Putologia avançada: musicologia do Funk

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Souza, Thiago Barbosa Alves de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27157/tde-23012025-125546/
Resumo: \"A teoria musical é branca\", afirmou o musicólogo estadunidense Philip Ewell (Ewell, 2020), já o funk do Brasil pode ser considerado música eletrônica, digital, dançante e afrodiaspórica (Moutinho, 2020; Novaes, 2020; Lopes, 2011). Quais são os resultados da conexão de universos que se tornaram tão distantes? Enquanto algumas áreas do conhecimento lidam com temas do presente, a Musicologia ainda se mostra cega diante de um presente cada vez mais cheio de música, sons e, consequentemente, demanda por reflexões musicológicas. Em 1987 foi feito o primeiro trabalho de pós-graduação sobre funk brasileiro. Trata-se da dissertação de mestrado do cientista social Hermano Vianna (Vianna, 1987). Curiosamente, este trabalho foi concluído dois anos antes do lançamento dos primeiros discos de funk em português pelos DJs Marlboro e Grandmaster Raphael. Embora o funk seja tão música quanto os violinos que tocam Mozart, existem processos sociais que institucionalizaram a discriminação musical, a distinção social e a aversão a gêneros como o funk na Musicologia. O sintoma deste preconceito institucionalizado gerou uma defasagem absurda na compreensão musical do gênero. Os primeiros trabalhos sobre funk na área da música só começaram a ser feitos quase 20 anos depois que Vianna se tornou mestre. Ainda há pouquíssimas pesquisas musicológicas e a falta de uma análise musicológica no passado gerou uma lacuna que é preenchida por estudos atuais (Moutinho, 2020), mas que, por isso, não dão conta de uma compreensão do presente. Neste contexto de escassez, este trabalho analisou as principais tendências nas produções atuais de funk, como o beat ZN e a bruxaria. O resultado desta análise musical permitiu que se identificasse as características sonoras do presente e suas relações com as produções de funk do passado. Relacionando sons, áudios e relações sociais, este processo analítico permitiu rastrear as engrenagens que tornam a Musicologia tão distante da realidade musical negra e periférica do Brasil. Por isso, foram propostas estratégias para uma educação musical que valorize a diferença e não a distinção social. O método de pesquisa foi resultado da revisão bibliográfica, pesquisa etnográfica como observador participante pertencente ao grupo, análises musicais feitas em softwares de produção musical, reconstituição, nestes mesmos softwares, de alguns beats como o Volt-mix e o Tamborzão e diversas transcrições. Como resultado desta articulação de métodos gerou composições musicais fruto de uma análise criadora.
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Curiosamente, este trabalho foi concluído dois anos antes do lançamento dos primeiros discos de funk em português pelos DJs Marlboro e Grandmaster Raphael. Embora o funk seja tão música quanto os violinos que tocam Mozart, existem processos sociais que institucionalizaram a discriminação musical, a distinção social e a aversão a gêneros como o funk na Musicologia. O sintoma deste preconceito institucionalizado gerou uma defasagem absurda na compreensão musical do gênero. Os primeiros trabalhos sobre funk na área da música só começaram a ser feitos quase 20 anos depois que Vianna se tornou mestre. Ainda há pouquíssimas pesquisas musicológicas e a falta de uma análise musicológica no passado gerou uma lacuna que é preenchida por estudos atuais (Moutinho, 2020), mas que, por isso, não dão conta de uma compreensão do presente. Neste contexto de escassez, este trabalho analisou as principais tendências nas produções atuais de funk, como o beat ZN e a bruxaria. O resultado desta análise musical permitiu que se identificasse as características sonoras do presente e suas relações com as produções de funk do passado. Relacionando sons, áudios e relações sociais, este processo analítico permitiu rastrear as engrenagens que tornam a Musicologia tão distante da realidade musical negra e periférica do Brasil. Por isso, foram propostas estratégias para uma educação musical que valorize a diferença e não a distinção social. O método de pesquisa foi resultado da revisão bibliográfica, pesquisa etnográfica como observador participante pertencente ao grupo, análises musicais feitas em softwares de produção musical, reconstituição, nestes mesmos softwares, de alguns beats como o Volt-mix e o Tamborzão e diversas transcrições. Como resultado desta articulação de métodos gerou composições musicais fruto de uma análise criadora.\"Music theory is white\", stated the American musicologist Philip Ewell (Ewell, 2020), while Brazilian funk can be considered electronic, digital, danceable and Afro-diasporic music (Moutinho, 2020; Novaes, 2020; Lopes, 2011). What are the results of connecting universes that have become so distant? While some areas of knowledge deal with current issues, Musicology still appears blind to a present that is increasingly full of music, children and, consequently, a demand for musicological reflections. In 1987, the first postgraduate work on Brazilian funk was written. It was the master\'s dissertation by social scientist Hermano Vianna (Vianna, 1987). Interestingly, this work was completed two years before the release of the first funk records in Portuguese by DJs Marlboro and Grandmaster Raphael. Although funk is as much music as the violins that play Mozart, there are social processes that have institutionalized musical discrimination, social distinction, and aversion to genres such as funk in musicology. The symptom of this institutionalized prejudice has generated an absurd gap in the musical understanding of the genre. The first works on funk in the field of music only began to be done almost 20 years after Vianna became a master. There is still very little musicological research and the lack of a musicological analysis in the past created a gap that is filled by current studies (Moutinho, 2020), but which, therefore, do not account for an understanding of the present. In this context of deficiency, this work analyzed the main trends in current funk productions, such as beat ZN and bruxaria. The result of this musical analysis allowed us to identify the sound characteristics of the present and their relationships with funk productions of the past. By relating children, audios, and social relationships, this process helped to track the activities that make musicology so distant from the black and peripheral musical reality of Brazil. Therefore, strategies were proposed for a musical education that values difference and not social distinction. The research method was the result of a bibliographic review, ethnographic research as a participant observer belonging to the group, musical analyses made in music production software, reconstruction, in these same software, of some beats such as Volt-mix and Tamborzão and several transcriptions. As a result of this articulation of methods, musical compositions were generated as a result of a creative analysis.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilveira Junior, Walter Garcia daSouza, Thiago Barbosa Alves de2024-09-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27157/tde-23012025-125546/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-23T16:48:04Zoai:teses.usp.br:tde-23012025-125546Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-23T16:48:04Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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