Diálogos entre Mani e Narã: espaços vegetados em estabelecimentos jesuíticos na América portuguesa entre os séculos XVI e XVIII
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-03022025-113000/ |
Resumo: | Esta pesquisa teve por objetivo a realização de um mapeamento e caracterização funcional e morfológica/arquitetônico-paisagística de espaços vegetados ligados aos estabelecimentos jesuíticos na América portuguesa, entre 1549 e 1759. Além disso, buscou investigar as culturas paisagísticas envolvidas na estruturação de tais espaços, atentando-se para os choques, contatos e negociações decorrentes da imposição do processo colonial nas Américas. Metodologicamente, a investigação foi orientada por uma abordagem decolonial e sensível à ecologia dos saberes, apoiando-se, para tanto, em um engajamento transdisciplinar para a mobilização de conhecimentos de diferentes campos disciplinares e agentes. Além disso, no quadro historiográfico, alinha-se à abordagem das histórias conectadas e de uma arqueologia da paisagem, partindo de um paradigma indiciário para a análise das fontes documentais. Objetivamente, os procedimentos teórico-metodológicos foram organizados em dois processos sistemáticos, interrelacionados. Um, de problematização teórica, envolvendo a revisão bibliográfica de conceitos e dinâmicas históricas centrais para a compreensão do tema estudado. O outro, de investigação empírica, envolvendo o levantamento, seleção e análise de documentação primária, de natureza textual e iconográfica. A triagem documental partiu da leitura crítica de duas obras basilares: para fontes de natureza textual, partimos da História da Companhia de Jesus no Brasil, do padre Serafim Leite, S.J.; para fontes de natureza iconográfica, partimos da obra Imagens de Vilas e Cidades do Brasil Colonial, de Nestor Goulart Reis Filho. Como resultados, constatou-se a existência de espaços dedicados ao cultivo vegetal e, indiciariamente, à experimentação botânica, em praticamente todos os estabelecimentos jesuíticos na América portuguesa, entre colégios, casas, seminários, casas de campo, sítios, fazendas e aldeamentos. Esses espaços seguiam uma lógica tipológica e funcional, organizando-se em rede pelo território. Os espaços vegetados associados às residências urbanas (colégios e casas) eram as cercas. Em situação periurbana, as quintas de recreio (casas de campo), sítios e roças representam as tipologias arquitetônico-paisagísticas associadas ao cultivo vegetal. Em contexto rural, surgem as fazendas e engenhos, nos quais se faziam presentes também as roças, enquanto espacialidade voltada ao cultivo dos mantimentos, com destaque para a mandioca. Esses espaços estavam organizados de forma sistêmica, estruturando uma rede fundamental para o sustento das atividades missionárias jesuíticas. Além disso, essa rede de espaços vegetados mobilizava tipologias oriundas de diferentes culturas paisagísticas, ibéricas (cercas, quintas), indígenas (roças) e surgidas a partir da imposição do sistema colonial (fazendas, engenhos). Nesse sentido, argumenta-se que, também no âmbito da ocupação territorial e da constituição de paisagens, os jesuítas optaram por estratégias de adaptação aos contextos locais e de apropriação seletiva de conhecimentos e técnicas autóctones. |
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Diálogos entre Mani e Narã: espaços vegetados em estabelecimentos jesuíticos na América portuguesa entre os séculos XVI e XVIIIDialogues between Mani and Narã: vegetated spaces in Jesuit settlements in Portuguese America between the sixteenth and eighteenth centuriesAmérica portuguesaGardensHistória da ArquiteturaHistory of ArchitectureJardinsJesuítasJesuitsPortuguese AmericaEsta pesquisa teve por objetivo a realização de um mapeamento e caracterização funcional e morfológica/arquitetônico-paisagística de espaços vegetados ligados aos estabelecimentos jesuíticos na América portuguesa, entre 1549 e 1759. Além disso, buscou investigar as culturas paisagísticas envolvidas na estruturação de tais espaços, atentando-se para os choques, contatos e negociações decorrentes da imposição do processo colonial nas Américas. Metodologicamente, a investigação foi orientada por uma abordagem decolonial e sensível à ecologia dos saberes, apoiando-se, para tanto, em um engajamento transdisciplinar para a mobilização de conhecimentos de diferentes campos disciplinares e agentes. Além disso, no quadro historiográfico, alinha-se à abordagem das histórias conectadas e de uma arqueologia da paisagem, partindo de um paradigma indiciário para a análise das fontes documentais. Objetivamente, os procedimentos teórico-metodológicos foram organizados em dois processos sistemáticos, interrelacionados. Um, de problematização teórica, envolvendo a revisão bibliográfica de conceitos e dinâmicas históricas centrais para a compreensão do tema estudado. O outro, de investigação empírica, envolvendo o levantamento, seleção e análise de documentação primária, de natureza textual e iconográfica. A triagem documental partiu da leitura crítica de duas obras basilares: para fontes de natureza textual, partimos da História da Companhia de Jesus no Brasil, do padre Serafim Leite, S.J.; para fontes de natureza iconográfica, partimos da obra Imagens de Vilas e Cidades do Brasil Colonial, de Nestor Goulart Reis Filho. Como resultados, constatou-se a existência de espaços dedicados ao cultivo vegetal e, indiciariamente, à experimentação botânica, em praticamente todos os estabelecimentos jesuíticos na América portuguesa, entre colégios, casas, seminários, casas de campo, sítios, fazendas e aldeamentos. Esses espaços seguiam uma lógica tipológica e funcional, organizando-se em rede pelo território. Os espaços vegetados associados às residências urbanas (colégios e casas) eram as cercas. Em situação periurbana, as quintas de recreio (casas de campo), sítios e roças representam as tipologias arquitetônico-paisagísticas associadas ao cultivo vegetal. Em contexto rural, surgem as fazendas e engenhos, nos quais se faziam presentes também as roças, enquanto espacialidade voltada ao cultivo dos mantimentos, com destaque para a mandioca. Esses espaços estavam organizados de forma sistêmica, estruturando uma rede fundamental para o sustento das atividades missionárias jesuíticas. Além disso, essa rede de espaços vegetados mobilizava tipologias oriundas de diferentes culturas paisagísticas, ibéricas (cercas, quintas), indígenas (roças) e surgidas a partir da imposição do sistema colonial (fazendas, engenhos). Nesse sentido, argumenta-se que, também no âmbito da ocupação territorial e da constituição de paisagens, os jesuítas optaram por estratégias de adaptação aos contextos locais e de apropriação seletiva de conhecimentos e técnicas autóctones.The objective of this research was to map and to characterize the functionalities and the architectonical-landscape morphology of the vegetated spaces linked to Jesuit establishments in Portuguese America between 1549 and 1759. It also sought to investigate the landscape cultures involved in structuring these spaces, paying attention to the clashes, contacts and negotiations resulting from the imposition of the colonial process in the Americas. Methodologically, the research was guided by a decolonial approach and sensitive to the ecology of knowledge, relying on a transdisciplinary engagement to mobilize knowledge from different disciplinary fields and agents. In addition, within the historiographical framework, it is aligned with the approach of connected histories and an archaeology of the landscape, starting from an indiciary paradigm for the analysis of documentary sources. Objectively, the theoretical-methodological procedures were organized into two systematic, interrelated processes. One, theoretical problematization, involving a bibliographical review of concepts and historical dynamics that are central to understanding the subject under study. The other was an empirical investigation, involving the collection, selection and analysis of primary documentation, both textual and iconographic. The selection of documents started with a critical reading of two basic works: for textual sources, we started with the História da Companhia de Jesus no Brasil, by Father Serafim Leite, S.J.; for iconographic sources, we used the book Imagens de Vilas e Cidades do Brasil Colonial, by Nestor Goulart Reis Filho. The results showed that there were spaces dedicated to plant cultivation and, indicatively, botanical experimentation, in practically all the Jesuit establishments in Portuguese America, including colleges, houses, seminaries, country houses, farms and villages (aldeamentos). These spaces followed a typological and functional logic, organized in a network throughout the territory. The vegetated spaces associated with urban residences (colleges and houses) were the enclosures. In a peri-urban situation, recreational farms (quintas de recreio), ranches (sítios) and swiddens (roças) represent the architectural and landscape typologies associated with plant cultivation. In a rural context, there were farms and sugar mills (engenhos), in which the swiddens were also present, as a spatiality focused on the cultivation of \'foodstuffs\', especially manioc. These spaces were organized in a systemic way, structuring a network that was fundamental for sustaining Jesuit missionary activities. In addition, this network of vegetated spaces mobilized typologies from different landscape cultures, Iberian (enclosures, quintas de recreio), indigenous (swiddens) and those that emerged from the imposition of the colonial system (farms, sugar mills). In this sense, it is argued that, also in terms of territorial occupation and the constitution of landscapes, the Jesuits opted for strategies of adaptation to local contexts and selective appropriation of indigenous knowledge and techniques.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMartins, Renata Maria de AlmeidaAndre, Mônica Bertoldi2024-09-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-03022025-113000/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-03T16:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-03022025-113000Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-03T16:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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