Registro ambiental de alta resolução de formações ferríferas bandadas de Carajás (Brasil) a partir de suas propriedades magnéticas, petrográficas e geoquímicas.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Teixeira, Livia Paula Vaz
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/14/14132/tde-16122025-101748/
Resumo: As Formações Ferríferas (FFs) são rochas sedimentares de origem química ricas em ferro (Fe), formadas no fundo de antigos oceanos ao longo de mais de dois bilhões de anos no início da história da Terra, sendo amplamente utilizadas para investigar as condições da água do mar no Precambriano. Sua deposição coincidiu com a progressiva oxigenação da atmosfera e da hidrosfera, e as variações em sua composição química, mineralógica, magnética e isotópica permite investigar as mudanças ambientais que moldaram a evolução do planeta. Apesar de sua importância, muitos aspectos dos caminhos de cristalização dos óxidos de ferro em IFs ainda permanecem pouco compreendidos. Nesta tese, empregamos uma abordagem inovadora que combina uma caracterização magnética detalhada com imageamento óptico e eletrônico de alta resolução de FFs finamente laminadas da Formação Carajás (2,7 Ga), no Brasil, para investigar sua natureza mineralógica e seu potencial de preservar sinais paleoambientais. Nossos resultados revelam que a magnetita, presente como cristais grandes (0,1 a 0,5 mm), é o óxido de ferro dominante nessas rochas, com uma magnetização de saturação média (Ms) de 25 Am²/kg (correspondente a aproximadamente 27% em peso de magnetita) ao longo dos 230 metros da sequência estudada. No entanto, a significativa contribuição de minerais de alta coercividade sugere proporções variáveis de hematita ao longo do testemunho. Medidas em baixa temperatura também revelam que os grãos de magnetita apresentam comportamento não uniforme, indicando a presença de populações distintas. Observações petrográficas indicam que o sedimento original era uma lama de Fe-Si contendo hematita nanométrica dispersa em uma matriz rica em sílica. Esse conjunto hematita-sílica apresenta uma estrutura em colmeia composta por esferulas de sílica embutidos em uma matriz de hematita em escala micrométrica. As relações texturais confirmam que a magnetita se formou após a hematita, como indicado pela preservação dos esferulas de sílica nos núcleos de magnetita. Estágios posteriores de crescimento da magnetita são caracterizados por bordas livres de inclusões, associadas a um suprimento contínuo de sílica durante a diagênese inicial. A integração desses resultados com dados da literatura sugere que o ferro Fe(II) derivado de fontes hidrotermais foi oxidado para Fe(III) via fotossíntese anoxigênica e evoluiu em um sistema fechado até cristalizar-se inicialmente como hematita. Posteriormente, a respiração anaeróbia por microrganismos redutores de ferro possivelmente levou à formação de magnetita. Um processo diagenético posterior, envolvendo mobilização de Si e Fe, resultou na precipitação local de quartzo em paliçada e em uma segunda etapa de formação de magnetita. Cada estágio de cristalização da magnetita parece estar associado a uma estequiometria específica, conforme sugerido por análises de baixa temperatura da transição de Verwey. Além disso, analisamos as assinaturas de elementos-traço in situ em grãos de magnetita e hematita nas amostras mais preservadas das FFs de Carajás. Dado o conhecimento limitado sobre a incorporação de elementos-traço por óxidos de ferro presentes nesses depósitos, nosso objetivo com essas análises foi explorar como esses elementos foram incorporados à hematita e à magnetita, a fim de distinguir múltiplas gerações minerais, compreender melhor os processos responsáveis por sua formação e avaliar se esses minerais preservam assinaturas geoquímicas que reflitam as condições da água do mar antiga. Em consonância com estudos anteriores que utilizaram composições de elementos-traço para diferenciar tipos de magnetita, nossos resultados permitiram identificar duas populações principais de magnetita nas amostras de Carajás: (1) grãos primários com uma composição uniforme e intervalo composicional mais restrito, e (2) grãos com um intervalo mais amplo de conteúdos de elementos-traço, provavelmente influenciados por alterações pós-deposicionais, como a percolação de fluidos hidrotermais. Além disso, ao considerar elementos cuja concentração varia com a temperatura (por exemplo, Ti e V), fornecemos novos insights sobre a evolução ambiental dos oceanos do Precambriano, sugerindo que as FFs de Carajás se formaram a temperaturas mais baixas em comparação com outras FFs Precambrianas previamente estudadas.
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spelling Registro ambiental de alta resolução de formações ferríferas bandadas de Carajás (Brasil) a partir de suas propriedades magnéticas, petrográficas e geoquímicas.High-resolution environmental record of banded iron formations from Carajás (Brazil) through rock magnetic, petrographic and geochemical propertiesBrasilBrazilCarajásCarajásCristalização da magnetitaFormações ferríferasIron formationsMagnetismo de rochasMagnetite crystallizationNeoarcheanNeoarqueanoRock magnetismTransição de VerweyVerwey transitionAs Formações Ferríferas (FFs) são rochas sedimentares de origem química ricas em ferro (Fe), formadas no fundo de antigos oceanos ao longo de mais de dois bilhões de anos no início da história da Terra, sendo amplamente utilizadas para investigar as condições da água do mar no Precambriano. Sua deposição coincidiu com a progressiva oxigenação da atmosfera e da hidrosfera, e as variações em sua composição química, mineralógica, magnética e isotópica permite investigar as mudanças ambientais que moldaram a evolução do planeta. Apesar de sua importância, muitos aspectos dos caminhos de cristalização dos óxidos de ferro em IFs ainda permanecem pouco compreendidos. Nesta tese, empregamos uma abordagem inovadora que combina uma caracterização magnética detalhada com imageamento óptico e eletrônico de alta resolução de FFs finamente laminadas da Formação Carajás (2,7 Ga), no Brasil, para investigar sua natureza mineralógica e seu potencial de preservar sinais paleoambientais. Nossos resultados revelam que a magnetita, presente como cristais grandes (0,1 a 0,5 mm), é o óxido de ferro dominante nessas rochas, com uma magnetização de saturação média (Ms) de 25 Am²/kg (correspondente a aproximadamente 27% em peso de magnetita) ao longo dos 230 metros da sequência estudada. No entanto, a significativa contribuição de minerais de alta coercividade sugere proporções variáveis de hematita ao longo do testemunho. Medidas em baixa temperatura também revelam que os grãos de magnetita apresentam comportamento não uniforme, indicando a presença de populações distintas. Observações petrográficas indicam que o sedimento original era uma lama de Fe-Si contendo hematita nanométrica dispersa em uma matriz rica em sílica. Esse conjunto hematita-sílica apresenta uma estrutura em colmeia composta por esferulas de sílica embutidos em uma matriz de hematita em escala micrométrica. As relações texturais confirmam que a magnetita se formou após a hematita, como indicado pela preservação dos esferulas de sílica nos núcleos de magnetita. Estágios posteriores de crescimento da magnetita são caracterizados por bordas livres de inclusões, associadas a um suprimento contínuo de sílica durante a diagênese inicial. 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Dado o conhecimento limitado sobre a incorporação de elementos-traço por óxidos de ferro presentes nesses depósitos, nosso objetivo com essas análises foi explorar como esses elementos foram incorporados à hematita e à magnetita, a fim de distinguir múltiplas gerações minerais, compreender melhor os processos responsáveis por sua formação e avaliar se esses minerais preservam assinaturas geoquímicas que reflitam as condições da água do mar antiga. Em consonância com estudos anteriores que utilizaram composições de elementos-traço para diferenciar tipos de magnetita, nossos resultados permitiram identificar duas populações principais de magnetita nas amostras de Carajás: (1) grãos primários com uma composição uniforme e intervalo composicional mais restrito, e (2) grãos com um intervalo mais amplo de conteúdos de elementos-traço, provavelmente influenciados por alterações pós-deposicionais, como a percolação de fluidos hidrotermais. Além disso, ao considerar elementos cuja concentração varia com a temperatura (por exemplo, Ti e V), fornecemos novos insights sobre a evolução ambiental dos oceanos do Precambriano, sugerindo que as FFs de Carajás se formaram a temperaturas mais baixas em comparação com outras FFs Precambrianas previamente estudadas.Iron Formations (IFs) are iron (Fe)-rich chemical sedimentary rocks formed on ancient seafloors over more than two billion years of Earth\'s early history and are commonly used for exploring the Precambrian seawater conditions. Their deposition coincided with the progressive oxygenation of the atmosphere and hydrosphere, and variations in their chemical, mineralogical, magnetic and isotopic compositions offer a unique window into the environmental changes that shaped the evolving Earth. Despite their significance, many aspects of the crystallization pathways of Fe-oxides in IFs remain poorly understood. In this thesis, we employed a novel approach that combines a detailed magnetic characterization with high-resolution optical and electron imaging of finely laminated IFs from the 2.7 Ga Carajás Formation, Brazil, to investigate their mineralogical nature and their potential to preserve ancient environmental signals. Our findings reveal that magnetite, present as large 0.1 to 0.5 mm crystals, is the dominant iron oxide, with an overall averaged saturation magnetization (Ms) of 25 Am2/kg (corresponding to ~27 wt % of magnetite) over the studied 230 meters of the sequence. Nevertheless, the significant contribution of high-coercivity minerals suggests variable proportions of hematite along the core. Low-temperature measurements also reveal that magnetite grains exhibit a non-uniform behavior, indicating the presence of distinct populations. Petrographic observations indicate that the original sediment was a Fe-Si mud containing nano-scale hematite dispersed in a silica-rich matrix. This hematite-silica assemblage shows a honeycomb-structure composed of Si-spherules embedded in a micro-scale hematite matrix. Textural relationships confirm that magnetite formed after hematite, as indicated by the preservation of the Si-spherules within magnetite cores. Further magnetite overgrowth stages are characterized by inclusion free-rims, associated with continuous Si supply during early diagenesis. Integration of these findings with literature data suggests that hydrothermally-derived Fe(II) is oxidized to Fe(III) via anoxygenic photosynthesis and then evolved in a closed system until it first crystallizes as hematite. Subsequent anaerobic respiration by iron-reducing microorganisms possibly leads to magnetite formation. A later diagenetic process involving Si and Fe mobilization resulted in local palisade quartz precipitation and a second stage of magnetite formation. Each magnetite crystallization stage seems to be associated to a specific stoichiometry as hinted by low temperature analyses of the magnetic Verwey transition. In addition, we analyzed in-situ trace element signatures of these magnetite and hematite grains within the more pristine samples of the Carajás IFs. Given the limited knowledge about the incorporation of trace elements by the Fe-oxides composing these chemical sedimentary deposits, our goal with these analyses was to explore how trace elements were incorporated into hematite and magnetite, in order to distinguish multiple mineral generations, better constrain the processes driving their formation, and evaluate whether these minerals preserve geochemical signatures that reflect ancient seawater conditions. Consistent with previous studies that have used trace element compositions to differentiate magnetite types, our results allowed us to identify two main populations of magnetite in the Carajás samples: (1) primary grains with a uniform and narrow range of compositions, and (2) grains with a wider range of trace elemental contents, likely influenced by post-depositional alteration, such as the percolation of hydrothermal fluids. Moreover, when considering elements whose concentration varies with temperature (e.g., Ti and V), we provide insights into the environmental evolution of the Precambrian ocean, suggesting that the Carajás IFs formed at lower temperatures compared to other Precambrian BIFs previously studied.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarlut, JulieTrindade, Ricardo Ivan Ferreira daTeixeira, Livia Paula Vaz2025-10-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/14/14132/tde-16122025-101748/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-16T12:41:02Zoai:teses.usp.br:tde-16122025-101748Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-16T12:41:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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