Variabilidade da frequência cardíaca e da saturação de oxigênio na criação de modelos de aprendizado de máquina para detecção e classificação da gravidade da apnéia obstrutiva do sono

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Santos, Rafael Rodrigues dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-23012025-095436/
Resumo: A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um distúrbio respiratório do sono altamente prevalente. A polissonografia (PSG), padrão-ouro para seu diagnóstico, é um exame complexo e relativamente pouco acessível, resultando um elevado número de indivíduos subdiagnosticados, e, consequentemente, em risco de desenvolverem diversas comorbidades. Portanto, estudos buscando abordagens alternativas diagnósticas simples e acessíveis são de grande interesse nessa população. A análise da variabilidade da frequência cardíaca (HRV) é uma técnica relativamente simples e não-invasiva que fornece valiosas informações sobre a modulação autonômica no coração. Existem muitos índices de HRV, vários dos quais estão intimamente relacionados com o risco cardíaco e o prognóstico de diversas doenças cardiovasculares e sistêmicas, incluindo a AOS. Além disso, a variabilidade de outros sinais biológicos, como EEG, EMG e oximetria de pulso (SpO2), também tem despertado interesse. Entretanto, certos índices possuem lacunas na literatura acerca de seus resultados quando utilizados em pacientes com AOS. Outra técnica que vem ganhando campo em estudos clínicos é o aprendizado de máquina (AM), visto a possibilidade de criar modelos preditivos usando diversos atributos, sendo útil na distinção de indivíduos patológicos de saudáveis. Com isso, este estudo tem como objetivo avaliar a possibilidade do uso de índices de HRV e do sinal de SpO2 na diferenciação e correlação desses índices com a gravidade da AOS, além da detecção e classificação da AOS de acordo com sua classe de gravidade, através de modelos preditivos e classificatórios de AM. Foram coletados os sinais do ECG e SpO2 de exames de PSG realizados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, para cálculo dos índices, assim como os laudos dos exames para obtenção do índice de apneia-hipopneia (IAH), escore que diagnostica e classifica os indivíduos de acordo com a gravidade da AOS. Foram calculados 34 índices de HRV utilizando métodos nos domínios do tempo e da frequência, além de métodos não lineares. Também foram calculadas medidas não lineares de variabilidade do sinal da SpO2. Ambos os índices de variabilidade (HRV e SpO2), bem como dados clínicos e antropométricos dos pacientes, foram utilizados, isoladamente ou em conjunto, para treinar modelos de AM, usando os algoritmos de Random Forest e Multilayer Perceptron, tanto nos modelos de regressão (visando a predição do IAH) quanto os de classificação (visando a predição da classe de gravidade da AOS). Os índices de HRV mostraram-se alterados em portadores AOS em comparação com indivíduos saudáveis. Correlações significativas foram encontradas entre vários índices de HRV e o IAH, indicando uma relação entre HRV e a gravidade da AOS. Nos modelos de AM, observou-se um melhor desempenho na predição e classificação dos pacientes quando os índices de HRV foram combinados com índices do sinal da SpO2. Os cálculos de índices não-lineares da SpO2 mostraram resultados favoráveis em comparação com índices tradicionalmente utilizados deste sinal, tanto na diferenciação com base na gravidade quanto na correlação com o IAH, atingindo valores de correlação de até 0,8. Os modelos preditivos de AM, criados utilizando apenas os índices da SpO2, tiveram resultados promissores, evidenciando seu possível impacto clínico. Quando combinados com os índices de HRV, esses modelos atingiram valores de 0,9 na área sob a curva ROC, demonstrando um desempenho ainda mais robusto. Nosso estudo demonstrou que sinais como ECG e SpO2 têm potencial para detectar e classificar a AOS de acordo com sua gravidade. Esses resultados podem contribuir para o desenvolvimento de futuras técnicas de triagem de pacientes com essa condição, auxiliando no diagnóstico precoce e, consequentemente, antecipando o início do tratamento, reduzindo os riscos à saúde desses indivíduos.
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spelling Variabilidade da frequência cardíaca e da saturação de oxigênio na criação de modelos de aprendizado de máquina para detecção e classificação da gravidade da apnéia obstrutiva do sonoHeart rate and oxygen saturation variability on the creation of machine learning models for obstructive sleep apnea severity detection and classificationApnéia obstrutiva do sonoArtificial intelligenceAutonomic nervous systemHeart rate variabilityInteligência artificialObstructive sleep apneaOxygen saturationSaturação de oxigênioSistema nervoso autônomoVariabilidade da frequência cardíacaA apneia obstrutiva do sono (AOS) é um distúrbio respiratório do sono altamente prevalente. A polissonografia (PSG), padrão-ouro para seu diagnóstico, é um exame complexo e relativamente pouco acessível, resultando um elevado número de indivíduos subdiagnosticados, e, consequentemente, em risco de desenvolverem diversas comorbidades. Portanto, estudos buscando abordagens alternativas diagnósticas simples e acessíveis são de grande interesse nessa população. A análise da variabilidade da frequência cardíaca (HRV) é uma técnica relativamente simples e não-invasiva que fornece valiosas informações sobre a modulação autonômica no coração. Existem muitos índices de HRV, vários dos quais estão intimamente relacionados com o risco cardíaco e o prognóstico de diversas doenças cardiovasculares e sistêmicas, incluindo a AOS. Além disso, a variabilidade de outros sinais biológicos, como EEG, EMG e oximetria de pulso (SpO2), também tem despertado interesse. Entretanto, certos índices possuem lacunas na literatura acerca de seus resultados quando utilizados em pacientes com AOS. Outra técnica que vem ganhando campo em estudos clínicos é o aprendizado de máquina (AM), visto a possibilidade de criar modelos preditivos usando diversos atributos, sendo útil na distinção de indivíduos patológicos de saudáveis. Com isso, este estudo tem como objetivo avaliar a possibilidade do uso de índices de HRV e do sinal de SpO2 na diferenciação e correlação desses índices com a gravidade da AOS, além da detecção e classificação da AOS de acordo com sua classe de gravidade, através de modelos preditivos e classificatórios de AM. Foram coletados os sinais do ECG e SpO2 de exames de PSG realizados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, para cálculo dos índices, assim como os laudos dos exames para obtenção do índice de apneia-hipopneia (IAH), escore que diagnostica e classifica os indivíduos de acordo com a gravidade da AOS. Foram calculados 34 índices de HRV utilizando métodos nos domínios do tempo e da frequência, além de métodos não lineares. Também foram calculadas medidas não lineares de variabilidade do sinal da SpO2. Ambos os índices de variabilidade (HRV e SpO2), bem como dados clínicos e antropométricos dos pacientes, foram utilizados, isoladamente ou em conjunto, para treinar modelos de AM, usando os algoritmos de Random Forest e Multilayer Perceptron, tanto nos modelos de regressão (visando a predição do IAH) quanto os de classificação (visando a predição da classe de gravidade da AOS). Os índices de HRV mostraram-se alterados em portadores AOS em comparação com indivíduos saudáveis. Correlações significativas foram encontradas entre vários índices de HRV e o IAH, indicando uma relação entre HRV e a gravidade da AOS. Nos modelos de AM, observou-se um melhor desempenho na predição e classificação dos pacientes quando os índices de HRV foram combinados com índices do sinal da SpO2. Os cálculos de índices não-lineares da SpO2 mostraram resultados favoráveis em comparação com índices tradicionalmente utilizados deste sinal, tanto na diferenciação com base na gravidade quanto na correlação com o IAH, atingindo valores de correlação de até 0,8. Os modelos preditivos de AM, criados utilizando apenas os índices da SpO2, tiveram resultados promissores, evidenciando seu possível impacto clínico. Quando combinados com os índices de HRV, esses modelos atingiram valores de 0,9 na área sob a curva ROC, demonstrando um desempenho ainda mais robusto. Nosso estudo demonstrou que sinais como ECG e SpO2 têm potencial para detectar e classificar a AOS de acordo com sua gravidade. Esses resultados podem contribuir para o desenvolvimento de futuras técnicas de triagem de pacientes com essa condição, auxiliando no diagnóstico precoce e, consequentemente, antecipando o início do tratamento, reduzindo os riscos à saúde desses indivíduos.Obstructive sleep apnea (OSA) is a highly prevalent sleep-breathing disorder. Polysomnography (PSG), the gold standard for its diagnosis, is a complex and relatively inaccessible exam, resulting in a high number of underdiagnosed individuals and, consequently, at risk of developing numerous comorbidities. Therefore, studies seeking simple and accessible alternative diagnostic approaches are of great interest in this population. Heart rate variability (HRV) analysis is a relatively simple and non-invasive technique that provides valuable information about autonomic modulation in the heart. There are many HRV indices, several of which are closely related to cardiac risk and the prognosis of various cardiovascular and systemic diseases, including OSA. Furthermore, the variability of other biological signals, such as EEG, EMG, and pulse oximetry (SpO2), has also aroused interest. However, specific indices have gaps in the literature when used in patients with OSA. Another technique that has been gaining ground in clinical studies is machine learning (ML), given the possibility of creating predictive models using many attributes, helping distinguish pathological from healthy individuals. Therefore, this study aims to evaluate the possibility of using HRV and SpO2 indices in the differentiation and correlation of these indices with OSA severity, in addition to detecting and classifying OSA according to its degree of severity through ML predictive and classificatory models. The ECG and SpO2 signals from PSG exams performed at the University Hospital of Ribeirão Preto Medical School of the University of São Paulo were collected to calculate the indices, as well as the exam reports to obtain the apnea-hypopnea index (AHI), the score that diagnoses and classifies individuals according to the severity of OSA. 34 HRV indices were calculated using methods in time and frequency domains, in addition to nonlinear methods. Nonlinear measurements of SpO2 signal variability were also calculated. Both variability indices (HRV and SpO2), as well as patients\' clinical and anthropometric data, were used, alone or in combination, to train ML models, using the Random Forest and Multilayer Perceptron algorithms, both in the regression (seeking the AHI prediction) and classification (seeking to predict the severity class of OSA) models. HRV indices were altered in OSA patients compared to healthy individuals. Correlations were found between several HRV indices and the AHI, showing a relationship between HRV and OSA severity. In ML models, better performance in predicting and classifying patients was acquired when HRV indices were combined with SpO2 indices. Calculations of nonlinear SpO2 indices showed exciting results compared to traditionally used indices of this signal, both in differentiation based on severity and correlation with the AHI, reaching up to 0.8. ML predictive models, created using only SpO2 indices, had promising results, highlighting their possible clinical impact. When combined with HRV indices, these models achieved values of 0.9 in the area under the ROC curve, demonstrating even more robust performance. Our study showed that signals such as ECG and SpO2 have the potential to detect and classify OSA according to its severity. These results can contribute to developing future screening techniques for patients with this condition, helping with early diagnosis and, consequently, anticipating the start of treatment, reducing the health risks for these individuals.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPJúnior, Rubens FazanTinós, RenatoSantos, Rafael Rodrigues dos2024-09-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-23012025-095436/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-05T13:00:02Zoai:teses.usp.br:tde-23012025-095436Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-05T13:00:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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