Direito interamericano e a perspectiva de gênero: há um direito feminista e decolonial?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Reis, Graziela Tavares de Souza
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/84/84131/tde-22072025-191554/
Resumo: A presente tese analisa o Sistema Interamericano de Direitos Humanos sob a ótica do pensamento feminista latino-americano e caribenho, investigando em que medida o direito interamericano pode ser considerado um direito feminista e decolonial. Para isso, foram estudados 38 julgados da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) que trataram de violações aos direitos de mulheres cisgênero e transgênero, buscando compreender como a Corte IDH tem enfrentado os estereótipos de gênero e as múltiplas formas de opressão que incidem sobre as mulheres na região. Os resultados indicam que a jurisprudência interamericana tem avançado na desconstrução de padrões discriminatórios e na incorporação de perspectivas de gênero, colaborando para que normativas e políticas públicas mais inclusivas sejam providenciadas pelos Estados-parte, mas esse processo ainda está em construção. Conclui-se que a obrigatoriedade de análises interseccionais é essencial para garantir que todas as mulheres afro-latino-americanas e caribenhas sejam contempladas nas decisões, considerando as interações entre gênero, raça, classe, sexualidade e colonialidade. Embora as teorias de gênero e as abordagens feministas decoloniais tenham progressivamente influenciado o direito interamericano, sua consolidação como um direito feminista e decolonial permanece um desafio em curso. Concluiu-se, ainda, que o direito interamericano, embora não seja intrinsecamente feminista ou decolonial, tem potencial para se tornar um instrumento transformador se adotar uma abordagem interseccional e crítica, capaz de responder às demandas das mulheres mais marginalizadas na região. A tese destaca a urgência de se avançar em uma jurisprudência que não apenas reconheça, mas também enfrente de maneira contundente as estruturas coloniais e patriarcais que perpetuam a violação dos direitos humanos das mulheres na América Latina e no Caribe. Além disso, ressalta a importância de que os Estados membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) se submetam plenamente à jurisdição da Corte IDH, internalizando e implementando de forma efetiva as decisões e determinações jurídicas emanadas pelo tribunal, como passo fundamental para a consolidação de um sistema interamericano de direitos humanos verdadeiramente transformador e comprometido com a justiça de gênero e a decolonialidade
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Para isso, foram estudados 38 julgados da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) que trataram de violações aos direitos de mulheres cisgênero e transgênero, buscando compreender como a Corte IDH tem enfrentado os estereótipos de gênero e as múltiplas formas de opressão que incidem sobre as mulheres na região. Os resultados indicam que a jurisprudência interamericana tem avançado na desconstrução de padrões discriminatórios e na incorporação de perspectivas de gênero, colaborando para que normativas e políticas públicas mais inclusivas sejam providenciadas pelos Estados-parte, mas esse processo ainda está em construção. Conclui-se que a obrigatoriedade de análises interseccionais é essencial para garantir que todas as mulheres afro-latino-americanas e caribenhas sejam contempladas nas decisões, considerando as interações entre gênero, raça, classe, sexualidade e colonialidade. Embora as teorias de gênero e as abordagens feministas decoloniais tenham progressivamente influenciado o direito interamericano, sua consolidação como um direito feminista e decolonial permanece um desafio em curso. Concluiu-se, ainda, que o direito interamericano, embora não seja intrinsecamente feminista ou decolonial, tem potencial para se tornar um instrumento transformador se adotar uma abordagem interseccional e crítica, capaz de responder às demandas das mulheres mais marginalizadas na região. A tese destaca a urgência de se avançar em uma jurisprudência que não apenas reconheça, mas também enfrente de maneira contundente as estruturas coloniais e patriarcais que perpetuam a violação dos direitos humanos das mulheres na América Latina e no Caribe. Além disso, ressalta a importância de que os Estados membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) se submetam plenamente à jurisdição da Corte IDH, internalizando e implementando de forma efetiva as decisões e determinações jurídicas emanadas pelo tribunal, como passo fundamental para a consolidação de um sistema interamericano de direitos humanos verdadeiramente transformador e comprometido com a justiça de gênero e a decolonialidadeThis thesis analyzes the Inter-American Human Rights System from the perspective of Latin American and Caribbean feminist thought, investigating to what extent inter-American law can be considered a ferninist and decoloniallaw. To this end, thirty-eight rulings from the InterAmerican Court of Human Rights that addressed violations of the rights of cisgender and transgender women were studied, aiming to understand how the Court has confronted gender stereotypes and the multiple forms of oppression that affect women in the region. The results indicate that inter-American jurisprudence has made progress in deconstructing discrirninatory patterns and incorporating gender perspectives, contributing to the provision of more inclusive norms and public policies by the States parties. However, this process is still ongoing. It is concluded that the requirement for intersectional analyses is essential to ensure that all AfroLatin American and Caribbean women are included in the decisions, considering the interactions between gender, race, class, sexuality, and coloniality. While gender theories and decolonial feminist approaches have progressively influenced inter-American law, its consolidation as a feminist and decoloniallaw remains a work in progress. The thesis concludes that, although inter-American law is not intrinsically feminist or decolonial, it has the potential to become a transformative instrument if it adopts an intersectional and criticai approach capable o f responding to the demands of the most marginalized women in the region. The thesis highlights the urgency of advancing jurisprudence that not only recognizes but also confronts decisively the colonial and patriarchal structures that perpetuate the violation of women\'s human rights in Latin America and the Caribbean. Furthermore, it emphasizes the importance of OAS member States fully submitting to the jurisdiction of the Inter-American Court of Human Rights (IACHR), internalizing and effectively implementing the decisions and legal determinations issued by the Court, as a crucial step toward the consolidation of a truly transformative inter-American human rights system committed to gender justice and decolonialityBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPUrquidi, Vivian Grace Fernandez DavilaReis, Graziela Tavares de Souza2025-03-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/84/84131/tde-22072025-191554/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-23T09:05:02Zoai:teses.usp.br:tde-22072025-191554Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-23T09:05:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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