Inteligência artificial : reflexos na responsabilidade civil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Méo, Rodrigo Amaral Paula de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-28052024-130641/
Resumo: A presente pesquisa busca realizar análises inéditas a propósito da intersecção entre inteligência artificial e responsabilidade civil, que pode se demonstrar problemática diante de fatores que o desenvolvimento de tecnologias baseadas nesse tipo de aplicação podem causar, sobretudo, aos atributos imateriais das pessoas naturais, indubitavelmente mais vulneráveis e, tanto mais, quando os direitos colocados sejam baseados em dados sensíveis. Dentre aludidos fatores, teme-se pela irresponsabilização dos entes causadores de danos quando estes forem máquinas, pois, dentre outros motivos pragmáticos, um sistema (robô, algoritmo etc.) não possui patrimônio próprio nem se trata, a princípio, de sujeito de direito a menos que se lhe atribua uma personalidade, hipótese que a tese francamente refuta à vista não somente de fundamentos técnicos, mas também em respeito ao caráter de centralidade do ser humano que, aparentemente, muitas doutrinas têm deixado de observar com a atenção devida. Também como elemento relevante que merece ser enfrentado diante desse contexto encontra-se o risco implicado por operações de inteligência artificial em face dos atributos da personalidade e também da higidez de determinadas aplicações afeitas ao mundo dos negócios , haja vista que a tecnologia aplicada pressupõe o desenvolvimento de algum tipo de autonomia técnica do sistema em relação às pessoas que o criaram, a partir de cujo exercício, portanto, perde-se a possibilidade de antever logo, prevenir eventuais decorrências lesivas; com base em tal premissa e também levando-se em conta que muito frequentemente aludidas tecnologias de inteligência artificial estão inseridas em uma cadeia (ciclo de vida) caracterizada por relações de consumo entende-se pela predominância da modalidade objetiva em detrimento da subjetiva em termos de responsabilização dos agentes. A complexidade de discussões como essas e o fascínio diante de temas como o incremento da autonomia de um instrumento totalmente não humano induziram pensamentos doutrinários ou mesmo esboços institucionais de legislação que propusessem ser a inteligência artificial absorvida em campo autônomo do direito, o que, em termos concretos, implicaria danos severos tanto à ciência jurídica que se diluiria em subcampos divorciados da possibilidade da necessária visão complementar entre distintas abordagens que essa mesma complexidade exige, como, por exemplo, se nota a propósito dos diálogos entre direito civil e consumerista quanto à tutela das pessoas lesionadas, as quais estariam delimitadas em um escopo protetivo mais restritivo. Aliás, entende-se que o foco no dano e na reparação deste deve preponderar nas análises sobre os reflexos da responsabilidade civil motivados pelo advento dos usos práticos da inteligência artificial, com vistas à integralidade da proteção aos atributos concreta ou potencialmente afetados, motivo pelo qual a presente tese também dedica estudos nesse sentido, privilegiando análises em torno de dois objetos que dialogam muito diretamente aos interesses da pessoa natural e, ao mesmo tempo, tanto sob a perspectiva individual quanto coletiva: saúde e mobilidade, levando-se em conta os usos da inteligência artificial na formatação das cidades inteligentes, quanto a este último ponto.
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Dentre aludidos fatores, teme-se pela irresponsabilização dos entes causadores de danos quando estes forem máquinas, pois, dentre outros motivos pragmáticos, um sistema (robô, algoritmo etc.) não possui patrimônio próprio nem se trata, a princípio, de sujeito de direito a menos que se lhe atribua uma personalidade, hipótese que a tese francamente refuta à vista não somente de fundamentos técnicos, mas também em respeito ao caráter de centralidade do ser humano que, aparentemente, muitas doutrinas têm deixado de observar com a atenção devida. Também como elemento relevante que merece ser enfrentado diante desse contexto encontra-se o risco implicado por operações de inteligência artificial em face dos atributos da personalidade e também da higidez de determinadas aplicações afeitas ao mundo dos negócios , haja vista que a tecnologia aplicada pressupõe o desenvolvimento de algum tipo de autonomia técnica do sistema em relação às pessoas que o criaram, a partir de cujo exercício, portanto, perde-se a possibilidade de antever logo, prevenir eventuais decorrências lesivas; com base em tal premissa e também levando-se em conta que muito frequentemente aludidas tecnologias de inteligência artificial estão inseridas em uma cadeia (ciclo de vida) caracterizada por relações de consumo entende-se pela predominância da modalidade objetiva em detrimento da subjetiva em termos de responsabilização dos agentes. A complexidade de discussões como essas e o fascínio diante de temas como o incremento da autonomia de um instrumento totalmente não humano induziram pensamentos doutrinários ou mesmo esboços institucionais de legislação que propusessem ser a inteligência artificial absorvida em campo autônomo do direito, o que, em termos concretos, implicaria danos severos tanto à ciência jurídica que se diluiria em subcampos divorciados da possibilidade da necessária visão complementar entre distintas abordagens que essa mesma complexidade exige, como, por exemplo, se nota a propósito dos diálogos entre direito civil e consumerista quanto à tutela das pessoas lesionadas, as quais estariam delimitadas em um escopo protetivo mais restritivo. Aliás, entende-se que o foco no dano e na reparação deste deve preponderar nas análises sobre os reflexos da responsabilidade civil motivados pelo advento dos usos práticos da inteligência artificial, com vistas à integralidade da proteção aos atributos concreta ou potencialmente afetados, motivo pelo qual a presente tese também dedica estudos nesse sentido, privilegiando análises em torno de dois objetos que dialogam muito diretamente aos interesses da pessoa natural e, ao mesmo tempo, tanto sob a perspectiva individual quanto coletiva: saúde e mobilidade, levando-se em conta os usos da inteligência artificial na formatação das cidades inteligentes, quanto a este último ponto.The present research seeks to carry out unprecedented analyzes regarding the intersection between artificial intelligence and civil liability, which can prove problematic in the face of factors that the development of technologies based on this type of application can cause, above all, to the intangible attributes of natural people, undoubtedly more vulnerable and, even more so, when the rights placed are based on sensitive data. Among the aforementioned factors, there is fear of the irresponsibility of entities causing damage when these are machines, since, among other pragmatic reasons, a system (robot, algorithm, etc.) does not have its own assets nor is it, in principle, a subject of right unless a personality is attributed to it, a hypothesis that the thesis frankly refutes in view not only of technical foundations, but also out of respect for the centrality character of the human being that, apparently, many doctrines have failed to observe with due attention. Also as a relevant element that deserves to be faced in this context is the risk implied by artificial intelligence operations in the face of personality attributes - and also the healthiness of certain applications used in the business world -, given that the technology applied presupposes the development of some type of technical autonomy of the system in relation to the people who created it, from whose exercise, therefore, the possibility of foreseeing therefore, preventing eventual harmful consequences is lost; based on this premise - and also taking into account that very often alluded artificial intelligence technologies are inserted in a chain (life cycle) characterized by consumer relations - it is understood by the predominance of the objective modality to the detriment of the subjective in terms of agent liability. The complexity of discussions like these and the fascination with themes such as the increase in the autonomy of a totally non-human instrument induced doctrinal thoughts or even institutional drafts of legislation that proposed that artificial intelligence was absorbed in an autonomous field of law, which, in real terms, would imply severe damage both to legal science - which would be diluted in subfields divorced from the possibility of the necessary complementary vision between different approaches that this same complexity requires, as, for example, is noted in connection with the dialogues between civil and consumer law - and to the protection of injured people, which would be delimited in a more restrictive protective scope. In fact, it is understood that the focus on damage and its repair should prevail in the analysis of the reflexes of civil liability motivated by the advent of practical uses of artificial intelligence, with a view to the integrality of the protection of the concrete or potentially affected attributes, which is why the present thesis also dedicates studies in this sense, privileging analyzes around two objects that dialogue very directly with the interests of the natural person and, at the same time, both from an individual and collective perspective: health and mobility, taking into account the uses of artificial intelligence in the formatting of smart cities, regarding this last point.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPChinellato, Silmara Juny de AbreuMéo, Rodrigo Amaral Paula de2022-05-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-28052024-130641/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-11-29T14:27:02Zoai:teses.usp.br:tde-28052024-130641Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-11-29T14:27:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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