Incorporação de medicamentos no sistema de saúde brasileiro: processos de produção de conhecimento e tomada de decisão
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-09062025-123737/ |
Resumo: | Introdução: as decisões de incorporação de medicamentos nos sistemas de saúde envolvem a produção de conhecimento em saúde e a interação de diversos atores. A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) desempenha um papel estratégico na governança desse processo, fornecendo uma base aparentemente neutra para as decisões, mas sem eliminar a multiplicidade de interesses envolvidos. No Brasil, decisões baseadas em ATS são realizadas tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na Saúde Suplementar. Embora os processos ocorram de forma distinta, eles fazem parte de uma articulação que envolve tensões e disputas políticas. Sob a ótica da governamentalidade, esta tese buscou identificar os atores e os critérios envolvidos na incorporação de medicamentos no Brasil, além de mapear os efeitos dessas decisões no sistema de saúde. Metodologia: a avaliação dos efeitos das decisões foi realizada a partir da identificação de medicamentos incorporados no SUS e/ou na Saúde Suplementar. Para isso, foi elaborada uma lista de medicamentos registrados no Brasil entre 2010 e 2020, com suas respectivas indicações, possibilitando a análise de pares medicamento-indicação. A incorporação foi analisada separadamente para pares não-oncológicos e oncológicos. Quando identificados pares incorporados apenas na Saúde Suplementar, as linhas de cuidado dos dois subsistemas foram comparadas para identificar possíveis desigualdades em saúde. Para compreender o processo decisório, foram descritos os atores demandantes das avaliações e analisados os critérios de decisão presentes nos documentos de recomendação de incorporação. Resultados: no SUS, mais pares não-oncológicos estavam incorporados para um maior número de indicações, indicando que o sistema público cobre lacunas assistenciais deixadas pela Saúde Suplementar. Em contrapartida, na oncologia, a Saúde Suplementar apresentou mais pares incorporados do que o SUS. O processo de incorporação de medicamentos fez com que certos atores se destacassem: empresas farmacêuticas representaram quase a totalidade dos atores demandantes por avaliação de incorporação. No SUS, também se destacou o papel do Ministério da Saúde. No SUS, os critérios para incorporação incluíram premissas da ATS, como benefícios clínicos, necessidades não atendidas e custos dos tratamentos. Em contraste, na Saúde Suplementar, as decisões priorizaram a ampliação de opções terapêuticas, muitas vezes desconsiderando questões de custo e incertezas clínicas. No SUS, a exigência sobre a magnitude do efeito clínico e a aceitação de incertezas dependeram da existência ou não de alternativas terapêuticas na mesma linha de cuidado. Foi observado um distanciamento entre a produção de conhecimento científico sobre medicamentos e as exigências da tomada de decisão de incorporação. A racionalidade econômica adotada na ATS pode enfraquecer a disputa política por mais recursos públicos na saúde. No SUS, as avaliações econômicas foram utilizadas como ferramenta de barganha para a redução de preços dos medicamentos. A participação social revelou divergências sobre quais tecnologias incorporar, dependendo do ator envolvido. Por fim, a tese apresenta um panorama sobre a incorporação de medicamentos no sistema de saúde brasileiro, destacando a complexidade da produção de conhecimento. Apesar da articulação entre o SUS e a Saúde Suplementar ser apresentada como neutra ou positiva, ela pode comprometer os princípios que fundamentam o SUS |
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Incorporação de medicamentos no sistema de saúde brasileiro: processos de produção de conhecimento e tomada de decisãoIncorporation of medicines into the Brazilian health system: knowledge production processes and decision-makingAssistência farmacêuticaGovernamentalidadeGovernança em saúdeGovernmentalityHealth governancePharmaceutical servicesSaúde suplementarSistema Único de SaúdeSupplemental healthUnified Health SystemIntrodução: as decisões de incorporação de medicamentos nos sistemas de saúde envolvem a produção de conhecimento em saúde e a interação de diversos atores. A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) desempenha um papel estratégico na governança desse processo, fornecendo uma base aparentemente neutra para as decisões, mas sem eliminar a multiplicidade de interesses envolvidos. No Brasil, decisões baseadas em ATS são realizadas tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na Saúde Suplementar. Embora os processos ocorram de forma distinta, eles fazem parte de uma articulação que envolve tensões e disputas políticas. Sob a ótica da governamentalidade, esta tese buscou identificar os atores e os critérios envolvidos na incorporação de medicamentos no Brasil, além de mapear os efeitos dessas decisões no sistema de saúde. Metodologia: a avaliação dos efeitos das decisões foi realizada a partir da identificação de medicamentos incorporados no SUS e/ou na Saúde Suplementar. Para isso, foi elaborada uma lista de medicamentos registrados no Brasil entre 2010 e 2020, com suas respectivas indicações, possibilitando a análise de pares medicamento-indicação. A incorporação foi analisada separadamente para pares não-oncológicos e oncológicos. Quando identificados pares incorporados apenas na Saúde Suplementar, as linhas de cuidado dos dois subsistemas foram comparadas para identificar possíveis desigualdades em saúde. Para compreender o processo decisório, foram descritos os atores demandantes das avaliações e analisados os critérios de decisão presentes nos documentos de recomendação de incorporação. Resultados: no SUS, mais pares não-oncológicos estavam incorporados para um maior número de indicações, indicando que o sistema público cobre lacunas assistenciais deixadas pela Saúde Suplementar. Em contrapartida, na oncologia, a Saúde Suplementar apresentou mais pares incorporados do que o SUS. O processo de incorporação de medicamentos fez com que certos atores se destacassem: empresas farmacêuticas representaram quase a totalidade dos atores demandantes por avaliação de incorporação. No SUS, também se destacou o papel do Ministério da Saúde. No SUS, os critérios para incorporação incluíram premissas da ATS, como benefícios clínicos, necessidades não atendidas e custos dos tratamentos. Em contraste, na Saúde Suplementar, as decisões priorizaram a ampliação de opções terapêuticas, muitas vezes desconsiderando questões de custo e incertezas clínicas. No SUS, a exigência sobre a magnitude do efeito clínico e a aceitação de incertezas dependeram da existência ou não de alternativas terapêuticas na mesma linha de cuidado. Foi observado um distanciamento entre a produção de conhecimento científico sobre medicamentos e as exigências da tomada de decisão de incorporação. A racionalidade econômica adotada na ATS pode enfraquecer a disputa política por mais recursos públicos na saúde. No SUS, as avaliações econômicas foram utilizadas como ferramenta de barganha para a redução de preços dos medicamentos. A participação social revelou divergências sobre quais tecnologias incorporar, dependendo do ator envolvido. Por fim, a tese apresenta um panorama sobre a incorporação de medicamentos no sistema de saúde brasileiro, destacando a complexidade da produção de conhecimento. Apesar da articulação entre o SUS e a Saúde Suplementar ser apresentada como neutra ou positiva, ela pode comprometer os princípios que fundamentam o SUSIntroduction: Decisions regarding the incorporation of medicines into health systems involve the production of health knowledge and the interaction of various actors. Health Technology Assessment (HTA) is a strategic component of the governance of this process, offering an apparently neutral basis for these decisions. However, HTA does not eliminate the multiplicity of interests involved. In Brazil, HTA-based decisions are made within both the Unified Health System (SUS) and the Supplementary Health sector. Although the processes occur in different ways, they are part of an articulation involving political tensions and disputes. From a governmentality perspective, this thesis aims to identify the actors and criteria involved in the incorporation of medicines in Brazil and to map the effects of these decisions on the health system. Methodology: the effects of the decisions were assessed by identifying the medicines incorporated into the SUS and/or the Supplementary Health sector. To this end, a list of medications registered in Brazil between 2010 and 2020 was created, with their respective indications, allowing the assessment of medication-indication pairs. Incorporation was analyzed separately for non-oncology and oncology pairs. When pairs incorporated only in the Supplementary sector were identified, care pathways of the two subsystems were compared to identify possible health inequalities. To assess the decision-making process, the actors requesting the assessments were described, and the decision criteria outlined in the incorporation recommendation documents were analyzed. Results: In the SUS, more non-oncology pairs were incorporated for a greater number of indications, suggesting that the public system addresses care gaps left by the Supplementary Health sector. Conversely, in oncology, the Supplementary Health sector had a greater number of pairs incorporated than the SUS. Pharmaceutical companies were the predominant actors requesting incorporation assessments. In the SUS, the Ministry of Health also played a significant role. The SUS criteria for incorporation included core HTA principles, such as clinical benefits, unmet medical needs, and treatment costs. In contrast, decisions in the Supplementary Health sector prioritized expanding therapeutic options, often overlooking issues related to costs and clinical uncertainties. In the SUS, requirement regarding magnitude of the clinical effect of the technology and acceptance of uncertainties depended on the availability of therapeutic alternatives within the same care pathway. It was possible to observe a gap between the production of scientific knowledge about medicines and the requirements for decision-making. The economic rationale adopted in HTA may weaken the political dispute over more public health resources. Within the SUS, economic evaluations were used as bargaining tools to negotiate lower medicine prices. Social participation revealed divergences in prioritizing technologies for incorporation, depending on the stakeholders involved. Finally, this thesis provides an overview of the incorporation of medicines in the Brazilian health system, highlighting the complexities of knowledge production. Although the articulation between the SUS and the Supplementary Health is often portrayed as neutral or positive, it may undermine the principles that sustain the SUSBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMelo, Daniela Oliveira deTeixeira, Ricardo RodriguesNardi, Elene Paltrinieri2024-11-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-09062025-123737/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-13T18:02:02Zoai:teses.usp.br:tde-09062025-123737Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-13T18:02:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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