Os crimes políticos e a segurança nacional na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 : uma arena de disputa para o novo regime
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2134/tde-26022025-094527/ |
Resumo: | Esta dissertação buscou analisar e mapear o debate sobre os crimes políticos e a segurança nacional na Assembleia Nacional Constituinte (ANC) de 1987-1988, considerando as disputas entre a continuidade e a ruptura com a ordem jurídica da ditadura militar. Nesse cenário, a Doutrina de Segurança Nacional (DSN) e os crimes políticos, materializados na Lei de Segurança Nacional (LSN), formaram os pilares da repressão durante a ditadura militar, sendo então elementos cruciais para avaliar a tensão entre ruptura e continuidade do regime militar na nova ordem constitucional iniciada em 1988. A DSN foi o embasamento teórico criado pela Escola Superior de Guerra para justificar a mobilização das instituições brasileiras na perseguição política, aplicando a LSN e direcionando a política de segurança nacional. Com a revogação da LSN de 1983 e a introdução dos crimes contra o Estado Democrático de Direito no Código Penal (Lei no 14.197 de 2021), faz-se novamente necessário retomar as discussões sobre o papel dos crimes políticos em um regime democrático, tornando a análise da ANC de 1987-1988 uma oportunidade para revisitar os argumentos e as contradições inerentes a esse debate. Diante disso, optou-se por uma análise empírica documental, acessando fontes como os Diários e os Anais da ANC, bem como atas, substitutivos, relatórios, emendas, projetos de constituição, o Jornal da Constituinte, entre outras, disponíveis nas bases de dados digitais do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Ademais, utilizou-se como referência pesquisas que analisaram a ANC sob a ótica das relações político-partidárias e militares, bem como estudos sobre temas correlatos, como terrorismo, tortura e anistia, que se entrelaçam com o próprio debate sobre os crimes políticos na ANC. Com isso, observou-se como os constituintes, a sociedade civil e os militares enxergavam nesse tema uma questão estratégica, cujo debate atravessaria diferentes subcomissões, comissões e discursos no Plenário e em tantos outros espaços e fases da ANC. Embora a disputa não tenha sido explicitamente refletida na redação da Constituição Federal de 1988, ela foi traduzida nas conquistas relativas aos direitos e garantias fundamentais, na adição dos crimes de tortura e de terrorismo e na extinção do Conselho de Segurança Nacional. As pressões militares durante a ANC, aliadas ao receio de comprometer a estabilidade da transição democrática, possivelmente adiaram decisões sobre a revogação da LSN e a própria existência ou não de uma nova legislação sobre crimes políticos. Assim, essa responsabilidade foi transferida para as instituições políticas e jurídicas após 1988. |
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Os crimes políticos e a segurança nacional na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 : uma arena de disputa para o novo regimePolitical crimes and national security at the 1987-1988 Brazilian National Constituent Assembly : a battleground for the new regimeAssembleia Nacional ConstituinteBrazilian National Constituent AssemblyCrimes políticosDemocratic transitionDitadura militarMilitary dictatorshipNational securityPolitical crimesSegurança nacionalTransição democráticaEsta dissertação buscou analisar e mapear o debate sobre os crimes políticos e a segurança nacional na Assembleia Nacional Constituinte (ANC) de 1987-1988, considerando as disputas entre a continuidade e a ruptura com a ordem jurídica da ditadura militar. Nesse cenário, a Doutrina de Segurança Nacional (DSN) e os crimes políticos, materializados na Lei de Segurança Nacional (LSN), formaram os pilares da repressão durante a ditadura militar, sendo então elementos cruciais para avaliar a tensão entre ruptura e continuidade do regime militar na nova ordem constitucional iniciada em 1988. A DSN foi o embasamento teórico criado pela Escola Superior de Guerra para justificar a mobilização das instituições brasileiras na perseguição política, aplicando a LSN e direcionando a política de segurança nacional. Com a revogação da LSN de 1983 e a introdução dos crimes contra o Estado Democrático de Direito no Código Penal (Lei no 14.197 de 2021), faz-se novamente necessário retomar as discussões sobre o papel dos crimes políticos em um regime democrático, tornando a análise da ANC de 1987-1988 uma oportunidade para revisitar os argumentos e as contradições inerentes a esse debate. Diante disso, optou-se por uma análise empírica documental, acessando fontes como os Diários e os Anais da ANC, bem como atas, substitutivos, relatórios, emendas, projetos de constituição, o Jornal da Constituinte, entre outras, disponíveis nas bases de dados digitais do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Ademais, utilizou-se como referência pesquisas que analisaram a ANC sob a ótica das relações político-partidárias e militares, bem como estudos sobre temas correlatos, como terrorismo, tortura e anistia, que se entrelaçam com o próprio debate sobre os crimes políticos na ANC. Com isso, observou-se como os constituintes, a sociedade civil e os militares enxergavam nesse tema uma questão estratégica, cujo debate atravessaria diferentes subcomissões, comissões e discursos no Plenário e em tantos outros espaços e fases da ANC. Embora a disputa não tenha sido explicitamente refletida na redação da Constituição Federal de 1988, ela foi traduzida nas conquistas relativas aos direitos e garantias fundamentais, na adição dos crimes de tortura e de terrorismo e na extinção do Conselho de Segurança Nacional. As pressões militares durante a ANC, aliadas ao receio de comprometer a estabilidade da transição democrática, possivelmente adiaram decisões sobre a revogação da LSN e a própria existência ou não de uma nova legislação sobre crimes políticos. Assim, essa responsabilidade foi transferida para as instituições políticas e jurídicas após 1988.This dissertation examines the debates on political crimes and national security within the 1987-1988 Brazilian National Constituent Assembly (BNCA), focusing on the tensions between continuity and rupture with the legal framework of the military dictatorship. In this context, the National Security Doctrine (NSD) and political crimes, as defined under the National Security Law (NSL), constituted fundamental instruments of repression during the military regime. As such, they serve as key elements for assessing the broader struggle between continuity and transformation in the constitutional order established in 1988. The NSD, formulated within the Brazilian Superior War College, provided the ideological framework that justified the mobilization of state institutions for political persecution. The NSL, in turn, served as the legal instrument that typified crimes against national security and was widely applied in cases of political repression. With the revocation of the 1983 NSL and the subsequent introduction of crimes against the Democratic Rule of Law in the Penal Code (Law No. 14.197/2021), discussions on the role of political crimes in a democratic regime have resurfaced. In this context, revisiting the BNCA debates offers a valuable opportunity to reassess the legal and political arguments, as well as the contradictions, that shaped this issue. This study adopts an empirical documentary analysis, drawing on sources such as the Diaries and Annals of the BNCA, as well as minutes, amendments, reports, draft bills, constitutional proposals, and the BNCA Journal, among other documents available in the digital repositories of the Federal Senate and the Chamber of Deputies. Furthermore, it engages with research that examines the BNCA in light of political-party and military relations, as well as studies on related legal and political issues, including terrorism, torture, and amnesty, which intersect with the broader debate on political crimes within the BNCA. The findings reveal how constituent legislators, civil society, and the military regarded political crimes as a strategic issue, with discussions spanning various subcommittees, committees, plenary debates, and multiple stages of the BNCA. Although this dispute was not explicitly reflected in the final draft of the 1988 Federal Constitution, it materialized in the expansion of fundamental rights and guarantees, the criminalization of torture and terrorism, and the dissolution of the National Security Council. Military pressures during the BNCA, combined with concerns about jeopardizing the stability of the democratic transition, likely delayed key decisions, including the revocation of the NSL and the sole existence of new legislation on political crimes. As a result, these matters were ultimately left to political and judicial institutions in the post-1988 period.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Luís Virgílio Afonso daKirsztajn, Laura Mastroianni2024-12-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2134/tde-26022025-094527/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-18T14:56:01Zoai:teses.usp.br:tde-26022025-094527Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-18T14:56:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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