História do cerco de Lisboa, de José Saramago: a memória histórica como um recurso discursivo
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8150/tde-10022026-144445/ |
Resumo: | História do cerco de Lisboa é um romance publicado em 1989, pelo autor português José Saramago (1922 - 2010). Este romance é uma das principais obras do autor entre as que problematizam a história, a historiografia e a literatura, relacionando-se, assim, diretamente, com outras obras do autor escritas no início da década de 1980, como Levantado do chão (1980), Memorial do convento (1982) e O ano da morte de Ricardo Reis (1984). Este arco histórico de Saramago, na década de 1980, de que faz parte, portanto, História do cerco de Lisboa, constitui uma herança de amplo panorama literário português que se debruça sobre a temática histórica como motivo de sua urdidura, abrangendo, nesse arcabouço, desde o poema épico de Camões, crônicas dos séculos XV, XVI e XVII, romances românticos de Alexandre Herculano e de Almeida Garrett, além de romances de tese de Eça de Queirós e, sem dúvida, a própria poesia pessoana. No entanto, em História do cerco de Lisboa, o autor português agrega um recurso discursivo que reflete as urgências do sujeito português contemporâneo, particularizando sua obra em relação a este panorama literário-historicista português; recurso este denominado, aqui, memória histórica. Nesse sentido, para entender o funcionamento desse romance e o seu uso do recurso da memória histórica, optou-se, neste estudo, por uma abordagem materialista histórico-discursiva, principalmente, a partir dos escritos teóricos desenvolvidos pelo Círculo de Bakhtin, tendo, como base, a Teoria do Romance, que, aqui, permite observar a estilística do romance como gênero literário constituído por um discurso poético. A partir desta premissa de Bakhtin, pode-se observar o gênero romanesco como resultante de um heterodiscurso social, artisticamente organizado, e, com esse specificum do romance, entender como Saramago utiliza-se da memória histórica como recurso discursivo da urdidura de seu romance. Desse modo, a partir dessa poética sociológica, este estudo analisa o romance saramaguiano exatamente na junção que realiza entre sua forma e seu conteúdo, como um produto, portanto, da comunicação social, colocando em discussão a composição historiográfica e ficcional da narrativa em Portugal. Desta forma, ao analisar o romance História do cerco de Lisboa (1989), mostra-se de que forma o autor-criador estabelece, em primeiro momento, a relação entre a produção do discurso historiográfico e o discurso ficcional; em segundo momento, como o romance, sendo objeto artístico, é organizado arquitetônica e composicionalmente pelo autor-criador, por meio de um trabalho com a palavra do outro; e, em terceiro e último momento, demonstra-se como a memória histórica de Portugal é constituída a partir da relação que se dá entre sujeitos de um tempo e de um espaço específicos com outros sujeitos específicos de outros tempos e outros espaços. É, pois, nessa relação entre sujeitos que Saramago estabelece, no romance História do cerco de Lisboa, uma problematização da relação entre história e ficção, materializada pela mobilização paródica da palavra do outro |
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História do cerco de Lisboa, de José Saramago: a memória histórica como um recurso discursivoHistória do cerco de Lisboa, by José Saramago: hystorical memory this discursive artificeEspaçoFicção e HistóriaFiction and HistoryHistória do cerca de LisboaHistória do cerco de LisboaJosé SaramagoJosé SaramagoMemóriaMemoryPoética SociológicaSociological PoeticsSpaceSubjectSujeitoHistória do cerco de Lisboa é um romance publicado em 1989, pelo autor português José Saramago (1922 - 2010). Este romance é uma das principais obras do autor entre as que problematizam a história, a historiografia e a literatura, relacionando-se, assim, diretamente, com outras obras do autor escritas no início da década de 1980, como Levantado do chão (1980), Memorial do convento (1982) e O ano da morte de Ricardo Reis (1984). Este arco histórico de Saramago, na década de 1980, de que faz parte, portanto, História do cerco de Lisboa, constitui uma herança de amplo panorama literário português que se debruça sobre a temática histórica como motivo de sua urdidura, abrangendo, nesse arcabouço, desde o poema épico de Camões, crônicas dos séculos XV, XVI e XVII, romances românticos de Alexandre Herculano e de Almeida Garrett, além de romances de tese de Eça de Queirós e, sem dúvida, a própria poesia pessoana. No entanto, em História do cerco de Lisboa, o autor português agrega um recurso discursivo que reflete as urgências do sujeito português contemporâneo, particularizando sua obra em relação a este panorama literário-historicista português; recurso este denominado, aqui, memória histórica. Nesse sentido, para entender o funcionamento desse romance e o seu uso do recurso da memória histórica, optou-se, neste estudo, por uma abordagem materialista histórico-discursiva, principalmente, a partir dos escritos teóricos desenvolvidos pelo Círculo de Bakhtin, tendo, como base, a Teoria do Romance, que, aqui, permite observar a estilística do romance como gênero literário constituído por um discurso poético. A partir desta premissa de Bakhtin, pode-se observar o gênero romanesco como resultante de um heterodiscurso social, artisticamente organizado, e, com esse specificum do romance, entender como Saramago utiliza-se da memória histórica como recurso discursivo da urdidura de seu romance. Desse modo, a partir dessa poética sociológica, este estudo analisa o romance saramaguiano exatamente na junção que realiza entre sua forma e seu conteúdo, como um produto, portanto, da comunicação social, colocando em discussão a composição historiográfica e ficcional da narrativa em Portugal. Desta forma, ao analisar o romance História do cerco de Lisboa (1989), mostra-se de que forma o autor-criador estabelece, em primeiro momento, a relação entre a produção do discurso historiográfico e o discurso ficcional; em segundo momento, como o romance, sendo objeto artístico, é organizado arquitetônica e composicionalmente pelo autor-criador, por meio de um trabalho com a palavra do outro; e, em terceiro e último momento, demonstra-se como a memória histórica de Portugal é constituída a partir da relação que se dá entre sujeitos de um tempo e de um espaço específicos com outros sujeitos específicos de outros tempos e outros espaços. É, pois, nessa relação entre sujeitos que Saramago estabelece, no romance História do cerco de Lisboa, uma problematização da relação entre história e ficção, materializada pela mobilização paródica da palavra do outroHistória do cerco de Lisboa is a novel published in 1989, by Portuguese author José Saramago (1922-2010). This novel is one of the main works of the author among those who concern history, historiography and literature, relating, as a rule, directly to other works of the author written in the early 1980s, such as Levantado do chão (1980), Memorial do convento (1982) and O ano da morte de Ricardo Reis (1984). This historical arc of Saramago, in the decade of 1980, of which is part História do cerca de Lisboa, constitutes one herança of a wide Portuguese literary panorama which is based on the historical theme as the reason for its composition, embracing, this arc, from epic poem de Camões, chronicles of the 15th, 16th and 17th centuries, romantic novels by Alexandre Herculano and Almeida Garrett, to realist novels by Eça de Queirós and, well as, the Pessoan poetry. Meanwhile, in the História do cerco de Lisboa, the Portuguese author adds a discursive artifice that reflects the urgency of contemporary Portuguese literature, particularizing his work in relation to this Portuguese literary-historical panorama. This discursive artifice is called, here, historical memory. Accordingly, to understand the functioning of romance and its use of historical memory like artifice, in this study, it utilize for a historical-discursive materialist approach, mainly, starting from the theoretical writings developed by the Bakhtin Circle, I tend, as basis , the Theory of Novel, which, here, it allow to observe the style of romance as a literary genre constituted by a poetic discourse. Starting from this premise of Bakhtin, it is possible to observe the novel genre as the result of a social heterodiscursivity, artistically organized, and, as specificity to romance, understand how Saramago uses of the historical memory as a discursive artifice for he compose his novel. Thus, starting from this sociological poetics, this study analyzes the Saramago\'s novel precisely from the point of view of relationship between form and content, as a product, supported by social communication, placing in discussion the historiographical and fictional composition of fiction in Portugal. This form to analyze the romance História do cerca de Lisboa (1989) shows what form the author-writer establishes, in the first moment, a relationship between the production of historiographical discourse and the fictional discourse; in the second moment, how the novel, being an artistic object, it is organized architecturally and compositionally by the author-creator, as a discurse of the outro; and, in the third and last moment, it is demonstrated how the historical memory of Portugal is constituted starting from the relationship that is given between persons of a specific time and space with other specific persons of other times and other spaces. It is in this relationship between subjects that Saramago establishes, in romance História do cerca de Lisboa, a problematization of relationship between history and fiction, materialized by the parodic mobilization of the story of the otherBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCosta, Jose Horacio de Almeida NascimentoSantos, Iago Nunes dos2025-03-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8150/tde-10022026-144445/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-10T17:54:02Zoai:teses.usp.br:tde-10022026-144445Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-10T17:54:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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História do cerco de Lisboa é um romance publicado em 1989, pelo autor português José Saramago (1922 - 2010). Este romance é uma das principais obras do autor entre as que problematizam a história, a historiografia e a literatura, relacionando-se, assim, diretamente, com outras obras do autor escritas no início da década de 1980, como Levantado do chão (1980), Memorial do convento (1982) e O ano da morte de Ricardo Reis (1984). Este arco histórico de Saramago, na década de 1980, de que faz parte, portanto, História do cerco de Lisboa, constitui uma herança de amplo panorama literário português que se debruça sobre a temática histórica como motivo de sua urdidura, abrangendo, nesse arcabouço, desde o poema épico de Camões, crônicas dos séculos XV, XVI e XVII, romances românticos de Alexandre Herculano e de Almeida Garrett, além de romances de tese de Eça de Queirós e, sem dúvida, a própria poesia pessoana. No entanto, em História do cerco de Lisboa, o autor português agrega um recurso discursivo que reflete as urgências do sujeito português contemporâneo, particularizando sua obra em relação a este panorama literário-historicista português; recurso este denominado, aqui, memória histórica. Nesse sentido, para entender o funcionamento desse romance e o seu uso do recurso da memória histórica, optou-se, neste estudo, por uma abordagem materialista histórico-discursiva, principalmente, a partir dos escritos teóricos desenvolvidos pelo Círculo de Bakhtin, tendo, como base, a Teoria do Romance, que, aqui, permite observar a estilística do romance como gênero literário constituído por um discurso poético. A partir desta premissa de Bakhtin, pode-se observar o gênero romanesco como resultante de um heterodiscurso social, artisticamente organizado, e, com esse specificum do romance, entender como Saramago utiliza-se da memória histórica como recurso discursivo da urdidura de seu romance. Desse modo, a partir dessa poética sociológica, este estudo analisa o romance saramaguiano exatamente na junção que realiza entre sua forma e seu conteúdo, como um produto, portanto, da comunicação social, colocando em discussão a composição historiográfica e ficcional da narrativa em Portugal. Desta forma, ao analisar o romance História do cerco de Lisboa (1989), mostra-se de que forma o autor-criador estabelece, em primeiro momento, a relação entre a produção do discurso historiográfico e o discurso ficcional; em segundo momento, como o romance, sendo objeto artístico, é organizado arquitetônica e composicionalmente pelo autor-criador, por meio de um trabalho com a palavra do outro; e, em terceiro e último momento, demonstra-se como a memória histórica de Portugal é constituída a partir da relação que se dá entre sujeitos de um tempo e de um espaço específicos com outros sujeitos específicos de outros tempos e outros espaços. É, pois, nessa relação entre sujeitos que Saramago estabelece, no romance História do cerco de Lisboa, uma problematização da relação entre história e ficção, materializada pela mobilização paródica da palavra do outro |
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