Integração visual por meio da exploração ativa: da organização à decisão perceptual
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-05122025-182855/ |
Resumo: | Esta tese investiga a interação dinâmica entre os movimentos oculares, a percepção visual e o processamento cognitivo. Em ambientes naturais, coletamos informações ativamente ao direcionar nosso olhar por meio de movimentos oculares rápidos chamados sacadas. Esse comportamento ativo estrutura a forma como percebemos o mundo visual, mas é frequentemente negligenciado em paradigmas de pesquisa tradicionais que exigem que os participantes mantenham o olhar fixo. Os três estudos apresentados nessa tese exploram como o ciclo contínuo de planejamento e execução de sacadas modula a visão em múltiplos estágios, desde fenômenos básicos de organização perceptual até decisões perceptuais de ordem superior. O primeiro estudo examina como a preparação de uma sacada molda um dos mecanismos fundamentais da visão. Este estudo baseia-se em uma tarefa psicofísica para testar os efeitos de interações laterais, nas quais a percepção de um estímulo central é influenciada por outros estímulos em seu entorno. Em um experimento psicofísico, constatamos que a influência supressora dos elementos circundantes é intensificada em uma área maior do campo visual logo antes do início do movimento ocular, demonstrando que o sistema visual reconfigura dinamicamente o processamento do espaço visual em preparação para uma sacada. O segundo estudo explora como a amostragem visual ativa influencia a integração de evidências em escolhas perceptuais. Este estudo contrasta condições nas quais os participantes coletaram amostras de evidências usando sacadas, seja escolhendo livremente seus alvos ou sendo guiados por pistas espaciais, com a visualização passiva de amostras visuais sob um olhar fixo. Utilizando um modelo computacional para analisar o comportamento, constatamos que a amostragem via sacadas introduziu mais imperfeições na integração de evidências, e que o controle reduzido sobre a amostragem (sacadas guiadas) exacerbou um viés temporal que superestima as amostras vistas mais recentemente. Esses achados demonstram que o modo como obtemos evidências impacta significativamente como essas evidências são acumuladas para formar uma decisão. O terceiro e último estudo explora as dinâmicas cerebrais nos dados de magnetoencefalografia (MEG) registrados no mesmo experimento do estudo anterior. Ao sincronizar temporalmente os sinais de MEG com o início do estímulo, constatamos que as sacadas autoiniciadas induziram respostas visuais imediatas mais fortes do que as guiadas. Além disso, a informação sobre a evidência do estímulo pôde ser decodificada a partir dos sinais de MEG em todas as condições, mas foi consistentemente mais precisa durante a fixação passiva. Esses resultados sugerem que, embora o cérebro mantenha e atualize com sucesso as representações de evidência durante a visão ativa, a estabilidade da fixação sustentada pode proporcionar representações de maior fidelidade dessa evidência. Em conjunto, os estudos desta tese apresentam uma investigação multifacetada da visão ativa, começando por examinar como a preparação de um movimento ocular reconfigura a percepção visual básica, passando a analisar como a agência ao direcionar nosso olhar afeta as decisões perceptuais, e terminando por elucidar como a evidência é representada e integrada no cérebro durante o comportamento visual. Dessa forma, esta tese contribui para uma compreensão mais abrangente da visão, não como uma recepção passiva de informação, mas como um processo ativo no qual movimento e cognição estão fundamentalmente interligados. |
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Integração visual por meio da exploração ativa: da organização à decisão perceptualVisual integration through active sensing: from perceptual organization to perceptual decisionsActive visionEye movementsInterações lateraisLateral interactionsMovimentos ocularesNeurofisiologiaNeurophysiologyPerceptual decision-makingTomada de decisão perceptualVisão ativaEsta tese investiga a interação dinâmica entre os movimentos oculares, a percepção visual e o processamento cognitivo. Em ambientes naturais, coletamos informações ativamente ao direcionar nosso olhar por meio de movimentos oculares rápidos chamados sacadas. Esse comportamento ativo estrutura a forma como percebemos o mundo visual, mas é frequentemente negligenciado em paradigmas de pesquisa tradicionais que exigem que os participantes mantenham o olhar fixo. Os três estudos apresentados nessa tese exploram como o ciclo contínuo de planejamento e execução de sacadas modula a visão em múltiplos estágios, desde fenômenos básicos de organização perceptual até decisões perceptuais de ordem superior. O primeiro estudo examina como a preparação de uma sacada molda um dos mecanismos fundamentais da visão. Este estudo baseia-se em uma tarefa psicofísica para testar os efeitos de interações laterais, nas quais a percepção de um estímulo central é influenciada por outros estímulos em seu entorno. Em um experimento psicofísico, constatamos que a influência supressora dos elementos circundantes é intensificada em uma área maior do campo visual logo antes do início do movimento ocular, demonstrando que o sistema visual reconfigura dinamicamente o processamento do espaço visual em preparação para uma sacada. O segundo estudo explora como a amostragem visual ativa influencia a integração de evidências em escolhas perceptuais. Este estudo contrasta condições nas quais os participantes coletaram amostras de evidências usando sacadas, seja escolhendo livremente seus alvos ou sendo guiados por pistas espaciais, com a visualização passiva de amostras visuais sob um olhar fixo. Utilizando um modelo computacional para analisar o comportamento, constatamos que a amostragem via sacadas introduziu mais imperfeições na integração de evidências, e que o controle reduzido sobre a amostragem (sacadas guiadas) exacerbou um viés temporal que superestima as amostras vistas mais recentemente. Esses achados demonstram que o modo como obtemos evidências impacta significativamente como essas evidências são acumuladas para formar uma decisão. O terceiro e último estudo explora as dinâmicas cerebrais nos dados de magnetoencefalografia (MEG) registrados no mesmo experimento do estudo anterior. Ao sincronizar temporalmente os sinais de MEG com o início do estímulo, constatamos que as sacadas autoiniciadas induziram respostas visuais imediatas mais fortes do que as guiadas. Além disso, a informação sobre a evidência do estímulo pôde ser decodificada a partir dos sinais de MEG em todas as condições, mas foi consistentemente mais precisa durante a fixação passiva. Esses resultados sugerem que, embora o cérebro mantenha e atualize com sucesso as representações de evidência durante a visão ativa, a estabilidade da fixação sustentada pode proporcionar representações de maior fidelidade dessa evidência. Em conjunto, os estudos desta tese apresentam uma investigação multifacetada da visão ativa, começando por examinar como a preparação de um movimento ocular reconfigura a percepção visual básica, passando a analisar como a agência ao direcionar nosso olhar afeta as decisões perceptuais, e terminando por elucidar como a evidência é representada e integrada no cérebro durante o comportamento visual. Dessa forma, esta tese contribui para uma compreensão mais abrangente da visão, não como uma recepção passiva de informação, mas como um processo ativo no qual movimento e cognição estão fundamentalmente interligados.This thesis investigates the complex relationship between eye movements, visual perception, and cognitive processing. In natural environments, we actively gather information by directing our gaze using rapid eye movements called saccades. This active behavior structures how we perceive the visual world, but is often overlooked in traditional research paradigms that require participants to maintain a fixed gaze. The studies presented here explore how the continuous cycle of planning and executing saccades modulates vision at multiple stages, from basic perceptual organization phenomena to higher-order perceptual decisions. The first study examines how preparing a saccade shapes one of the fundamental mechanisms of early vision. This study is based on a psychophysical task to test the effects of lateral interactions, where the perception of a central stimulus is influenced by other stimuli in its surroundings. In a psychophysical experiment, we found that the suppressive influence of surrounding elements is enhanced across a larger area of the visual field just before the eyes start to move, demonstrating that the visual system dynamically reconfigures the processing of visual space in preparation for a saccade. The second study explores how active visual sampling influences the integration of evidence in perceptual choices. This study contrasts conditions where participants sampled evidence using saccades, either by freely choosing their targets or being guided by spatial cues, or passively viewed samples under fixed gaze. Using a computational model to analyze behavior, we found that sampling via saccades raised imperfections in the integration of evidence, and that reduced control over sampling (guided saccades) exacerbated a temporal bias that overweights the most recently seen samples. These findings demonstrate that the mode of sampling significantly impacts how evidence is accumulated to form a decision. The third study explores the brain dynamics in magnetoencephalography (MEG) data, recorded in the same experiment from the previous study. By time-locking MEG signals to stimulus onset, we found that self-initiated saccades elicited stronger immediate visual responses than the guided ones. Moreover, the information about stimulus evidence could be decoded from MEG signals under all conditions, but it was consistently more precise during passive fixation. These results suggest that, while the brain successfully maintains and updates evidence representations during active vision, the stable input from sustained fixation may afford higher-fidelity representations of this evidence. Collectively, the studies in this thesis provide a multi-faceted account of active vision. It begins by examining how the preparation of an eye movement reshapes basic visual perception, proceeds to model how the agency in directing our gaze affects perceptual decisions, and terminates by investigating how evidence is represented and integrated in the brain during visual behavior. Thereby, this thesis contributes to a more comprehensive understanding of vision not as a passive reception of information, but as an active process where movement and cognition are fundamentally intertwined.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRohenkohl, GustavoMelo, Gabriela Mueller de2025-09-15info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-05122025-182855/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-06T09:01:03Zoai:teses.usp.br:tde-05122025-182855Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-06T09:01:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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