Julgamento de adolescentes sobre exclusão homofóbica na perspectiva da teoria do domínio social

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Souza, Jackeline Maria de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-26062019-152239/
Resumo: Este estudo teve como objetivo investigar como variáveis sociodemográficas (idade, sexo, religião e cidade), níveis de empatia dos participantes e fatores específicos da pesquisa em exclusão (grau de contato, experiência como vítima de preconceito, opinião acerca da homossexualidade e percepção de influência) se relacionam com julgamentos de situações de exclusão contra homossexuais. Essa pesquisa defende a tese de que a exclusão motivada por homofobia é um fenômeno complexo, multifacetado e que precisa ser compreendido também a partir de uma leitura da Psicologia do Desenvolvimento Moral, visto que as noções de equidade e considerações com o bem-estar do outro têm impacto direto sobre a visão do outro como humano que deve ser respeitado em sua dignidade e liberdade. Essa leitura está amparada teoricamente na Teoria do Domínio Social com a compreensão de que os juízos dos adolescentes acerca da realidade estão amparados por conhecimentos de diferentes domínios moral, convencional e pessoal e que além de ponderar entre todos os territórios esses ainda são atravessados por dimensões afetivas, cognitivas e sociais construídas em uma história de vida com experiências complexas. A amostra foi composta por 643 sujeitos. Destes, 45% eram moradores da cidade de Petrolina PE e 55% de São Paulo SP; 44% dos participantes eram do sexo masculino e 56% do sexo feminino, com idades entre 12 e 18 anos (M = 14,6; DP = 1,86). Os dados foram coletados em escolas públicas. Os questionários foram aplicados individualmente em formato autoadministrado e analisados através de procedimentos qualitativos e quantitativos. Os dados demonstraram que apesar da maioria dos adolescentes julgarem a homossexualidade como errada ou nem certa nem errada, isso não torna a exclusão certa, visto que esta foi majoritariamente avaliada como errada por questões morais. As variáveis sociodemográficas estiveram associadas a diferentes julgamentos, e destaca-se o papel importante do gênero nas diferenças dos julgamentos, podendo essa diferença estar associada diretamente as demais variáveis investigadas visto que as meninas apresentaram maiores níveis de empatia e experiências como vítimas de sexismo, bem como, maior contato com pessoas homossexuais e opiniões mais positivas acerca da homossexualidade. Quanto maior o contato com homossexuais, mais vivencias de vitimização de preconceito, maiores níveis de empatia e opinião positiva acerca da homossexualidade, mais os adolescentes avaliaram a exclusão como errada, baseados em critérios morais, convencionais e pessoais. Por outro lado, essas experiências (com exceção da vitimização) fizeram com que eles discordassem mais de razões convencionais e pessoais de que é certo excluir. Em relação às influências de pais, professores e amigos, observa-se pouca influência dos pais e professores nos julgamentos adolescentes, sendo mais evidente a influência de outros adolescentes tanto em relação aos conteúdos de igualdade e quanto na manifestação de afetos negativos em relação à homossexuais. Os resultados demonstraram ainda claramente a coexistência dos domínios nos julgamentos dessa temática. Por fim, destaca-se que esse estudo buscou contribuir para a compreensão de um fenômeno complexo sob a ótima da Psicologia do Desenvolvimento Moral, sendo esse um campo ainda pouco explorado
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Essa pesquisa defende a tese de que a exclusão motivada por homofobia é um fenômeno complexo, multifacetado e que precisa ser compreendido também a partir de uma leitura da Psicologia do Desenvolvimento Moral, visto que as noções de equidade e considerações com o bem-estar do outro têm impacto direto sobre a visão do outro como humano que deve ser respeitado em sua dignidade e liberdade. Essa leitura está amparada teoricamente na Teoria do Domínio Social com a compreensão de que os juízos dos adolescentes acerca da realidade estão amparados por conhecimentos de diferentes domínios moral, convencional e pessoal e que além de ponderar entre todos os territórios esses ainda são atravessados por dimensões afetivas, cognitivas e sociais construídas em uma história de vida com experiências complexas. A amostra foi composta por 643 sujeitos. Destes, 45% eram moradores da cidade de Petrolina PE e 55% de São Paulo SP; 44% dos participantes eram do sexo masculino e 56% do sexo feminino, com idades entre 12 e 18 anos (M = 14,6; DP = 1,86). Os dados foram coletados em escolas públicas. Os questionários foram aplicados individualmente em formato autoadministrado e analisados através de procedimentos qualitativos e quantitativos. Os dados demonstraram que apesar da maioria dos adolescentes julgarem a homossexualidade como errada ou nem certa nem errada, isso não torna a exclusão certa, visto que esta foi majoritariamente avaliada como errada por questões morais. As variáveis sociodemográficas estiveram associadas a diferentes julgamentos, e destaca-se o papel importante do gênero nas diferenças dos julgamentos, podendo essa diferença estar associada diretamente as demais variáveis investigadas visto que as meninas apresentaram maiores níveis de empatia e experiências como vítimas de sexismo, bem como, maior contato com pessoas homossexuais e opiniões mais positivas acerca da homossexualidade. Quanto maior o contato com homossexuais, mais vivencias de vitimização de preconceito, maiores níveis de empatia e opinião positiva acerca da homossexualidade, mais os adolescentes avaliaram a exclusão como errada, baseados em critérios morais, convencionais e pessoais. Por outro lado, essas experiências (com exceção da vitimização) fizeram com que eles discordassem mais de razões convencionais e pessoais de que é certo excluir. Em relação às influências de pais, professores e amigos, observa-se pouca influência dos pais e professores nos julgamentos adolescentes, sendo mais evidente a influência de outros adolescentes tanto em relação aos conteúdos de igualdade e quanto na manifestação de afetos negativos em relação à homossexuais. Os resultados demonstraram ainda claramente a coexistência dos domínios nos julgamentos dessa temática. Por fim, destaca-se que esse estudo buscou contribuir para a compreensão de um fenômeno complexo sob a ótima da Psicologia do Desenvolvimento Moral, sendo esse um campo ainda pouco exploradoThe purpose of this study was to investigate how sociodemographic variables (age, sex, religion and city), levels of empathy of participants and specific factors of exclusion research (degree of contact, experience as victim of prejudice, opinion about homosexuality and perception of influence) relate to judgments of situations of exclusion against homosexuals. This research defends the thesis that exclusion motivated by homophobia is a complex and multifaceted phenomenon, and that needs to be understood also from Moral Development Psychology, since the notions of equity and considerations with the well-being of the other have a direct impact on the vision of the other as a human who must be respected in their dignity and freedom. This reading is theoretically supported in the Social Domain Theory with the understanding that the adolescents\' judgments about reality are supported by knowledge of different domains - moral, conventional and personal - and that besides pondering between all the territories these are still crossed by affective, cognitive and social dimensions built on a life story with complex experiences. The sample consisted of 643 subjects. Of these, 45% were residents of the city of Petrolina - PE and 55% of São Paulo - SP; 44% of the participants were male and 56% female, with ages between 12 and 18 years (M = 14.6; SD = 1.86). Data were collected in public schools. The questionnaires were individually applied in a self-administered format and analyzed through qualitative and quantitative procedures. The data showed that although most adolescent judge homosexuality to be wrong, neither right nor wrong, it does not make the right exclusion, since it was mostly judged to be wrong on moral domain. The sociodemographic variables were associated with different judgments, and the important role of gender in the differences of the judgments is highlighted, and this difference may be directly associated with the other variables investigated since the girls presented higher levels of empathy and experiences as victims of sexism as well such as greater contact with homosexual people and more positive opinions about homosexuality. The greater the contact with homosexuals, the more experiences of victimization of prejudice, higher levels of empathy and positive opinion about homosexuality, the more adolescents evaluated the exclusion as wrong, based on moral, conventional and personal criteria. On the other hand, these experiences (with the exception of victimization) made them disagree more with conventional and personal reasons that it is certain to exclude. Regarding the influences of parents, teachers and friends, there is little influence of parents and teachers in adolescent judgments, being more evident the influence of other adolescents both in relation to the content of equality and in the manifestation of negative affections towards homosexuals. The results also demonstrated clearly the coexistence of domains in the judgments of this theme. Finally, it is emphasized that this study sought to contribute to the understanding of a complex phenomenon under the optimum of Moral Development Psychology, being a field still little exploredBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCaetano, Luciana MariaSouza, Jackeline Maria de2019-05-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-26062019-152239/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2021-05-24T15:59:10Zoai:teses.usp.br:tde-26062019-152239Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212021-05-24T15:59:10Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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