Itinerário terapêutico e busca por cuidados à saúde de mulheres lésbicas e bissexuais cisgênero: um olhar para o câncer de mama e ginecológico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Souza, Carolina de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59141/tde-05062025-112307/
Resumo: Revisão sistemática da literatura não identificou pesquisas sobre câncer de mama e ginecológico que tenham abordado a questão da assistência às mulheres não heterossexuais acometidas. Nessa direção, torna-se relevante pensar nas especificidades que acompanham o itinerário terapêutico de mulheres lésbicas e bissexuais que tiveram suas trajetórias de vida interceptadas pelo câncer. Também é relevante investigar o que as mulheres lésbicas e bissexuais que não vivenciaram o câncer de mama e ginecológico imaginam que seja necessário durante o tratamento oncológico para que as pacientes não heterossexuais que receberam o diagnóstico tenham acesso a cuidados de saúde adequados. Considerando esses pressupostos, este estudo teve como objetivo compreender os significados construídos por mulheres lésbicas/bissexuais diagnosticadas com câncer de mama ou ginecológico em seus itinerários terapêuticos e de mulheres lésbicas/bissexuais sem diagnóstico de câncer em suas trajetórias de cuidados em saúde. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo-exploratório, com recorte transversal e que tem como referencial teórico os estudos feministas de gênero na perspectiva da saúde. Participaram da pesquisa dez mulheres que se autoidentificaram como lésbicas e uma mulher bissexual. A amostra foi composta por quatro participantes com diagnóstico de câncer de mama e sete sem diagnóstico de doença oncológica. Foram realizadas entrevistas semidirigidas com questões que buscaram circunscrever as experiências das mulheres lésbicas e bissexuais com e sem histórico de doença oncológica em sua busca por atendimento nos serviços de saúde. As entrevistas foram realizadas individualmente, mediadas pelo uso de tecnologia, com duração de 33 a 152 minutos, e gravadas mediante autorização das participantes. O conteúdo audiogravado foi transcrito literalmente e na íntegra. Posteriormente, os dados foram organizados com base na análise temática reflexiva e analisados e discutidos com amparo dos estudos feministas de gênero na perspectiva da saúde. Três artigos empíricos foram produzidos no intuito de responder aos objetivos desta pesquisa. O Artigo 1 abordou exclusivamente as participantes que não tiveram diagnóstico de câncer, focalizando sua busca por exames preventivos, que podem facilitar a identificação da doença em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz. Elas relataram que se consultaram com a ginecologista pelo menos uma vez e realizaram exames preventivos. Entretanto, destacaram que as profissionais de saúde não estão adequadamente preparadas para atender às necessidades das mulheres que desafiam o padrão heteronormativo. O Artigo 2 abordou exclusivamente o itinerário terapêutico das participantes que tiveram câncer de mama. As temáticas mais comumente encontradas foram: o tempo de espera para o diagnóstico, custos financeiros do tratamento, utilização do serviço público e/ou privado e a maneira como foram recebidas pelas profissionais que as atenderam. Todas as participantes relataram situações de desconforto vivenciadas nos serviços de saúde, o que reforça o despreparo das profissionais para lidar com a diversidade sexual, questão que também foi abordada no Artigo 1. O Artigo 3 concentrou-se nas experiências vividas pelas pacientes durante o tratamento oncológico, bem como os significados que as mulheres lésbicas sem diagnóstico construíram sobre o câncer de mama. Um achado interessante de ser destacado é que as experiências desafiadoras das mulheres que enfrentaram o câncer foram descritas com precisão pelas participantes que não vivenciaram esse diagnóstico. A questão da invisibilização da orientação sexual nas consultas médicas e o medo de sofrer discriminação nos serviços de saúde emergiram nos relatos das participantes do Artigo 3 e também foram temas elencados nos Artigos 1 e 2, aspectos que merecem atenção na definição de prioridades de políticas públicas e na formação dos profissionais de saúde.
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Também é relevante investigar o que as mulheres lésbicas e bissexuais que não vivenciaram o câncer de mama e ginecológico imaginam que seja necessário durante o tratamento oncológico para que as pacientes não heterossexuais que receberam o diagnóstico tenham acesso a cuidados de saúde adequados. Considerando esses pressupostos, este estudo teve como objetivo compreender os significados construídos por mulheres lésbicas/bissexuais diagnosticadas com câncer de mama ou ginecológico em seus itinerários terapêuticos e de mulheres lésbicas/bissexuais sem diagnóstico de câncer em suas trajetórias de cuidados em saúde. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo-exploratório, com recorte transversal e que tem como referencial teórico os estudos feministas de gênero na perspectiva da saúde. Participaram da pesquisa dez mulheres que se autoidentificaram como lésbicas e uma mulher bissexual. A amostra foi composta por quatro participantes com diagnóstico de câncer de mama e sete sem diagnóstico de doença oncológica. Foram realizadas entrevistas semidirigidas com questões que buscaram circunscrever as experiências das mulheres lésbicas e bissexuais com e sem histórico de doença oncológica em sua busca por atendimento nos serviços de saúde. As entrevistas foram realizadas individualmente, mediadas pelo uso de tecnologia, com duração de 33 a 152 minutos, e gravadas mediante autorização das participantes. O conteúdo audiogravado foi transcrito literalmente e na íntegra. Posteriormente, os dados foram organizados com base na análise temática reflexiva e analisados e discutidos com amparo dos estudos feministas de gênero na perspectiva da saúde. Três artigos empíricos foram produzidos no intuito de responder aos objetivos desta pesquisa. O Artigo 1 abordou exclusivamente as participantes que não tiveram diagnóstico de câncer, focalizando sua busca por exames preventivos, que podem facilitar a identificação da doença em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz. Elas relataram que se consultaram com a ginecologista pelo menos uma vez e realizaram exames preventivos. Entretanto, destacaram que as profissionais de saúde não estão adequadamente preparadas para atender às necessidades das mulheres que desafiam o padrão heteronormativo. O Artigo 2 abordou exclusivamente o itinerário terapêutico das participantes que tiveram câncer de mama. As temáticas mais comumente encontradas foram: o tempo de espera para o diagnóstico, custos financeiros do tratamento, utilização do serviço público e/ou privado e a maneira como foram recebidas pelas profissionais que as atenderam. Todas as participantes relataram situações de desconforto vivenciadas nos serviços de saúde, o que reforça o despreparo das profissionais para lidar com a diversidade sexual, questão que também foi abordada no Artigo 1. O Artigo 3 concentrou-se nas experiências vividas pelas pacientes durante o tratamento oncológico, bem como os significados que as mulheres lésbicas sem diagnóstico construíram sobre o câncer de mama. Um achado interessante de ser destacado é que as experiências desafiadoras das mulheres que enfrentaram o câncer foram descritas com precisão pelas participantes que não vivenciaram esse diagnóstico. A questão da invisibilização da orientação sexual nas consultas médicas e o medo de sofrer discriminação nos serviços de saúde emergiram nos relatos das participantes do Artigo 3 e também foram temas elencados nos Artigos 1 e 2, aspectos que merecem atenção na definição de prioridades de políticas públicas e na formação dos profissionais de saúde.A systematic review of the literature did not identify any research on breast or gynecological cancer that addressed the matter of care for non-heterosexual women affected by the disease. In this sense, it is important to think about the specificities that accompany the therapeutic itinerary of lesbian and bisexual women whose lives have been affected by cancer. It is also relevant to investigate what lesbian and bisexual women who have not experienced breast and gynecological cancer imagine is necessary during cancer treatment for non-heterosexual patients who have been diagnosed, to ensure they have access to adequate health care. Considering these assumptions, this study aimed to understand the meanings constructed by lesbian/bisexual women diagnosed with breast or gynecological cancer during their therapeutic itineraries, as well as by those without a cancer diagnosis through their health care trajectories. This is a qualitative, descriptive-exploratory, cross-sectional study whose theoretical framework is feminist gender studies from a health perspective. Ten women who self-identified as lesbians and one bisexual woman took part in the study. The sample consisted of four participants diagnosed with breast cancer and seven without a diagnosis of cancer. Semi-directed interviews were carried out with questions that sought to circumscribe the experiences of lesbian and bisexual women with and without a history of cancer in their search for care in health services. The interviews were conducted individually, mediated using technology, and lasted between 33 and 152 minutes. The audio-recorded content was transcribed verbatim and in its entirety. Subsequently, the data were organized based on reflexive thematic analysis and were analyzed and discussed with the support of feminist gender studies from a health perspective. Three empirical articles were produced to respond to the objectives of this research. Article 1 addressed only those participants who had not been diagnosed with cancer, focusing on their search for preventive examinations, which facilitate early disease detection, when treatment tends to be more effective. Participants reported visiting a gynecologist at least once and undergoing preventive exams. However, they emphasized that health professionals are inadequately prepared to address the needs of women who do not conform to heteronormative expectations. Article 2 looked specifically at the therapeutic itinerary of participants who had had breast cancer. The most common themes included waiting time for diagnosis, financial costs of treatment, utilization of public and/or private services, and participants\' experiences with the professionals who assisted them. All the participants reported uncomfortable situations experienced in health services, which reinforces the lack of preparation among professionals to deal with sexual diversity, an aspect that was also addressed in Article 1. Article 3 focused on the patients\' experiences during cancer treatment, as well as the meanings that undiagnosed lesbian women constructed about breast cancer. Notably, participants without a cancer diagnosis accurately described the challenging experiences reported by those who had faced cancer. The erasure of sexual orientation in medical appointments and the fear of being discriminated against in health services emerged in the reports of the participants in Article 3 and were also themes listed in Articles 1 and 2, aspects that warrant consideration in shaping public policy priorities and in the training of health professionals.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos, Manoel Antonio dosSouza, Carolina de2025-05-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59141/tde-05062025-112307/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-07T09:02:02Zoai:teses.usp.br:tde-05062025-112307Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-07T09:02:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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