Acordos de Leniência na Lei Anticorrupção : a consensualidade a serviço da atuação imperativa da administração pública em um cenário de incertezas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Bianchi, Bruno Guimarães
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2134/tde-11042023-182010/
Resumo: A presente dissertação tem por objetivo examinar o instituto do acordo de leniência no âmbito da Lei n.o 12.846/2013 (Lei Anticorrupção), de forma a se compreender o enquadramento atual do instituto, seus benefícios e, sobretudo, a insegurança jurídica que permeia sua aplicação no âmbito nacional, ainda que diversos avanços tenham sido notados ao longo dos últimos anos. A hipótese subjacente ao presente trabalho é a de que o acordo de leniência pode trazer ganhos de efetividade e eficiência enquanto uma nova alternativa de atuação, mas que, caso utilizado sem a adequada estabilidade institucional e segurança jurídica por parte dos órgãos de controle à luz das disfuncionalidades existentes, acabará por robustecer indevidamente a atividade sancionadora típica da Administração, em franco desestímulo da utilização do acordo pelos particulares. Visando dar cabo ao objetivo proposto e testar a hipótese apresentada, o presente trabalho é dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo, buscou-se identificar o atual estágio do Direito Administrativo Sancionador diante das transformações verificadas ao longo dos últimos anos e, em especial, o regramento atinente ao combate à corrupção. No segundo capítulo, buscou-se apresentar e constatar que a transposição do acordo de leniência ao âmbito anticorrupção se deu sem a necessária compatibilização dos institutos e regramentos já previstos, pelo que se mostrou necessário realizar a devida integração prática dos institutos, especial junto ao acordo de colaboração premiada, programas de incentivos à colaboração e, mais recentemente, com o acordo de não persecução cível. O terceiro capítulo busca abordar questão de especial relevância, por se tratar de um dos principais problemas e fatores de insegurança jurídica que permeiam os acordos de leniência: a questão da competência para celebração do acordo e o papel institucional de cada um dos órgãos legitimados para persecução sancionatória anticorrupção. Assim, buscou-se demonstrar que a existência de multiplicidade de instâncias envolvidas não é um fator, em si, apto a ocasionar insegurança, pelo que se mostra possível a adoção de um modelo harmônico, ainda que multicêntrico, desde que os órgãos envolvidos atuem de forma coordenada e, sobretudo, buscando respeitar os acordos celebrados pelas demais esferas. Por fim, o último capítulo buscou demonstrar que o acordo de leniência é instrumento que visa robustecer a atividade sancionadora imperativa, considerando que os elementos fornecidos pelo particular serão utilizados para obtenção célere de provas da ocorrência do ilícito. Não obstante, devem ser adotados critérios de utilização e procedimentalização dos acordos, sobretudo no que se refere à garantia de segurança jurídica ao colaborador enquanto forma de estimular o emprego do instituto. Demonstrou-se que há um robustecimento esperado da atuação sancionadora (com o fortalecimento da persecução em face dos demais envolvidos no ilícito, para além do colaborador), mas a utilização indevida do instituto (com a utilização das provas obtidas em face do próprio colaborador, por outras instâncias de responsabilização) tem como efeito decorrente o desestímulo ao emprego da leniência, considerando a insegurança jurídica ocasionada aos particulares.
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A hipótese subjacente ao presente trabalho é a de que o acordo de leniência pode trazer ganhos de efetividade e eficiência enquanto uma nova alternativa de atuação, mas que, caso utilizado sem a adequada estabilidade institucional e segurança jurídica por parte dos órgãos de controle à luz das disfuncionalidades existentes, acabará por robustecer indevidamente a atividade sancionadora típica da Administração, em franco desestímulo da utilização do acordo pelos particulares. Visando dar cabo ao objetivo proposto e testar a hipótese apresentada, o presente trabalho é dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo, buscou-se identificar o atual estágio do Direito Administrativo Sancionador diante das transformações verificadas ao longo dos últimos anos e, em especial, o regramento atinente ao combate à corrupção. No segundo capítulo, buscou-se apresentar e constatar que a transposição do acordo de leniência ao âmbito anticorrupção se deu sem a necessária compatibilização dos institutos e regramentos já previstos, pelo que se mostrou necessário realizar a devida integração prática dos institutos, especial junto ao acordo de colaboração premiada, programas de incentivos à colaboração e, mais recentemente, com o acordo de não persecução cível. O terceiro capítulo busca abordar questão de especial relevância, por se tratar de um dos principais problemas e fatores de insegurança jurídica que permeiam os acordos de leniência: a questão da competência para celebração do acordo e o papel institucional de cada um dos órgãos legitimados para persecução sancionatória anticorrupção. Assim, buscou-se demonstrar que a existência de multiplicidade de instâncias envolvidas não é um fator, em si, apto a ocasionar insegurança, pelo que se mostra possível a adoção de um modelo harmônico, ainda que multicêntrico, desde que os órgãos envolvidos atuem de forma coordenada e, sobretudo, buscando respeitar os acordos celebrados pelas demais esferas. Por fim, o último capítulo buscou demonstrar que o acordo de leniência é instrumento que visa robustecer a atividade sancionadora imperativa, considerando que os elementos fornecidos pelo particular serão utilizados para obtenção célere de provas da ocorrência do ilícito. Não obstante, devem ser adotados critérios de utilização e procedimentalização dos acordos, sobretudo no que se refere à garantia de segurança jurídica ao colaborador enquanto forma de estimular o emprego do instituto. Demonstrou-se que há um robustecimento esperado da atuação sancionadora (com o fortalecimento da persecução em face dos demais envolvidos no ilícito, para além do colaborador), mas a utilização indevida do instituto (com a utilização das provas obtidas em face do próprio colaborador, por outras instâncias de responsabilização) tem como efeito decorrente o desestímulo ao emprego da leniência, considerando a insegurança jurídica ocasionada aos particulares.This dissertation aims to examine the leniency agreement institute under Law No. 12,846/2013 (Anti-Corruption Law), to understand the current framework of the institute, its benefits and, above all, the legal uncertainty that permeates its application at the national level, although several advances have been noted over the past few years. The hypothesis underlying the present work is that the leniency agreement can bring effectiveness and efficiency gains as a new alternative of action, but that, if used in a way without adequate institutional stability and legal security on the part of the control bodies, In light of the existing dysfunctions, it will end up unduly strengthening the typical sanctioning activity of the Administration, clearly discouraging the use of the agreement by individuals. Aiming to carry out the proposed objective and test the presented hypothesis, the present work is divided into four chapters. In the first chapter, an attempt was made to identify the current stage of Sanctioning Administrative Law considering the changes that have taken place over the last few years and the rules governing the fight against corruption. In the second chapter, we sought to present and verify that the transposition of the leniency agreement to the anti-corruption scope took place without the necessary compatibility of the institutes and regulations already provided for, so it was necessary to carry out the proper practical integration of the institutes, especially with the agreement award-winning collaboration, incentive programs for collaboration and, more recently, the civil non-prosecution agreement. The third chapter seeks to address an issue of special relevance, as it is one of the main problems and factors of legal uncertainty that permeate leniency agreements: the issue of competence to conclude the agreement and the institutional role of each of the bodies legitimated for prosecution anti-corruption sanction. Thus, we sought to demonstrate that the existence of multiplicity of instances involved is not a factor capable of causing insecurity, so it is possible to adopt a harmonic model, even if multicentric, if the agencies involved act from coordinated manner and, above all, seeking to respect the agreements entered by the other spheres. Finally, the last chapter sought to demonstrate that the leniency agreement is an instrument that seeks to strengthen the mandatory sanctioning activity, considering that the elements provided by the individual will be used to quickly obtain evidence of the occurrence of the offense. Nevertheless, criteria for the use and procedure of the agreements must be adopted, especially about the guarantee of legal security to the employee to encourage the employment of the institute. It was demonstrated that there is an expected strengthening of the sanctioning action (with the strengthening of the prosecution in the face of others involved in the tort, in addition to the employee), but the improper use of the institute (with the use of evidence obtained in the face of the employee himself, by other instances of accountability) has the resulting effect of discouraging the use of leniency, considering the legal uncertainty caused to individuals.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMarques Neto, Floriano Peixoto de AzevedoBianchi, Bruno Guimarães2022-03-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2134/tde-11042023-182010/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-28T19:38:02Zoai:teses.usp.br:tde-11042023-182010Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-28T19:38:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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