\"Vocês nos abandonaram e agora voltam para fazer perguntas\": os testemunhos de sobreviventes da violência sexual no genocídio de Ruanda

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Vita, Mariana Rodrigues de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25032026-094157/
Resumo: análise dos testemunhos de sobreviventes da violência sexual apresentados no Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) revela a complexidade de se traduzir experiências extremas de sofrimento da linguagem jurídica para a narrativa histórica. Esse processo evidencia a tensão entre diferentes regimes de produção de sentido, ao mesmo tempo em que destaca a agência de sujeitos costumeiramente cerceados pelo silenciamento. Ao deporem em contextos institucionais hostis, essas sobreviventes inscrevem suas vozes em arenas marcadas por assimetrias de poder, nas quais se configuram e se reproduzem hierarquias simbólicas e políticas. Durante o genocídio no território ruandês em 1994, a violência sexual foi utilizada como prática sistemática de destruição social e étnica, configurando-se simultaneamente como estratégia de guerra e como mecanismo central do projeto genocida. O presente estudo examina como os depoimentos das vítimas tornam visíveis as tensões entre o reconhecimento jurídico e a persistência da desumanização inerente ao processo genocida. A partir de uma abordagem interdisciplinar, que articula estudos de gênero, direito internacional e teoria da desumanização, argumenta-se que o testemunho das sobreviventes opera não apenas como prova judicial, mas também como ato político, ético e epistemológico de reconstrução da humanidade negada. Contudo, observa-se que, mesmo no espaço do tribunal, persistem hierarquias de valor atribuídas às vidas e às vozes que nelas se expressam, refletindo dinâmicas históricas de marginalização e exclusão. Nesse sentido, a análise dos testemunhos permite compreender como o discurso jurídico internacional tanto confronta quanto pode reproduzir processos de desvalorização da vida, ao passo que a escuta atenta dessas narrativas se apresenta como condição fundamental para a construção de uma justiça social efetivamente reparadora
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