Avaliação dos efeitos do tratamento com progesterona nas alterações mesentéricas e intestinais em modelo experimental de isquemia e reperfusão por oclusão aórtica em ratos machos
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5156/tde-02102025-151102/ |
Resumo: | Introdução: A isquemia é caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo para uma área ou órgão específico. O baixo fluxo leva a diminuição de oxigênio e nutrientes e a não reversão deste quadro pode levar à morte celular. A restauração do fluxo, reperfusão, pode agravar danos já estabelecidos durante a isquemia. Dentre os órgãos do sistema gastrointestinal, o intestino é possivelmente o mais sensível, por conter células lábeis facilmente lesadas pela isquemia. Estudos recentes indicam diferenças na resposta ao choque, trauma ou sepse entre machos e fêmeas, constatando que fêmeas são mais resistentes que machos. Trabalhos indicam que hormônios sexuais, como a progesterona, modulam lesões inflamatórias, reduzindo inflamação, estresse oxidativo e apoptose. Portanto o objetivo do projeto foi investigar o efeito do tratamento com progesterona na lesão mesentérica e intestinal em modelo de isquemia e reperfusão ocasionado por oclusão aórtica. Métodos: Ratos Wistar machos foram randomizados em quatro grupos: Sham (falso operados, n=12), IR (isquemia por 30 min e reperfusão por 2h, n=12), Pré P4 (progesterona 2 mg/kg, i.v., 30 min antes da isquemia, n=12) e Pós P4 (progesterona 2 mg/kg, i.v., na desoclusão, n=12). Foram avaliados: motilidade, permeabilidade intestinal e microvascular, atividade de mieloperoxidase, morfometria intestinal, mediadores inflamatórios séricos, interação leucócito-endotélio por microscopia intravital, expressão proteica (imunohistoquímica) e gênica (PCR em tempo real) de moléculas relacionadas à inflamação. Resultados: Os animais do grupo Pós P4 apresentaram redução significativa da quimiocina CINC-1 no soro em relação ao grupo IR (P<0,001). Observamos a diminuição do trânsito gastrointestinal no grupo IR em comparação ao Sham, que foi restabelecida no grupo Pós P4 em relação ao IR (P= 0,005). A permeabilidade da barreira intestinal aumentou no grupo IR em relação ao Sham e foi reduzida no grupo Pré P4 em comparação ao IR (P=0,004). Já em relação à permeabilidade microvascular, os animais do grupo Pós P4 exibiram um menor extravasamento em comparação ao IR (P= 0,250). No mesentério, observamos que o número de leucócitos aderidos e migrados aumentou no grupo IR em relação ao Sham (P<0,001) e foi reduzido nos grupos tratados com progesterona. A expressão de P-selectina nos vasos mesentéricos diminuiu no grupo Pós P4 em relação ao IR (P= 0,037). Ainda, a atividade de MPO intestinal foi menor no grupo Pré P4 (P= 0,064) e sua expressão proteica foi reduzida nos dois grupos tratados (P< 0,001). Houve uma redução de Caspase-3 nos animais do grupo Pré P4 em relação ao IR (P=0,004). A expressão de eNOS mesentérica no grupo Pré P4 aumentou comparativamente ao IR (P = 0,002). Conclusão: A administração de progesterona apresentou benefícios no trânsito gastrointestinal, preservando a barreira intestinal e a perfusão microcirculatória mesentérica. Também modulou a inflamação, reduzindo a interação leucócito-endotélio e a liberação de mediadores inflamatórios. A progesterona não mostrou impacto significativo nas alterações morfométricas da mucosa intestinal, entretanto, foi capaz de reduzir os marcadores apoptóticos. Finalmente, a variação dos efeitos conforme o momento da administração destaca a necessidade de estudos futuros otimizando os protocolos terapêuticos. |
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Avaliação dos efeitos do tratamento com progesterona nas alterações mesentéricas e intestinais em modelo experimental de isquemia e reperfusão por oclusão aórtica em ratos machosEvaluation of progesterone treatment effects on mesenteric and intestinal changes in an experimental model of ischemia and reperfusion by aortic oclusion in male ratsIsquemia miocárdiaMesentérioMesenteryMyocrdial ischemiaProgesteronaProgesteroneReperfusãoReperfusionIntrodução: A isquemia é caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo para uma área ou órgão específico. O baixo fluxo leva a diminuição de oxigênio e nutrientes e a não reversão deste quadro pode levar à morte celular. A restauração do fluxo, reperfusão, pode agravar danos já estabelecidos durante a isquemia. Dentre os órgãos do sistema gastrointestinal, o intestino é possivelmente o mais sensível, por conter células lábeis facilmente lesadas pela isquemia. Estudos recentes indicam diferenças na resposta ao choque, trauma ou sepse entre machos e fêmeas, constatando que fêmeas são mais resistentes que machos. Trabalhos indicam que hormônios sexuais, como a progesterona, modulam lesões inflamatórias, reduzindo inflamação, estresse oxidativo e apoptose. Portanto o objetivo do projeto foi investigar o efeito do tratamento com progesterona na lesão mesentérica e intestinal em modelo de isquemia e reperfusão ocasionado por oclusão aórtica. Métodos: Ratos Wistar machos foram randomizados em quatro grupos: Sham (falso operados, n=12), IR (isquemia por 30 min e reperfusão por 2h, n=12), Pré P4 (progesterona 2 mg/kg, i.v., 30 min antes da isquemia, n=12) e Pós P4 (progesterona 2 mg/kg, i.v., na desoclusão, n=12). Foram avaliados: motilidade, permeabilidade intestinal e microvascular, atividade de mieloperoxidase, morfometria intestinal, mediadores inflamatórios séricos, interação leucócito-endotélio por microscopia intravital, expressão proteica (imunohistoquímica) e gênica (PCR em tempo real) de moléculas relacionadas à inflamação. Resultados: Os animais do grupo Pós P4 apresentaram redução significativa da quimiocina CINC-1 no soro em relação ao grupo IR (P<0,001). Observamos a diminuição do trânsito gastrointestinal no grupo IR em comparação ao Sham, que foi restabelecida no grupo Pós P4 em relação ao IR (P= 0,005). A permeabilidade da barreira intestinal aumentou no grupo IR em relação ao Sham e foi reduzida no grupo Pré P4 em comparação ao IR (P=0,004). Já em relação à permeabilidade microvascular, os animais do grupo Pós P4 exibiram um menor extravasamento em comparação ao IR (P= 0,250). No mesentério, observamos que o número de leucócitos aderidos e migrados aumentou no grupo IR em relação ao Sham (P<0,001) e foi reduzido nos grupos tratados com progesterona. A expressão de P-selectina nos vasos mesentéricos diminuiu no grupo Pós P4 em relação ao IR (P= 0,037). Ainda, a atividade de MPO intestinal foi menor no grupo Pré P4 (P= 0,064) e sua expressão proteica foi reduzida nos dois grupos tratados (P< 0,001). Houve uma redução de Caspase-3 nos animais do grupo Pré P4 em relação ao IR (P=0,004). A expressão de eNOS mesentérica no grupo Pré P4 aumentou comparativamente ao IR (P = 0,002). Conclusão: A administração de progesterona apresentou benefícios no trânsito gastrointestinal, preservando a barreira intestinal e a perfusão microcirculatória mesentérica. Também modulou a inflamação, reduzindo a interação leucócito-endotélio e a liberação de mediadores inflamatórios. A progesterona não mostrou impacto significativo nas alterações morfométricas da mucosa intestinal, entretanto, foi capaz de reduzir os marcadores apoptóticos. Finalmente, a variação dos efeitos conforme o momento da administração destaca a necessidade de estudos futuros otimizando os protocolos terapêuticos.Introduction: Ischemia is characterized by a reduction in blood flow to a specific area or organ. Reduced blood flow leads to a decrease in oxygen and nutrients, and the failure to reverse this condition can result in cell death. The restoration of blood flow, reperfusion, may exacerbate the damage already established during ischemia. Among the organs of the gastrointestinal system, the intestine is possibly the most sensitive due to its labile cells, which are easily damaged by ischemia. Recent studies suggest differences in the response to shock, trauma, or sepsis between males and females, with females demonstrating greater resistance than males. Research indicates that sex hormones, such as progesterone, modulate inflammatory injuries by reducing inflammation, oxidative stress, and apoptosis. Therefore, the objective of this study was to investigate the effect of progesterone treatment on mesenteric and intestinal injury in a model of ischemia and reperfusion induced by aortic occlusion. Methods Male Wistar rats were randomized into four groups: Sham (sham-operated, n=12), IR (ischemia for 30 min and reperfusion for 2 hours, n=12), Pre P4 (progesterone 2 mg/kg, i.v., 30 min before ischemia, n=12), and Post P4 (progesterone 2 mg/kg, i.v., at reperfusion, n=12). The following parameters were evaluated: intestinal and microvascular permeability, intestinal motility, myeloperoxidase activity, intestinal morphometry, serum inflammatory mediators, leukocyte-endothelium interaction via intravital microscopy, protein (immunohistochemistry) and gene (real-time PCR) expression of inflammation-related molecules. Results: The animals in the Post P4 group showed a significant reduction in serum CINC-1 chemokine levels compared to the IR group (P<0.001). Gastrointestinal transit was decreased in the IR group compared to the Sham group, but it was restored in the Post P4 group relative to IR (P=0.005). Intestinal barrier permeability increased in the IR group compared to Sham and was reduced in the Pre P4 group compared to IR (P=0.004). Regarding microvascular permeability, animals in the Post P4 group exhibited less leakage compared to the IR group (P=0.250). In the mesentery, the number of adhered and migrated leukocytes increased in the IR group compared to Sham (P<0.001) and was reduced in the progesterone-treated groups. P-selectin expression in mesenteric vessels decreased in the Post P4 group compared to IR (P=0.037). Additionally, intestinal MPO activity was lower in the Pre P4 group (P=0.064), and its protein expression was reduced in both progesterone-treated groups (P<0.001). Caspase-3 levels were reduced in the Pre P4 group compared to IR (P=0.004). Mesenteric eNOS expression increased in the Pre P4 group compared to IR (P=0.002). Conclusion: The administration of progesterone demonstrated benefits for gastrointestinal transit, preserving the intestinal barrier and mesenteric microcirculatory perfusion. It also modulated inflammation by reducing leukocyte-endothelium interactions and the release of inflammatory mediators. While progesterone did not significantly impact morphometric changes in the intestinal mucosa, however, it effectively reduced apoptotic markers. Finally, the variation in effects depending on the timing of administration underscores the need for future studies to optimize therapeutic protocols.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCorreia, Cristiano de JesusMoreira, Luiz Felipe PinhoAgostinho, Brunella Valbão Flora2025-02-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5156/tde-02102025-151102/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-02T18:23:02Zoai:teses.usp.br:tde-02102025-151102Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-02T18:23:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: A isquemia é caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo para uma área ou órgão específico. O baixo fluxo leva a diminuição de oxigênio e nutrientes e a não reversão deste quadro pode levar à morte celular. A restauração do fluxo, reperfusão, pode agravar danos já estabelecidos durante a isquemia. Dentre os órgãos do sistema gastrointestinal, o intestino é possivelmente o mais sensível, por conter células lábeis facilmente lesadas pela isquemia. Estudos recentes indicam diferenças na resposta ao choque, trauma ou sepse entre machos e fêmeas, constatando que fêmeas são mais resistentes que machos. Trabalhos indicam que hormônios sexuais, como a progesterona, modulam lesões inflamatórias, reduzindo inflamação, estresse oxidativo e apoptose. Portanto o objetivo do projeto foi investigar o efeito do tratamento com progesterona na lesão mesentérica e intestinal em modelo de isquemia e reperfusão ocasionado por oclusão aórtica. Métodos: Ratos Wistar machos foram randomizados em quatro grupos: Sham (falso operados, n=12), IR (isquemia por 30 min e reperfusão por 2h, n=12), Pré P4 (progesterona 2 mg/kg, i.v., 30 min antes da isquemia, n=12) e Pós P4 (progesterona 2 mg/kg, i.v., na desoclusão, n=12). Foram avaliados: motilidade, permeabilidade intestinal e microvascular, atividade de mieloperoxidase, morfometria intestinal, mediadores inflamatórios séricos, interação leucócito-endotélio por microscopia intravital, expressão proteica (imunohistoquímica) e gênica (PCR em tempo real) de moléculas relacionadas à inflamação. Resultados: Os animais do grupo Pós P4 apresentaram redução significativa da quimiocina CINC-1 no soro em relação ao grupo IR (P<0,001). Observamos a diminuição do trânsito gastrointestinal no grupo IR em comparação ao Sham, que foi restabelecida no grupo Pós P4 em relação ao IR (P= 0,005). A permeabilidade da barreira intestinal aumentou no grupo IR em relação ao Sham e foi reduzida no grupo Pré P4 em comparação ao IR (P=0,004). Já em relação à permeabilidade microvascular, os animais do grupo Pós P4 exibiram um menor extravasamento em comparação ao IR (P= 0,250). No mesentério, observamos que o número de leucócitos aderidos e migrados aumentou no grupo IR em relação ao Sham (P<0,001) e foi reduzido nos grupos tratados com progesterona. A expressão de P-selectina nos vasos mesentéricos diminuiu no grupo Pós P4 em relação ao IR (P= 0,037). Ainda, a atividade de MPO intestinal foi menor no grupo Pré P4 (P= 0,064) e sua expressão proteica foi reduzida nos dois grupos tratados (P< 0,001). Houve uma redução de Caspase-3 nos animais do grupo Pré P4 em relação ao IR (P=0,004). A expressão de eNOS mesentérica no grupo Pré P4 aumentou comparativamente ao IR (P = 0,002). Conclusão: A administração de progesterona apresentou benefícios no trânsito gastrointestinal, preservando a barreira intestinal e a perfusão microcirculatória mesentérica. Também modulou a inflamação, reduzindo a interação leucócito-endotélio e a liberação de mediadores inflamatórios. A progesterona não mostrou impacto significativo nas alterações morfométricas da mucosa intestinal, entretanto, foi capaz de reduzir os marcadores apoptóticos. Finalmente, a variação dos efeitos conforme o momento da administração destaca a necessidade de estudos futuros otimizando os protocolos terapêuticos. |
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