Ayahuasca no tratamento da farmacodependência à cocaína: possíveis intervenções terapêuticas?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Bruno, Vítor
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
DMT
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9143/tde-09122019-185108/
Resumo: Alucinógenos (ALU) são substâncias psicoativas que não induzem o indivíduo à dependência, possuem perfil de segurança de uso mais alto quando comparado a outras drogas e baixa capacidade de causar tolerância ao uso. Estudos recentes propõem o uso de ALU como tratamento a algumas doenças e transtornos relacionados ao sistema nervoso central, como a depressão, ansiedade e dependência. Dentre os ALU, a ayahuasca (AYA), cujo princípio ativo é a dimetiltriptamina (DMT), é uma bebida psicoativa amplamente utilizada pelas populações indígenas em rituais religiosos. Existem evidências de que pode ser eficaz no tratamento de dependência relacionada ao álcool e nicotina. No entanto, para a cocaína, a segunda droga ilícita mais utilizada no Brasil e na Europa, não existem muitos estudos. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial da AYA em prevenir a expressão da sensibilização comportamental (SC) induzida pela cocaína e as repercussões neuroquímicas do tratamento em camundongos C57Bl/6. Para tanto, foi avaliada a influência da administração aguda de AYA (1,76; 3,0; 17,6; 30,0 mg/kg de DMT v.o.) na atividade locomotora dos animais em campo aberto (CA). Como não houve diferença estatística na distância percorrida durante a análise, as duas menores doses (1,76 e 3,0 mg/kg de DMT v.o.) foram escolhidas como doses iniciais para a realização do protocolo de prevenção à expressão da SC induzida pela cocaína. Inicialmente, os animais foram habituados no CA durante 3 dias consecutivos após a administração de solução salina 0,9% i.p. No 4o dia experimental, os animais receberam, durante 10 dias alternados, cocaína 10 mg/kg ou salina 0,9% i.p. e foram submetidos diretamente à avaliação da atividade locomotora no CA por 30 minutos. Vinte e quatro horas depois, receberam, durante 8 dias consecutivos, água ou AYA (1,76 ou 3,0 mg/kg de DMT v.o.) e após 30 minutos da administração, foram colocados no CA por 30 minutos para análise da atividade locomotora. No dia seguinte, os camundongos foram desafiados com uma administração de salina. E, no último dia experimental, foi realizado um desafio com cocaína, sempre colocando o animal no CA por 30 minutos. Nessas doses, a AYA não foi eficaz em prevenir a expressão da SC induzida pela cocaína. Dessa forma, avaliamos doses superiores de AYA (15, 30 e 45 mg/kg de DMT v.o.), as quais foram capazes de prevenir a expressão da SC à cocaína. Assim, o protocolo experimental foi novamente realizado com a menor dose (15 mg/kg de DMT v.o.), ao término do protocolo experimental, os animais foram eutanasiados e tiveram seu córtex pré-frontal, estriado e hipocampo dissecados para análise por immunoblotting dos receptores serotoninérgicos 5-HT1A e 5-HT2A. No entanto, não foram não observadas diferenças significativas ao comparar o nível proteico dos receptores nos grupos experimentais. Dessa forma, esses resultados sugerem que a AYA pode ser uma boa estratégia terapêutica para a dependência em cocaína, abrindo caminho para novos estudos.
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No entanto, para a cocaína, a segunda droga ilícita mais utilizada no Brasil e na Europa, não existem muitos estudos. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial da AYA em prevenir a expressão da sensibilização comportamental (SC) induzida pela cocaína e as repercussões neuroquímicas do tratamento em camundongos C57Bl/6. Para tanto, foi avaliada a influência da administração aguda de AYA (1,76; 3,0; 17,6; 30,0 mg/kg de DMT v.o.) na atividade locomotora dos animais em campo aberto (CA). Como não houve diferença estatística na distância percorrida durante a análise, as duas menores doses (1,76 e 3,0 mg/kg de DMT v.o.) foram escolhidas como doses iniciais para a realização do protocolo de prevenção à expressão da SC induzida pela cocaína. Inicialmente, os animais foram habituados no CA durante 3 dias consecutivos após a administração de solução salina 0,9% i.p. No 4o dia experimental, os animais receberam, durante 10 dias alternados, cocaína 10 mg/kg ou salina 0,9% i.p. e foram submetidos diretamente à avaliação da atividade locomotora no CA por 30 minutos. Vinte e quatro horas depois, receberam, durante 8 dias consecutivos, água ou AYA (1,76 ou 3,0 mg/kg de DMT v.o.) e após 30 minutos da administração, foram colocados no CA por 30 minutos para análise da atividade locomotora. No dia seguinte, os camundongos foram desafiados com uma administração de salina. E, no último dia experimental, foi realizado um desafio com cocaína, sempre colocando o animal no CA por 30 minutos. Nessas doses, a AYA não foi eficaz em prevenir a expressão da SC induzida pela cocaína. Dessa forma, avaliamos doses superiores de AYA (15, 30 e 45 mg/kg de DMT v.o.), as quais foram capazes de prevenir a expressão da SC à cocaína. Assim, o protocolo experimental foi novamente realizado com a menor dose (15 mg/kg de DMT v.o.), ao término do protocolo experimental, os animais foram eutanasiados e tiveram seu córtex pré-frontal, estriado e hipocampo dissecados para análise por immunoblotting dos receptores serotoninérgicos 5-HT1A e 5-HT2A. No entanto, não foram não observadas diferenças significativas ao comparar o nível proteico dos receptores nos grupos experimentais. Dessa forma, esses resultados sugerem que a AYA pode ser uma boa estratégia terapêutica para a dependência em cocaína, abrindo caminho para novos estudos.Psychedelics (PSY) are psychoactive substances that do not induce the individual to addiction, have a higher use safety profile when compared to other drugs and low ability to cause tolerance to use. Recent studies propose the use of PSY as a treatment for some diseases and disorders related to the central nervous system, such as depression, anxiety and addiction. Among the PSY, ayahuasca (AYA), whose active component is dimethyltryptamine (DMT), is a psychoactive drink widely used by indigenous populations in religious rituals. There is evidence that it may be effective in treating alcohol and nicotine addiction. However, for cocaine, the second most widely used illicit drug in Brazil and Europe, there are not many studies. The aim of this study was to evaluate the potential of AYA in preventing cocaine-induced behavioral sensitization (BS) expression and the neurochemical repercussions of this treatment in C57Bl/6 mice. Thus, we evaluated the influence of acute administration of AYA (1.76; 3.0; 17.6; 30.0 mg/kg of DMT, orally) on the locomotor activity of animals in the open field (OF). As there was no statistical difference in the distance travelled during the analysis, the two lowest doses (1.76 and 3.0 mg/kg of DMT, orally) were chosen as initial doses to perform the cocaine-induced expression prevention protocol. First, animals were habituated to OF for 3 consecutive days following administration of saline 0.9% i.p. On the fourth experimental day, the animals received for 10 alternate days cocaine 10 mg/kg or saline 0,9% i.p. and were directly submitted to the evaluation of locomotor activity in OF for 30 minutes. Twenty-four hours later they received, for 8 consecutive days, water or AYA (1.76 or 3.0 mg/kg of DMT, orally), and 30 minutes after administration, they were placed in the OF for 30 minutes for analysis of locomotor activity. The next day, the mice were challenged with saline administration. On the last experimental day, a cocaine challenge was performed, always placing the animal in the OF for 30 minutes. At these doses, AYA was not effective in preventing cocaine-induced expression of BS. Thus, we evaluated higher doses of AYA (15, 30 and 45 mg/kg of DMT, orally), which were able to prevent the expression of cocaine-induced BS. Thus, the experimental protocol was again performed with the lowest dose (15 mg/kg of DMT, orally). At the end of the experimental protocol, the animals were euthanized and their prefrontal cortex, striatum and hippocampus were dissected for serotonergic receptor 5-HT1A and 5-HT2A by immunoblotting. However, no significant differences were observed when comparing receptor protein level in the experimental groups. Thus, these results suggest that AYA may be a good therapeutic strategy for cocaine addiction, paving the way for further studies.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMarcourakis, TaniaBruno, Vítor2019-10-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9143/tde-09122019-185108/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2019-12-13T22:28:02Zoai:teses.usp.br:tde-09122019-185108Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212019-12-13T22:28:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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