Psicologias e Não Monogamias: Perspectivas e Desafios a partir de Entrevistas com Psicólogas Clínicas
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-31102025-160336/ |
Resumo: | Os debates públicos e acadêmicos sobre as não monogamias têm ganhado destaque no Brasil e no mundo, levando muitas pessoas a questionarem suas dinâmicas relacionais, tecendo críticas a mononormatividade e ao amor romântico. Compreender as vivências e práticas não monogâmicas como processos não lineares auxilia na reflexão acerca dos conflitos internos e interpessoais que podem surgir, muitas vezes demandando suporte psicológico. Nesse contexto, a clínica psicológica se configura como um espaço indispensável para a elaboração da subjetividade e das relações interpessoais. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo geral compreender a atuação de psicólogas clínicas no atendimento a pessoas não monogâmicas, utilizando a Epistemologia Qualitativa e o método construtivo-interpretativo de González Rey. Foram entrevistadas cinco psicólogas por meio de um roteiro semiestruturado, resultando na construção de cinco grandes temáticas: (1) vivências pessoais das psicólogas com as não monogamias; (2) diferenças no atendimento a pessoas monogâmicas e não monogâmicas; (3) demandas clínicas e interseccionalidades de idade, gênero, raça e sexualidade; (4) perspectivas das psicólogas sobre intervenções clínicas; e (5) avaliação da formação acadêmica. Os achados indicam que a experiência pessoal com as não monogamias pode contribuir para a prática profissional, mas que a qualificação adequada exige estudo contínuo, supervisão e psicoterapia pessoal. Além disso, o atendimento a pessoas não monogâmicas envolve desafios específicos, incluindo demandas emocionais, relacionais e sociais que requerem abordagens sensíveis às especificidades emocionais e culturais de suas experiências. Os marcadores sociais da diferença como gênero, sexualidade, idade, raça e intergeracionalidade influenciam significativamente nessas demandas clínicas. As intervenções das psicólogas incluem estratégias como "dessensibilização monogâmica", psicoeducação, não julgamento, atenção às militâncias, suporte emocional, validação de experiências, construção de sentido personalizado e fortalecimento do vínculo terapêutico. No entanto, a formação acadêmica em psicologia foi descrita pelas profissionais entrevistados como insuficiente para abordar relacionamentos que fogem da mononormatividade, incentivando que as psicólogas busquem conhecimento complementar em fontes acadêmicas e não acadêmicas. A pesquisa evidencia a necessidade de uma psicologia mais inclusiva, que integre perspectivas não monogâmicas em suas abordagens teóricas e metodológicas, promovendo um atendimento mais sensível e alinhado à diversidade das experiências afetivas e relacionais. |
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Psicologias e Não Monogamias: Perspectivas e Desafios a partir de Entrevistas com Psicólogas ClínicasPsychologies and Non-Monogamies: Perspectives and Challenges Based on Interviews with Clinical PsychologistsClinical psychologyepistemologia qualitativaformação profissionalinterseccionalidadesIntersectionalitiesnão monogamiasProfessional trainingpsicologia clínicaQualitative epistemologyOs debates públicos e acadêmicos sobre as não monogamias têm ganhado destaque no Brasil e no mundo, levando muitas pessoas a questionarem suas dinâmicas relacionais, tecendo críticas a mononormatividade e ao amor romântico. Compreender as vivências e práticas não monogâmicas como processos não lineares auxilia na reflexão acerca dos conflitos internos e interpessoais que podem surgir, muitas vezes demandando suporte psicológico. Nesse contexto, a clínica psicológica se configura como um espaço indispensável para a elaboração da subjetividade e das relações interpessoais. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo geral compreender a atuação de psicólogas clínicas no atendimento a pessoas não monogâmicas, utilizando a Epistemologia Qualitativa e o método construtivo-interpretativo de González Rey. Foram entrevistadas cinco psicólogas por meio de um roteiro semiestruturado, resultando na construção de cinco grandes temáticas: (1) vivências pessoais das psicólogas com as não monogamias; (2) diferenças no atendimento a pessoas monogâmicas e não monogâmicas; (3) demandas clínicas e interseccionalidades de idade, gênero, raça e sexualidade; (4) perspectivas das psicólogas sobre intervenções clínicas; e (5) avaliação da formação acadêmica. Os achados indicam que a experiência pessoal com as não monogamias pode contribuir para a prática profissional, mas que a qualificação adequada exige estudo contínuo, supervisão e psicoterapia pessoal. Além disso, o atendimento a pessoas não monogâmicas envolve desafios específicos, incluindo demandas emocionais, relacionais e sociais que requerem abordagens sensíveis às especificidades emocionais e culturais de suas experiências. Os marcadores sociais da diferença como gênero, sexualidade, idade, raça e intergeracionalidade influenciam significativamente nessas demandas clínicas. As intervenções das psicólogas incluem estratégias como "dessensibilização monogâmica", psicoeducação, não julgamento, atenção às militâncias, suporte emocional, validação de experiências, construção de sentido personalizado e fortalecimento do vínculo terapêutico. No entanto, a formação acadêmica em psicologia foi descrita pelas profissionais entrevistados como insuficiente para abordar relacionamentos que fogem da mononormatividade, incentivando que as psicólogas busquem conhecimento complementar em fontes acadêmicas e não acadêmicas. A pesquisa evidencia a necessidade de uma psicologia mais inclusiva, que integre perspectivas não monogâmicas em suas abordagens teóricas e metodológicas, promovendo um atendimento mais sensível e alinhado à diversidade das experiências afetivas e relacionais.Public and academic debates about non-monogamy have gained prominence in Brazil and around the world, leading many people to question their relational dynamics and criticize mononormativity and romantic love. Understanding non-monogamous experiences and practices as non-linear processes requires reflecting on the internal and interpersonal conflicts that may arise, often requiring psychological support. In this context, the clinic psychology is configured as an essential space for the elaboration of subjectivity and interpersonal relationships. Therefore, this research aimed to understand the role of clinical psychologists in caring for non-monogamous people, using Qualitative Epistemology and the constructive- interpretive method of González Rey. Five psychologists were interviewed using a semi- structured script, resulting in the construction of five major themes: (1) psychologists' personal experiences with non-monogamy; (2) differences in care for monogamous and non- monogamous people; (3) clinical demands and intersectionalitiy; (4) psychologists perspectives on clinical interventions; and (5) assessment of academic training. The findings indicate that personal experience with non-monogamy can contribute to professional practice, but that adequate qualification requires continuous study, supervision and personal psychotherapy. Furthermore, caring for non-monogamous people involves specific challenges, including emotional, relational and social demands that require approaches that are sensitive to the emotional and cultural specificities of their experiences. Social markers of difference such as gender, sexuality, age, race, and intergenerationality significantly influence these clinical demands. Psychologists' interventions include strategies such as "monogamous desensitization", psychoeducation, non-judgment, attention to avoid moralizing approaches, emotional support, validation of experiences, construction of personalized meaning and strengthening of the therapeutic bond. However, academic training in psychology was described by the interviewed professionals as insufficient to address relationships that deviate from mononormativity, requiring professionals to seek complementary knowledge in academic and non-academic sources. As final considerations, this research highlights the need for a more inclusive psychology, which integrates non- monogamous perspectives in its theoretical and methodological approaches, promoting more sensitive care aligned with the diversity of affective and relational experiences.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPEuzébios Filho, AntonioLeite, Ana Soares Teixeira2025-03-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-31102025-160336/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-04T15:55:02Zoai:teses.usp.br:tde-31102025-160336Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-04T15:55:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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