Migrantes acadêmicas na terra da garoa: narrativas biográficas de nordestinas na pós-graduação stricto sensu na Universidade de São Paulo
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-14102025-160132/ |
Resumo: | Em geral, são atribuídos ao migrante nordestino um imaginário fixo e hegemônico (cabra macho, forte, trabalhador, etc.). Quando se trata de mulheres migrantes nordestinas outros elementos caracterizadores são associados (mulher, mãe, dona de casa, etc.). Com o intuito de revisar e refletir sobre esse imaginário simbólico, este estudo pretende ressignificar a identidade dos nordestinos em específico, das nordestinas migrantes universitárias como categoria discursiva complexa e heterogênea. Nesse sentido, esta pesquisa estuda a condição da mulher na contemporaneidade a partir do estudo de narrativas biográficas de quatro migrantes nordestinas universitárias, a saber: Juliana, Carolina, Lita Luz e Marcolina. Investigo, especificamente, o processo de migração dessas quatros mulheres autodeclaradas nordestinas em seu fluxo migratório para o Sudeste por motivo de melhoria em sua formação acadêmica a partir do ingresso em Programas de Pós-Graduação stricto sensu da Universidade de São Paulo (USP). Como objetivo geral, almejo conhecer as narrativas de suas trajetórias, atrelando-os aos processos identitários nordestinos no âmbito da Pós-graduação stricto sensu, no sentido de ser mulher nordestina e pós-graduanda na USP. A metodologia aplicada nesta pesquisa é qualitativa, valendo-se do aporte teórico acerca das trajetórias de migração, de natureza biográfica, das mulheres nordestinas e suas vivências relacionadas aos estereótipos que lhe foram atribuídos devido à sua origem geográfica (migrante nordestina). A problemática a ser desdobrada nesta investigação é a condição da mulher migrante nordestina dentro do fluxo migratório nordeste-sudeste, no caso específico das pós-graduandas da USP. Partindo desse panorama, este estudo demonstra, a partir da interpretação das quatro narrativas biográficas e suas inter-relações com os estereótipos de mulheres nordestinas apreendidos, sobretudo, do imaginário simbólico apontado na obra Vidas secas, de Graciliano Ramos , a pertinência de se considerar aspectos subjetivos para se levantar as memórias individuais e coletivas que subjazem ao relato oral dessas mulheres. Essas memórias coletivas e individuais, por vezes, são caladas, silenciadas e/ou omitidas pelas próprias mulheres migrantes nordestinas universitárias, mas, com a metodologia das narrativas biográficas, consegui, neste trabalho, depreendê-las e, assim, indiciar a existência de um imaginário simbólico que sustenta o sucesso profissional e financeiro da pesquisadora o qual nem sempre se concretiza e isso serve tanto como incentivo para os fluxos migratórios nordeste-sudeste, quanto como barreira para que as migrantes não relatam seus insucessos aos seus familiares, conhecidos e conterrâneos, contribuindo, assim, para a transmissão e a manutenção desse imaginário. Outra contribuição trazida à luz, por meio das histórias de vida selecionadas, é que as redes de relacionamento criadas e estabelecidas auxiliam na manutenção da migrante nos locais de destino e, com isso, a narrativa de provisoriedade da migração acaba sendo desconstruída. Isso decorre por diversos motivos (melhores condições de trabalho, filhos, casamento etc.). Compreendo, assim, que a figura da mulher migrante nordestina universitária ganha matizes mais complexos e dinâmicos daqueles empregados e, comumente, associados na literatura e no imaginário simbólico, porque ficou patente a presença de uma simbologia diurna em detrimento de uma simbologia noturna, isto é, as pós-graduandas nordestinas demonstram ser mais heroica, resolvida e arretada do que subalterna, dona do lar e preguiçosa. Demonstra-se, assim, que migrante nordestina pós-graduanda coloca em xeque diversos preconceitos que são acionados em virtude de seu posicionamento valente e extravagante aos padrões normativos de seu local de origem e do de destino. |
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Migrantes acadêmicas na terra da garoa: narrativas biográficas de nordestinas na pós-graduação stricto sensu na Universidade de São PauloAcademic migrants in the land of drizzle: biographical narratives of northeastern women in graduate programs at the University of São PauloBiographical narrativesEducaçãoEducationInternal migrationsMigrações internasMulheres nordestinasNarrativas biográficasNortheastern womenPós-graduação stricto sensuPostgraduate ProgramEm geral, são atribuídos ao migrante nordestino um imaginário fixo e hegemônico (cabra macho, forte, trabalhador, etc.). Quando se trata de mulheres migrantes nordestinas outros elementos caracterizadores são associados (mulher, mãe, dona de casa, etc.). Com o intuito de revisar e refletir sobre esse imaginário simbólico, este estudo pretende ressignificar a identidade dos nordestinos em específico, das nordestinas migrantes universitárias como categoria discursiva complexa e heterogênea. Nesse sentido, esta pesquisa estuda a condição da mulher na contemporaneidade a partir do estudo de narrativas biográficas de quatro migrantes nordestinas universitárias, a saber: Juliana, Carolina, Lita Luz e Marcolina. Investigo, especificamente, o processo de migração dessas quatros mulheres autodeclaradas nordestinas em seu fluxo migratório para o Sudeste por motivo de melhoria em sua formação acadêmica a partir do ingresso em Programas de Pós-Graduação stricto sensu da Universidade de São Paulo (USP). Como objetivo geral, almejo conhecer as narrativas de suas trajetórias, atrelando-os aos processos identitários nordestinos no âmbito da Pós-graduação stricto sensu, no sentido de ser mulher nordestina e pós-graduanda na USP. A metodologia aplicada nesta pesquisa é qualitativa, valendo-se do aporte teórico acerca das trajetórias de migração, de natureza biográfica, das mulheres nordestinas e suas vivências relacionadas aos estereótipos que lhe foram atribuídos devido à sua origem geográfica (migrante nordestina). A problemática a ser desdobrada nesta investigação é a condição da mulher migrante nordestina dentro do fluxo migratório nordeste-sudeste, no caso específico das pós-graduandas da USP. Partindo desse panorama, este estudo demonstra, a partir da interpretação das quatro narrativas biográficas e suas inter-relações com os estereótipos de mulheres nordestinas apreendidos, sobretudo, do imaginário simbólico apontado na obra Vidas secas, de Graciliano Ramos , a pertinência de se considerar aspectos subjetivos para se levantar as memórias individuais e coletivas que subjazem ao relato oral dessas mulheres. Essas memórias coletivas e individuais, por vezes, são caladas, silenciadas e/ou omitidas pelas próprias mulheres migrantes nordestinas universitárias, mas, com a metodologia das narrativas biográficas, consegui, neste trabalho, depreendê-las e, assim, indiciar a existência de um imaginário simbólico que sustenta o sucesso profissional e financeiro da pesquisadora o qual nem sempre se concretiza e isso serve tanto como incentivo para os fluxos migratórios nordeste-sudeste, quanto como barreira para que as migrantes não relatam seus insucessos aos seus familiares, conhecidos e conterrâneos, contribuindo, assim, para a transmissão e a manutenção desse imaginário. Outra contribuição trazida à luz, por meio das histórias de vida selecionadas, é que as redes de relacionamento criadas e estabelecidas auxiliam na manutenção da migrante nos locais de destino e, com isso, a narrativa de provisoriedade da migração acaba sendo desconstruída. Isso decorre por diversos motivos (melhores condições de trabalho, filhos, casamento etc.). Compreendo, assim, que a figura da mulher migrante nordestina universitária ganha matizes mais complexos e dinâmicos daqueles empregados e, comumente, associados na literatura e no imaginário simbólico, porque ficou patente a presença de uma simbologia diurna em detrimento de uma simbologia noturna, isto é, as pós-graduandas nordestinas demonstram ser mais heroica, resolvida e arretada do que subalterna, dona do lar e preguiçosa. Demonstra-se, assim, que migrante nordestina pós-graduanda coloca em xeque diversos preconceitos que são acionados em virtude de seu posicionamento valente e extravagante aos padrões normativos de seu local de origem e do de destino.In general, a fixed and hegemonic imaginary is attributed to Northeastern migrants (such as tough guy, strong, hardworking, etc.). When it comes to Northeastern migrant women, other characterizing elements are associated with them (woman, mother, housewife, etc.). With the aim of revisiting and reflecting on this symbolic imaginary, this study seeks to reframe the identity of Northeastern individualsspecifically, female Northeastern university migrantsas a complex and heterogeneous discursive category. In this sense, the research examines the condition of women in contemporary society through the biographical narratives of four female Northeastern university migrants, namely: Juliana, Carolina, Lita Luz, and Marcolina. Specifically, I investigate the migration process of these four self-identified Northeastern women in their migratory movement to the Southeast region, motivated by the pursuit of better academic training through their enrollment in stricto sensu graduate programs at the University of São Paulo (USP). As a general objective, I aim to understand the narratives of their life paths, linking them to Northeastern identity processes within the scope of stricto sensu graduate education, particularly in terms of what it means to be a Northeastern woman and a graduate student at the University of São Paulo (USP). The methodology employed in this research is qualitative, drawing on the theoretical framework surrounding migration trajectories, of a biographical nature, of Northeastern women and their lived experiences in relation to the stereotypes attributed to them due to their geographic origin (Northeastern migrant). The central issue explored in this study is the condition of Northeastern migrant women within the NortheastSoutheast migratory flow, specifically focusing on graduate students at USP. From this perspective, the study revealsthrough the interpretation of four biographical narratives and their connections to stereotypes of Northeastern women, particularly those depicted in the symbolic imaginary presented in Vidas Secas by Graciliano Ramosthe relevance of considering subjective aspects when bringing forth both individual and collective memories underlying the oral accounts of these women. These collective and individual memories are often silenced, suppressed, or omitted by the university-educated Northeastern migrant women themselves. However, through the biographical narrative methodology, this research was able to uncover them and thereby highlight the existence of a symbolic imaginary that upholds the ideal of professional and financial success for the female researchera success that does not always materialize. This imaginary serves both as a motivation for the NortheastSoutheast migratory flow and as a barrier, as many migrants choose not to share their failures with family, acquaintances, or fellow Northeasterners, thus contributing to the perpetuation and reinforcement of this imaginary. Another contribution brought to light through the selected life stories is that the social networks created and established by the migrants help sustain their permanence in the destination locations. As a result, the notion of migration as a temporary condition is gradually deconstructed. This occurs for various reasons (better job opportunities, children, marriage etc.). Thus, I understand that the figure of the Northeastern female university migrant takes on more complex and dynamic nuances than those commonly portrayed in literature and symbolic imaginaries. It becomes evident that there is a predominance of a \"daytime\" symbolic representation over a \"nighttime\" onethat is, these Northeastern postgraduate students appear more \"heroic,\" \"determined,\" and arretada (fierce and fearless) than \"submissive,\" \"housewives,\" or \"lazy.\" This reveals that the Northeastern female postgraduate migrant challenges various prejudices typically activated due to her bold and nonconforming stanceboth in relation to the normative standards of her place of origin and of her destination.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRubio, KatiaSantos, Juliana Ferreira dos2025-08-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-14102025-160132/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-04T18:32:10Zoai:teses.usp.br:tde-14102025-160132Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-04T18:32:10Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Em geral, são atribuídos ao migrante nordestino um imaginário fixo e hegemônico (cabra macho, forte, trabalhador, etc.). Quando se trata de mulheres migrantes nordestinas outros elementos caracterizadores são associados (mulher, mãe, dona de casa, etc.). Com o intuito de revisar e refletir sobre esse imaginário simbólico, este estudo pretende ressignificar a identidade dos nordestinos em específico, das nordestinas migrantes universitárias como categoria discursiva complexa e heterogênea. Nesse sentido, esta pesquisa estuda a condição da mulher na contemporaneidade a partir do estudo de narrativas biográficas de quatro migrantes nordestinas universitárias, a saber: Juliana, Carolina, Lita Luz e Marcolina. Investigo, especificamente, o processo de migração dessas quatros mulheres autodeclaradas nordestinas em seu fluxo migratório para o Sudeste por motivo de melhoria em sua formação acadêmica a partir do ingresso em Programas de Pós-Graduação stricto sensu da Universidade de São Paulo (USP). Como objetivo geral, almejo conhecer as narrativas de suas trajetórias, atrelando-os aos processos identitários nordestinos no âmbito da Pós-graduação stricto sensu, no sentido de ser mulher nordestina e pós-graduanda na USP. A metodologia aplicada nesta pesquisa é qualitativa, valendo-se do aporte teórico acerca das trajetórias de migração, de natureza biográfica, das mulheres nordestinas e suas vivências relacionadas aos estereótipos que lhe foram atribuídos devido à sua origem geográfica (migrante nordestina). A problemática a ser desdobrada nesta investigação é a condição da mulher migrante nordestina dentro do fluxo migratório nordeste-sudeste, no caso específico das pós-graduandas da USP. Partindo desse panorama, este estudo demonstra, a partir da interpretação das quatro narrativas biográficas e suas inter-relações com os estereótipos de mulheres nordestinas apreendidos, sobretudo, do imaginário simbólico apontado na obra Vidas secas, de Graciliano Ramos , a pertinência de se considerar aspectos subjetivos para se levantar as memórias individuais e coletivas que subjazem ao relato oral dessas mulheres. Essas memórias coletivas e individuais, por vezes, são caladas, silenciadas e/ou omitidas pelas próprias mulheres migrantes nordestinas universitárias, mas, com a metodologia das narrativas biográficas, consegui, neste trabalho, depreendê-las e, assim, indiciar a existência de um imaginário simbólico que sustenta o sucesso profissional e financeiro da pesquisadora o qual nem sempre se concretiza e isso serve tanto como incentivo para os fluxos migratórios nordeste-sudeste, quanto como barreira para que as migrantes não relatam seus insucessos aos seus familiares, conhecidos e conterrâneos, contribuindo, assim, para a transmissão e a manutenção desse imaginário. Outra contribuição trazida à luz, por meio das histórias de vida selecionadas, é que as redes de relacionamento criadas e estabelecidas auxiliam na manutenção da migrante nos locais de destino e, com isso, a narrativa de provisoriedade da migração acaba sendo desconstruída. Isso decorre por diversos motivos (melhores condições de trabalho, filhos, casamento etc.). Compreendo, assim, que a figura da mulher migrante nordestina universitária ganha matizes mais complexos e dinâmicos daqueles empregados e, comumente, associados na literatura e no imaginário simbólico, porque ficou patente a presença de uma simbologia diurna em detrimento de uma simbologia noturna, isto é, as pós-graduandas nordestinas demonstram ser mais heroica, resolvida e arretada do que subalterna, dona do lar e preguiçosa. Demonstra-se, assim, que migrante nordestina pós-graduanda coloca em xeque diversos preconceitos que são acionados em virtude de seu posicionamento valente e extravagante aos padrões normativos de seu local de origem e do de destino. |
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