Estudo descritivo e compreensivo da capacidade adaptativa de pacientes adultos submetidos ao implante de cardioversor desfibrilador implantável

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Gomes, Andréa Cristina Boldrim Pinto
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-09032015-112903/
Resumo: O cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) é um dispositivo eletrônico utilizado no tratamento de pacientes com episódios ou risco de parada cardíaca. Tem a capacidade do monitoramento contínuo do ritmo cardíaco para o reconhecimento de arritmias fatais e o consequente disparo de choques para revertê-las. Esses choques elétricos são classificados como apropriados quando o disparo ocorre em decorrência de arritmia potencialmente fatal, ou inapropriados quando o CDI dispara o choque em função de interpretação incorreta dos batimentos cardíacos. Em geral, ocorrem com o paciente consciente provocando desconforto inesperado, geralmente de forte intensidade. A maneira como o paciente vivencia tais acontecimentos, suas reações e sua capacidade de enfrentamento diante de situações inesperadas influenciam de forma relevante sua adaptação à doença e ao CDI. Além disso, o dispositivo é um objeto estranho alojado dentro do corpo, que remete a falha no funcionamento cardíaco, podendo despertar sentimentos ambivalentes e dificuldade de elaboração. Assim, o principal objetivo desse estudo foi descrever e compreender como os pacientes entrevistados vivenciaram e se adaptaram ao implante do CDI a partir das quatro variáveis possíveis relacionadas ao funcionamento do dispositivo: ausência de choques, presença de choques apropriados, presença de choques inapropriados e presença de choques mistos (apropriados e inapropriados). Para tanto, foi utilizado o método clínico-qualitativo. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com 4 pacientes submetidos ao implante de CDI que representam cada uma das variáveis. Os critérios de inclusão foram pacientes do sexo masculino, com cardiopatia isquêmica prévia, implante do CDI como prevenção primária ou secundária de morte súbita cardíaca (MSC), idade entre 50 e 70 anos e dispositivo implantado há, pelo menos, dois anos. Todos os pacientes foram selecionados no ambulatório da Unidade Clínica de Estimulação Cardíaca Artificial do Instituto do Coração HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Os dados foram analisados a partir do referencial Piscossomático e Psicanalítico Freudiano e categorizados posteriormente pela Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada Revisada (EDAO-R). Os resultados demonstraram que a adaptação, segundo o conceito utilizado, ao impacto do CDI e do choque está diretamente ligada ao impacto do IAM e do adoecimento como um todo, e as reações dos pacientes diante dos diferentes episódios parecem análogas evidenciando que só é possível compreender as repercussões psíquicas relativas ao CDI a partir da compreensão das repercussões causadas pela doença que levou o paciente a ter o dispositivo implantado. Um paciente demonstrou estar adaptado ao adoecimento e ao CDI, embora não tenha vivenciado episódios de choque, e os outros três pacientes demonstraram estar em processo de adaptação, vivenciando conflitos psíquicos que influenciam sua capacidade adaptativa. Existem evidências de que, se intervenções psicológicas e informativas forem adotadas, esse processo ocorrerá de maneira mais eficaz
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Esses choques elétricos são classificados como apropriados quando o disparo ocorre em decorrência de arritmia potencialmente fatal, ou inapropriados quando o CDI dispara o choque em função de interpretação incorreta dos batimentos cardíacos. Em geral, ocorrem com o paciente consciente provocando desconforto inesperado, geralmente de forte intensidade. A maneira como o paciente vivencia tais acontecimentos, suas reações e sua capacidade de enfrentamento diante de situações inesperadas influenciam de forma relevante sua adaptação à doença e ao CDI. Além disso, o dispositivo é um objeto estranho alojado dentro do corpo, que remete a falha no funcionamento cardíaco, podendo despertar sentimentos ambivalentes e dificuldade de elaboração. Assim, o principal objetivo desse estudo foi descrever e compreender como os pacientes entrevistados vivenciaram e se adaptaram ao implante do CDI a partir das quatro variáveis possíveis relacionadas ao funcionamento do dispositivo: ausência de choques, presença de choques apropriados, presença de choques inapropriados e presença de choques mistos (apropriados e inapropriados). Para tanto, foi utilizado o método clínico-qualitativo. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com 4 pacientes submetidos ao implante de CDI que representam cada uma das variáveis. Os critérios de inclusão foram pacientes do sexo masculino, com cardiopatia isquêmica prévia, implante do CDI como prevenção primária ou secundária de morte súbita cardíaca (MSC), idade entre 50 e 70 anos e dispositivo implantado há, pelo menos, dois anos. Todos os pacientes foram selecionados no ambulatório da Unidade Clínica de Estimulação Cardíaca Artificial do Instituto do Coração HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Os dados foram analisados a partir do referencial Piscossomático e Psicanalítico Freudiano e categorizados posteriormente pela Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada Revisada (EDAO-R). Os resultados demonstraram que a adaptação, segundo o conceito utilizado, ao impacto do CDI e do choque está diretamente ligada ao impacto do IAM e do adoecimento como um todo, e as reações dos pacientes diante dos diferentes episódios parecem análogas evidenciando que só é possível compreender as repercussões psíquicas relativas ao CDI a partir da compreensão das repercussões causadas pela doença que levou o paciente a ter o dispositivo implantado. Um paciente demonstrou estar adaptado ao adoecimento e ao CDI, embora não tenha vivenciado episódios de choque, e os outros três pacientes demonstraram estar em processo de adaptação, vivenciando conflitos psíquicos que influenciam sua capacidade adaptativa. Existem evidências de que, se intervenções psicológicas e informativas forem adotadas, esse processo ocorrerá de maneira mais eficazThe implantable cardioverter - defibrillator (ICD) is an electronic device used to treat patients with episodes or risk of cardiac arrest. It is able to continuously monitor of the patients heart rate for the recognition of fatal arrhythmias and the consequent triggering of shocks to reverse them. These electric shocks are classified as appropriate when the triggering occurs due to potentially fatal arrhythmias or inappropriate when the ICD fires the shock due to incorrect interpretation of the heart beat. In general, the shocks occur while patients are conscious, thus causing unexpected discomfort of strong intensity. The way the patient experiences such events, their reactions and their ability to cope with unexpected situations substantially influence their adaptation to the disease and to ICD. Furthermore, the device is a foreign object lodged inside the body, which refers to a malfunction of the heart and may arouse ambivalent feelings and difficulty of adaptation. Thus, the main objective of this study was to describe and understand how surveyed patients experienced and adapted to ICD implantation from the four variables related to operation of the device: the absence of shocks, the presence of appropriate shocks, the presence of inappropriate shocks and presence of (appropriate and inappropriate) mixed shocks. In order to carry out the study, the clinical-qualitative method was used. Semi-structured interviews were conducted with 4 patients undergoing ICD implantation that represent each variable. Inclusion criteria were male patients with previous ischemic heart disease, ICD implantation as primary or secondary prevention procedure of sudden cardiac death (SCD ), aged between 50 and 70 years who had the implanted device for at least two years. All patients were selected from the outpatient clinic of the Clinical Unit of Cardiac Pacing of the Heart Institute - HC - USP (Hospital das Clinicas, Medical School, University of São Paulo). Data were analyzed having the Psychosomatic and Freudian Psychoanalytic referential and subsequently categorized by the Revised Operational Adaptive Diagnostic Scale (ROADS). The results have shown that adaptation (according to the concept used) to the impact of ICD and shock is directly linked to the impact of AMI and to the disease as a whole and that the reactions of patients on the different episodes seem analogous, showing that you can only understand psychic repercussions on the ICD from the understanding of the effects caused by the disease that led the patient to have the device implanted. One of the patients proved to be adapted to the illness and the ICD, although he has not experienced episodes of shock while the other three patients demonstrated to be somewhere along the adaptation process, having experienced psychic conflicts that influence their adaptive capacity. There is evidence that if psychological interventions are adopted, this adaptation process will occur much more effectivelyBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRodrigues, Avelino LuizGomes, Andréa Cristina Boldrim Pinto2014-11-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-09032015-112903/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2017-03-17T05:59:36Zoai:teses.usp.br:tde-09032015-112903Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212017-03-17T05:59:36Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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