Efeitos fotônicos e de antibióticos sobre o cultivo hidropônico de Lactuca sativa

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Souza, Mariana de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/76/76133/tde-19092025-092247/
Resumo: A crescente demanda por alimentos e a escassez hídrica têm impulsionado o uso de tecnologias sustentáveis, como a hidroponia e a suplementação com luz artificial, na agricultura. No entanto, o uso de águas de reuso ou efluentes com presença de contaminantes emergentes (CEs) podem introduzir antibióticos nos sistemas de cultivo. Este estudo avaliou os efeitos da exposição a amoxicilina (AMO) em diferentes concentrações (150 a 1000 μM) em mudas de Lactuca sativa cultivadas em sistema hidropônico sob luz artificial. A investigação teve como ponto principal a estabilidade da AMO na solução hidropônica exposta à luz, sua absorção, translocação nas mudas, impactos fisiológicos resultantes e sanidade microbiológica do sistema. A metodologia incluiu ensaios in vivo, espectroscopia de fluorescência (curva OJIP Matriz de Excitação e Emissão), quantificação de pigmentos, nutrientes, carbono total e análises de resíduos por LC-UV e LC-MS/MS; além do monitoramento microbiológico da solução nutritiva ao longo do período de exposição. Os resultados indicaram que a AMO (450 μM) foi degradada ao longo de 27 dias, com formação dos principais subprodutos (ácido penicilóico, 2,5-dicetopiperazina, ácido penilóico e fenol hidroxipirazina). Nas mudas de L. sativa, os dados in vivo da quantificação por LC-MS/MS demonstraram maior acúmulo de AMO nas raízes, com translocação para as folhas em concentrações acima do limite permitido pela legislação. No entanto, os parâmetros de fluorescência via curva OJIP indicaram que a atividade fotossintética não foi alterada com o tempo de exposição à AMO. Por outro lado, os resultados das matrizes de excitação e emissão, revelaram alterações significativas na intensidade de fluorescência nas regiões dos carotenoides (500−550 nm) e clorofila (680−730 nm), sugerindo aumento desses metabólitos no microambiente celular conforme a concentração e, o tempo de exposição à AMO. Os resultados in vitro indicaram aumento na produção de pigmentos e compostos fenólicos com o aumento da concentração de AMO, sugerindo ativação de mecanismos compensatórios. Além disso, aumento da massa fresca da parte aérea e das raízes nas concentrações mais elevadas de AMO. Entretanto, a massa seca não apresentou variações significativas, indicando que o aumento de peso observado está relacionado à maior retenção de água nos tecidos e não à produção de biomassa estrutural, que reflete o crescimento real. Nas análises de macro e micronutrientes, foram observadas alterações na absorção de nutrientes essenciais, com redução nos níveis de ferro e variações nos teores de fósforo, cálcio e zinco, indicando que a AMO pode impactar a dinâmica iônica e nutricional em L. sativa. Em paralelo, os testes microbiológicos indicaram que a presença da AMO foi eficaz na redução do crescimento de contaminantes bacterianos típicos na solução hidropônica, contribuindo para a sanidade microbiológica do sistema. Esses resultados sugerem que o antibiótico atua como um estressor moderado, induzindo respostas bioquímicas e morfológicas que favoreceram a adaptação fisiológica das mudas. A luz artificial, com espectros contínuos, pode ter contribuído para a fotoproteção e manutenção da atividade fotossintética, auxiliando na adaptação das plantas frente à presença de AMO. Esses achados contribuem para a compreensão dos riscos e da dinâmica dos contaminantes emergentes em sistemas de cultivo controlado.
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A investigação teve como ponto principal a estabilidade da AMO na solução hidropônica exposta à luz, sua absorção, translocação nas mudas, impactos fisiológicos resultantes e sanidade microbiológica do sistema. A metodologia incluiu ensaios in vivo, espectroscopia de fluorescência (curva OJIP Matriz de Excitação e Emissão), quantificação de pigmentos, nutrientes, carbono total e análises de resíduos por LC-UV e LC-MS/MS; além do monitoramento microbiológico da solução nutritiva ao longo do período de exposição. Os resultados indicaram que a AMO (450 μM) foi degradada ao longo de 27 dias, com formação dos principais subprodutos (ácido penicilóico, 2,5-dicetopiperazina, ácido penilóico e fenol hidroxipirazina). Nas mudas de L. sativa, os dados in vivo da quantificação por LC-MS/MS demonstraram maior acúmulo de AMO nas raízes, com translocação para as folhas em concentrações acima do limite permitido pela legislação. No entanto, os parâmetros de fluorescência via curva OJIP indicaram que a atividade fotossintética não foi alterada com o tempo de exposição à AMO. Por outro lado, os resultados das matrizes de excitação e emissão, revelaram alterações significativas na intensidade de fluorescência nas regiões dos carotenoides (500−550 nm) e clorofila (680−730 nm), sugerindo aumento desses metabólitos no microambiente celular conforme a concentração e, o tempo de exposição à AMO. Os resultados in vitro indicaram aumento na produção de pigmentos e compostos fenólicos com o aumento da concentração de AMO, sugerindo ativação de mecanismos compensatórios. Além disso, aumento da massa fresca da parte aérea e das raízes nas concentrações mais elevadas de AMO. Entretanto, a massa seca não apresentou variações significativas, indicando que o aumento de peso observado está relacionado à maior retenção de água nos tecidos e não à produção de biomassa estrutural, que reflete o crescimento real. Nas análises de macro e micronutrientes, foram observadas alterações na absorção de nutrientes essenciais, com redução nos níveis de ferro e variações nos teores de fósforo, cálcio e zinco, indicando que a AMO pode impactar a dinâmica iônica e nutricional em L. sativa. Em paralelo, os testes microbiológicos indicaram que a presença da AMO foi eficaz na redução do crescimento de contaminantes bacterianos típicos na solução hidropônica, contribuindo para a sanidade microbiológica do sistema. Esses resultados sugerem que o antibiótico atua como um estressor moderado, induzindo respostas bioquímicas e morfológicas que favoreceram a adaptação fisiológica das mudas. A luz artificial, com espectros contínuos, pode ter contribuído para a fotoproteção e manutenção da atividade fotossintética, auxiliando na adaptação das plantas frente à presença de AMO. Esses achados contribuem para a compreensão dos riscos e da dinâmica dos contaminantes emergentes em sistemas de cultivo controlado.The growing demand for food and water scarcity have driven the use of sustainable technologies in agriculture, such as hydroponics and artificial light supplementation. However, the use of reclaimed water or effluents containing emerging contaminants (ECs) may introduce antibiotics into cultivation systems. This study evaluated the effects of exposure to amoxicillin (AMO) at different concentrations (150 to 1000 μM) in Lactuca sativa seedlings grown in a hydroponic system under artificial light. The main focus was the stability of AMO in the nutrient solution under light exposure, its absorption and translocation in seedlings, resulting physiological impacts, and the microbiological health of the system. The methodology included in vivo assays, fluorescence spectroscopy (OJIP curve and Excitation-Emission Matrix), quantification of pigments, nutrients, total carbon, and residue analyses by LC-UV and LC-MS/MS, in addition to microbiological monitoring of the nutrient solution throughout the exposure period. Results indicated that AMO (450 μM) degraded over 27 days, leading to the formation of major byproducts (penicilloic acid, 2,5-diketopiperazine, penilloic acid, and hydroxyphenylpyrazine). In L. sativa seedlings, in vivo LC-MS/MS quantification revealed higher accumulation of AMO in roots, with translocation to leaves at concentrations above the legal threshold. However, fluorescence parameters from the OJIP curve indicated that photosynthetic activity was not altered by AMO exposure over time. On the other hand, excitation-emission matrices revealed significant changes in fluorescence intensity in carotenoid (500−550 nm) and chlorophyll (680−730 nm) regions, suggesting an increase in these metabolites in the cellular microenvironment according to AMO concentration and exposure time. In vitro results indicated increased production of pigments and phenolic compounds with higher AMO concentrations, suggesting activation of compensatory mechanisms. Moreover, fresh mass of shoots and roots increased at higher AMO concentrations. However, dry mass showed no significant variation, indicating that the observed weight gain was related to greater water retention in tissues rather than structural biomass production, which reflects actual growth. Macro- and micronutrient analyses revealed alterations in the absorption of essential nutrients, with reduced iron levels and variations in phosphorus, calcium, and zinc contents, indicating that AMO may affect ionic and nutritional dynamics in L. sativa. In parallel, microbiological tests showed that AMO effectively reduced the growth of typical bacterial contaminants in the hydroponic solution, contributing to the systems microbiological health. These results suggest that the antibiotic acts as a moderate stressor, inducing biochemical and morphological responses that favored the physiological adaptation of seedlings. Artificial light with continuous spectra may have contributed to photoprotection and maintenance of photosynthetic activity, supporting plant adaptation to AMO exposure. These findings contribute to the understanding of the risks and dynamics of emerging contaminants in controlled cultivation systems.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBagnato, Vanderlei SalvadorLima, Alessandra RamosSouza, Mariana de2025-07-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/76/76133/tde-19092025-092247/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-19T13:06:02Zoai:teses.usp.br:tde-19092025-092247Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-19T13:06:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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