A (in)visibilidade do pianista colaborador: narrativas e representações

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Baldovino, Guilherme Felipe do Lago
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27158/tde-09032021-004416/
Resumo: O tema deste trabalho está relacionado ao campo específico da música de tradição de concerto chamado de colaboração pianística. Durante o processo de leitura dos relatos dos pianistas atuantes (LINDO, 1916; MOORE, 1956, 1963; SPILLMAN, 1985; KATZ, 2009), percebi a existência de denúncias sobre preconceitos e estereótipos atrelados ao ofício. Estas percepções se mostraram recorrentes apesar dos diferentes contextos históricos e geográficos dos autores. Após a realização do levantamento das narrativas destes pianistas, identifiquei que as queixas se localizam em três campos sociais distintos: o campo pedagógico, artístico e midiático. A fim de evitar uma aplicação irrefletida de questões que, possivelmente, digam mais respeito aos contextos estrangeiros, optei por pesquisar as representações sociais conferidas aos colaboradores na cidade de São Paulo. Para tanto, articulo as narrativas presentes nos livros especializados escritos por pianistas colaboradores com as críticas musicais publicadas no jornal O Estado de São Paulo. Desta maneira, este trabalho tem como objetivo a) compreender as formas de tratamento concedidas aos pianistas colaboradores; b) examinar quais são estes estereótipos e imaginários; e c) entender possíveis inter-relações entre as narrativas dos pianistas, a estrutura de ensino da música e o tratamento midiático. Para o levantamento das críticas musicais, realizei uma pesquisa exploratória junto ao acervo on-line do Estadão na qual reuni, transcrevi e examinei 239 críticas musicais (1919-2012). A análise quantitativa e qualitativa destes documentos foi relacionada com as contribuições da teoria das representações sociais de Serge Moscovici (2003). Através delas, constatei que a forma de tratamento conferida aos pianistas colaboradores está relacionada à instrumentação da apresentação, nos duos instrumentais e vocais, há uma diferença desproporcional entre o tratamento conferido pelos críticos aos solistas e aos pianistas, constituindo estes últimos os instrumentistas sobre os quais os críticos recorrentemente menos destaque conferem; já nos trios e formações maiores, os críticos discorrem mais a respeito da atuação do grupo. Por sua vez, a manutenção de estruturas e tratamentos no campo educacional e midiático foi abordada a partir do conceito de habitus de Pierre Bourdieu (1987, 1996, 2011). Através destas análises, foi possível entender que parte das questões investigadas pode ser compreendida a partir da dinâmica de inter-relação entre as estruturas do: a) campo pedagógico, herdeiro de um modelo de ensino focado na atuação solista e de um habitus conservatorial); b) campo artístico, no qual os indivíduos, preparados pelas instituições para a execução de repertório solista, entram em um embate acerca das dinâmicas de relacionamentos na execução de repertório, recaindo em uma relação de suporte e adequação aos demais instrumentistas; e c) o campo midiático, em que os críticos musicais, partindo de representações sócio-musicais previamente construídas, pouco discorrem sobre os pianistas colaboradores e reforçam, de maneira frequente, estereótipos construídos historicamente.
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A fim de evitar uma aplicação irrefletida de questões que, possivelmente, digam mais respeito aos contextos estrangeiros, optei por pesquisar as representações sociais conferidas aos colaboradores na cidade de São Paulo. Para tanto, articulo as narrativas presentes nos livros especializados escritos por pianistas colaboradores com as críticas musicais publicadas no jornal O Estado de São Paulo. Desta maneira, este trabalho tem como objetivo a) compreender as formas de tratamento concedidas aos pianistas colaboradores; b) examinar quais são estes estereótipos e imaginários; e c) entender possíveis inter-relações entre as narrativas dos pianistas, a estrutura de ensino da música e o tratamento midiático. Para o levantamento das críticas musicais, realizei uma pesquisa exploratória junto ao acervo on-line do Estadão na qual reuni, transcrevi e examinei 239 críticas musicais (1919-2012). A análise quantitativa e qualitativa destes documentos foi relacionada com as contribuições da teoria das representações sociais de Serge Moscovici (2003). Através delas, constatei que a forma de tratamento conferida aos pianistas colaboradores está relacionada à instrumentação da apresentação, nos duos instrumentais e vocais, há uma diferença desproporcional entre o tratamento conferido pelos críticos aos solistas e aos pianistas, constituindo estes últimos os instrumentistas sobre os quais os críticos recorrentemente menos destaque conferem; já nos trios e formações maiores, os críticos discorrem mais a respeito da atuação do grupo. Por sua vez, a manutenção de estruturas e tratamentos no campo educacional e midiático foi abordada a partir do conceito de habitus de Pierre Bourdieu (1987, 1996, 2011). Através destas análises, foi possível entender que parte das questões investigadas pode ser compreendida a partir da dinâmica de inter-relação entre as estruturas do: a) campo pedagógico, herdeiro de um modelo de ensino focado na atuação solista e de um habitus conservatorial); b) campo artístico, no qual os indivíduos, preparados pelas instituições para a execução de repertório solista, entram em um embate acerca das dinâmicas de relacionamentos na execução de repertório, recaindo em uma relação de suporte e adequação aos demais instrumentistas; e c) o campo midiático, em que os críticos musicais, partindo de representações sócio-musicais previamente construídas, pouco discorrem sobre os pianistas colaboradores e reforçam, de maneira frequente, estereótipos construídos historicamente.The theme of this dissertation is related to a specific field of studies from traditional concert music called collaborative piano. During the process of reading the reports of the working pianists (LINDO, 1916; MOORE, 1956, 1963; SPILLMAN, 1985; KATZ, 2009), I noticed the existence of complaints about prejudices and stereotypes linked to this profession. These perceptions proved to be recurrent despite the different historical and geographical contexts of the authors. After listing the narratives of these pianists, I identified that the complaints are located in three distinct social fields: pedagogical, artistic and mediatic. To avoid a direct application of issues possibly related to foreign contexts, I chose to research the social representations given to the collaborative pianists in my context: São Paulo. To this end, I articulate the narratives in the specialized literature and in the musical reviews published in the newspaper O Estado de São Paulo. Thus, this work aims to a) to comprehend the different forms of treatment granted to the collaborative pianists; b) to examine which stereotypes and imagery are used; and c) to understand possible relationships between the narratives, the structure of music teaching and the media treatment. An exploratory research was carried out in the online collection of Estadão, in which 239 musical reviews (1919-2012) were listed and transcribed. The quantitative and qualitative analysis of these documents were informed by Serge Moscovici\'s theory of social representations (2003). Through them, I found that the treatment fiven to the collaborative pianists were related to the instrumentation of the presentation. In vocal and instrumental duos, there is a disproportionate difference between the treatment given by critics to the soloists and the pianists, the latter being the musicians over whom the critics recurrently avoid talking about. In turn, in the trios and major formations, the critics talk more about the performance of the group instead of individuals.In turn, the maintenance of structures and treatments in the educational and mediatic field were approached from Bourdieu\'s concept of habitus (1987, 1996, 2011). These analysis demonstrated that the questions can, in part, be understood in the interrelation between the structures of: a) the pedagogical field, heir to a teaching model focused on soloist performance and a conservatory habitus; b) the artistic field, in which the individuals, prepared by the institutions for the performance of solo repertoire, clash over the dynamics of music performance, falling into a supportive role for the others musicians; and c) the media field, in which music critics, based on previously constructed socio-musical representations, do not approach sufficiently the collaborative pianists and, when they do, frequently reinforce historically constructed stereotypes.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBallestero, Luiz Ricardo BassoBaldovino, Guilherme Felipe do Lago2020-10-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27158/tde-09032021-004416/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2021-03-09T07:30:02Zoai:teses.usp.br:tde-09032021-004416Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212021-03-09T07:30:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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