A distribuição molecular da talassemia em Pernambuco é diferente do sudeste do Brasil
| Ano de defesa: | 2003 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-14042026-105704/ |
Resumo: | As doenças hereditárias da hemoglobina que têm significado clínico no Brasil são a Anemia Falciforme e a β talassemia. O gene da anemia falciforme foi introduzido na população brasileira pelo tráfico de escravos desde o descobrimento, sobretudo das regiões africanas de língua Bantu. Por outro lado, supõe-se que a β talassemia tenha sido introduzida mais tarde, trazida pela grande massa de imigrantes europeus entre 1870 e 1953 (a maioria deles italianos ou ibéricos), principalmente para a região Sudeste do país. Estudos moleculares realizados em talassêmicos dessa região mostraram uma evidente prevalência da mutação nonsense do códon 39 (47% e 54% em dois estudos) que produz quadros clínicos graves de βº talassemia maior. No entanto, a região Nordeste recebeu um padrão diferente de imigrações, aonde apenas um pequeno número de italianos chegaram nos últimos anos. Por conta dessa particularidade histórica, poderíamos prever um espectro diferente dos defeitos moleculares do gene da β talassemia, uma vez que a maioria dos casos de β talassemia que são diagnosticados no Nordeste apresenta quadro clínico e laboratorial de leve a moderado. Para estudar a distribuição molecular das talassemias no Nordeste e comparar com as encontradas no Sudeste, foram examinados 60 indivíduos não relacionados (86 cromossomos β talassêmicos) sob acompanhamento regular no Recife - PE: 6 pacientes com β talassemia maior regularmente transfundidos, 20 com β talassemia intermédia, 20 com a composição duplo-heterozigota Sβ talassemia e 14 indivíduos heterozigotos sadios. Foram utilizadas técnicas moleculares baseadas na PCR, padronizadas para a detecção de mutações no gene da β globina (ARMS, DGGE e seqüenciamento). Foram encontradas as seguintes mutações: IVS1-6 (T→C) 62,8%, IVS1-1 (G→A) 15,1%, IVS1-5 (G→C) 9,3%, IVS1-110(G→A) 8,2%, códon 39 (C→T 3.5% e códon 30 (G→C) 1.1%. É possível que a invasão holandesa em Pernambuco e no Nordeste, que ocupou a região durante 24 anos, desde o atual estado de Alagoas até o Rio Grande do Norte, tenha empurrado o elemento brasileiro descendente de português para o interior do Estado, contribuindo assim para uma reprodução intrafamiliar da mutação IVS1-6 através de casamentos consangüíneos, exercendo assim o chamado \"efeito fundador\", característico de populações que se isolam. Em suma, esses dados mostram um padrão diferente de mutações da β talassemia nas duas regiões do Brasil, o que explica as diferenças encontradas no seu curso clínico. Vê-se, portanto, que serão necessários mais estudos para uma melhor caracterização do espectro molecular das talassemias no país. |
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A distribuição molecular da talassemia em Pernambuco é diferente do sudeste do BrasilNão informado.Não informado.Não informado.As doenças hereditárias da hemoglobina que têm significado clínico no Brasil são a Anemia Falciforme e a β talassemia. O gene da anemia falciforme foi introduzido na população brasileira pelo tráfico de escravos desde o descobrimento, sobretudo das regiões africanas de língua Bantu. Por outro lado, supõe-se que a β talassemia tenha sido introduzida mais tarde, trazida pela grande massa de imigrantes europeus entre 1870 e 1953 (a maioria deles italianos ou ibéricos), principalmente para a região Sudeste do país. Estudos moleculares realizados em talassêmicos dessa região mostraram uma evidente prevalência da mutação nonsense do códon 39 (47% e 54% em dois estudos) que produz quadros clínicos graves de βº talassemia maior. No entanto, a região Nordeste recebeu um padrão diferente de imigrações, aonde apenas um pequeno número de italianos chegaram nos últimos anos. Por conta dessa particularidade histórica, poderíamos prever um espectro diferente dos defeitos moleculares do gene da β talassemia, uma vez que a maioria dos casos de β talassemia que são diagnosticados no Nordeste apresenta quadro clínico e laboratorial de leve a moderado. Para estudar a distribuição molecular das talassemias no Nordeste e comparar com as encontradas no Sudeste, foram examinados 60 indivíduos não relacionados (86 cromossomos β talassêmicos) sob acompanhamento regular no Recife - PE: 6 pacientes com β talassemia maior regularmente transfundidos, 20 com β talassemia intermédia, 20 com a composição duplo-heterozigota Sβ talassemia e 14 indivíduos heterozigotos sadios. Foram utilizadas técnicas moleculares baseadas na PCR, padronizadas para a detecção de mutações no gene da β globina (ARMS, DGGE e seqüenciamento). Foram encontradas as seguintes mutações: IVS1-6 (T→C) 62,8%, IVS1-1 (G→A) 15,1%, IVS1-5 (G→C) 9,3%, IVS1-110(G→A) 8,2%, códon 39 (C→T 3.5% e códon 30 (G→C) 1.1%. É possível que a invasão holandesa em Pernambuco e no Nordeste, que ocupou a região durante 24 anos, desde o atual estado de Alagoas até o Rio Grande do Norte, tenha empurrado o elemento brasileiro descendente de português para o interior do Estado, contribuindo assim para uma reprodução intrafamiliar da mutação IVS1-6 através de casamentos consangüíneos, exercendo assim o chamado \"efeito fundador\", característico de populações que se isolam. Em suma, esses dados mostram um padrão diferente de mutações da β talassemia nas duas regiões do Brasil, o que explica as diferenças encontradas no seu curso clínico. Vê-se, portanto, que serão necessários mais estudos para uma melhor caracterização do espectro molecular das talassemias no país.The main hereditary hemoglobin disorders of clinical significance in Brazil are sickle cell disease and β thalassemia. The sickle gene was introduced by the slave trade, mainly from Bantu speaking regions, whereas β thalassemia is supposed to be introduced later, due to a massive European immigration between 1870 and 1953 (most of them lberian and ltalian citizens), mainly to the Southeast region of Brazil. Molecular studies performed in this region showed a marked prevalence of the nonsense mutation of codon 39 (47% and 54% in two series) leading to severe forms of βº thalassemia. However, the Northeast of the country was subjected to a different pattern of immigration, and received only a small number of ltalians in recent years. Given this historical particularity we would predict a different spectrum of molecular β gene defects, as the majority of cases of β thalassemia which we have diagnosed in the Northeast have a mild or intermediate clinical and laboratorial feature. We have examined 60 unrelated patients (86 β thalassemia chromosomes) under regular clinical follow up in Recife (one of the largest capital cities in the Northeast): 6 regularly transfused β thalassemia major patients, 20 with β thalassemia intermedia, 20 Sβ thalassemia double-heterozygotes and 14 β thalassemia trait individuals. A group of PCR-based techniques were performed to look for β-globin gene mutations (ARMS, DGGE and sequencing). The following mutations were found: IVS1-6(T→C) 62.8%, IVS1-1(G→A) 15.1%, IVS1-5 (G→C) 9.3%, IVS1-110(G→A) 8.2%, codon 39 (C→T) 3.5% and codon 30 (AGG→AGC) 1.1%. Probably the Dutch invasion occurred in Pernambuco, that have occupied during 24 years almost the whole northeastern coast of Brazil, had been pushed the Brazilian Portuguese descendant citizen inland, thus contributing for consanguineous marriages and to the \"founder effect\" of the IVS1-6 mutation, as it has occurred with some isolated populations elsewhere. ln conclusion, these data shows a different pattern of β thalassemia mutations in the two regions of Brazil, which explains the difference in the severity and in the clinical course of the disease. More studies are needed to better characterize the spectrum of β thalassemia mutations in the country.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Medicina de Ribeirão PretoZago, Marco AntonioAraújo, Aderson da Silva2003-04-252026-04-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-14042026-105704/doi:10.11606/T.17.2003.tde-14042026-105704Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-27T17:08:10Zoai:teses.usp.br:tde-14042026-105704Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-27T17:08:10Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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