Trombose ventricular esquerda: caracterização epidemiológica, clínica e história natural em hospital universitário terciário
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-25112025-170053/ |
Resumo: | A presença de trombos no ventrículo esquerdo (TVE) é reconhecida complicação em pacientes pós- infarto agudo do miocárdio e cardiomiopatias dilatadas. Em nosso meio e na literatura em geral, há paucidade de informações sobre sua ocorrência, tratamento com anticoagulação oral (ACO) e desfechos. Trombos em ventrículo esquerdo (TVE) são frequentemente identificados em portadores de cardiopatia isquêmica e, em nosso meio, portadores de cardiopatia da Doença de Chagas. Suas características morfológicas apresentam descrição variável e são poucas as séries que avaliaram a resolução com uso de anticoagulação oral (ACO) e esta varia com o intervalo entre os exames entre 67 e 87%. OBJETIVOS: Descrever a demografia, etiologia, tratamento e desfechos de portadores de TVE e em possíveis candidatos a apresentarem TVE. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de pacientes recebendo ACO por TVE em serviço universitário terciário. Análise estatística descritiva. RESULTADOS: Identificados 188 pacientes, em sua maioria eram do sexo masculino (72,9%), brancos (75,0%), casados (51,6%) e idade média de 59±12 anos (22 a 87 anos). Dezesseis pacientes (8,5%) receberam ACO por presença de área acinética extensa. Dislipidemia (89,9%) e tabagismo (60,1%) foram os principais fatores de risco na amostra. Quanto à etiologia, cardiopatia isquêmica (69,1%) e Cardiopatia da Doença de Chagas (14,9%) foram as mais frequentes. O escore CHADSVa2Sc mediano foi 3 (0 a 7) e o escore HAS-BLED mediano foi 1 (0 a 4). A fração de ejeção média do ventrículo esquerdo (FEVE) foi de 35±12%, com a maioria apresentando redução significativa da FEVE. Naqueles indivíduos sem presença de trombose no ventrículo esquerdo a fração de ejeção foi não significativamente maior (41±12% vs. 35±12%; p=0,14). Ao longo do seguimento, 13 indivíduos apresentaram eventos clínicos isquêmicos possivelmente vinculados com a presença de trombose ventricular esquerda. Destes, 10 (6%) eventos ocorreram entre os 172 portadores de trombo no exame inicial, mas 3 (18%) eventos ocorreram em pacientes sem trombose ventricular identificada no exame inicial (16 pacientes), mas que receberam anticoagulação oral pela presença de extensa área acinética. Oito dos 13 pacientes que tiveram eventos isquêmicos não apresentavam TVE no exame de controle e destes, cinco (62,5%) haviam interrompido a ACO anteriormente ao evento isquêmico. Etiologia predominantemente foi isquêmica, mas cardiopatia da Doença de Chagas era responsável por cerca de 15% dos casos. Em sua maioria, o TVE foi identificado pela Dopplerecocardiografia, que foi o método aplicado no segundo exame para caracterizar a sua evolução. O exame controle foi realizado 665±673 dias. A varfarina foi o ACO utilizado em todos os pacientes. As medidas bidimensionais foram relatadas em 115 relatórios com a dimensão média inicial de 16 x 11 mm, tendo variado entre 2 e 50mm. Verificou-se que houve resolução total do trombo em 115 (67%) dos casos, apesar do exame não ter sido repetido em 19 pacientes. Em 34 pacientes com trombos persistentes houve grande variabilidade de resposta nas dimensões reportadas. CONCLUSÕES: A presença de trombo em ventrículo esquerdo não é evento raro e demanda atenção para a ocorrência de eventos isquêmicos mesmo em uso de ACO. A taxa de resolução obtida foi dentro da faixa dos resultados internacionais e inédita em nosso meio. A ocorrência de eventos foi relativamente pequena, mas ocorreu de modo expressivo em indivíduos que interromperam a anticoagulação e que não apresentavam TVE no exame inicial. |
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Trombose ventricular esquerda: caracterização epidemiológica, clínica e história natural em hospital universitário terciárioLeft ventricular thrombosis: epidemiological and clinical characterization and natural history in a tertiary university hospitalAkinetic area in the left ventricleAnticoagulaçãoAnticoagulationÁrea acinética no ventrículo esquerdoEventos tromboembólicosLeft ventricular thrombosisThromboembolic eventsTrombose ventricular esquerdaA presença de trombos no ventrículo esquerdo (TVE) é reconhecida complicação em pacientes pós- infarto agudo do miocárdio e cardiomiopatias dilatadas. Em nosso meio e na literatura em geral, há paucidade de informações sobre sua ocorrência, tratamento com anticoagulação oral (ACO) e desfechos. Trombos em ventrículo esquerdo (TVE) são frequentemente identificados em portadores de cardiopatia isquêmica e, em nosso meio, portadores de cardiopatia da Doença de Chagas. Suas características morfológicas apresentam descrição variável e são poucas as séries que avaliaram a resolução com uso de anticoagulação oral (ACO) e esta varia com o intervalo entre os exames entre 67 e 87%. OBJETIVOS: Descrever a demografia, etiologia, tratamento e desfechos de portadores de TVE e em possíveis candidatos a apresentarem TVE. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de pacientes recebendo ACO por TVE em serviço universitário terciário. Análise estatística descritiva. RESULTADOS: Identificados 188 pacientes, em sua maioria eram do sexo masculino (72,9%), brancos (75,0%), casados (51,6%) e idade média de 59±12 anos (22 a 87 anos). Dezesseis pacientes (8,5%) receberam ACO por presença de área acinética extensa. Dislipidemia (89,9%) e tabagismo (60,1%) foram os principais fatores de risco na amostra. Quanto à etiologia, cardiopatia isquêmica (69,1%) e Cardiopatia da Doença de Chagas (14,9%) foram as mais frequentes. O escore CHADSVa2Sc mediano foi 3 (0 a 7) e o escore HAS-BLED mediano foi 1 (0 a 4). A fração de ejeção média do ventrículo esquerdo (FEVE) foi de 35±12%, com a maioria apresentando redução significativa da FEVE. Naqueles indivíduos sem presença de trombose no ventrículo esquerdo a fração de ejeção foi não significativamente maior (41±12% vs. 35±12%; p=0,14). Ao longo do seguimento, 13 indivíduos apresentaram eventos clínicos isquêmicos possivelmente vinculados com a presença de trombose ventricular esquerda. Destes, 10 (6%) eventos ocorreram entre os 172 portadores de trombo no exame inicial, mas 3 (18%) eventos ocorreram em pacientes sem trombose ventricular identificada no exame inicial (16 pacientes), mas que receberam anticoagulação oral pela presença de extensa área acinética. Oito dos 13 pacientes que tiveram eventos isquêmicos não apresentavam TVE no exame de controle e destes, cinco (62,5%) haviam interrompido a ACO anteriormente ao evento isquêmico. Etiologia predominantemente foi isquêmica, mas cardiopatia da Doença de Chagas era responsável por cerca de 15% dos casos. Em sua maioria, o TVE foi identificado pela Dopplerecocardiografia, que foi o método aplicado no segundo exame para caracterizar a sua evolução. O exame controle foi realizado 665±673 dias. A varfarina foi o ACO utilizado em todos os pacientes. As medidas bidimensionais foram relatadas em 115 relatórios com a dimensão média inicial de 16 x 11 mm, tendo variado entre 2 e 50mm. Verificou-se que houve resolução total do trombo em 115 (67%) dos casos, apesar do exame não ter sido repetido em 19 pacientes. Em 34 pacientes com trombos persistentes houve grande variabilidade de resposta nas dimensões reportadas. CONCLUSÕES: A presença de trombo em ventrículo esquerdo não é evento raro e demanda atenção para a ocorrência de eventos isquêmicos mesmo em uso de ACO. A taxa de resolução obtida foi dentro da faixa dos resultados internacionais e inédita em nosso meio. A ocorrência de eventos foi relativamente pequena, mas ocorreu de modo expressivo em indivíduos que interromperam a anticoagulação e que não apresentavam TVE no exame inicial.The presence of thrombi in the left ventricle (LVT) is a recognized complication in patients after acute myocardial infarction and in those with dilated cardiomyopathies. There is a paucity of information in the literature and in our setting regarding its occurrence, treatment with oral anticoagulation (OAC), and outcomes. LVT is frequently identified in patients with ischemic heart disease and, in our region, in patients with Chagas disease-related cardiomyopathy. Morphological characteristics are variably described, and few studies have evaluated thrombus resolution with OAC, with resolution rates ranging from 67% to 87%, depending on the interval between exams. OBJECTIVES: To describe the demographics, etiology, treatment, and outcomes of patients with LVT and potential candidates for LVT. METHODS: Retrospective study of patients receiving OAC for LVT in a tertiary university hospital. Descriptive statistical analysis was performed. RESULTS: A total of 188 patients were identified, mostly male (72.9%), White (75.0%), married (51.6%), with a mean age of 59±12 years (range 22 to 87). Sixteen patients (8.5%) received OAC due to the presence of extensive akinetic areas. Dyslipidemia (89.9%) and smoking (60.1%) were the most common risk factors. Regarding etiology, ischemic cardiomyopathy (69.1%) and Chagas cardiomyopathy (14.9%) were the most frequent. The median CHA2DS2-VASc score was 3 (range 0-7), and the median HAS-BLED score was 1 (range 0-4). The mean left ventricular ejection fraction (LVEF) was 35±12%, with most patients showing significantly reduced LVEF. Patients without LVT had a slightly higher, though not statistically significant, LVEF (41±12% vs. 35±12%; p=0.14). During follow-up, 13 patients experienced ischemic events possibly related to LVT. Of these, 10 events (6%) occurred among the 172 patients with LVT on initial imaging, while 3 events (18%) occurred in patients without initial LVT but who received OAC due to extensive akinetic areas. Among the 13 patients with ischemic events, 8 did not have LVT on follow-up imaging, and of these, 5 (62.5%) had previously discontinued anticoagulation. While ischemic etiology predominated, Chagas cardiomyopathy accounted for about 15% of cases. Most LVTs were identified through Doppler echocardiography, which was also used for follow-up imaging. The follow-up exam was performed at a mean of 665±673 days. Warfarin was the anticoagulant used in all cases. Biplane measurements were reported in 115 reports, with an average initial thrombus size of 16 x 11 mm (range 2-50 mm). Complete thrombus resolution was observed in 115 (67%) patients, although follow-up imaging was not performed in 19 cases. Among the 34 patients with persistent thrombi, there was considerable variability in thrombus size over time. CONCLUSIONS: Left ventricular thrombus is not a rare event and requires attention due to the risk of ischemic events even under OAC. The resolution rate observed was within the range of international studies and is unprecedented in our setting. Although the number of ischemic events was relatively low, a significant proportion occurred in patients who had discontinued anticoagulation and had no LVT on initial imaging.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSchmidt, AndreLopes, Roberta Silverio Vaz2025-08-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-25112025-170053/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-09T18:09:08Zoai:teses.usp.br:tde-25112025-170053Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-09T18:09:08Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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