A relevância do contrato e a responsabilidade civil de terceiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Oliveira Filho, Roberto Alves de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-17042024-125545/
Resumo: A presente tese tem por objetivo apresentar uma nova interpretação do princípio da relatividade dos efeitos contratuais e uma de suas principais conseqüências, qual seja, a responsabilidade civil do terceiro que provoca ou contribui para o inadimplemento contratual. Com as transformações econômicas e sociais ocorridas durante o século XIX, sobretudo em decorrência da Revolução Industrial, o contrato deixou de ser apenas um mero instrumento de circulação de riquezas, para se tornar um instrumento social. Dessa forma, ele não pode mais ser visto como objeto de interesse exclusivo das partes, tal como determinava a leitura clássica do princípio da relatividade dos efeitos contratuais. Um dos imperativos da sociedade moderna é a necessidade de compreesnsão do contrato como um fato social, cujos efeitos se estendem para além dos contratantes, de maneira que aqueles que são considerados terceiros em relação a ele devem respeitar a sua existência, abstendo-se de interferir negativamente na relação contratual, de forma a causar o inadimplemento da obrigação contratual. O dever de respeito é conferido pela oponibilidade dos efeitos contratuais, por meio da qual se entende que o direito de crédito decorrente de um contrato pode ser oponível a terceiros, que têm o dever de respeitá-lo da mesma maneira que é respeitado um direito real. Firme em tais constatações, a presente pesquisa defende que o princípio da relatividade dos efeitos contratuais deve ser reinterpretado no sentido de que o contrato gera uma obrigação negativa, traduzida no dever de abstenção em relação à terceiros, que não podem ignorar a existência da relação jurídica. Com efeito, se o terceiro pratica uma conduta que torna impossível o cumprimento do contrato celebrado entre o devedor e o credor, causando, assim, o seu inadimplemento, ele deve ser civilmente responsável perante o credor. Para se atingir esse desiderato, analisam-se, nesta tese, as transformações sofridas pelo direito contratual, a interação entre os princípios da liberdade contratual, do pacta sunt servanda, da relatividade dos efeitos contratuais e da função social do contrato, bem como os fundamentos presentes na doutrina e jurisprudência nacional e extrangeira (Inglaterra, Estados Unidos, França, Itália e Portugal) a respeito da responsabilidade civil que justificam a responsabilização do terceiro que interfere no contrato e causa o inadimplemento.
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Um dos imperativos da sociedade moderna é a necessidade de compreesnsão do contrato como um fato social, cujos efeitos se estendem para além dos contratantes, de maneira que aqueles que são considerados terceiros em relação a ele devem respeitar a sua existência, abstendo-se de interferir negativamente na relação contratual, de forma a causar o inadimplemento da obrigação contratual. O dever de respeito é conferido pela oponibilidade dos efeitos contratuais, por meio da qual se entende que o direito de crédito decorrente de um contrato pode ser oponível a terceiros, que têm o dever de respeitá-lo da mesma maneira que é respeitado um direito real. Firme em tais constatações, a presente pesquisa defende que o princípio da relatividade dos efeitos contratuais deve ser reinterpretado no sentido de que o contrato gera uma obrigação negativa, traduzida no dever de abstenção em relação à terceiros, que não podem ignorar a existência da relação jurídica. Com efeito, se o terceiro pratica uma conduta que torna impossível o cumprimento do contrato celebrado entre o devedor e o credor, causando, assim, o seu inadimplemento, ele deve ser civilmente responsável perante o credor. Para se atingir esse desiderato, analisam-se, nesta tese, as transformações sofridas pelo direito contratual, a interação entre os princípios da liberdade contratual, do pacta sunt servanda, da relatividade dos efeitos contratuais e da função social do contrato, bem como os fundamentos presentes na doutrina e jurisprudência nacional e extrangeira (Inglaterra, Estados Unidos, França, Itália e Portugal) a respeito da responsabilidade civil que justificam a responsabilização do terceiro que interfere no contrato e causa o inadimplemento.The present thesis aims to present a new interpretation of the principle of the relativity of contractual effects and one of its main consequences, namely, the third party\'s civil liability for causing or contributing to contractual non-performance. With the economic and social transformations that occurred during the 19th century, particularly as a result of the Industrial Revolution, the contract ceased to be merely a tool for the circulation of wealth and became a social instrument. Therefore, it can no longer be seen as a matter of exclusive interest to the parties involved, as dictated by the classical interpretation of the principle of the relativity of contractual effects. One of the imperatives of modern society is the need to understand the contract as a social fact, whose effects extend beyond the contracting parties. Thus, those considered third parties in relation to the contract must respect its existence and refrain from negatively interfering in the contractual relationship, leading to the non-performance of the contractual obligation. The duty of respect is conferred through the enforceability of contractual effects, whereby it is understood that the right to credit arising from a contract can be invoked against third parties, who have the duty to respect it in the same way a real right is respected. Based on these observations, the present research argues that the principle of the relativity of contractual effects should be reinterpreted to mean that the contract imposes a negative obligation, manifested in the duty of non-interference towards third parties, who cannot ignore the existence of the legal relationship. Consequently, if a third party engages in conduct that renders the performance of the contract between the debtor and the creditor impossible, thereby causing its non-performance, they should be held civilly liable to the creditor. To achieve this objective, this thesis analyzes the transformations undergone by contract law, the interaction between the principles of freedom of contract, pacta sunt servanda, the relativity of contractual effects, and the social function of the contract. It also examines the foundations found in national and foreign doctrine and jurisprudence (England, United States, France, Italy, and Portugal) regarding civil liability, which justify the accountability of third parties who interfere in the contract and cause non-performance.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPViana, Rui Geraldo CamargoOliveira Filho, Roberto Alves de2023-09-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-17042024-125545/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-12-10T11:03:02Zoai:teses.usp.br:tde-17042024-125545Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-12-10T11:03:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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