O patriarcado freudiano: história da psicanálise e o cotidiano da violência sexual
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-04042025-150314/ |
Resumo: | A violência sexual é um problema que aponta para a marca estrutural da violência de gênero, vitimizando mulheres e meninas de forma crescente. O tema tem estreita relação com a psicanálise e esteve presente em seu surgimento; na escuta de pacientes histéricas, levou Freud a cunhar sua teoria da sedução. Considerando que a violência possui uma posição importante para a teoria psicanalítica, mas é dispersa quando atravessada pelo marcador de gênero, este trabalho teve como objetivo apontar para o lugar que a violência sexual e de gênero ocupa na teoria freudiana. Buscando investigar o tema na história da psicanálise, analisamos as Atas da Sociedade Psicanalítica de Viena, questionando o contexto patriarcal presente e as bases conceituais formuladas ao redor da feminilidade. Posteriormente, exploramos as origens do patriarcado em Totem e tabu (1913), texto no qual o assassinato do pai primevo é descrito como o crime instituidor da civilização, mas o domínio sexual sobre os corpos das mulheres não é tido como uma violência fundante o que Carole Pateman defende como o verdadeiro crime originário no mito totêmico de Freud. Em seguida, pensando a violência sexual como uma ferramenta de dominação-exploração marcada pelo pacto fraternal masculino, analisamos sua relação com a noção de consentimento e com as formas como a sexualidade é regulamentada pelos poderes médico e jurídico. Por fim, como um caso paradigmático para nossa discussão, analisamos as violências cometidas contra mulheres durante a ditadura militar brasileira e retornamos para a contemporaneidade, identificando como ela se presentifica na vida cotidiana. Notamos que o lugar ocupado pela violência sexual é dado pelas normas do gênero, de forma que a feminilidade fica no binômio entre a mulher casta e a de má fama, coincidindo com a teoria de escolha objetal masculina freudiana e figurando como uma ferramenta que estrutura relações próprias do patriarcado. |
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O patriarcado freudiano: história da psicanálise e o cotidiano da violência sexualThe Freudian patriarchy: history of psychoanalysis and the everyday of sexual violenceFeminismFeminismoGenderGêneroPatriarcadoPatriarchyPsicanálisePsychoanalysisSexual violenceViolência sexualA violência sexual é um problema que aponta para a marca estrutural da violência de gênero, vitimizando mulheres e meninas de forma crescente. O tema tem estreita relação com a psicanálise e esteve presente em seu surgimento; na escuta de pacientes histéricas, levou Freud a cunhar sua teoria da sedução. Considerando que a violência possui uma posição importante para a teoria psicanalítica, mas é dispersa quando atravessada pelo marcador de gênero, este trabalho teve como objetivo apontar para o lugar que a violência sexual e de gênero ocupa na teoria freudiana. Buscando investigar o tema na história da psicanálise, analisamos as Atas da Sociedade Psicanalítica de Viena, questionando o contexto patriarcal presente e as bases conceituais formuladas ao redor da feminilidade. Posteriormente, exploramos as origens do patriarcado em Totem e tabu (1913), texto no qual o assassinato do pai primevo é descrito como o crime instituidor da civilização, mas o domínio sexual sobre os corpos das mulheres não é tido como uma violência fundante o que Carole Pateman defende como o verdadeiro crime originário no mito totêmico de Freud. Em seguida, pensando a violência sexual como uma ferramenta de dominação-exploração marcada pelo pacto fraternal masculino, analisamos sua relação com a noção de consentimento e com as formas como a sexualidade é regulamentada pelos poderes médico e jurídico. Por fim, como um caso paradigmático para nossa discussão, analisamos as violências cometidas contra mulheres durante a ditadura militar brasileira e retornamos para a contemporaneidade, identificando como ela se presentifica na vida cotidiana. Notamos que o lugar ocupado pela violência sexual é dado pelas normas do gênero, de forma que a feminilidade fica no binômio entre a mulher casta e a de má fama, coincidindo com a teoria de escolha objetal masculina freudiana e figurando como uma ferramenta que estrutura relações próprias do patriarcado.Sexual violence is a problem that points out to the structural imprint of gender violence, increasingly victimizing women and girls. The subject is closely related to psychoanalysis, as it was present in Freud\'s listening to hysterical patients and led him to create his Seductions Theory. Considering that violence has an important position in psychoanalytic theory, but is dispersed when crossed by the gender marker, the aim of this work was to point out the place that sexual and gender violence occupies in Freudian theory. Seeking to investigate the theme in the history of psychoanalysis, we analyzed the Minutes of the Vienna Psychoanalytic Society, questioning the patriarchal context present and the conceptual bases formulated around femininity. Subsequently, we explored the origins of patriarchy in Totem and Taboo (1913), a text in which the murder of the primeval father is described as the crime that established civilization, but sexual domination over women\'s bodies is not seen as a founding violence, which Carole Pateman defends as the true original crime in Freud\'s totemic myth. Next, thinking of sexual violence as a tool of domination-exploitation marked by the male fraternal pact, we analyzed its relationship to the notion of consent and the ways in which sexuality is regulated by medical and legal powers. Finally, as a paradigmatic case for our discussion, we analyzed the violence committed against women during the Brazilian military dictatorship and returned to contemporary times, identifying how it is present in everyday life. We noted that the place occupied by sexual violence is given by gender norms, in such a way that femininity lies in the binomial between the chaste woman and the woman of \'bad reputation\', coinciding with Freud\'s theory of male object choice and as a tool that structures patriarchal relationships.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAmbra, Pedro Eduardo SilvaRodrigues, Gabriela de Souza2025-02-05info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-04042025-150314/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-04T19:13:04Zoai:teses.usp.br:tde-04042025-150314Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-04T19:13:04Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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