Gámos e Thánatos: a relação entre o casamento e a morte na tragédia grega clássica
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8143/tde-29052025-092006/ |
Resumo: | O rapto da deusa Perséfone pelo senhor dos mortos, Hades, é, sem dúvida, uma das mais conhecidas narrativas míticas gregas, influente mesmo na antiguidade, a ponto de estar no cerne de uma de suas mais importantes tradições religiosas: os Mistérios de Elêusis. Perséfone, uma jovem deusa parthénos, colhia flores na companhia de outras deusas e de ninfas quando, distraída por um lindo narciso, o chão se abre e Hades aparece para carregá-la aos ínferos (Hino Homérico a Deméter, versos 4-39). Perséfone grita e pede socorro a seu pai Zeus, enquanto ainda pode ver o sol, pois sabe que, assim que chegar ao mundo dos mortos (acessível apenas a Hermes em sua função de mensageiro e aos deuses que lá habitam), estará para sempre separada do mundo superior. Nesse sentido, não há deusa que melhor retrate o significado feminino do casamento do que Perséfone. Embora para deuses um casamento não signifique uma separação entre mãe e filha, para as meninas mortais é exatamente isso que ele representa. No contexto social da Grécia antiga, as parthénoi as meninas que ainda não entraram na arena do sexo, mas já deixaram a infância para trás devem deixar o mundo que conhecem, na casa paterna, e ingressar na vida adulta por meio do casamento, passando a viver em um novo território, completamente desconhecido: a casa de seu marido. Justamente por terem que abandonar tudo o que conhecem em prol de uma nova vida, fica evidente o caráter violento que os casamentos apresentam para as meninas. Ou seja, de certa forma, casar representa uma morte simbólica: morre a parthénos e nasce a mulher adulta, a gyn, com todas as suas atribuições e deveres. Por outro lado, também era comum dizer, quando jovens meninas morriam antes de se casarem, ou seja, ainda parthénoi, que Hades as havia carregado, ou as tomado como esposas, como metáforas à morte. Podemos constatar, portanto, uma relação bastante próxima no contexto grego entre as dimensões do casamento e da morte, principalmente no que concerne as figuras femininas envolvidas nesse processo à imagem da deusa Perséfone no mito de seu rapto. Nas tragédias do período clássico, há diversas personagens que evidenciam essa relação, sejam elas parthénoi, ou mesmo mulheres adultas já casadas. De formas distintas e variadas, o casamento e a morte estão presentes nos contextos e nas narrativas de muitas heroínas trágicas, sendo frequentemente essenciais para entendê-las ou a seus destinos. O objetivo desse trabalho é, portanto, analisar como se dá a relação entre o casamento e a morte em três tragédias gregas da Atenas do período clássico: Antígone, de Sófocles, e Ifigênia em Áulida e Alceste, de Eurípides, dando enfoque especial aos discursos dessas heroínas e suas interpretações de suas experiências e vivências |
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Gámos e Thánatos: a relação entre o casamento e a morte na tragédia grega clássicaGámos and Thánatos: the relationship between marriage and death in classical Greek tragedyAlcesteAlcestisAntigoneAntígoneCasamentoClassical tragedyDeathIfigêniaIphigeniaMarriageMorteTragédia clássicaO rapto da deusa Perséfone pelo senhor dos mortos, Hades, é, sem dúvida, uma das mais conhecidas narrativas míticas gregas, influente mesmo na antiguidade, a ponto de estar no cerne de uma de suas mais importantes tradições religiosas: os Mistérios de Elêusis. Perséfone, uma jovem deusa parthénos, colhia flores na companhia de outras deusas e de ninfas quando, distraída por um lindo narciso, o chão se abre e Hades aparece para carregá-la aos ínferos (Hino Homérico a Deméter, versos 4-39). Perséfone grita e pede socorro a seu pai Zeus, enquanto ainda pode ver o sol, pois sabe que, assim que chegar ao mundo dos mortos (acessível apenas a Hermes em sua função de mensageiro e aos deuses que lá habitam), estará para sempre separada do mundo superior. Nesse sentido, não há deusa que melhor retrate o significado feminino do casamento do que Perséfone. Embora para deuses um casamento não signifique uma separação entre mãe e filha, para as meninas mortais é exatamente isso que ele representa. No contexto social da Grécia antiga, as parthénoi as meninas que ainda não entraram na arena do sexo, mas já deixaram a infância para trás devem deixar o mundo que conhecem, na casa paterna, e ingressar na vida adulta por meio do casamento, passando a viver em um novo território, completamente desconhecido: a casa de seu marido. Justamente por terem que abandonar tudo o que conhecem em prol de uma nova vida, fica evidente o caráter violento que os casamentos apresentam para as meninas. Ou seja, de certa forma, casar representa uma morte simbólica: morre a parthénos e nasce a mulher adulta, a gyn, com todas as suas atribuições e deveres. Por outro lado, também era comum dizer, quando jovens meninas morriam antes de se casarem, ou seja, ainda parthénoi, que Hades as havia carregado, ou as tomado como esposas, como metáforas à morte. Podemos constatar, portanto, uma relação bastante próxima no contexto grego entre as dimensões do casamento e da morte, principalmente no que concerne as figuras femininas envolvidas nesse processo à imagem da deusa Perséfone no mito de seu rapto. Nas tragédias do período clássico, há diversas personagens que evidenciam essa relação, sejam elas parthénoi, ou mesmo mulheres adultas já casadas. De formas distintas e variadas, o casamento e a morte estão presentes nos contextos e nas narrativas de muitas heroínas trágicas, sendo frequentemente essenciais para entendê-las ou a seus destinos. O objetivo desse trabalho é, portanto, analisar como se dá a relação entre o casamento e a morte em três tragédias gregas da Atenas do período clássico: Antígone, de Sófocles, e Ifigênia em Áulida e Alceste, de Eurípides, dando enfoque especial aos discursos dessas heroínas e suas interpretações de suas experiências e vivênciasThe abduction of the goddess Persephone by the lord of the dead, Hades, is, undoubtedly, one of the best-known Greek mythical narratives, influential even in antiquity, to the point of being at the heart of one of its most important religious traditions: the Eleusinian Mysteries. Persephone, a young parthénos, was picking flowers in the company of other goddesses and nymphs when, distracted by a beautiful narcissus, the ground opened up and Hades appeared to carry her to the underworld (Homeric Hymn to Demeter, 4-39). She screams and asks her father, Zeus, for help, while the sun is still visible to her, because she knows that, as soon as she reaches the world of the dead (accessible only to Hermes and to other chthonic gods), she will be forever separated from the upper world. In this sense, therefore, there is no goddess who better portrays the feminine meaning of marriage than Persephone. Although for the divine immortal beings a marriage does not mean a separation between mother and daughter, for mortal girls that is exactly what it represents. In the social context of ancient Greece, the parthénoi girls who have not yet entered the sexual arena but have already left childhood behind must leave the world they know, in their fathers house, and enter adulthood through marriage, living in a new, completely unknown territory: a husbands house. As they must abandon everything they know in favour of a new life, the violent nature of a marriage for girls becomes evident. In other words, in a certain way, getting married represents a symbolic death: the parthénos dies and the adult woman, the gyn, is born, with all her attributes and duties. On the other hand, it was also common to say, when young girls died before being married, that is, while they were still parthénoi, that Hades had carried them off or taken them as wives, as a metaphor for death. We can therefore see a very close relationship in the Greek context between the dimensions of marriage and death, especially regarding the female characters involved in this process in the image of the goddess Persephone in the myth of her abduction. In the tragedies of the classical period, there are several characters who demonstrate this relationship, either parthénoi or even adult married women. In different and varied ways, marriage and death are present in the contexts and narratives of these tragic heroines, and are often essential to understanding them or their destinies. The objective of this thesis is, therefore, to analyze how marriage and death relate to each other in three tragedies: Antigone, by Sophocles, and Iphigenia at Aulis and Alcestis, by Euripides, giving special focus to the speeches and agency of these heroines and their interpretations of their own experiences and livesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFaria, Giuliana Ragusa deCarvalho, Thais Rocha2025-02-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8143/tde-29052025-092006/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-29T12:48:01Zoai:teses.usp.br:tde-29052025-092006Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-29T12:48:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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