Avaliação comparativa de métodos clínicos e de imagem para detecção de congestão residual em pacientes hospitalizados com insuficiência cardíaca agudamente descompensada
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-08092025-143351/ |
Resumo: | A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica de alta prevalência e mortalidade não apenas no Brasil, mas no mundo. Pacientes com essa síndrome exibem hospitalizações muito frequentes, sejam elas desencadeadas por má aderência ao tratamento, ou pela história natural da doença. Essas hospitalizações por insuficiência cardíaca agudamente descompensada (ICAD) oneram o serviço público de saúde e acabam contribuindo para o aumento da mortalidade. Vários estudos têm mostrado que nos pacientes que recebem alta hospitalar exibindo ausência de sinais e sintomas de congestão, como edema, turgência venosa de jugular e ortopneia, a chance de uma reospitalização diminui sensivelmente durante a fase vulnerável da doença, que são os 90 dias pós-alta hospitalar. Recentemente, tem-se proposto o uso de métodos de imagem à beira do leito, utilizando o ultrassom \"point-of-care\", para uma avaliação mais acurada da presença de congestão. O presente estudo objetivou comparar a frequência de achados de congestão residual pelo emprego do ultrassom e pelo emprego do escore clínico de congestão do estudo EVEREST em pacientes na fase pré-alta hospitalar de internação por ICAD e correlacionar a detecção de congestão por cada um dos métodos com a ocorrência de eventos clínicos significativos durante a fase vulnerável. O estudo foi prospectivo observacional, incluindo 100 pacientes consecutivos, hospitalizados por ICAD, avaliados no momento da alta hospitalar por 2 observadores independentes e velados quanto a dados clínicos e resultados das outras avaliações um deles aplicou o escore clínico de congestão do estudo EVEREST e outro realizou o ultrassom pulmonar e de VCI. Os pacientes foram monitorados durante a fase vulnerável para ocorrência dos desfechos significativos: uso de furosemida endovenosa, reospitalização e morte. Foram investigados 100 pacientes, idade: 58,2+13,7 anos, 65% brancos, 54% do gênero masculino, perfil hemodinâmico B em 89% dos casos, FEVE: 27,9+13,3%, principal etiologia sendo a Doença de Chagas (26% dos casos). Congestão clínica pelo Escore Composto de Congestão (ECC) positivo foi encontrada em 39% dos pacientes. O ultrassom pulmonar (USGP) revelou congestão em 30% dos pacientes, quando analisados 8 campos e utilizado o critério de > 1 campo positivo (> 3 linhas B) e 23% quando analisados 4 campos e utilizado o critério de > 7 linhas B somadas. Nos pacientes em que o ultrassom de veia cava inferior (USVCI) pode ser obtido (n=93), 34% apresentaram congestão, definida como diâmetro de VCI > 21 mm. Dentre os pacientes sem congestão clínica, 25% apresentaram congestão subclínica detectável apenas pelo uso de USGP ou de VCI. Na fase vulnerável, 16% dos pacientes tiveram o desfecho de uso furosemida endovenosa, 15% precisaram ser reospitalizados por ICAD, 23% precisaram de furosemida endovenosa ou reospitalização e 7% dos pacientes morreram. Na análise da associação com desfechos, nossos resultados mostram na análise de regressão univariada uma associação positiva de congestão clínica detectada pelo Escore Geral do EVEREST e pelo Escore Composto de Congestão do EVEREST com a ocorrência do desfecho de furosemida endovenosa ou reinternação por IC. Adicionalmente, em análise de regressão multivariada, o Escore Composto de Congestão positivo manteve associação independente com a ocorrência deste desfecho. Em contrapartida, na análise de regressão univariada, as variáveis ultrassonográficas, tanto do USGP quanto o USVCI, não mostraram associação significativa com ocorrência do desfecho combinado de furosemida endovenosa ou reospitalização por IC. A presença de congestão residual no momento da alta hospitalar é um achado frequente em pacientes internados por ICAD. Entre os pacientes que não apresentam sinais clínicos de congestão ao final da internação, uma parcela considerável (25%) ainda apresenta congestão subclínica detectada por meio do ultrassom pulmonar ou da VCI. Contudo, a congestão residual identificada exclusivamente pelo ultrassom não se associou a um risco aumentado de eventos adversos na fase vulnerável após alta hospitalar. |
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Avaliação comparativa de métodos clínicos e de imagem para detecção de congestão residual em pacientes hospitalizados com insuficiência cardíaca agudamente descompensadaComparative evaluation of clinical and imaging methods for detecting residual congestion in hospitalized patients with acute decompensated heart failureCongestãoCongestionHeart failureHospitalizaçãoHospitalizationInsuficiência cardíacaUltrasoundUltrassomA insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica de alta prevalência e mortalidade não apenas no Brasil, mas no mundo. Pacientes com essa síndrome exibem hospitalizações muito frequentes, sejam elas desencadeadas por má aderência ao tratamento, ou pela história natural da doença. Essas hospitalizações por insuficiência cardíaca agudamente descompensada (ICAD) oneram o serviço público de saúde e acabam contribuindo para o aumento da mortalidade. Vários estudos têm mostrado que nos pacientes que recebem alta hospitalar exibindo ausência de sinais e sintomas de congestão, como edema, turgência venosa de jugular e ortopneia, a chance de uma reospitalização diminui sensivelmente durante a fase vulnerável da doença, que são os 90 dias pós-alta hospitalar. Recentemente, tem-se proposto o uso de métodos de imagem à beira do leito, utilizando o ultrassom \"point-of-care\", para uma avaliação mais acurada da presença de congestão. O presente estudo objetivou comparar a frequência de achados de congestão residual pelo emprego do ultrassom e pelo emprego do escore clínico de congestão do estudo EVEREST em pacientes na fase pré-alta hospitalar de internação por ICAD e correlacionar a detecção de congestão por cada um dos métodos com a ocorrência de eventos clínicos significativos durante a fase vulnerável. O estudo foi prospectivo observacional, incluindo 100 pacientes consecutivos, hospitalizados por ICAD, avaliados no momento da alta hospitalar por 2 observadores independentes e velados quanto a dados clínicos e resultados das outras avaliações um deles aplicou o escore clínico de congestão do estudo EVEREST e outro realizou o ultrassom pulmonar e de VCI. Os pacientes foram monitorados durante a fase vulnerável para ocorrência dos desfechos significativos: uso de furosemida endovenosa, reospitalização e morte. Foram investigados 100 pacientes, idade: 58,2+13,7 anos, 65% brancos, 54% do gênero masculino, perfil hemodinâmico B em 89% dos casos, FEVE: 27,9+13,3%, principal etiologia sendo a Doença de Chagas (26% dos casos). Congestão clínica pelo Escore Composto de Congestão (ECC) positivo foi encontrada em 39% dos pacientes. O ultrassom pulmonar (USGP) revelou congestão em 30% dos pacientes, quando analisados 8 campos e utilizado o critério de > 1 campo positivo (> 3 linhas B) e 23% quando analisados 4 campos e utilizado o critério de > 7 linhas B somadas. Nos pacientes em que o ultrassom de veia cava inferior (USVCI) pode ser obtido (n=93), 34% apresentaram congestão, definida como diâmetro de VCI > 21 mm. Dentre os pacientes sem congestão clínica, 25% apresentaram congestão subclínica detectável apenas pelo uso de USGP ou de VCI. Na fase vulnerável, 16% dos pacientes tiveram o desfecho de uso furosemida endovenosa, 15% precisaram ser reospitalizados por ICAD, 23% precisaram de furosemida endovenosa ou reospitalização e 7% dos pacientes morreram. Na análise da associação com desfechos, nossos resultados mostram na análise de regressão univariada uma associação positiva de congestão clínica detectada pelo Escore Geral do EVEREST e pelo Escore Composto de Congestão do EVEREST com a ocorrência do desfecho de furosemida endovenosa ou reinternação por IC. Adicionalmente, em análise de regressão multivariada, o Escore Composto de Congestão positivo manteve associação independente com a ocorrência deste desfecho. Em contrapartida, na análise de regressão univariada, as variáveis ultrassonográficas, tanto do USGP quanto o USVCI, não mostraram associação significativa com ocorrência do desfecho combinado de furosemida endovenosa ou reospitalização por IC. A presença de congestão residual no momento da alta hospitalar é um achado frequente em pacientes internados por ICAD. Entre os pacientes que não apresentam sinais clínicos de congestão ao final da internação, uma parcela considerável (25%) ainda apresenta congestão subclínica detectada por meio do ultrassom pulmonar ou da VCI. Contudo, a congestão residual identificada exclusivamente pelo ultrassom não se associou a um risco aumentado de eventos adversos na fase vulnerável após alta hospitalar.Heart failure (HF) is a clinical syndrome with high prevalence and mortality not only in Brazil but worldwide. Patients with this syndrome experience frequent hospitalizations, whether triggered by poor adherence to treatment or the natural progression of the disease. These hospitalizations for acutely decompensated heart failure (ADHF) place a heavy burden on public health systems and contribute to increased mortality. Several studies have shown that patients discharged from the hospital with no signs or symptoms of congestion-such as edema, jugular venous distension, and orthopnea-have a significantly lower chance of readmission during the vulnerable phase of the disease, which includes the 90 days following discharge. Recently, bedside imaging methods, such as point-of-care ultrasound (POCUS), have been proposed for a more accurate assessment of residual congestion. This study aimed to compare the frequency of residual congestion findings using ultrasound and the EVEREST clinical congestion score in patients in the pre-discharge phase of hospitalization for ADHF and to correlate congestion detection by each method with significant clinical events during the vulnerable phase. This prospective observational study included 100 consecutive patients hospitalized for ADHF. At hospital discharge, patients were evaluated by two independent, blinded observers: one applied the EVEREST clinical congestion score, and the other performed lung and IVC ultrasound. Patients were followed throughout the vulnerable phase for significant outcomes: intravenous furosemide use, hospital readmission, and death. 100 patients were evaluated (mean age: 58.2 ± 13.7 years; 65% white; 54% male; 89% with hemodynamic profile B; mean LVEF: 27.9 ± 13.3%). The most common etiology was Chagas disease (26%). Clinical congestion assessed by the EVEREST Composite Congestion Score (CCS) was found in 39% of patients. Lung ultrasound (LUS) revealed congestion in 30% of patients when analyzing eight fields with the criterion of >1 positive field (>3 B-lines) and in 23% when analyzing four fields with a threshold of >7 total B-lines. Among patients with available IVC ultrasound (n=93), 34% showed congestion, defined as IVC diameter >21 mm. Among patients without clinical signs of congestion, 25% had subclinical congestion detectable only by LUS or IVC ultrasound. During the vulnerable phase, 16% of patients required IV furosemide, 15% were re-hospitalized for ADHF, 23% experienced either event, and 7% died. In the univariate regression analysis, clinical congestion detected by the EVEREST General Score and the EVEREST Composite Congestion Score was positively associated with the combined outcome of IV furosemide use or hospital readmission. Additionally, a positive Composite Congestion Score remained an independent predictor of this combined outcome in the multivariate regression analysis. Conversely, in the univariate analysis, both LUS and IVC ultrasound variables were not significantly associated with the combined outcome of IV diuretic use or hospital readmission. Residual congestion at the time of hospital discharge is a common finding in patients admitted for ADHF. Among those who did not show clinical signs of congestion at discharge, a significant proportion (25%) still had subclinical congestion detectable by lung or IVC ultrasound. However, residual congestion identified solely by ultrasound was not associated with an increased risk of adverse events during the vulnerable post-discharge phase.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSimões, Marcus ViníciusHermann, Sheila Carrara2025-05-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-08092025-143351/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-18T20:07:02Zoai:teses.usp.br:tde-08092025-143351Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-18T20:07:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica de alta prevalência e mortalidade não apenas no Brasil, mas no mundo. Pacientes com essa síndrome exibem hospitalizações muito frequentes, sejam elas desencadeadas por má aderência ao tratamento, ou pela história natural da doença. Essas hospitalizações por insuficiência cardíaca agudamente descompensada (ICAD) oneram o serviço público de saúde e acabam contribuindo para o aumento da mortalidade. Vários estudos têm mostrado que nos pacientes que recebem alta hospitalar exibindo ausência de sinais e sintomas de congestão, como edema, turgência venosa de jugular e ortopneia, a chance de uma reospitalização diminui sensivelmente durante a fase vulnerável da doença, que são os 90 dias pós-alta hospitalar. Recentemente, tem-se proposto o uso de métodos de imagem à beira do leito, utilizando o ultrassom \"point-of-care\", para uma avaliação mais acurada da presença de congestão. O presente estudo objetivou comparar a frequência de achados de congestão residual pelo emprego do ultrassom e pelo emprego do escore clínico de congestão do estudo EVEREST em pacientes na fase pré-alta hospitalar de internação por ICAD e correlacionar a detecção de congestão por cada um dos métodos com a ocorrência de eventos clínicos significativos durante a fase vulnerável. O estudo foi prospectivo observacional, incluindo 100 pacientes consecutivos, hospitalizados por ICAD, avaliados no momento da alta hospitalar por 2 observadores independentes e velados quanto a dados clínicos e resultados das outras avaliações um deles aplicou o escore clínico de congestão do estudo EVEREST e outro realizou o ultrassom pulmonar e de VCI. Os pacientes foram monitorados durante a fase vulnerável para ocorrência dos desfechos significativos: uso de furosemida endovenosa, reospitalização e morte. Foram investigados 100 pacientes, idade: 58,2+13,7 anos, 65% brancos, 54% do gênero masculino, perfil hemodinâmico B em 89% dos casos, FEVE: 27,9+13,3%, principal etiologia sendo a Doença de Chagas (26% dos casos). Congestão clínica pelo Escore Composto de Congestão (ECC) positivo foi encontrada em 39% dos pacientes. O ultrassom pulmonar (USGP) revelou congestão em 30% dos pacientes, quando analisados 8 campos e utilizado o critério de > 1 campo positivo (> 3 linhas B) e 23% quando analisados 4 campos e utilizado o critério de > 7 linhas B somadas. Nos pacientes em que o ultrassom de veia cava inferior (USVCI) pode ser obtido (n=93), 34% apresentaram congestão, definida como diâmetro de VCI > 21 mm. Dentre os pacientes sem congestão clínica, 25% apresentaram congestão subclínica detectável apenas pelo uso de USGP ou de VCI. Na fase vulnerável, 16% dos pacientes tiveram o desfecho de uso furosemida endovenosa, 15% precisaram ser reospitalizados por ICAD, 23% precisaram de furosemida endovenosa ou reospitalização e 7% dos pacientes morreram. Na análise da associação com desfechos, nossos resultados mostram na análise de regressão univariada uma associação positiva de congestão clínica detectada pelo Escore Geral do EVEREST e pelo Escore Composto de Congestão do EVEREST com a ocorrência do desfecho de furosemida endovenosa ou reinternação por IC. Adicionalmente, em análise de regressão multivariada, o Escore Composto de Congestão positivo manteve associação independente com a ocorrência deste desfecho. Em contrapartida, na análise de regressão univariada, as variáveis ultrassonográficas, tanto do USGP quanto o USVCI, não mostraram associação significativa com ocorrência do desfecho combinado de furosemida endovenosa ou reospitalização por IC. A presença de congestão residual no momento da alta hospitalar é um achado frequente em pacientes internados por ICAD. Entre os pacientes que não apresentam sinais clínicos de congestão ao final da internação, uma parcela considerável (25%) ainda apresenta congestão subclínica detectada por meio do ultrassom pulmonar ou da VCI. Contudo, a congestão residual identificada exclusivamente pelo ultrassom não se associou a um risco aumentado de eventos adversos na fase vulnerável após alta hospitalar. |
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