Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Bortoleto, Fabiana Cherubim
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-09102023-195708/
Resumo: Um dos determinantes apontados pela literatura para sobrevivência das organizações está pautado na existência da separação entre propriedade e gestão - quando há a criação de uma relação de agência entre proprietários e agentes. Neste contrato é previsto que o proprietário delegue parte do seu direito ao controle aos responsáveis pela gestão conferindo poder discricionário para que estes realizem a melhor alocação de ativos no processo produtivo atendendo aos interesses dos proprietários. O desalinhamento de expectativas gerado pela delegação do controle e o poder discricionário pode gerar os chamados problemas da delegação. Um dos principais é definido como problema do tipo I e refere-se a possibilidade de comportamento oportunista do agente quando há delegação limitada de controle ou quando não há delegação. Entretanto alguns tipos de organizações, principalmente nas que não são orientadas aos shareholders, possuem proprietários realizando sua gestão. Quando da ocorrência dessa situação, é identificado então um problema do tipo II, quando não há separação e efetiva de propriedade e controle. É de conhecimento tanto da literatura quanto da prática de que as cooperativas brasileiras possuem cooperados envolvidos nas atividades de gestão. O principal argumento das cooperativas é de que o cooperado que tenha função executiva, utilizaria seu poder decisório para não expropriar os outros cooperados e teria maiores incentivos em gerar mais serviços e distribuição de sobras por ser beneficiado diretamente quando do atingimento das metas. Em outras palavras, um cooperado na gestão não se utilizaria do seu poder discricionário para expropriar riqueza dos outros associados e/ou comprometer o futuro da organização cooperativa. Tendo em vista esta possibilidade, a presente pesquisa se propôs a investigar se nas cooperativas de crédito brasileiras os problemas de controle poderiam comprometer ou não a sobrevivência dessas organizações. Para a estimação do problema I, a presente pesquisa encontrou que a não separação da propriedade e do controle não explica um horizonte de curto prazo nas cooperativas de crédito da amostra. Já para a estimação do problema II, os resultados apontaram que os cooperados-gestores das cooperativas de crédito brasileiras gerenciaram resultados para diminuir as reservas, comprometendo a sobrevivência das cooperativas, contradizendo o discurso setorial de que um cooperado envolvido na gestão não possui incentivos a comprometer a saúde da cooperativa. Por fim, os resultados das entrevistas trouxeram evidências de que para os gestores das cooperativas, a condição de ser cooperado muitas vezes não é intrínseca ao comportamento do gestor, visto que este não se enxerga como proprietário, embora incentive o exercício do direto de propriedade dos seus cooperados. Assim, estes resultados demonstram a possibilidade da existência de um trade off entre o curto e o longo prazo, visto que os cooperados-gestores aparentemente privilegiam o atendimento da função-objetivo no curto prazo, diferentemente do argumento das cooperativas em favor de que a presença de um associado na gestão da organização.
id USP_7454afbc45ef0e3aaef9fe987aebbaa2
oai_identifier_str oai:teses.usp.br:tde-09102023-195708
network_acronym_str USP
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository_id_str
spelling Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileirasControl and horizon in Brazilian credit unionsControlControleCooperativas de créditoCorporate governanceCredit unionsGovernança corporativaOrganizaçõesOrganizationsPropertyPropriedadeUm dos determinantes apontados pela literatura para sobrevivência das organizações está pautado na existência da separação entre propriedade e gestão - quando há a criação de uma relação de agência entre proprietários e agentes. Neste contrato é previsto que o proprietário delegue parte do seu direito ao controle aos responsáveis pela gestão conferindo poder discricionário para que estes realizem a melhor alocação de ativos no processo produtivo atendendo aos interesses dos proprietários. O desalinhamento de expectativas gerado pela delegação do controle e o poder discricionário pode gerar os chamados problemas da delegação. Um dos principais é definido como problema do tipo I e refere-se a possibilidade de comportamento oportunista do agente quando há delegação limitada de controle ou quando não há delegação. Entretanto alguns tipos de organizações, principalmente nas que não são orientadas aos shareholders, possuem proprietários realizando sua gestão. Quando da ocorrência dessa situação, é identificado então um problema do tipo II, quando não há separação e efetiva de propriedade e controle. É de conhecimento tanto da literatura quanto da prática de que as cooperativas brasileiras possuem cooperados envolvidos nas atividades de gestão. O principal argumento das cooperativas é de que o cooperado que tenha função executiva, utilizaria seu poder decisório para não expropriar os outros cooperados e teria maiores incentivos em gerar mais serviços e distribuição de sobras por ser beneficiado diretamente quando do atingimento das metas. Em outras palavras, um cooperado na gestão não se utilizaria do seu poder discricionário para expropriar riqueza dos outros associados e/ou comprometer o futuro da organização cooperativa. Tendo em vista esta possibilidade, a presente pesquisa se propôs a investigar se nas cooperativas de crédito brasileiras os problemas de controle poderiam comprometer ou não a sobrevivência dessas organizações. Para a estimação do problema I, a presente pesquisa encontrou que a não separação da propriedade e do controle não explica um horizonte de curto prazo nas cooperativas de crédito da amostra. Já para a estimação do problema II, os resultados apontaram que os cooperados-gestores das cooperativas de crédito brasileiras gerenciaram resultados para diminuir as reservas, comprometendo a sobrevivência das cooperativas, contradizendo o discurso setorial de que um cooperado envolvido na gestão não possui incentivos a comprometer a saúde da cooperativa. Por fim, os resultados das entrevistas trouxeram evidências de que para os gestores das cooperativas, a condição de ser cooperado muitas vezes não é intrínseca ao comportamento do gestor, visto que este não se enxerga como proprietário, embora incentive o exercício do direto de propriedade dos seus cooperados. Assim, estes resultados demonstram a possibilidade da existência de um trade off entre o curto e o longo prazo, visto que os cooperados-gestores aparentemente privilegiam o atendimento da função-objetivo no curto prazo, diferentemente do argumento das cooperativas em favor de que a presença de um associado na gestão da organização.One of the determinants pointed out by the literature for the survival of organizations is based on the existence of the separation between ownership and management - when there is the creation of an agency relationship between owners and agents. In this contract, it is foreseen that the ow- ner delegates part of his right to control to those responsible for the management, granting them discretionary power so that they carry out the best allocation of assets in the production process, serving the interests of the owners. The misalignment of expectations generated by the delegation of control and discretionary power can generate the so-called delegation problems. One of the main ones is defined as a type I problem and refers to the possibility of opportunistic behavior by the agent when there is limited delegation of control or when there is no delegation. However, some types of organizations, mainly those that are not oriented to shareholders, have owners performing their management. When this situation occurs, a type II problem is identified, when there is no effective separation of ownership and control. It is known both from the literature and from practice that Brazilian cooperatives have cooperative members involved in management activities. The main argument of the cooperatives is that the cooperative member who has an executive function would use his decision-making power to not expropriate the other cooperative members and would have greater incentives to generate more services and distribute leftovers by being directly bene- fited when the goals are achieved. In other words, a cooperative member in management would not use their discretionary power to expropriate the wealth of other members and/or jeopardize the future of the cooperative organization. With this possibility in mind, this research aimed to investigate whether or not control problems in Brazilian credit unions could compromise the survival of these organizations. For the estimation of problem I, this research found that the non-separation of ownership and control does not explain a short-term horizon in the credit unions in the sample. As for the estimation of problem II, the results indicated that the cooperative-managers of Brazilian credit cooperatives managed results to reduce reserves, compromising the survival of the cooperatives, contradicting the sectoral discourse that a cooperative member involved in management does not have incentives to commit the health of the cooperative. Finally, the results of the interviews brought evidence that for cooperative managers, the condition of being a member is often not intrinsic to the managers behavior, since he does not see himself as an owner, although he encourages the exercise of the right of ownership of the cooperatives. its associates. Thus, these results demonstrate the possibility of the existence of a trade off between the short and long term, since the cooperative-managers apparently privilege meeting the objective function in the short term, unlike the cooperatives\' argument in favor of that the presence of an associate in the management of the organization.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFeldmann, Paulo RobertoBortoleto, Fabiana Cherubim2023-08-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-09102023-195708/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2023-10-17T18:39:02Zoai:teses.usp.br:tde-09102023-195708Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212023-10-17T18:39:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
dc.title.none.fl_str_mv Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
Control and horizon in Brazilian credit unions
title Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
spellingShingle Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
Bortoleto, Fabiana Cherubim
Control
Controle
Cooperativas de crédito
Corporate governance
Credit unions
Governança corporativa
Organizações
Organizations
Property
Propriedade
title_short Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
title_full Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
title_fullStr Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
title_full_unstemmed Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
title_sort Controle e horizonte em cooperativas de crédito brasileiras
author Bortoleto, Fabiana Cherubim
author_facet Bortoleto, Fabiana Cherubim
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Feldmann, Paulo Roberto
dc.contributor.author.fl_str_mv Bortoleto, Fabiana Cherubim
dc.subject.por.fl_str_mv Control
Controle
Cooperativas de crédito
Corporate governance
Credit unions
Governança corporativa
Organizações
Organizations
Property
Propriedade
topic Control
Controle
Cooperativas de crédito
Corporate governance
Credit unions
Governança corporativa
Organizações
Organizations
Property
Propriedade
description Um dos determinantes apontados pela literatura para sobrevivência das organizações está pautado na existência da separação entre propriedade e gestão - quando há a criação de uma relação de agência entre proprietários e agentes. Neste contrato é previsto que o proprietário delegue parte do seu direito ao controle aos responsáveis pela gestão conferindo poder discricionário para que estes realizem a melhor alocação de ativos no processo produtivo atendendo aos interesses dos proprietários. O desalinhamento de expectativas gerado pela delegação do controle e o poder discricionário pode gerar os chamados problemas da delegação. Um dos principais é definido como problema do tipo I e refere-se a possibilidade de comportamento oportunista do agente quando há delegação limitada de controle ou quando não há delegação. Entretanto alguns tipos de organizações, principalmente nas que não são orientadas aos shareholders, possuem proprietários realizando sua gestão. Quando da ocorrência dessa situação, é identificado então um problema do tipo II, quando não há separação e efetiva de propriedade e controle. É de conhecimento tanto da literatura quanto da prática de que as cooperativas brasileiras possuem cooperados envolvidos nas atividades de gestão. O principal argumento das cooperativas é de que o cooperado que tenha função executiva, utilizaria seu poder decisório para não expropriar os outros cooperados e teria maiores incentivos em gerar mais serviços e distribuição de sobras por ser beneficiado diretamente quando do atingimento das metas. Em outras palavras, um cooperado na gestão não se utilizaria do seu poder discricionário para expropriar riqueza dos outros associados e/ou comprometer o futuro da organização cooperativa. Tendo em vista esta possibilidade, a presente pesquisa se propôs a investigar se nas cooperativas de crédito brasileiras os problemas de controle poderiam comprometer ou não a sobrevivência dessas organizações. Para a estimação do problema I, a presente pesquisa encontrou que a não separação da propriedade e do controle não explica um horizonte de curto prazo nas cooperativas de crédito da amostra. Já para a estimação do problema II, os resultados apontaram que os cooperados-gestores das cooperativas de crédito brasileiras gerenciaram resultados para diminuir as reservas, comprometendo a sobrevivência das cooperativas, contradizendo o discurso setorial de que um cooperado envolvido na gestão não possui incentivos a comprometer a saúde da cooperativa. Por fim, os resultados das entrevistas trouxeram evidências de que para os gestores das cooperativas, a condição de ser cooperado muitas vezes não é intrínseca ao comportamento do gestor, visto que este não se enxerga como proprietário, embora incentive o exercício do direto de propriedade dos seus cooperados. Assim, estes resultados demonstram a possibilidade da existência de um trade off entre o curto e o longo prazo, visto que os cooperados-gestores aparentemente privilegiam o atendimento da função-objetivo no curto prazo, diferentemente do argumento das cooperativas em favor de que a presença de um associado na gestão da organização.
publishDate 2023
dc.date.none.fl_str_mv 2023-08-07
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-09102023-195708/
url https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-09102023-195708/
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.none.fl_str_mv
dc.rights.driver.fl_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.coverage.none.fl_str_mv
dc.publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
dc.source.none.fl_str_mv
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
instname:Universidade de São Paulo (USP)
instacron:USP
instname_str Universidade de São Paulo (USP)
instacron_str USP
institution USP
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)
repository.mail.fl_str_mv virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br
_version_ 1815258012347006976