A percepção de enfermeiras da rede básica de saúde acerca da violência contra a mulher

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2010
Autor(a) principal: Daltoso, Daniela
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-09032010-165930/
Resumo: A violência doméstica contra a mulher é um evento complexo e muito prevalente no Brasil, sendo os serviços de saúde frequentemente procurados por essas mulheres, o que coloca serviços e profissionais de saúde em lugar de destaque no manejo desses casos. Considerando o papel do enfermeiro dentro do sistema de saúde, o objetivo do estudo foi compreender a percepção destes profissionais sobre a problemática. Para tal utilizou-se uma abordagem qualitativa, em que foram entrevistados 11 enfermeiras que trabalham nas Unidades Distritais de Saúde do município de Ribeirão Preto, utilizando um roteiro semi estruturado. Os dados foram processados, lidos atentamente e organizados nas seguintes unidades temáticas: 1-A visão das enfermeiras sobre a questão de gênero; 2-A visão das enfermeiras sobre a violência contra a mulher; 3-Atendimento: Rezo para não chegar nada no meu plantão[...] Quando chega é um problema!; 4-Aspectos Jurídicos: Está tudo no caderninho! e 5-Formação: Olha se foi, foi uma aula bem superficial. As enfermeiras entrevistadas percebem que houve uma mudança no papel da mulher na sociedade moderna, porém, mantêm uma visão tradicionalista de gênero; assim, identificam um momento de transição em que a \"mulher moderna\" vive entre o paradoxo de ser um sujeito social ativo e ser a \"rainha do lar\". Neste sentido, as enfermeiras entrevistadas percebem que a mulher de hoje apenas multiplicou funções, mas ainda não dividiu responsabilidades. Elas percebem ainda a liberdade sexual feminina como libertinagem; neste sentido prevalece discursos em que às mulheres é vedado o direito de exercerem sua sexualidade de forma livre, sendo este assunto tratado com denotações negativas. Associam a violência contra a mulher a aspectos relacionados à individualidade dos casais; aspectos externos relacionados ao estilo de vida imposto pela sociedade moderna e ao uso de álcool e drogas; atribuem a continuidade das relações violentas pelo medo, pela vergonha e por dependência financeira e moral de seus companheiros e pela falta de apoio social; assim, essas mulheres permanecem nas relações por não verem outra possibilidade de vida. Implícita na temática da violência contra as mulheres, está sempre presente nos discursos o fato das mulheres se manterem em relações assimétricas com seus parceiros, o que as tornam submissas e contribui para a manutenção do ciclo da violência. Quanto ao atendimento, sentemse os profissionais de saúde despreparados para lidar com a situação; reconhecem eles principalmente a violência física e focam sua assistência ao atendimento das lesões, e percebemos então a invisibilidade da violência contra a mulher pelos profissionais de saúde, que possivelmente se distanciam para evitar frustrações frente ao problema com o qual não se sentem preparados para lidar. Não possuem conhecimentos adequados quanto às questões jurídicas; e, assim, ao atender casos de violência, não se prendem aos fatores legais, mas sim a fatores de ordem pessoal, às especificidades do caso atendido e à própria estrutura dos serviços. Por fim, são unânimes em reconhecer a necessidade de treinamento para que possam melhor abordar o tema.
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Os dados foram processados, lidos atentamente e organizados nas seguintes unidades temáticas: 1-A visão das enfermeiras sobre a questão de gênero; 2-A visão das enfermeiras sobre a violência contra a mulher; 3-Atendimento: Rezo para não chegar nada no meu plantão[...] Quando chega é um problema!; 4-Aspectos Jurídicos: Está tudo no caderninho! e 5-Formação: Olha se foi, foi uma aula bem superficial. As enfermeiras entrevistadas percebem que houve uma mudança no papel da mulher na sociedade moderna, porém, mantêm uma visão tradicionalista de gênero; assim, identificam um momento de transição em que a \"mulher moderna\" vive entre o paradoxo de ser um sujeito social ativo e ser a \"rainha do lar\". Neste sentido, as enfermeiras entrevistadas percebem que a mulher de hoje apenas multiplicou funções, mas ainda não dividiu responsabilidades. Elas percebem ainda a liberdade sexual feminina como libertinagem; neste sentido prevalece discursos em que às mulheres é vedado o direito de exercerem sua sexualidade de forma livre, sendo este assunto tratado com denotações negativas. Associam a violência contra a mulher a aspectos relacionados à individualidade dos casais; aspectos externos relacionados ao estilo de vida imposto pela sociedade moderna e ao uso de álcool e drogas; atribuem a continuidade das relações violentas pelo medo, pela vergonha e por dependência financeira e moral de seus companheiros e pela falta de apoio social; assim, essas mulheres permanecem nas relações por não verem outra possibilidade de vida. Implícita na temática da violência contra as mulheres, está sempre presente nos discursos o fato das mulheres se manterem em relações assimétricas com seus parceiros, o que as tornam submissas e contribui para a manutenção do ciclo da violência. Quanto ao atendimento, sentemse os profissionais de saúde despreparados para lidar com a situação; reconhecem eles principalmente a violência física e focam sua assistência ao atendimento das lesões, e percebemos então a invisibilidade da violência contra a mulher pelos profissionais de saúde, que possivelmente se distanciam para evitar frustrações frente ao problema com o qual não se sentem preparados para lidar. Não possuem conhecimentos adequados quanto às questões jurídicas; e, assim, ao atender casos de violência, não se prendem aos fatores legais, mas sim a fatores de ordem pessoal, às especificidades do caso atendido e à própria estrutura dos serviços. Por fim, são unânimes em reconhecer a necessidade de treinamento para que possam melhor abordar o tema.Domestic violence against women is a complex event and very prevalent in Brazil. These women frequently seek for health services, which require them and their health professionals to manage these cases. Considering the role of nurses in the health system, this study aimed to understand the perception of these professionals about the problem. A qualitative method was used and 11 nurses working in the District Health Units in the city of Ribeirão Preto, SP, Brazil were interviewed through a semi-structured questionnaire. Data were processed, carefully read and organized into the following thematic units: 1- gender\'s conception; 2- understanding of nurses about violence; 3- care delivery: I pray for nobody to arrive during my shift [...] It\'s a problem when someone arrives!; 4- Law aspects; 5- Education- Well, If I had it, it was a very superficial class. Interviewed nurses perceive that women\'s role has changed in modern society; however, there is a traditional view of genders. Therefore, they identify a moment of transition in which the \"modern woman\" lives the paradox of being an active social subject and \"the lady of the house\". In this perspective, the nurses perceive that today\'s women have multiplied their functions but have not shared their responsibilities. They also perceive that women\'s sexual freedom is seen as debauchery in which discourses about women being forbidden to freely exercise their sexuality prevail and is an issue addressed with negative connotation. They associate violence against women with aspects related to the individuality of couples, external aspects related to the life style that is imposed by modern society and the use of alcohol and drugs, attribute the persistence of violent relationships to fear, shame, financial and moral dependency on partners, and lack of social support. Thus, these women remain in these relationships because they do not see other options for their lives. The fact that women keep asymmetric relationships with their partners is implicit in the violence subject. This asymmetry makes them submissive and favors the maintenance of the violence cycle. Professionals feel unprepared to deal with the situation, especially acknowledge physical violence and focus care delivery on lesions. We perceive that violence against women is invisible to the eyes of health professionals, who possibly distance themselves so to avoid frustration in relation to a problem they do not feel prepared to deal with. They do not have appropriate knowledge related to law and therefore, when they attend cases of violence, do not pay attention to legal issues but on factors related to the individual, to the specificities of each case and structure of the services themselves. Finally, they all agree on the need of education so as to better address the subject.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAlmeida, Ana Maria deDaltoso, Daniela2010-02-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-09032010-165930/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:03Zoai:teses.usp.br:tde-09032010-165930Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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