatic outcome in the elaboration of loss. This articulation leads to the identification of a broader social phenomenon in Brazil during the pandemic: the creation of memorials, interpreted as a significant testimonial movement that reflects the national experience and denounces traumatic violence. Memorials, as acts of testimony, are shown as helpful to mourning work, especially in the context of disavowal. In line with the chosen methodological approach, the study returns to Inumeráveis and proposes the notion of a community of mourning, an inaugural concept that represents the central aim of this research. To this end, the work engages with Ferenczis idea of community of fate as a conceptual foundation. The community of mourning emerges as a legacy of the testimonial movement and goes beyond it, encompassing and enhancing the transformative potential found in response to the traumatic. It is posited as a political device that enables mourning and expands resistance against violence through an affective encounter. Ultimately, the study suggests that the concept of a community of mourning is applicable to memorials and social movements in other contexts of violence involving mourning, disavowal, and testimony, such as the movement Madres de la Plaza de Mayo and the movement Movimento Mães de Maio.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPKupermann, DanielCampos, Dora Musetti de2025-05-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-12092025-152353/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-12T19:23:02Zoai:teses.usp.br:tde-12092025-152353Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-12T19:23:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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