Habitação guarani: tradição construtiva e mitologia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1989
Autor(a) principal: Costa, Carlos Roberto Zibel
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-24042025-115306/
Resumo: Este trabalho estuda o complexo habitacional na cultura da Nação Indígena Guarani, vista como um componente da familia Linguística Tupi-Guarani. O objetivo perseguido é compreender arquitetura, o território, a edificação e a tecnologia a ele associado sob o ponto de vista dos compromissos existentes na cultura Guarani, entre o conceito e o campo da habitação e à \"ideologia\" ou visão de mundo e natureza (conhecimentos e doutrinas cosmológicas e metafísicas). A pesquisa de campo foi realizada junto ao subgrupo Mbyá-Guarani da Aldeia Morro da Saudade, em Parelheiros, localizado em São Paulo. Foram levantados, metricamente, conjuntos habitacionais de três núcleos familiares influentes, e feita ampla documentação fotográfica das estruturas que compoem o território, suas edificações, equipamentos de uso familiar e coletivo, objetos utilitários e artesanto comercial. O estudo desse material gráfico possibilitou a elaboração de tendências claras, de ordem arquitetônica programática, estética, tecnológica e construtiva, naquela comuni dade. Posteriormente, realizou-se levantamento bibliográfico, junto à etnografia Tupi-Guarani, elaborada pelos primeiros cronistas americanos, dos séculos XVI e XVII, e outras obras mais recentes, algumas desta década, que se dedicaram especialmente aos Guarani do sul do Brasil e do Paraguai. O trabalho nesse material informativo permitiu traçar um perfil bastante consistente da habitação, território, conhecimentos e técnicas comuns aos grupos da Família Linguística Tupi-Guarani. Posteriormente, a comparação entre os dois tipos de materiais levantados, permitiram o estabelecimento de algumas conclusões: existência efetiva da inter-penetração das ideias culturais, referentes à cosmologia e metafísica, na conceituação, projeto, estabelecimento, construção e uso desse complexo habitacional; persistência e originalidade seculares de algumas soluções arquitetônicas, construtivas tecnológicas, encontradas ainda hoje entre os Guarani e que, parte da etnografia, atribui à influência branca européia; e, como derivação desta situação: - indícios da provável influência Guarani (ou Tupi-Guarani) sobre alguns aspectos da habitação brasileira, especialmente na tecnologia exploratória e, na colonização posterior às entradas bandeirantes, nos conhecimentos, práticas de sobrevivência e construções caboclas e caiçaras de São Paulo. A primeira constatação lógica é que o habitat Guarani (Tupi-Guarani), ao longo dos séculos permaneceu sendo o meio florestal; algumas situações estranhas revelaram-se XIX fruto de contingências políticas e históricas, ou de uma relação passageira e indesejável. ·Quase como corolário desse habitat, surge o conceito e, quando possível, a realização material da casa tradicional Guarani; este edifício apresenta programa arquitetônico claro e métodos, técnicas e materiais consagrados, que constroem um espaço (coberto) vital, na cultura Guarani. Este espaço é a contrapartida \"humana\" da floresta \"natural\". Parecem existir, ainda, possibilidades semelhantes às da edificação tradicional incorporadas em determinados objetos de uso ritual ou \"semi-profano\", caso do cachimbo,da cruz, do chocalho, do bastão de ritmo feminino etc., os quais serviriam de auxiliares propiciatórios à consecução da concentração necessária, na obtenção de estados próximos à profecia e ao aguydjé, perfeição. Ainda mais, a forma,o material, o modo de fazer e principalmente a intenção ou condição (pois, no mundo indÍgena, forças \"externas\" podem intervir no plano humano, físico), constituem Ítens necessários à eficiência cultural pretendida. Ora, as condições expostas configuram, na realidade, um conjunto dual: de um lado, o que se chama \"tecnologia Índígena\"; e, de outro lado, à \"postura cultural\" considerada padrão ou ideal; ou seja, somente a cultura tecnológica indígena tradicional garante a existência de produtos espaciais e arquitetônicos ou objetais, de origem tradicional Guarani. Parece que, enquanto houver as poucas fontes materiais necessárias e os valores espirituais da tradição Guarani, existirão seus objetos e edifícios tradicionais, com toda a sua eficiência cultural, inclusive.
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Foram levantados, metricamente, conjuntos habitacionais de três núcleos familiares influentes, e feita ampla documentação fotográfica das estruturas que compoem o território, suas edificações, equipamentos de uso familiar e coletivo, objetos utilitários e artesanto comercial. O estudo desse material gráfico possibilitou a elaboração de tendências claras, de ordem arquitetônica programática, estética, tecnológica e construtiva, naquela comuni dade. Posteriormente, realizou-se levantamento bibliográfico, junto à etnografia Tupi-Guarani, elaborada pelos primeiros cronistas americanos, dos séculos XVI e XVII, e outras obras mais recentes, algumas desta década, que se dedicaram especialmente aos Guarani do sul do Brasil e do Paraguai. O trabalho nesse material informativo permitiu traçar um perfil bastante consistente da habitação, território, conhecimentos e técnicas comuns aos grupos da Família Linguística Tupi-Guarani. Posteriormente, a comparação entre os dois tipos de materiais levantados, permitiram o estabelecimento de algumas conclusões: existência efetiva da inter-penetração das ideias culturais, referentes à cosmologia e metafísica, na conceituação, projeto, estabelecimento, construção e uso desse complexo habitacional; persistência e originalidade seculares de algumas soluções arquitetônicas, construtivas tecnológicas, encontradas ainda hoje entre os Guarani e que, parte da etnografia, atribui à influência branca européia; e, como derivação desta situação: - indícios da provável influência Guarani (ou Tupi-Guarani) sobre alguns aspectos da habitação brasileira, especialmente na tecnologia exploratória e, na colonização posterior às entradas bandeirantes, nos conhecimentos, práticas de sobrevivência e construções caboclas e caiçaras de São Paulo. 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