Validação do teste de mascaramento temporal sucessor e investigação do processamento temporal de músicos com ouvido absoluto

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Leite Filho, Carlos Alberto
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5170/tde-18072024-163405/
Resumo: O ouvido absoluto, definido como a habilidade de nomear notas musicais sem referências externas, é um fenômeno que se mostra relevante como modelo para compreensão da interação entre fatores ambientais e inatos sobre o desenvolvimento de habilidades linguísticas, sensoriais e cognitivas. Evidências sugerem que o processamento temporal auditivo está implicado no subprocesso perceptual do ouvido absoluto, determinando a relevância do processamento sensorial na capacidade de nomeação de notas. Porém, o papel da resolução temporal e do mascaramento temporal sucessor, relacionados ao processamento temporal, no ouvido absoluto ainda é incerto e a sua investigação pode esclarecer os processos neurais que atuam nesta habilidade. Contudo, tal investigação esbarra na inexistência de um teste validado de mascaramento temporal sucessor. Assim, para que esta exploração possa ser conduzida, faz-se necessário desenvolver um instrumento que mensure de forma válida o mascaramento sucessor, o que pode ser benéfico tanto para a pesquisa em neurociência cognitiva quanto para a prática clínica dos transtornos da percepção auditiva. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo buscar evidências de validade do teste de mascaramento sucessor e investigar o processamento temporal de músicos com ouvido absoluto por meio de dois estudos, tendo sido o primeiro publicado no periódico Journal of Clinical Medicine em 2022 e o segundo no periódico Frontiers in Neuroscience em 2023. No primeiro estudo, adultos com e sem alteração de processamento temporal e idosos foram submetidos ao teste de mascaramento sucessor e a outros testes temporais. Além de correlações moderadas a fortes entre o instrumento avaliado e os demais procedimentos temporais, o teste replicou resultados clássicos de experimentos psicofísicos. Conforme esperado, houve diferença no desempenho entre os grupos, no entanto os pontos de corte apresentaram alta especificidade, porém baixa sensibilidade para detecção de alterações do processamento temporal, o que provavelmente foi influenciado pela ausência de um grupo padrão-ouro com lesões neurológicas. Dessa maneira, o teste de mascaramento sucessor apresentou evidências satisfatórias de validade de construto, apontando para o mascaramento temporal sucessor como construto subjacente à ferramenta, mas evidências de validade de critério medianas, limitando a sua aplicabilidade clínica. No segundo estudo, músicos com e sem ouvido absoluto foram submetidos ao teste Gaps-in-Noise, que avalia a resolução temporal, e ao teste de mascaramento sucessor para investigação de associações entre o ouvido absoluto e o processamento temporal. Enquanto o grupo com ouvido absoluto apresentou resultados sugestivos de pior desempenho na tarefa de mascaramento sucessor, verificou-se influência significativa do desempenho no teste Gaps-in-Noise sobre o desempenho na tarefa de nomeação de tons musicais. Estes resultados evidenciaram que a resolução temporal está envolvida no subprocesso perceptual do ouvido absoluto e sugeriram que este subprocesso pode ser predominante em indivíduos com maior precisão nesta habilidade. Por outro lado, não houve evidências de que o mascaramento temporal sucessor esteja relacionado ao subprocesso perceptual e o pior desempenho neste aspecto em músicos com ouvido absoluto, possivelmente decorrente da carga cognitiva da tarefa, pode indicar interação entre fatores cognitivos e a habilidade de nomeação de notas musicais
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Porém, o papel da resolução temporal e do mascaramento temporal sucessor, relacionados ao processamento temporal, no ouvido absoluto ainda é incerto e a sua investigação pode esclarecer os processos neurais que atuam nesta habilidade. Contudo, tal investigação esbarra na inexistência de um teste validado de mascaramento temporal sucessor. Assim, para que esta exploração possa ser conduzida, faz-se necessário desenvolver um instrumento que mensure de forma válida o mascaramento sucessor, o que pode ser benéfico tanto para a pesquisa em neurociência cognitiva quanto para a prática clínica dos transtornos da percepção auditiva. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo buscar evidências de validade do teste de mascaramento sucessor e investigar o processamento temporal de músicos com ouvido absoluto por meio de dois estudos, tendo sido o primeiro publicado no periódico Journal of Clinical Medicine em 2022 e o segundo no periódico Frontiers in Neuroscience em 2023. No primeiro estudo, adultos com e sem alteração de processamento temporal e idosos foram submetidos ao teste de mascaramento sucessor e a outros testes temporais. Além de correlações moderadas a fortes entre o instrumento avaliado e os demais procedimentos temporais, o teste replicou resultados clássicos de experimentos psicofísicos. Conforme esperado, houve diferença no desempenho entre os grupos, no entanto os pontos de corte apresentaram alta especificidade, porém baixa sensibilidade para detecção de alterações do processamento temporal, o que provavelmente foi influenciado pela ausência de um grupo padrão-ouro com lesões neurológicas. Dessa maneira, o teste de mascaramento sucessor apresentou evidências satisfatórias de validade de construto, apontando para o mascaramento temporal sucessor como construto subjacente à ferramenta, mas evidências de validade de critério medianas, limitando a sua aplicabilidade clínica. No segundo estudo, músicos com e sem ouvido absoluto foram submetidos ao teste Gaps-in-Noise, que avalia a resolução temporal, e ao teste de mascaramento sucessor para investigação de associações entre o ouvido absoluto e o processamento temporal. Enquanto o grupo com ouvido absoluto apresentou resultados sugestivos de pior desempenho na tarefa de mascaramento sucessor, verificou-se influência significativa do desempenho no teste Gaps-in-Noise sobre o desempenho na tarefa de nomeação de tons musicais. Estes resultados evidenciaram que a resolução temporal está envolvida no subprocesso perceptual do ouvido absoluto e sugeriram que este subprocesso pode ser predominante em indivíduos com maior precisão nesta habilidade. Por outro lado, não houve evidências de que o mascaramento temporal sucessor esteja relacionado ao subprocesso perceptual e o pior desempenho neste aspecto em músicos com ouvido absoluto, possivelmente decorrente da carga cognitiva da tarefa, pode indicar interação entre fatores cognitivos e a habilidade de nomeação de notas musicaisAbsolute pitch, defined as the ability to name musical notes without external references, is a phenomenon which serves as a relevant model for understanding the interaction between environmental and innate factors on the development of linguistic, sensory and cognitive skills. Evidence suggests that auditory temporal processing is implicated in the perceptual subprocess of absolute pitch, determining the relevance of sensory processing in the ability to name notes. However, the role of temporal resolution and backward masking, which are related to temporal processing, in absolute pitch is still uncertain and its investigation may clarify the neural processes taking part in this ability. However, this investigation is hampered by the lack of a validated backward masking test. Therefore, for conducting this exploration, the development of a valid instrument for measuring backward masking is necessary and may be beneficial not only for research in cognitive neuroscience, but also for clinical practice on auditory perceptual disorders. As such, this work aimed to search for evidences of validity for the backward masking test and to investigate the temporal processing of musicians with absolute pitch with two studies, the first being published in the Journal of Clinical Medicine in 2022 and the second being published in Frontiers in Neuroscience in 2023. In the first study, adults with and without temporal processing disorder and older adults performed the backward masking test, as well as other temporal tests. In addition to moderate-to-strong correlations between the backward masking test and other temporal procedures, the test replicated classic results from psychophysical experiments. As expected, there was a group difference in performance, however the cutoff points showed high specificity, but low sensitivity for detecting temporal processing disorders, which was probably influenced by the absence of a gold standard group with neurological lesions. Therefore, the backward masking test presented satisfactory evidence of construct validity, pointing to backward masking as its underlying construct, but moderate evidence of criterion validity, which limits its clinical applicability. In the second study, musicians with and without absolute pitch performed the Gaps-in-Noise test, which measures temporal resolution, and the backward masking test to investigate associations between absolute pitch and temporal processing. While the absolute pitch group presented results suggesting worse performance in the backward masking test, performance in the Gaps-in-Noise significantly influenced performance in the pitch identification test. These results showed that temporal resolution is involved in the perceptual subprocess of absolute pitch and suggested that this subprocess may be predominant in individuals with highaccuracy absolute pitch. On the other hand, there was no evidence that backward masking is related to the perceptual subprocess and the worse performance in this aspect for musicians with absolute pitch, possibly due to the cognitive load of the task, may indicate an interaction between cognitive factors and pitch naming abilityBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSchochat, ElianeLeite Filho, Carlos Alberto2024-04-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5170/tde-18072024-163405/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-07-23T17:37:02Zoai:teses.usp.br:tde-18072024-163405Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-07-23T17:37:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description O ouvido absoluto, definido como a habilidade de nomear notas musicais sem referências externas, é um fenômeno que se mostra relevante como modelo para compreensão da interação entre fatores ambientais e inatos sobre o desenvolvimento de habilidades linguísticas, sensoriais e cognitivas. Evidências sugerem que o processamento temporal auditivo está implicado no subprocesso perceptual do ouvido absoluto, determinando a relevância do processamento sensorial na capacidade de nomeação de notas. Porém, o papel da resolução temporal e do mascaramento temporal sucessor, relacionados ao processamento temporal, no ouvido absoluto ainda é incerto e a sua investigação pode esclarecer os processos neurais que atuam nesta habilidade. Contudo, tal investigação esbarra na inexistência de um teste validado de mascaramento temporal sucessor. Assim, para que esta exploração possa ser conduzida, faz-se necessário desenvolver um instrumento que mensure de forma válida o mascaramento sucessor, o que pode ser benéfico tanto para a pesquisa em neurociência cognitiva quanto para a prática clínica dos transtornos da percepção auditiva. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo buscar evidências de validade do teste de mascaramento sucessor e investigar o processamento temporal de músicos com ouvido absoluto por meio de dois estudos, tendo sido o primeiro publicado no periódico Journal of Clinical Medicine em 2022 e o segundo no periódico Frontiers in Neuroscience em 2023. No primeiro estudo, adultos com e sem alteração de processamento temporal e idosos foram submetidos ao teste de mascaramento sucessor e a outros testes temporais. Além de correlações moderadas a fortes entre o instrumento avaliado e os demais procedimentos temporais, o teste replicou resultados clássicos de experimentos psicofísicos. Conforme esperado, houve diferença no desempenho entre os grupos, no entanto os pontos de corte apresentaram alta especificidade, porém baixa sensibilidade para detecção de alterações do processamento temporal, o que provavelmente foi influenciado pela ausência de um grupo padrão-ouro com lesões neurológicas. Dessa maneira, o teste de mascaramento sucessor apresentou evidências satisfatórias de validade de construto, apontando para o mascaramento temporal sucessor como construto subjacente à ferramenta, mas evidências de validade de critério medianas, limitando a sua aplicabilidade clínica. No segundo estudo, músicos com e sem ouvido absoluto foram submetidos ao teste Gaps-in-Noise, que avalia a resolução temporal, e ao teste de mascaramento sucessor para investigação de associações entre o ouvido absoluto e o processamento temporal. Enquanto o grupo com ouvido absoluto apresentou resultados sugestivos de pior desempenho na tarefa de mascaramento sucessor, verificou-se influência significativa do desempenho no teste Gaps-in-Noise sobre o desempenho na tarefa de nomeação de tons musicais. Estes resultados evidenciaram que a resolução temporal está envolvida no subprocesso perceptual do ouvido absoluto e sugeriram que este subprocesso pode ser predominante em indivíduos com maior precisão nesta habilidade. Por outro lado, não houve evidências de que o mascaramento temporal sucessor esteja relacionado ao subprocesso perceptual e o pior desempenho neste aspecto em músicos com ouvido absoluto, possivelmente decorrente da carga cognitiva da tarefa, pode indicar interação entre fatores cognitivos e a habilidade de nomeação de notas musicais
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