Didrogesterona no tratamento da dor pélvica crônica associada à endometriose e seus desfechos reprodutivos: uma revisão sistemática com metanálise de prevalência

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Peixoto, Bianca Gomes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-14012026-120841/
Resumo: Introdução: A endometriose compromete a qualidade de vida de milhares de mulheres em idade reprodutiva, principalmente devido à dismenorreia, dor pélvica crônica, dispareunia e outros sintomas abdominais e pélvicos. Um dos pilares do tratamento clínico da endometriose é o uso de medicamentos hormonais. Embora apresentem eficácia significativa no manejo dos sintomas, a maioria das terapias hormonais disponíveis pode interferir na fertilidade, limitando o desejo gestacional. A didrogesterona, uma retroprogesterona comercialmente disponível para diversos fins, incluindo o manejo da dor associada à endometriose, não possui efeito contraceptivo direto. Essa característica lhe confere potencial terapêutico em pacientes com dor pélvica e desejo de gestação. Métodos: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura disponível até o ano de 2023, com o objetivo de reunir evidências sobre a eficácia da didrogesterona no tratamento da dor pélvica crônica em pacientes com diagnóstico de endometriose, bem como dados sobre sua permissividade quanto à gestação nessas pacientes. A pesquisa foi orientada pela estratégia PICO para formulação da pergunta relacionada ao problema (População: pacientes com dor pélvica secundária à endometriose; Intervenção: didrogesterona; Comparação: sem restrição quanto a grupos comparadores; Desfecho: melhora dos sintomas relacionados à dor e ocorrência de gestação). Após ampla busca nas principais plataformas de artigos médicos nacionais e internacionais, e seguindo as diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), sete estudos - majoritariamente observacionais - foram incluídos nesta revisão. Após análise descritiva de todos os achados e conforme os dados estatísticos disponíveis, foi realizada uma metanálise de prevalência. Resultados: Apesar das limitações, como alta heterogeneidade entre os estudos (variações de dose, desenho observacional, diferentes comparadores) e ausência de dados estatísticos padronizados, foi possível realizar metanálises de prevalência para avaliar a melhora da dor e a ocorrência de gestação, a qual evidenciou melhora da dor pélvica em 81% das pacientes que utilizaram o esquema cíclico e em 89% daquelas que utilizaram esquema contínuo. Além disso, observou-se uma taxa de gestação de 17% na mesma população em uso de didrogesterona. A metanálise apresentou limitações decorrentes da alta heterogeneidade entre os estudos (variações de dose, desenho observacional, diferentes comparadores) e pela ausência de dados estatísticos padronizados, destar forma e, de acordo com os dados disponíveis foi realizada metanálise de prevalência de melhora da dor e metanálise de prevalência de gestação em pacientes com diagnóstico de endometriose em uso de didrogesterona. Conclusão: A didrogesterona parece ser uma alternativa promissora para o manejo da dor em pacientes com endometriose e desejo reprodutivo concomitante. Pode representar uma alternativa especialmente interessante para pacientes com sintomas álgicos, desejo gestacional e que não desejam ou não têm acesso ao tratamento cirúrgico. São necessários estudos futuros com dados robustos, posologia padronizada e grupos comparadores adequados para melhor avaliação de seus efeitos sobre dor e fertilidade.
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A didrogesterona, uma retroprogesterona comercialmente disponível para diversos fins, incluindo o manejo da dor associada à endometriose, não possui efeito contraceptivo direto. Essa característica lhe confere potencial terapêutico em pacientes com dor pélvica e desejo de gestação. Métodos: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura disponível até o ano de 2023, com o objetivo de reunir evidências sobre a eficácia da didrogesterona no tratamento da dor pélvica crônica em pacientes com diagnóstico de endometriose, bem como dados sobre sua permissividade quanto à gestação nessas pacientes. A pesquisa foi orientada pela estratégia PICO para formulação da pergunta relacionada ao problema (População: pacientes com dor pélvica secundária à endometriose; Intervenção: didrogesterona; Comparação: sem restrição quanto a grupos comparadores; Desfecho: melhora dos sintomas relacionados à dor e ocorrência de gestação). Após ampla busca nas principais plataformas de artigos médicos nacionais e internacionais, e seguindo as diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), sete estudos - majoritariamente observacionais - foram incluídos nesta revisão. Após análise descritiva de todos os achados e conforme os dados estatísticos disponíveis, foi realizada uma metanálise de prevalência. Resultados: Apesar das limitações, como alta heterogeneidade entre os estudos (variações de dose, desenho observacional, diferentes comparadores) e ausência de dados estatísticos padronizados, foi possível realizar metanálises de prevalência para avaliar a melhora da dor e a ocorrência de gestação, a qual evidenciou melhora da dor pélvica em 81% das pacientes que utilizaram o esquema cíclico e em 89% daquelas que utilizaram esquema contínuo. Além disso, observou-se uma taxa de gestação de 17% na mesma população em uso de didrogesterona. A metanálise apresentou limitações decorrentes da alta heterogeneidade entre os estudos (variações de dose, desenho observacional, diferentes comparadores) e pela ausência de dados estatísticos padronizados, destar forma e, de acordo com os dados disponíveis foi realizada metanálise de prevalência de melhora da dor e metanálise de prevalência de gestação em pacientes com diagnóstico de endometriose em uso de didrogesterona. Conclusão: A didrogesterona parece ser uma alternativa promissora para o manejo da dor em pacientes com endometriose e desejo reprodutivo concomitante. Pode representar uma alternativa especialmente interessante para pacientes com sintomas álgicos, desejo gestacional e que não desejam ou não têm acesso ao tratamento cirúrgico. São necessários estudos futuros com dados robustos, posologia padronizada e grupos comparadores adequados para melhor avaliação de seus efeitos sobre dor e fertilidade.Introduction: Endometriosis negatively impacts the quality of life of millions of women worldwide, particularly during their reproductive years, mainly due to dysmenorrhea, chronic pelvic pain, dyspareunia, and other abdominal and pelvic symptoms. One of the mainstays of clinical management is hormonal therapy. Although effective in symptom control, most hormonal treatments may impair fertility, thereby limiting reproductive planning. Dydrogesterone, a retroprogesterone commercially available for multiple indications, including endometriosis-associated pain, lacks direct contraceptive effects, making it a potentially suitable option for patients with pelvic pain who also desire pregnancy. This characteristic gives it therapeutic potential in patients with pelvic pain and a desire to conceive. Methods: This is a systematic review of the literature up to 2023 aimed at gathering evidence on the efficacy of dydrogesterone in managing chronic pelvic pain in patients with a diagnosis of endometriosis, as well as its permissiveness regarding conception in this population. The review followed a PICO-based approach (Population: patients with pelvic pain secondary to endometriosis; Intervention: dydrogesterone; Comparison: no restriction; Outcome: symptom improvement and pregnancy occurrence). After a comprehensive search in major national and international medical databases and following PRISMA guidelines, seven studies - mostly observational - were included. A descriptive analysis was conducted, and, based on the available statistical data, a prevalence meta-analysis was performed. Results: Despite limitations such as high heterogeneity among the studies (variations in dosage, observational designs, and comparator groups) and lack of standardized statistical reporting, it was possible to conduct prevalence meta-analyses evaluating pain improvement and pregnancy occurrence. Based on the included studies, dydrogesterone treatment resulted in significant improvement in pelvic pain, with symptom relief reported in 81% of patients on cyclic regimens and 89% on continuous regimens. Moreover, a pregnancy rate of 17% was observed in the same population using dydrogesterone. The meta-analysis presented limitations due to the high heterogeneity among studies (variations in dosage, observational design, different comparators) and the lack of standardized statistical data. Therefore, based on the available data, a prevalence meta-analysis for pain improvement and another for pregnancy were conducted in patients diagnosed with endometriosis and treated with dydrogesterone. Conclusions: Dydrogesterone appears to be a promising therapeutic option for managing pain in women with endometriosis who also wish to conceive. It may be particularly beneficial for those experiencing significant pain, seeking pregnancy, and unable or unwilling to undergo surgical treatment. Further studies with standardized dosing, robust methodology, and appropriate comparator groups are needed to better evaluate its effects on both pain and fertility.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Julio Cesar Rosa ePeixoto, Bianca Gomes2025-09-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-14012026-120841/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-20T17:10:02Zoai:teses.usp.br:tde-14012026-120841Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-20T17:10:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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