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Migração como determinante social da saúde: estudo de casos múltiplos migrantes haitianos no Brasil.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lalane, James Berson
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-09042026-165604/
Resumo: Introdução: A migração internacional impõe aos migrantes uma série de processos de adaptação relacionados aos modos de vida, vínculos sociais, condições de trabalho, alimentação, saúde e ambiente. Do ponto de vista psicológico, o deslocamento envolve esperança, mas também ansiedade e incertezas. No Brasil, os migrantes haitianos vêm ganhando visibilidade, suscitando debates sobre as implicações sociais e, especialmente, de saúde pública relacionadas à sua presença. Objetivo: Este estudo analisou a migração como determinante social da saúde, a partir de um estudo qualitativo de casos múltiplos com famílias haitianas residentes em Cascavel (PR) e São Paulo (SP), cidades com expressiva presença dessa população. Metodologia: Foram incluídas 20 famílias (10 em cada cidade), totalizando 106 participantes. A amostragem seguiu a técnica de bola de neve, e os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, organizadas em quatro eixos: perfil sociodemográfico, aspectos da migração, inserção laboral e acesso à saúde. Resultados: As trajetórias migratórias revelaram marcantes vulnerabilidades estruturais, com impacto direto na saúde física e mental dos participantes. Foram identificados baixos níveis de renda, moradias precárias e superlotadas, informalidade no trabalho, discriminação racial e xenofóbica e barreiras linguísticas. Embora a maioria utilize exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso a esse serviço ocorre em meio a esperas prolongadas e falta de acolhimento culturalmente adequado. A saúde mental desponta como dimensão central de vulnerabilidade, especialmente entre mulheres, que acumulam jornadas exaustivas e múltiplas responsabilidades familiares. Adicionalmente, observou-se precarização das condições de trabalho e insegurança habitacional. A ausência de políticas públicas específicas para migrantes reforça um sentimento de invisibilidade e exclusão social. Por outro lado, destaca-se a presença de redes de solidariedade entre os próprios migrantes, compostas por familiares, vizinhos e grupos religiosos, que funcionam como apoio diante das adversidades e como mediadoras do acesso a serviços, trabalho e informações. Conclusão: A migração se configura como determinante social da saúde, gerando adoecimentos e vulnerabilidades, mas também fomentando estratégias coletivas de solidariedade e resistência no interior dos próprios grupos migrantes e da sociedade circundante.
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Objetivo: Este estudo analisou a migração como determinante social da saúde, a partir de um estudo qualitativo de casos múltiplos com famílias haitianas residentes em Cascavel (PR) e São Paulo (SP), cidades com expressiva presença dessa população. Metodologia: Foram incluídas 20 famílias (10 em cada cidade), totalizando 106 participantes. A amostragem seguiu a técnica de bola de neve, e os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, organizadas em quatro eixos: perfil sociodemográfico, aspectos da migração, inserção laboral e acesso à saúde. Resultados: As trajetórias migratórias revelaram marcantes vulnerabilidades estruturais, com impacto direto na saúde física e mental dos participantes. Foram identificados baixos níveis de renda, moradias precárias e superlotadas, informalidade no trabalho, discriminação racial e xenofóbica e barreiras linguísticas. Embora a maioria utilize exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso a esse serviço ocorre em meio a esperas prolongadas e falta de acolhimento culturalmente adequado. A saúde mental desponta como dimensão central de vulnerabilidade, especialmente entre mulheres, que acumulam jornadas exaustivas e múltiplas responsabilidades familiares. Adicionalmente, observou-se precarização das condições de trabalho e insegurança habitacional. A ausência de políticas públicas específicas para migrantes reforça um sentimento de invisibilidade e exclusão social. Por outro lado, destaca-se a presença de redes de solidariedade entre os próprios migrantes, compostas por familiares, vizinhos e grupos religiosos, que funcionam como apoio diante das adversidades e como mediadoras do acesso a serviços, trabalho e informações. Conclusão: A migração se configura como determinante social da saúde, gerando adoecimentos e vulnerabilidades, mas também fomentando estratégias coletivas de solidariedade e resistência no interior dos próprios grupos migrantes e da sociedade circundante.Introduction: International migration imposes on migrants a series of complex adaptation processes involving lifestyle changes, social ties, working conditions, food, health, and environmental factors. From a psychological standpoint, migration evokes hope, but it also brings anxiety and uncertainty. In Brazil, Haitian migrants have gained increasing visibility in recent decades, raising important debates regarding the social and, particularly, public health implications associated with their presence.Objective: This study aimed to analyze migration as a social determinant of health through a qualitative multiple case study involving Haitian families residing in two Brazilian cities with significant migrant populations: Cascavel (Paraná) and São Paulo (São Paulo). Methodology:A total of 20 families were included (10 in each city), comprising 106 participants. Snowball sampling was employed, and data were collected through semistructured interviews organized around four thematic axes: sociodemographic profile, migration experiences, labor market insertion, and health conditions and access to healthcare services.Results: The migratory trajectories revealed significant structural vulnerabilities with direct impacts on both the physical and mental health of participants. The study identified low income levels, precarious and overcrowded housing, informal and unstable employment, racial and xenophobic discrimination, and language barriers. Although the majority reported relying exclusively on the Brazilian Unified Health System (SUS), access to services was characterized by long wait times and a lack of culturally appropriate care. Mental health emerged as a central axis of vulnerability, particularly among women, who face exhausting workdays combined with multiple caregiving responsibilities, affecting their overall well-being. Additionally, labor precariousness and housing insecurity were observed. The absence of public policies tailored to the needs of migrants contributes to a pervasive sense of invisibility and social exclusion. On the other hand, the study also highlighted the role of solidarity networks formed among Haitian migrants themselves, including family members, neighbors, and religious communities,which serve as vital sources of support and act as intermediaries in accessing services, work opportunities, and information.Conclusion: Migration is configured as a social determinant of health, producing illness and vulnerability, while also fostering collective strategies of solidarity and resistance within migrant communities and the broader society.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCouto, Marcia Thereza CavalcantiGouveia, Nelson da CruzLalane, James Berson2025-10-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-09042026-165604/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-10T19:23:25Zoai:teses.usp.br:tde-09042026-165604Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-10T19:23:25Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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