Gentrificação, segmentação e segregação: efeitos do Programa Ensino Integral sobre a oferta escolar na cidade de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Pavesi de Oliveira, João Victor
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-27022026-122140/
Resumo: O presente trabalho investiga o Programa Ensino Integral (PEI) no contexto do município de São Paulo, entre 2012 e 2023, verifica as consequências da gentrificação escolar sobre a oferta de ensino na Educação Básica. A pesquisa buscou construir uma análise teórico-metodológica a partir da abordagem geográfica para compreensão desse processo. Inicialmente, o estudo fundamentou-se na contextualização histórica do neoliberalismo, reconhece alguns de seus elementos no fenômeno educacional: a segmentação da oferta e a lógica do quase-mercado escolar. Em seguida, definiu-se o espaço enquanto categoria social, no qual estabelece a Geografia da Educação como método de análise. A partir da conceituação de gentrificação escolar, forjada em países anglófonos, identificou-se os paralelos e possibilidades de aplicação considerando a realidade brasileira. Isso posto, voltou-se às escolas PEI por reconhecer que essa política pública apresentou dois momentos específicos, correspondente ao que Stephen Ball e colaboradores denominaram de ciclos de política: o primeiro, de 2012 até 2019, e o segundo, de 2020 e 2023. À luz desses pressupostos, realizaram-se levantamentos quantitativos longitudinais baseados no questionário socioeconômico do Enem (2011 e 2023) e nos microdados do Censo Escolar (2011 e 2023), seguidos da produção de mapas desses achados. O primeiro levantamento demonstrou que o corpo discente das PEIs é majoritariamente de pessoas autodeclaradas brancas e de grupos sociais diferenciados do restante da rede estadual, adquirindo essa composição à medida que as unidades foram incorporadas ao Programa mais acentuada no 1º ciclo e atenuada no 2º. Em relação ao Censo Escolar, averiguou-se a trajetória escolar dos alunos ao ingressar no 1º ano do Ensino Médio e dois anos após o início da etapa. Os resultados indicaram que as unidades de Ensino Integral recebem, em média, mais alunos provenientes de escolas particulares do que a média da rede estadual. Além disso, observou-se que nas escolas PEI os estudantes não concluem o Ensino Médio na mesma unidade em que o iniciaram com muito mais frequência do que no resto da rede, especialmente quando sofrem reprovação. Quanto aos mapas, visualizou-se que as escolas privadas que encaminham seus egressos do Ensino Fundamental às PEIs estão mais próximas destas unidades, enquanto as escolas públicas localizam-se em bairros mais distantes. Com isso, inferimos que as famílias que escolhem o Programa possuem capacidade financeira para arcar com ensino privado ou com transporte até a escola. Lidos de forma conjunta, os resultados indicaram que o processo de gentrificação escolar está na própria essência dessa política pública e, ao se associar à segmentação educacional por meio da lógica do quase-mercado oculto, reforça a segregação sócio-espacial
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Inicialmente, o estudo fundamentou-se na contextualização histórica do neoliberalismo, reconhece alguns de seus elementos no fenômeno educacional: a segmentação da oferta e a lógica do quase-mercado escolar. Em seguida, definiu-se o espaço enquanto categoria social, no qual estabelece a Geografia da Educação como método de análise. A partir da conceituação de gentrificação escolar, forjada em países anglófonos, identificou-se os paralelos e possibilidades de aplicação considerando a realidade brasileira. Isso posto, voltou-se às escolas PEI por reconhecer que essa política pública apresentou dois momentos específicos, correspondente ao que Stephen Ball e colaboradores denominaram de ciclos de política: o primeiro, de 2012 até 2019, e o segundo, de 2020 e 2023. À luz desses pressupostos, realizaram-se levantamentos quantitativos longitudinais baseados no questionário socioeconômico do Enem (2011 e 2023) e nos microdados do Censo Escolar (2011 e 2023), seguidos da produção de mapas desses achados. O primeiro levantamento demonstrou que o corpo discente das PEIs é majoritariamente de pessoas autodeclaradas brancas e de grupos sociais diferenciados do restante da rede estadual, adquirindo essa composição à medida que as unidades foram incorporadas ao Programa mais acentuada no 1º ciclo e atenuada no 2º. Em relação ao Censo Escolar, averiguou-se a trajetória escolar dos alunos ao ingressar no 1º ano do Ensino Médio e dois anos após o início da etapa. Os resultados indicaram que as unidades de Ensino Integral recebem, em média, mais alunos provenientes de escolas particulares do que a média da rede estadual. Além disso, observou-se que nas escolas PEI os estudantes não concluem o Ensino Médio na mesma unidade em que o iniciaram com muito mais frequência do que no resto da rede, especialmente quando sofrem reprovação. Quanto aos mapas, visualizou-se que as escolas privadas que encaminham seus egressos do Ensino Fundamental às PEIs estão mais próximas destas unidades, enquanto as escolas públicas localizam-se em bairros mais distantes. Com isso, inferimos que as famílias que escolhem o Programa possuem capacidade financeira para arcar com ensino privado ou com transporte até a escola. Lidos de forma conjunta, os resultados indicaram que o processo de gentrificação escolar está na própria essência dessa política pública e, ao se associar à segmentação educacional por meio da lógica do quase-mercado oculto, reforça a segregação sócio-espacialThis study investigates the Programa Ensino Integral (PEI Full-time Education Program) in the context of the municipality of São Paulo between 2012 and 2023, examining the consequences of school gentrification on the provision of Basic Education. The research sought to construct a theoretical and methodological analysis based on a geographical approach to understanding this process. Initially, the study was based on the historical contextualisation of neoliberalism, recognising some of its elements in the educational phenomenon: the segmentation of provision and the logic of the quasi-school market. Next, space was defined as a social category, establishing the Geography of Education as a method of analysis. Based on the concept of school gentrification, forged in English-speaking countries, parallels and possibilities for application were identified considering the Brazilian reality. That said, the focus returned to PEI schools, recognising that this public policy presented two specific moments, corresponding to what Stephen Ball and collaborators called policy cycles: the first, from 2012 to 2019, and the second, from 2020 to 2023. In light of these assumptions, longitudinal quantitative surveys were conducted based on the ENEM socioeconomic questionnaire (2011 and 2023) and the School Census microdata (2011 and 2023), followed by the production of maps of these findings. The first survey showed that the student body of PEIs is mostly made up of self-declared white people and social groups that are different from the rest of the state network, acquiring this composition as the units were incorporated into the Programme more pronounced in the 1st cycle and attenuated in the 2nd. In relation to the School Census, the educational trajectory of students was investigated upon entering the 1st year of secondary education and two years after the start of the stage. The results indicated that Full-Time Education units receive, on average, more students from private schools than the state network average. In addition, it was observed that in PEI schools, students do not complete secondary education in the same unit where they started much more frequently than in the rest of the network, especially when they fail. As for the maps, it was observed that private schools that refer their elementary school graduates to PEIs are closer to these units, while public schools are located in more distant neighbourhoods. From this, we infer that families who choose the Programme have the financial capacity to afford private education or transportation to school. Taken together, the results indicate that the process of school gentrification is at the very core of this public policy and, when associated with educational segmentation through the logic of the hidden quasi-market, reinforces socio-spatial segregationBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGirotto, Eduardo DonizetiPavesi de Oliveira, João Victor2025-11-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-27022026-122140/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-27T15:42:02Zoai:teses.usp.br:tde-27022026-122140Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-27T15:42:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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